nada é mais sutil do que um espírito trêmulo
uma alma cheia de compaixão
abandonada em seu último corpo
debruçada sobre memórias
memórias akáshicas flanam como hóstias
finas translucentes plumas de pássaros leves
menos leves que as lágrimas tênues
que derramo sobre as histórias de lugares
onde o vento do carma parou de soprar
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
nossa senhora das flores
a minha velha coleção de postais
trouxe todos em branco depois de viagens
vontade insuportável de silêncio
de guardar comigo o gás das ruas
um beco em primeira edição
silêncio eivado de temor e tremor
transborda pardais mortos e calçadas
carros abandonados e santos beberrões
nossa senhora das flores e uma oração insperada
aos santos peço em novenas
nada depois de tantos noves fora
por cada visita à catedral
trago tatuada uma minúscula cruz
no desnudo corpo de missionário
postal que enviei de Java em 189...
trouxe todos em branco depois de viagens
vontade insuportável de silêncio
de guardar comigo o gás das ruas
um beco em primeira edição
silêncio eivado de temor e tremor
transborda pardais mortos e calçadas
carros abandonados e santos beberrões
nossa senhora das flores e uma oração insperada
aos santos peço em novenas
nada depois de tantos noves fora
por cada visita à catedral
trago tatuada uma minúscula cruz
no desnudo corpo de missionário
postal que enviei de Java em 189...
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domingo, 3 de outubro de 2010
as divisões da alegria
não existe poema juvenil que não namore a extinção
fazem hora extra para não virar prosa
pintam aquarelas em preto e branco
os sombreados mais ladinos escapam
como possível adjutório
abrem a última das cartas marítimas
esta traz a regularidade dos ciclones
o domicílio dos monstros
e as fobias dos quinze anos
como transformar minhas mãos sozinhas
sem bolsos
nas mãos de Paracelso?
em quantas partes se divide a alegria?
poemas da puberdade vestem xadrez
e sai do tabuleiro
uma longa fila de bispos esquecidos
como se seduzidos se perdessem
línguas seladas como se cartas fossem
como se mortos estivessem
e o silêncio dos bispos me ensina
com quantas partes
se faz uma verdadeira alegria
fazem hora extra para não virar prosa
pintam aquarelas em preto e branco
os sombreados mais ladinos escapam
como possível adjutório
abrem a última das cartas marítimas
esta traz a regularidade dos ciclones
o domicílio dos monstros
e as fobias dos quinze anos
como transformar minhas mãos sozinhas
sem bolsos
nas mãos de Paracelso?
em quantas partes se divide a alegria?
poemas da puberdade vestem xadrez
e sai do tabuleiro
uma longa fila de bispos esquecidos
como se seduzidos se perdessem
línguas seladas como se cartas fossem
como se mortos estivessem
e o silêncio dos bispos me ensina
com quantas partes
se faz uma verdadeira alegria
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terça-feira, 3 de agosto de 2010
pedras
quando li quintana viu
uma pequena pedra em calcutá
longeva longeva
evolução do barro elementar
sem o sopro divino
moro no meio do caminho do meio
meu nirvana chega em brumas
a pedra em mim fez estanque
a má educação dos outros elementos
viver entre pedras
é ser um abismo ao lado de outro
imitando os humanos
procuro os recônditos os vagos
educação da pedra pela pedra
lousa de escrever meu nome
se o soubesse
quando me guardo em pedra absoluta
descubro minha alma
em mil pedaços de compaixão
uma pequena pedra em calcutá
longeva longeva
evolução do barro elementar
sem o sopro divino
moro no meio do caminho do meio
meu nirvana chega em brumas
a pedra em mim fez estanque
a má educação dos outros elementos
viver entre pedras
é ser um abismo ao lado de outro
imitando os humanos
procuro os recônditos os vagos
educação da pedra pela pedra
lousa de escrever meu nome
se o soubesse
quando me guardo em pedra absoluta
descubro minha alma
em mil pedaços de compaixão
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sábado, 3 de julho de 2010
dazibao
aos poucos
as almas vão se juntando para ler
uma caneta deselegante e papel de pão
fazem meu dazibao
voz do povo um dia
voz somente minha agora
notícias de vidas passadas
sincronicidade dos profetas adormecidos
sol em sagitário
lembranças coladas nas paredes de cada um
vertidas em cordel e rimas
ascendente zero grau de capricórnio
após a passagem de plutão
corações pregados nos muros
sol chuva e vento
mais corações pendendo dos postes
vaga-lumes como iluminção pública
os restos do meu dazibao são relíquias
que muitos voltam
vendo, lendo, procurando
vestígios dos meus horóscopos
e da sua lua permanente em gêmeos
as almas vão se juntando para ler
uma caneta deselegante e papel de pão
fazem meu dazibao
voz do povo um dia
voz somente minha agora
notícias de vidas passadas
sincronicidade dos profetas adormecidos
sol em sagitário
lembranças coladas nas paredes de cada um
vertidas em cordel e rimas
ascendente zero grau de capricórnio
após a passagem de plutão
corações pregados nos muros
sol chuva e vento
mais corações pendendo dos postes
vaga-lumes como iluminção pública
os restos do meu dazibao são relíquias
que muitos voltam
vendo, lendo, procurando
vestígios dos meus horóscopos
e da sua lua permanente em gêmeos
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quinta-feira, 3 de junho de 2010
viajante solitário
treze anos
lendo kerouac
sábado de manhã comprando o livro
dinheiro economizado
sol e praia para os outros
felicidade clandestina, clarice
meu monteiro lobato foi kerouac
san francisco e amores em rodoviárias
cartões postais e faces esmaecidas
não pelo tempo
mas pela vida mesmo
o melhor é sempre a estrada
livros são amigos e quebra-cabeças
mas as veias das noites nas cidades são com peneiras
nossa senhora das flores perdoando a todos
usando as palavras como ninguém
medalhinha de são cristovão pendendo como um resto
de tudo
de vida
nas tardes das cidades
nas minhas veias intactas
lendo kerouac
sábado de manhã comprando o livro
dinheiro economizado
sol e praia para os outros
felicidade clandestina, clarice
meu monteiro lobato foi kerouac
san francisco e amores em rodoviárias
cartões postais e faces esmaecidas
não pelo tempo
mas pela vida mesmo
o melhor é sempre a estrada
livros são amigos e quebra-cabeças
mas as veias das noites nas cidades são com peneiras
nossa senhora das flores perdoando a todos
usando as palavras como ninguém
medalhinha de são cristovão pendendo como um resto
de tudo
de vida
nas tardes das cidades
nas minhas veias intactas
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
a estrada para morrer sozinho
na estrada para morrer sozinho
quase nunca chove
neva às vezes
o vento pode falar em línguas
e se acharmos a freqüência certa
podemos ouvir os deuses mortos
cantando pontos e louvores
a estrada para morrer sozinho
exige que suas mãos gostem do ar
do vácuo e do vazio
construída em terras devolutas
e pavimentada com as almas
das meninas dos olhos de tanta gente
deixe seus olhos em um altar vago
para repousar
a estrada para morrer sozinho
não é playground ou tem parquinho
crianças que morrem sozinhas
nossa senhora vem buscar em uma barquinha
vão pelo mar
muito pouco a reviver e se penitenciar
depois voltam e viram adultos
para também jornadearem
serem andarilhas
no vale de lagrimas que é
a estrada para morrer sozinho
a estrada para morrer sozinho
é a mais bela
e a menos solitária de todas
flores sem perfume cercam meu rumo
me sinto de toda parte
Colombo de tantas Américas
à medida que avanço
desaparecem as encruzilhadas
para que até Hamlet viaje tranqüilo
na promessa da volta de Ofélia
não tenho lembrança de quantas vezes
passei aqui
e no meu mapa
Damasco e a estrada dos tijolos amarelos
são vias secundárias
da estrada para morrer sozinho
quase nunca chove
neva às vezes
o vento pode falar em línguas
e se acharmos a freqüência certa
podemos ouvir os deuses mortos
cantando pontos e louvores
a estrada para morrer sozinho
exige que suas mãos gostem do ar
do vácuo e do vazio
construída em terras devolutas
e pavimentada com as almas
das meninas dos olhos de tanta gente
deixe seus olhos em um altar vago
para repousar
a estrada para morrer sozinho
não é playground ou tem parquinho
crianças que morrem sozinhas
nossa senhora vem buscar em uma barquinha
vão pelo mar
muito pouco a reviver e se penitenciar
depois voltam e viram adultos
para também jornadearem
serem andarilhas
no vale de lagrimas que é
a estrada para morrer sozinho
a estrada para morrer sozinho
é a mais bela
e a menos solitária de todas
flores sem perfume cercam meu rumo
me sinto de toda parte
Colombo de tantas Américas
à medida que avanço
desaparecem as encruzilhadas
para que até Hamlet viaje tranqüilo
na promessa da volta de Ofélia
não tenho lembrança de quantas vezes
passei aqui
e no meu mapa
Damasco e a estrada dos tijolos amarelos
são vias secundárias
da estrada para morrer sozinho
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sábado, 3 de abril de 2010
puerícia
aviões de montar
amigos que tinham hobbies
eu não tinha nenhum
carrinhos matchbox colecionados
um que eu tinha logo soltou a roda
partido coração sem amor
primeira vez que entrei num sebo
convenci meu pai que aos dez anos
leria o homem tatuado de ray bradbury
apostei tudo naquele livro de segunda mão
li reli e vi que os livros viajam sem donos
carros e motos nunca pararam meus olhos
palavras sim me estacionavam no ar
caído que sou por coisas quase eternas
meus oito anos
casimiro usaria meninice
talvez infância
eu prefiro puerícia
ainda pergunto à minha criança interior
o que você vai ser quando crescer?
continuo procurando pistas
amigos que tinham hobbies
eu não tinha nenhum
carrinhos matchbox colecionados
um que eu tinha logo soltou a roda
partido coração sem amor
primeira vez que entrei num sebo
convenci meu pai que aos dez anos
leria o homem tatuado de ray bradbury
apostei tudo naquele livro de segunda mão
li reli e vi que os livros viajam sem donos
carros e motos nunca pararam meus olhos
palavras sim me estacionavam no ar
caído que sou por coisas quase eternas
meus oito anos
casimiro usaria meninice
talvez infância
eu prefiro puerícia
ainda pergunto à minha criança interior
o que você vai ser quando crescer?
continuo procurando pistas
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quarta-feira, 3 de março de 2010
duas torres (lendo tarô e ouvindo nick cave)
construí uma torre para o amor morar
você chamou o alquímico segundo sol
transformou a lua em quatro
e construiu uma torre idêntica no seu reino
para onde o amor fugisse em tempos sombrios
quando as sombras nasceram
já eram ignorantes do caminho do poente
queimamos a ponte entre nossos reinos
porta solta do umbral no limiar da casa
o fogo atinge o rio
e a torre do meu reino
uma vez duas vezes rapunzel morreu
sua torre também em cinzas
nossos nomes já não são palavras
terão exatamente o ruído de um rosto virando
borboletas no estômago
futuros amores nem terão ciúmes
dos símbolos que nos tornamos
partimos para Tróia
por estradas diversas
pensando em aprender a confiar nas pessoas.
você chamou o alquímico segundo sol
transformou a lua em quatro
e construiu uma torre idêntica no seu reino
para onde o amor fugisse em tempos sombrios
quando as sombras nasceram
já eram ignorantes do caminho do poente
queimamos a ponte entre nossos reinos
porta solta do umbral no limiar da casa
o fogo atinge o rio
e a torre do meu reino
uma vez duas vezes rapunzel morreu
sua torre também em cinzas
nossos nomes já não são palavras
terão exatamente o ruído de um rosto virando
borboletas no estômago
futuros amores nem terão ciúmes
dos símbolos que nos tornamos
partimos para Tróia
por estradas diversas
pensando em aprender a confiar nas pessoas.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
cinema mudo
o cinema rouba as minhas palavras
vem me deixando raro e bissexto
e nada posso fazer
mesmo a poesia sendo mais antiga
o cinema é presto, infinito e máquina
guardo a poesia como carta na manga
e o cinema como amigos na multidão
assim sendo
sempre escritor
morrendo com o vagar das minhas palavras.
vem me deixando raro e bissexto
e nada posso fazer
mesmo a poesia sendo mais antiga
o cinema é presto, infinito e máquina
guardo a poesia como carta na manga
e o cinema como amigos na multidão
assim sendo
sempre escritor
morrendo com o vagar das minhas palavras.
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domingo, 3 de janeiro de 2010
seres extraviados
não consigo ver alguém com o coração partido
um coração partido
logo parte o meu coração também
o amor é o maior teste para a emoção de alguém
o coração do amor passional está sempre
sempre predisposto à catástrofe
corações pertencentes à seres extraviados
estas pessoas que são como cartas que nunca
nunca alcançarão seus destinatários
nunca repousarão em uma velha
muito velha caixa de chocolates
entre fotos e cartões entregues em mãos
ninguém
ninguém mesmo
reclamará o desaparecimento destas missivas
talvez por sermos todos
cartas de despedida
vida no espelho retrovisor
tristezas num ônibus vazio domingo à tarde
sem dinheiro ou jogo no maracanã
somos descendentes diretos daqueles dois
que há muito pularam o muro
o muro alto do pomar das maçãs
soldados do Desconforto
servindo ao exército da Má Sorte
os seres extraviados são os primeiros a perceber
o quanto estamos fortemente atados
atados à Grande Roda da Fortuna e do Tempo
todos os sonhos foram plantados
nos campos da Lua
talvez um dia
um dia consigamos colhê-los acordados
um coração partido
logo parte o meu coração também
o amor é o maior teste para a emoção de alguém
o coração do amor passional está sempre
sempre predisposto à catástrofe
corações pertencentes à seres extraviados
estas pessoas que são como cartas que nunca
nunca alcançarão seus destinatários
nunca repousarão em uma velha
muito velha caixa de chocolates
entre fotos e cartões entregues em mãos
ninguém
ninguém mesmo
reclamará o desaparecimento destas missivas
talvez por sermos todos
cartas de despedida
vida no espelho retrovisor
tristezas num ônibus vazio domingo à tarde
sem dinheiro ou jogo no maracanã
somos descendentes diretos daqueles dois
que há muito pularam o muro
o muro alto do pomar das maçãs
soldados do Desconforto
servindo ao exército da Má Sorte
os seres extraviados são os primeiros a perceber
o quanto estamos fortemente atados
atados à Grande Roda da Fortuna e do Tempo
todos os sonhos foram plantados
nos campos da Lua
talvez um dia
um dia consigamos colhê-los acordados
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Nuvens
Rezando pela minha paz,
Necessário seria que
As folhas ficassem ali, como loucos não varridos.
Nuvem da fumaça dos incensos e defumadores.
Uma imagem para o coletivo de gafanhotos.
Pelas janelas e portas,
Como que em capítulos,
Saí desmembrado dos cômodos da minha casa.
Levando tudo de mais pesado, meu livro.
Autêntico e único original trabalho.
O Breviário de Conjugação das Nuvens.
Nuvens de tantos pássaros,
Como corvos e urubus.
Estas nuvens, de quando em vez,
Se fortalecem pousando na minha sorte.
Refletindo a luz da lua,
Como se de prata fosse,
Uma nuvem de corvos pousou ontem à noite.
Corvos entre as nuvens são como esperanças
No medo das minhas orações.
Em nome de leveza e velocidade
Queria conjugar verbos como "chover"
Na primeira pessoa do singular.
Chover que é sinônimo de purgar no meu Breviário.
Não posso passar em brancas nuvens
Pela tabuada dos rios
Ou pelas equações do gelo.
E muito menos pela anatomia humana.
Se isto acontecer
Deixaria pela primeira vez se perder
A memória da água.
Necessário seria que
As folhas ficassem ali, como loucos não varridos.
Nuvem da fumaça dos incensos e defumadores.
Uma imagem para o coletivo de gafanhotos.
Pelas janelas e portas,
Como que em capítulos,
Saí desmembrado dos cômodos da minha casa.
Levando tudo de mais pesado, meu livro.
Autêntico e único original trabalho.
O Breviário de Conjugação das Nuvens.
Nuvens de tantos pássaros,
Como corvos e urubus.
Estas nuvens, de quando em vez,
Se fortalecem pousando na minha sorte.
Refletindo a luz da lua,
Como se de prata fosse,
Uma nuvem de corvos pousou ontem à noite.
Corvos entre as nuvens são como esperanças
No medo das minhas orações.
Em nome de leveza e velocidade
Queria conjugar verbos como "chover"
Na primeira pessoa do singular.
Chover que é sinônimo de purgar no meu Breviário.
Não posso passar em brancas nuvens
Pela tabuada dos rios
Ou pelas equações do gelo.
E muito menos pela anatomia humana.
Se isto acontecer
Deixaria pela primeira vez se perder
A memória da água.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
henry escreve para anais
anais,
quando você chegou
parecia que algumas batalhas
sempre seriam perdidas
ganhei a percussão do teu inglês
quando me restavam somente palavras
quando nada importa mais
podemos fazer bom uso
de um baralho
de uma adaga doméstica
e de um pombo-correio
somos, de verdade, da família da Lua
corações vestindo trapos
te estendo minha mão mais cuidadosa
já que meu maior medo
é o ruído de porcelana se partindo em mil pedaços
love, henry
quando você chegou
parecia que algumas batalhas
sempre seriam perdidas
ganhei a percussão do teu inglês
quando me restavam somente palavras
quando nada importa mais
podemos fazer bom uso
de um baralho
de uma adaga doméstica
e de um pombo-correio
somos, de verdade, da família da Lua
corações vestindo trapos
te estendo minha mão mais cuidadosa
já que meu maior medo
é o ruído de porcelana se partindo em mil pedaços
love, henry
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sábado, 3 de outubro de 2009
meus sudarios
caro tolo, esta tarde para tanta coisa
coisas como pedir desculpas aos martires
nao sei de que lado da cerca fico
na colonia dos leprosos
o unico morador diz temer o contagio
aqui de fora
palmilho os caminhos
estradas menos viajadas
agacho-me na beira dos rios
ja que todo rio e Jordao
toda escada sobe aos ceus
todo alimento e mana
toda pedra e monte Ararat
e todo vinho foi agua um dia
a carpideira sobre seu cavalo
mostra-me as cartas do seu taro
escolho uma carta
voce tem sido um bom guarda dos teus irmaos?
nao soube responder
analfabeto da minha face
concentro-me na leitura de sudarios
ate poder ler meu proprio rosto
e contar a minha estoria
ps: estou em sao paulo, meus caros, e o unico computador que tenho e um mac com teclado sem os acentos. prometo, assim que voltar ao rio, corrigir o texto. abracos a todos! e beijo nas criancas.
coisas como pedir desculpas aos martires
nao sei de que lado da cerca fico
na colonia dos leprosos
o unico morador diz temer o contagio
aqui de fora
palmilho os caminhos
estradas menos viajadas
agacho-me na beira dos rios
ja que todo rio e Jordao
toda escada sobe aos ceus
todo alimento e mana
toda pedra e monte Ararat
e todo vinho foi agua um dia
a carpideira sobre seu cavalo
mostra-me as cartas do seu taro
escolho uma carta
voce tem sido um bom guarda dos teus irmaos?
nao soube responder
analfabeto da minha face
concentro-me na leitura de sudarios
ate poder ler meu proprio rosto
e contar a minha estoria
ps: estou em sao paulo, meus caros, e o unico computador que tenho e um mac com teclado sem os acentos. prometo, assim que voltar ao rio, corrigir o texto. abracos a todos! e beijo nas criancas.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009
batalha naval
fecharam nossa única saída para o mar
e você se entregou aos inimigos
nem ira senti
é assim que se entra para a História
certo estou do seu arrependimento
pena não chorar de onde adormeço
sobraram espinhos para todos
minúscula batalha em um livro de táticas
permaneço aqui
folhas de batalha naval em toda parte
assistindo de onde estou
nossa dolorosa transmutação em ilhas
e você se entregou aos inimigos
nem ira senti
é assim que se entra para a História
certo estou do seu arrependimento
pena não chorar de onde adormeço
sobraram espinhos para todos
minúscula batalha em um livro de táticas
permaneço aqui
folhas de batalha naval em toda parte
assistindo de onde estou
nossa dolorosa transmutação em ilhas
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009
A Ciência de Devanear
Nossa mente foi criada para devanear.
Todos os outros trabalhos são inúteis sobrecargas.
Devaneie e verá sua mente em estado natural.
É o mais próximo de voar que temos à nossa disposição.
Volto para qualquer Pasárgada,
Com infinito carinho e nenhuma bagagem.
Ignorando que todas as estradas levariam à Damasco.
Dispenso pastores da noite, gárgulas e profetas.
Como vigias,
Confio nas quimeras recém-chegadas.
Frutos do meu alheamento voluntário.
Alumbramento que verte mel.
Morfeu me parece humilhado,
Esperando meu cansaço e a cerração.
O rio Letes e o Espelho de Narciso
São afluentes do fosso do meu castelo.
Construído no ar,
Para muito além da Espanha.
Para onde vou,
Nem a imaginária namorada me segue.
Agora,
Fantasia de um outro alguém.
Todos os outros trabalhos são inúteis sobrecargas.
Devaneie e verá sua mente em estado natural.
É o mais próximo de voar que temos à nossa disposição.
Volto para qualquer Pasárgada,
Com infinito carinho e nenhuma bagagem.
Ignorando que todas as estradas levariam à Damasco.
Dispenso pastores da noite, gárgulas e profetas.
Como vigias,
Confio nas quimeras recém-chegadas.
Frutos do meu alheamento voluntário.
Alumbramento que verte mel.
Morfeu me parece humilhado,
Esperando meu cansaço e a cerração.
O rio Letes e o Espelho de Narciso
São afluentes do fosso do meu castelo.
Construído no ar,
Para muito além da Espanha.
Para onde vou,
Nem a imaginária namorada me segue.
Agora,
Fantasia de um outro alguém.
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sexta-feira, 3 de julho de 2009
Quiromancia
e por ter as mãos lisas
qualquer toque fricção
se transforma em uma marca profética
encostar as mãos
no seu corpo
traz estigmas
marcas indeléveis
de uma infinita transferência de carma
corpo fechado
contra escritores oniscientes
e deus com todos seus predicados
neste ponto da vida
é uma benção
trazer lisa assim
a palma da minha mão
qualquer toque fricção
se transforma em uma marca profética
encostar as mãos
no seu corpo
traz estigmas
marcas indeléveis
de uma infinita transferência de carma
corpo fechado
contra escritores oniscientes
e deus com todos seus predicados
neste ponto da vida
é uma benção
trazer lisa assim
a palma da minha mão
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quarta-feira, 3 de junho de 2009
Sibila
Para Márcia Duarte
Tão feminino é contar estórias
Contar estórias com a arte de cruzar limiares
Impossível fugir do tecer e do tear
Da roca
Onde o fuso furando o dedo inicia outra estória
E tudo vira um sono que prescinde de olhos fechados
Ela coloca os sapatos vermelhos dançantes
Os mais escarlates da historia do sapateado
No parapeito suas pernas e pés balançam o horizonte
Como se fosse uma das Sibilas
Uma das que previram a Guerra de Tróia
Ou outra que pediu a Apolo a vida eterna
Nos livros que ela guarda estão os registros de quase tudo
Profecias, mapas, evangelhos, contos de fadas
Um atlas de tempestades futuras e passadas
São suas estórias que me levam
Não as primeiras, mas os mistérios de depois
Gosto de vê-la em casa
Quando coloca os sapatinhos carmim só pra mim
Por ela deixei os bailes das doze princesas bailarinas
Que enganavam seus príncipes após a meia-noite
Voltavam com os sapatos rotos e os pés em chamas
Na primeira hora da manhã
Meu amor dorme
Olho ao lado da cama
Seus rubros sapatos outrora dançantes estão intactos
E se me perguntam do que me alimento
Da romã do paraíso
Do pomo da linguagem
De carne de língua
São cinco os tipos de silencio,
Então, os reduzo a um único matiz
E o guardo numa caixa
Afastado de Pandora e da tua voz
Minha mulher guarda o livro universal das almas em seu enorme coração
Trago sua voz secreta na forma de estandarte
Que carrego nas águas dos carnavais do meu próprio coração.
Tão feminino é contar estórias
Contar estórias com a arte de cruzar limiares
Impossível fugir do tecer e do tear
Da roca
Onde o fuso furando o dedo inicia outra estória
E tudo vira um sono que prescinde de olhos fechados
Ela coloca os sapatos vermelhos dançantes
Os mais escarlates da historia do sapateado
No parapeito suas pernas e pés balançam o horizonte
Como se fosse uma das Sibilas
Uma das que previram a Guerra de Tróia
Ou outra que pediu a Apolo a vida eterna
Nos livros que ela guarda estão os registros de quase tudo
Profecias, mapas, evangelhos, contos de fadas
Um atlas de tempestades futuras e passadas
São suas estórias que me levam
Não as primeiras, mas os mistérios de depois
Gosto de vê-la em casa
Quando coloca os sapatinhos carmim só pra mim
Por ela deixei os bailes das doze princesas bailarinas
Que enganavam seus príncipes após a meia-noite
Voltavam com os sapatos rotos e os pés em chamas
Na primeira hora da manhã
Meu amor dorme
Olho ao lado da cama
Seus rubros sapatos outrora dançantes estão intactos
E se me perguntam do que me alimento
Da romã do paraíso
Do pomo da linguagem
De carne de língua
São cinco os tipos de silencio,
Então, os reduzo a um único matiz
E o guardo numa caixa
Afastado de Pandora e da tua voz
Minha mulher guarda o livro universal das almas em seu enorme coração
Trago sua voz secreta na forma de estandarte
Que carrego nas águas dos carnavais do meu próprio coração.
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domingo, 3 de maio de 2009
dodecaedro
dizem existir lindos poemas escritos durante a guerra
chamaram esta nossa guerra de particular
em toda parte ela está
guerra pública todos os dias
não vejo os poemas
vejo batidas tribais
podem ser os tambores de guerra
ouço dos corpos na fronteira oeste sul norte leste
vejo armas na TV
cantarolo rodo cotidiano
não existem hordas e a guerra continua
ouço da vida nos morros
dos que perdem a linguagem
ouço os barulhos das paredes
guerra de guerrilha milícias
não existem linhas inimigas que me escondam
este conflito é um dodecaedro
Platão em seus mistérios deve ter dito
quando o povo conhecer o dodecaedro
conhecerá a quintessência
então
seremos mais águias que serpentes
chamaram esta nossa guerra de particular
em toda parte ela está
guerra pública todos os dias
não vejo os poemas
vejo batidas tribais
podem ser os tambores de guerra
ouço dos corpos na fronteira oeste sul norte leste
vejo armas na TV
cantarolo rodo cotidiano
não existem hordas e a guerra continua
ouço da vida nos morros
dos que perdem a linguagem
ouço os barulhos das paredes
guerra de guerrilha milícias
não existem linhas inimigas que me escondam
este conflito é um dodecaedro
Platão em seus mistérios deve ter dito
quando o povo conhecer o dodecaedro
conhecerá a quintessência
então
seremos mais águias que serpentes
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
outono verdadeiro
e no início era o outono
o outono estava em Deus
e o outono era Deus
não existem mais folhas
podemos ver tudo
vento que varre
tudo que vem antes de sermos carne
o outono é uma aula perfeita
do meu descontentamento às ilusões perdidas
corro contra o verão
no inverno perco o tato
como invejar a primavera?
as rosas não falam
lembra?
o outono estava em Deus
e o outono era Deus
não existem mais folhas
podemos ver tudo
vento que varre
tudo que vem antes de sermos carne
o outono é uma aula perfeita
do meu descontentamento às ilusões perdidas
corro contra o verão
no inverno perco o tato
como invejar a primavera?
as rosas não falam
lembra?
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