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quinta-feira, 5 de abril de 2012

GOLFANDO O ARDUME

Fotografia By Lee Jeffries

I

Como um boto
que vai aos bailes com suas prováveis vítimas                   
                            desprezando o antes-gozo;

                 Como um buraco negro
que lança galanteios às supernovas
desdizendo da após-aurora esmeraldina,

                              Assim
o instante desdenhando do bíceps.

Assim
  a imaginação do benjaminzeiro
     concebendo à fórceps.

                              Assim
o verbo golfando sob o ardume.

II

Há poetas
com saliências verborrágicas
  para iludir o pranto
                   e
      olhares insulares que servem de analgésicos
          para confundir a vida.

III

         Há poemas

e não 
fingimentos

que crescem mais do que a alma 
pode suportar,

esses

são brotos ortodoxos
da
consciência

necessários

à satisfação de suas masturbações.

segunda-feira, 5 de março de 2012

BAFOS DE POEMAS PÊCOS

Fotografia By Lee Jeffrey


Para Joe Bennett
[Mago dos Desenhos em Quadrinhos]


I
Ah, Joe!
Vozes mal ejaculadas de poemas pêcos pelo silêncio
[Prostradas sob as impaciências dos lodaçais intermitentes]
Perdem-se nos filamentos dos gêmeos fazimentos.


Nesses tempos de rubras gérberas,
Após um trago, e quando a chuva cai apodrecida,
Desando a falar das mangueiras recheadas de ervas daninhas
Lambuzadas de bafos de azulejos ejaculados pelos casarões de Belém
Como punidas por serem glandes em jatos de gôzo,
Excrementos que jorram ao relento.


Comparado a Ti,
Sou um verme cult em quadrinho,
Símile coloração da verborragia vestida de lubricidade prematura,
Traspasse e rumor da antes-partida.


II
Ah, Joe!
Restos de sonhos expostos às rapinagens dos obituários tristonhos
E Flores baldias de falas indormidas
E Pensamentos e cortinas mangueirícias que se rasgam em pencas
Como domadas por asas desvirginadas,
São lumes de pétalas de alumínio e paralelepípedos de boulevards metafísicas
Que espelham faíscas renitentes em rostos impacientes.


Nesses tempos de gradação cheia de nódoas,
Após um trago, e vendo a manga amarelecer desmerecida,
Desprezo as fêmeas gargalhadas que cingem de féretros
A acidez da fúria.


III
Ah, Joe!
Vômitos sensíveis entopem meu cálice de nada.


Após um trago, e depois da algema recusar o gemido:


Quem chorará sobre uma sepultura sem pedigree?
Quem sairá para colorir as arquiteturas dos enganos?
Qual palavra se afugentará da pontiaguda superfície do verbo?
Qual Deus a Aurora Boreal balbuciará quando o poeta se for?


Aqui, Chopps Bennyanos gemam
à ilharga do ocaso,
Ultimam a tarde oferecendo enxames de orgasmos.


Aqui, Benjaminzeiros de carne e infinito
Não são páreos
Para suas criações carnívoras metamorfoseando-se às claras.


IV
Ah, Joe!
Monstros geniais são línguas insones
E flechas perpétuas abotoadas pelas lágrimas
Das laudas abandonadas.


Ilógicas e lunáticas,
As argamassas das tímidas crucificações
Penetradas por enormes mênstruos poéticos
Com langorosos betumes zunindo alucinadamente
Põem-se à peleja
E miram ventanias de vulvas peraltas
Como punidas
A estancar o sussurro das putas arreganhadas
Expostas à penetração do vazio.


V
Ah, Joe!
Os tempos são outros.


Nota do Autor:
Joe Bennett [Bené Nascimento] é paraense e desenhista exclusivo da  Major Americana DC Comics 


By Benny C Franklin
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domingo, 5 de fevereiro de 2012

UIVOS REINVENTADOS


Fotografia By Lee Jeffrey

[Para Marven. Irmão-poeta de vida e sonhos.]

"Não há poema em si, mas em mim ou em ti."
[Otávio Paz]



I

Tempo; oh, tempo rude, oh!


Com um silêncio sem lógica

alçaste as asas fogosas das orgias dos céus de quartzo-magma

qual feroz condor. E os vômitos das antes-laudas rasuradas
e os espinhos-fêmeos cravados em tumbas indormidas

são soluços que cabem em ti ― como cartase poética

onde cabem burburinhos mortificados.


II


Tempo; oh, tempo rude, oh!


Como um caimento de estrelas mal calculadas

te vi cair sozinho na vil sarjeta da gramática torpe.

E os efeitos da nervura da palma

e a torpe falação do reparte

e a flutuação verborrágica da após-partida

permanecem em ti

até que o lume da lágrima

seja revestido de salivas assexuadas

e uivos reinventados;

até que o porvir da lauda hermafrodita

seja resguardado da agonia recozida

― como os cárceres frígidos onde não cabem 

olhares crucificados.


III


Tempo; oh, tempo rude, oh!


Covarde como uma mortalha pendente

no santuário do medo

rasgaste o manto da coragem

e amadureceste o sonho mal vingado.

Um poeta é de sempre [oh, tempo indefinível!]:
o que tu fazes hoje

é a mesma castração do verbo amargoso
que fizestes em recurva de agonia conjeturada

sob calibre de açoite langoroso.


IV


Tempo; oh, tempo rude, oh!


Agora o vômito

e o vinco da rodagem falante

num poema baldio

para celebrar o sacrifício poético da moenda solitária,

dos anéis de fumo infartado

e das glaciais mui apunhaladas.


V


Tempo; oh, tempo rude, oh!


Lá fora

a evocação do fuzil ingênuo nos símiles das falações

― e a puta e a vidente e o jardineiro recolhendo

folhas do abandono.


Lá fora

o vergar da aurora nos tímpanos das algemas

― e o guru e o monge e o pedreiro reinventando

verbos-filhos do amanhã.


VI


Tempo; oh, tempo rude, oh!


Sou e sou

a contradição amarga que [vos] toca

como fúria ― o âmago!


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

MOVIMENTOS DE MIM

Fotografia by Lee Jeffries

"Poesia é apenas a evidência de vida.
Se sua vida está queimando bem, a poesia é apenas a cinza."
[Leonard Cohen]


I
Hoje
que me como por todos os retropassos
estou sordidamente ambulante.

Hoje
que sou livre por engano
faço-me falta e meu recôndito segredo
perdeu-se no oceano.

Hoje
que alcei o cigarro e acendi a cruz
debandei minha solidão diatópica
e minha gordura redundante
mais doidivana.

II
Hoje
que voei aos meus cometas atemporais
e temporais
permaneci utópico, seco;
mirei nos meus orvalhos extravagantes
e fui algemado;
cozi os meus estômagos dourados
e fiquei faminto, cru.

III
Hoje
que me sorvo por todos os cachos
estou crucifixadamente nativivente.

Hoje
que quero ir ter comigo
não me vou esquartejar,
sou quem eu não tinha.

Hoje
que quero ir ao nirvana
observar movimentos de mim,
não me quero mais
como miséria da poesia.

[Benny Franklin]


* Mídias Sociais

* Blogs Poéticos

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

VIAGEM DE BUSCAR

Fotografia By Ana Mokarzel

[Dedicado às memórias de "Sócrates" e "Léo" - dois paraenses da gema]




Era viagem ao centro de Mim
e ocorreria entre granitos e vômitos

― mas estive em pânico

para ir viajar tão cedo 

sob ameaça de terminar o namoro 
   como um encurtado quartzo

                          em gôzo.


Não fosse o poema
[sombrear-se] em pedaços

Eu prostrar-me-ia aos pés de um fogoso estofo de vida
pelo muito fogo que gala...



E dar-me-ia a posição de Lótus 
                         para as pernas

antes do Sol 
  que tende a coagular-se...


E beijaria as mangabas do cajueiro, 
           a cuba

da geleira manufaturada que nem madrepérola

                                              desvirginada...


E afrontaria o ânimo da foice,
o aço cirúrgico do bacio broxado,

o após-roxo da fala 
que apenas com o fantasma do medo
[im]pediu-me

a fuga.

sábado, 5 de novembro de 2011

RÉQUIEM PARA MEU PAI

Fotógrafo selecionado para o 27º Salão Arte ParáO salão é um dos mais representativos do Brasil.


[Orquídea Selvagem]


I - O tempo, Pai,
esse foge [tragicamente] da vida
num saudar de lágrimas talhadas.
Céu a céu
eu tenho te caçado
e só descansarei
quando eu puder te ver
nos aposentos ilógicos onde perdura
a lógica.


II - Com esse réquien, Pai,
o que mais quero
é dar-te um beijo.
Um beijo que descreva
a pretensão de voltar a te encontrar.
Um beijo que revigore a confiança
de jamais te deslembrar.
Um beijo que ilumine
a idéia de revê-lo novamente nalgum lugar.
Um beijo que crucifique
o sono que te levou para longe:
e não tão longe que eu não possa suportar
todo esperançoso.


III - O tempo, Pai,
esse caminha [irreversivelmente] para morte
num abraçar de metáforas retalhadas.
Voo a voo
eu tenho posto diante de ti [oh, metafisicista!]
palavras com frequências bennyanas:
Musgos com edemas beatniks
e rastros reversíveis de mim
− desses que coabitam e adolescem
ao período que copulam
apenas expiações.


IV - A tua falta, Pai,
é a consumação de cada baque,
é a germinação de cada sutileza,
é o silêncio obsequioso
de cada lastro estelar,
é a valentia maquinal do orvalho
que deságua na velocidade da lágrima,
é a ejaculação, Pai,
da colheita rala;
o fugir veloz do antes-cio
que nas mãos espalmadas
fez-se um pilar do estio.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

TAPUMES METAFÍSICOS

Fotografia by NãoSouEuéaOutra

I

Poesia obstinada!

Cócega e tráfego
sem a turgescência dos insurrectos logradouros.

Oh, cântico marginal!
Os homens agem
[ao feitio de suas náuseas estranguladas]
soberbos e mórbidos:

Tal como a proeza de evacuar
o verbo ereto e as palavras lúdicas
[como cordas sem pescoços e silhuetas também sádicas]
os estômagos carnívoros se suportam mais íntegros
à medida que não se medem por frouxidões e prantos.

II

Poeta ignorado!

Ácido e gosma de coexistir exprimido.

Oh, servilismo e usança de acasalar!
Os travessões e as vírgulas não almejam
nem a aguardente doentia
e nem o fuçar das línguas oprimidas...

III

Mergulhado em lágrimas
eu sopro pelos interstícios dos tapumes metafísicos
as minhas melancólicas palavras...

Ai!... Os soldados me hão de reconhecer,
e se alimentarão das multifacetadas bromélias dos trôpegos.
Outros soldados e outros poetas calcularão as dores vencidas,
a covardia ejaculada do aço,
a fúria do endêmico cansaço,
mas não a poesia de mim!

© Benny Franklin
São Luis/MA

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

POEMA DA LUA AUSENTE


The Northern Lights (Aurora Borealis)
                                                                                                Location: Norway 
Image by Andy Keen © All Rights Reserved
- Where dreams meet reality

I - Languidez sem elmo.

II - Só agora maldições das côngruas lunáticas
― [“não beberás na fonte da sabedoria,
ou cruzarás os sortilégios dos pântanos
com a minha legião de maus espíritos,
nos lusco-fuscos de vendavais,
nas enigmáticas caçadas metafísicas”] ―
por longos tempos masturbadas pelas sutilezas
serão mortas em combate.

III - Nas laudas cruas anônimas,
cabeças embalsamadas
em duelos de poesias inanimadas,
em que aposta na vida
sai sempre perdendo.

IV - Montadas em lendários corcéis
Valquírias latinizando as verborragias dos roucos
fazem empenho de depreciar
os caçadores da aurora.

Nota sobre o autor da fotografia:
Andy Keen é um dos maiores [caçadores] e mais genial fotógrafo de Aurora Boreal do Mundo.

terça-feira, 5 de julho de 2011

ORGANISMO SOFISMADO EM CACHO



I
Náufrago.

Sem remos
de faia.

Expiação.

II

Quisera eu
poder calcular exatamente
a dívida
da fuga,

como fazem
os comerciantes sedutores

[armados de mênstruos
sem catapultas]

bolinando os peitões e massageando
os grelinhos

[salteados]

de raparigas
afoitas.

III

Poeto tamancos,

crucifixos,

ferrolho de dizeres,

álamos copulados,

penetrações;

masturbações de mil tédios
que
suporto com fidalguia;

e mais estábulos,

metralhadoras...

IV

A fuga da dívida

bubuia. Posterga

a canseira
do gozo;

é falsete,

organismo
sofismado em cacho.

Gala.

domingo, 5 de junho de 2011

POESIA DE DUAS FACES

Fotografia: Writing a Book [Tranкov → in Human activity]


Eu sou contraditório, eu sou imenso. Há multidões dentro de mim.
Walt Whitman

Minha outra face é sua...

Verás que de pouco adiantou esconder-me
na volúpia-idade do passeio da chuva.

O receio de que tu és impávido retrospecto

é o receio de uma ervilha

que nunca germinou

liquefeita. 


[Tento de todas as formas imaginar o ranço amordaçado

flutuar no pensamento líquido

e brochar no nervo tácito

que se abre e fecha

às bordas dos rostos enrugados

e me entristeço só de imaginar o trôpego palito
golfando hálitos de brochuras 
nas ventas viscosas

dos homens conjugados [com os pés possuídos
pela ausência]

com a possibilidade de auto-transformá-los

em rastros de palavras mórbidas]


II

Sua outra face é minha...


Notarás que de nada valeu

o ranço do oxigênio gozar amordaçado.

Será que alguém sorri ao me ver ofendido

perante a idade-volúpia

que nada estancou

ou sequer corroeu

os gemidos anacrônicos?


Ah! Diante do destino 

as risadas adquiridas

arrastam-se pelos dias consecutivos...

E por trás dos fôlegos estáticos das bocas líquidas

fecham-se portas e abrem-se janelas

das mordeduras do exame de consciência,

porque não temem o nervo-brocha

fundir as vozes num instante de rima

― e sua última esterilidade.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

RODAGENS DOS VELHOS OLHARES


Para o poeta Jorge Campos, onde estiver.

Estendidas nas herméticas paisagens

dos súbitos olhares,

            em que tudo,

mesmo o vago-orvalho solitário

têm fingimentos cariados,

milhares de finas flores líquidas

conhecidas no Reino Unido como "Sweet William" 

afagam [com suas arcanas sacanas]

os clitóris das mariposas de plutônio

e o declives-pós das sepulturas                                             
convulsivas, espumosas...


― Rodagens de velhos olhares?

A camuflagem do umbigo imperaria,

                      não fosse a pálpebra da poesia ―

                      reinaria

como um paraíso à beira mar plantado

gravado na geléia genital

das linguagens sinistras,

de olho na montoeira de estercos.


― Vulva de murta?

“Ah, sei qual é!”

Não bastasse

a mira no escorregão das nádegas melancólicas

e um soberbo arbusto de sete faces 
ser-me-ia impossível rosado,

            e [eu, mesminho!]  

          olharia para trás:
        escapaste?

      perdoas-me?


― O inverno

talvez fosse azul,

 não houvesse tantos alfanjes inacessíveis

 abanando-se com uma enfastiada

e lânguida boca.

© Benny Franklin
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terça-feira, 5 de abril de 2011

VÓS APLAUDIS O QUÊ?

Fotografia by Miguel Chikaoka


I - Ahí! Ahí!
― Vós aplaudis o quê?

Quanto a mim:

aplaudo o anseio de crucifixar algemas,
de derrotar cadeias, de fotografar

                      em preto e branco,
                          e depois dos 90 

               assexuar com imagens.

Ahí! Sem excitação de infinito,
tudo é concreto... espuma que embebeda...

êxtase

ao reverso!


Cá,

mofado em pencas, todo poeta goza como um cadafalso 
que apenas reinventa a corda:
o clímax da ausência.


II - E Vós? 
(Espírito! Espírito!)
Vós que emanais de si mesmo,
revela-nos a consubstancialidade das coisas:
― Quem há de conceder despudor
                        ao breve espermar?
― Quem há de ouvir o urro de si mesmo
e ainda depender da penetração?
― Quem há de manipular a razão e a emoção e

                                          e alcançar a ternura?

Cá. Bebo-me em série

e ainda renovo-me em cacho
esnobando o enigma da expiação.

III - Mundo! Oh, Mundo!
Teus homens-pedras
são larvas lastimáveis à medida que não gozam
ao final de suas bulimias...

E Vós?
(Pedra de ferir firmamento!)
Vós que aplaudis o soluço do barro, 
estancai (imediatamente) em vossas vaginas 
os corrimentos marrons dos homens sem falas.


Vós sabeis, desde sempre, 
que a prisão verbal é imerecida
e tem a virtude de debochar
a palavra que, fugitiva,
retarda a ortografia dos mortos:
a gravidez incurável que desanima 
o poema desejado.

IV - Ahí! Ahí!
― Vós aplaudis o quê?

Decerto que aplaudis veneno, fogo, asfixia,
porque sois cisco e graça e gala e órbita;
porque sois lágrima e riso e estricnina;
porque sois como a fumaça repousada na ferida
que não remenda línguas e vidros;
porque sois como o relógio para o antiquado

e como a vírgula para o contraponto;
porque sois como os olfatos desusados

e as lâminas afetivas
que brilham para os brancos sentimentos.


V - Ahí! Quando tudo parece um monte de estômagos esvaziados,
acontece sempre o surgimento do viço gordurento do bacio 
que obriga o poeta a escarrar 
o gozo virulento da manhã-manhã,
que nada pede,

ofertando-nos os oceânicos alimentos dos rebelados, 
e as escápulas de nós.

© Benny Franklin
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sábado, 5 de março de 2011

NÃO PARA OS NAUFRAGAMENTOS DO TEMPO!

Fotografia by Ben Goossens

"Cada um de nós para o tempo em busca do segredo da vida. 
O segredo da vida está na arte."

(Oscar Wilde)

Para Aldísio Filgueiras


Agora

  sob o silêncio em pedaços

  os
  náufragos   
  no rio
  que estua.


                          [Suaagonias jamais deixaram
de empregar nos cuspes afrodisíacos do remorso
                     as 
                 imutáveis transfigurações

                               do antes-gôzo]


Quem foram eles?
 Triângulos etéreos, 
    vísceras burguesas,

       sensualismos sodomitas...


Ah! 
 Para os nossos redivivos

   ― corpos lúbricos arrotados 
                   em cacho ―

                é que o rio encefálico dura;

            e,
         durando está sob a ordem de encher-se de nunquidades,
     de ser um estuário de forças lagrimalescas,

       de encher os epiléticos funerais de fogo 
                                                   e poder.

Agora

    devagar com o andor

        que os nossos trôpegos em pêndulos

               são de barro 
                  e saliva.



Ah! 
 Para os nossos 

bêbados
― moinhos especiosos metamorfoseados 

                       a simetria dos candelabros,

                                        sincera-idade-que-vaza
                                     e a não de toda
                                   impenetrável
                                sofreguidão.

[Certamente
 todos nós já fomos

 ou seremos iludidos

 pelo próprio naufragamento 
 do tempo]

Gozos futuros?
Esses colidirão um contra o outro
com chances de abrirem os olhos 
   a um novo
      velário espesso.



© Benny Franklin
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