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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

verbo liga ação


falam de natal

do caos das vitrines

das prendas das crendices

de humanização


falo de mim

de você

de você em mim


das luas que não demos por conta...






eu queria um verso capaz
de atrair perdidos e achados

algo que se pusesse no bolso

ou na ponta do cigarro

mas falta verbo liga ação
sua camisa, meus lábios



terça-feira, 24 de agosto de 2010

____. bilíngue


[e por falar em formigas...]


O que posso dizer...


se tuas palavras não ditas

vestiram-me, bilíngue, rosa partida

entrelaçada em flor

de sisal?


se há na tua língua um tropel de formigas

onde levantei broquel suicida

capaz de fundir

manancial?


O que posso dizer...


se todas as cores de Monet cegaram-me

a retina, traindo-me as narinas

entre surtos e silêncios

de Chagall?


se depois de vender flores,

enfileirar flamas em frascos de

silêncios assustadores

o resto me parece

completamente

banal?


‘mais’...


por falar em formigas...




* As estrofes dos poemas encaminham para outras intersubjetividades a partir da contemplação de Monet e Chagall, dentre elas as séries:


sábado, 24 de abril de 2010

____. curta





Sem ler-te...

tateio a poesia

em busca do olhar

último gravado

à curta retina


ora temo luz

ora escuridão

sigo-te avulto

e sonâmbulo






***



não seja o último jamais

mas o mais recente olhar

e para sempre destemido

à luz ou à escuridão

o perene poema infindo

a mão tateando a perfeição

da poesia que ocupa o lugar

de barco tocando o cais