quinta-feira, 22 de maio de 2008

Percurso pedestre em Cabrela













A caminhada organizada pela Casa do Povo, no início de Maio, teve a adesão de um grande número de pessoas de todas as idades. O grupo reuniu-se a partir das 8 horas e 30 da manhã e, logo a seguir, cheio de ânimo, encetou a marcha, num ritmo que não abrandou nem com a primeira travessia da ribeira. Recorrendo a sacos de plástico, colocando pedras no leito da ribeira, ou a pé descalço, os caminhantes lá foram atravessando as águas límpidas e frescas.
E o grupo, cheio de vitalidade, pouco se deteve, até ao local escolhido para uma breve merenda. Eu é que fui ficando para trás, na tentativa de registar algumas imagens que guardassem a beleza da paisagem e a exuberância das flores. Na última fase do percurso, o esforço exigido por umas subidas mais acentuadas não produziu qualquer efeito no “pelotão” da frente e conduziu a uma nova travessia da ribeira com oportunidade para um banho mais ou menos voluntário.
Terminado o percurso, um saboroso cozido para restaurar as energias, a festa e o convívio.

Ervas aromáticas

Segurelha

- Sopa de feijão verde
- Cozido de grão e abóbora



Mangerona


- Empadas
- Pratos de carne

Tomilho


- Sopas
- Pratos de carne

Oregãos


- Caracóis
- Tempero de azeitonas
- Salada de tomate
- Sopa de tomate
- Gaspacho
- Sopa de peixe

Poejos


- Sopa de poejos
- Sopa de peixe
- Limado de cação
- Açorda
- Chá
- Licor

Hortelã


- Cozido de grão com cardos
- Salada de alface
- Favada
- Ensopado de borrego

- Sopa da panela


Nêveda


-Tempero de azeitonas
Hortelã da Ribeira

- Caldeta
- Sopa de pastor
- Sargalhetas

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Artesanato: a recolha

Salgueiro Branco
Recolha das hastes de Salgueiro
A limpeza do Salgueiro é feita no próprio local da recolha



As hastes brancas são, de imediato, colocadas ao sol.


A tala utilizada na limpeza dos ramos é obtida a partir de um ramo de Salgueiro



A casca sai quase sempre de uma só vez, com gestos experientes e rápidos.



As hastes de Salgueiro Branco, depois de limpas, secam ao ar durante dois sóis. A recolha começa no mês de Fevereiro e, até finais de Maio, a casca sai facilmente com a utilização de uma tala. Após este período, é necessário fervê-lo num caldeiro. Depois de seco, o salgueiro é colocado em água para se tornar mais flexível, permitindo a elaboração dos cestos.
Um agradecimento muito especial aos artesãos de Cortiçadas de Lavre, pela sua disponibilidade e simpatia.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Fenómenos




A soagem, planta de hastes finas e flexíveis, cujas flores enchem os campos de tons lilazes, também aparece aqui ou além num caule robusto, facilmente confundido com um cacto. O resultado é, habitualmente, um extraordinário cacho florido.

Dedaleira


Bela mas perigosa por ser tóxica. Era uma das flores preferidas para compor os ramos colhidos nos campos.

domingo, 18 de maio de 2008

domingo, 11 de maio de 2008

O ciclo do pão

Seara de trigo em Cabrela
Crivo, foice em madeira e dedeiras, taleigo

pão da Vidigueira - feira do pão e dos doces conventuais


"As ceifas executam-se, geralmente, com a foice braçal, manejada por homens, rapazes e mulheres, e, pouco ou nada, por meio de ceifeiras mecânicas. De ordinário, começa-se de 1 a 24 de Maio e acaba-se de 10 a 18 de Julho, ou pouco mais tarde. Dois meses, aproximadamente.
Primeiro, ceifam-se as cevadas, os centeios e as aveias (...) Depois passa-se aos trigos. Começa-se, em regra, pelos moles e conclui-se nos rijos."

Silva Picão, "Através dos Campos"

sábado, 10 de maio de 2008

Caminhos


Terras de Cabrela

O homem e a terra


A primeira vez que li este aviso, já há algum tempo atrás, passava por terras de areia, onde me disseram que era habitual as pessoas saírem pelos campos à procura de cogumelos, actividade que representava uma fonte extra de rendimentos. Julguei tratar-se de um processo para evitar
que pessoas menos conscientes devassassem os campos com uma recolha agressiva e exagerada. Há poucos dias voltei a encontrar esta placa e reparei então na referência ao Código Civil. O que me inquietou foi encontrar o aviso, agora colocado em terrenos relativamente próximos e onde nunca dera por qualquer tipo de restrição. Por desconhecer o conteúdo dos artigos indicados, eis as dúvidas que me surgiram: a proibição prende-se com a necessidade de proteger espécies ou com a vontade de proprietários ciosos das suas posses?
Procurei a informação necessária, esclareci as dúvidas. Quase todas! Em contrapartida, uma certeza: as palavras do chefe índio, sábias e intemporais, têm de ser relembradas.

“Somos parte da terra e ela faz parte de nós.”
“Isto sabemos: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une a família. Há uma ligação em tudo.”

Excerto da carta do Chefe Seatle para o presidente dos EUA, escrita em1854

Sabores genuínos


Estes não são os frutos normalizados, de pele dourada, polpa carnuda, sumarenta e sensaborona que invadem as nossas lojas. Pequenos e manchados, picados pelas abelhas e pelos pássaros, guardam um sabor genuíno, obtido nas hortas tratadas por hortelãos pacientes e dedicados, com métodos verdadeiramente biológicos. São o testemunho do orgulho que alguns camponeses sentem pelas suas pequenas fazendas onde, com um modo de vida ainda marcado pela autarcia, resistiram às modas e às imposições.
E, para além disto, não há nada que supere o prazer de ir até um destes lugares frondosos e andar a apanhar fruta saborosa.

sábado, 3 de maio de 2008

Arqueologia, flores e gatos

Da moura encantada, relato de gerações, ficou o encanto do alto castelo a marcar a paisagem. Já se esquece a moura que, em horas tardias, perseguia com a sua sombra os moradores solitários.
Pobre moura fechada na torre!

Falava-se de uma espada, falava-se do ouro e da peste… dos sonhos… das moedas de ouro… e do infortúnio que punia a cobiça… Estórias de mouros ao serão, túneis e fugas em direcção à atafona, ao rio...
Mas a História foi surgindo, lida nas entranhas da terra - Mão de Fátima!

Os relatos que a terra guardou e que ainda acarinha – poço, cisterna?

Astros, solstício, lua cheia - o enigma da Natureza! A terra como um útero!
Refúgio da saudade, da mágoa, da fragilidade humana?

Anta Grande da Comenda. Anta do Paço.
Luras de coelho e ninho de andorinha colado no esteio.


As flores inundaram a História e o granito. O tempo não impediu a Natureza de manter presente o fascínio: a sedução da terra florida, o mistério do percurso humano.




Tarde quente de Abril - Monte do Tojal.
O gato saudou a presença humana. Persistente, seguiu as pessoas pelo montado.





Atravessou flores, pasto, venceu o calor e o cansaço; deitou-se à sombra, enquanto os homens falavam do passado, junto às antas, menir e cromeleque do Tojal.