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terça-feira, 24 de agosto de 2010

____. bilíngue


[e por falar em formigas...]


O que posso dizer...


se tuas palavras não ditas

vestiram-me, bilíngue, rosa partida

entrelaçada em flor

de sisal?


se há na tua língua um tropel de formigas

onde levantei broquel suicida

capaz de fundir

manancial?


O que posso dizer...


se todas as cores de Monet cegaram-me

a retina, traindo-me as narinas

entre surtos e silêncios

de Chagall?


se depois de vender flores,

enfileirar flamas em frascos de

silêncios assustadores

o resto me parece

completamente

banal?


‘mais’...


por falar em formigas...




* As estrofes dos poemas encaminham para outras intersubjetividades a partir da contemplação de Monet e Chagall, dentre elas as séries: