
sábado, 27 de dezembro de 2008
assim seja. ( e será)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
misto de aguardente e água-de-flor.

sábado, 20 de dezembro de 2008
jornal das pequenas coisas.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
homem de lata.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
com minha dor não se brinca, já disse que não.

E mais nada.
sábado, 13 de dezembro de 2008
perpetuando a liberdade.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
de mansinho.

Ela passou a noite toda, entre o adormecer e o despertar, ouvindo Chico Buarque cantar no seu ouvido. Levantou-se quando colocaram uma cartinhazinha debaixo da porta:
“Se você quer ser minha namorada, você tem que me fazer um juramento, não perder esse jeitinho de falar devagarinho essas histórias de você. E de repente me fazer muito carinho e chorar bem de mansinho, sem ninguém saber porquê. E se mais do que minha namorada, você quer ser minha amada, minha amada, mas amada pra valer, os seus olhos têm que ser só dos meus olhos e os seus braços o meu ninho, no silêncio de depois. Ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.”
Ela começou a chorar copiosamente, como se algo desmanchasse dentro dela. O que desmanchou foi a carta, feita de açúcar. E o seu amor, que fora feito de soluços.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
E eu vos direi: "Amai para entendê-las."
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
entre as nuvens do amor ela dormia.

A melodia vai ecoando por toda parte, desde os ouvidos até o pulmão.
De repente ela tropeça nela mesma enquanto se enternece com o som raro daquela flauta.
E a tristeza transversal que até então lhe preenchia dá lugar a uma euforia luminosa, assim sem razão de ser, mas já sendo. Como sempre.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
lágrimas de chuva.

Hoje ela deveria estar lá fora, de madrugada, deixando o seu corpo e sua alma serem lavados pela chuva. Porque dentro dela também há água transbordando. Mas, essa, ninguém vê, só ela escuta.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
dica de filme.

"Eu adorava o parque de diversões.
Meu brinquedo favorito era o carrossel.
Talvez eu estivesse meio velha para isso, mas os outros brinquedos me davam medo.
Mas o carrossel, ele só dá voltas, sobe e desce.
Você não chega a parte alguma, mas sempre se sente segura.
(...)
E eu?
Eu voltei ao parque de diversões.
O único lugar onde sempre me senti segura.
Lembro que o Reverendo Bill costumava dizer:
"Em todas as situações, Deus sempre tem um plano."
Acho que ainda estou tentando descobrir que plano foi esse..."
Um crime americano, baseado no caso Baniszewski, uma história verídica.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Cadê a tampa da minha panela, o chinelo do meu pé cansado, a metade da minha laranja?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
-Ela está apaixonada
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
carta para o homem que morreu e um pouco de verdade viva.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008
para uma menina com uma flor.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008
canção do amor impossível.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
permita-se.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008
le félicité

domingo, 23 de novembro de 2008
Beijos...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Francisco era um gozador

Nunca estive tão bem vestida, ainda que fosse o trapo do meu lençol da cama antiga. Calcei os chinelos. Segui até a varanda e tive vontade de dizer para o vizinho do prédio em frente, o prédio que sempre odiei porque toca pagode aos domingos, que eu o amava. Bom dia, vizinho! Eu amo você! Amo sua esposa, seus filhos, suas plantas, seu Corsa parcelado. Tudo. Eu amo a vida. Se bobear até o pagode. Bom dia vizinho! E segui dando bom dia às minhas amigas plantas. Bom dia à minha cachorrinha preguiçosa que me olhava sem processar porque era cedo demais pra processar. Bom dia para a água do passarinho. Para a ausência do passarinho. Para a empregada doméstica lá embaixo empurrando um carrinho de feira capenga. Bom dia capengas, seres, inanimados. Pessoas todas, me escutem, essa porra existe! O amor existe! Não era invenção de roteirista ruim! Bom dia! Dei bom dia para a cara torta do Bush no jornal e para a manga que comi inteira. Bom dia para as palavras que não terão mais acento. Bom dia para a Maria, que chegou de cara feia e logo sorriu pra minha cara desfigurada pelo amor. Caras de amor são como carrancas para espantar Marias infelizes. São tão bonitas que parecem caretas. Bom dia para os insetos que a Lolita quer pegar desesperada. Bom dia ao desespero. Tudo é bom. Tudo parece bom. Bom dia para a vida como ela sempre deveria ser. E segui com meu bom dia, mesmo quando o dia já escurecia. Dei bom dia para coisas rastejantes como meu tapete que sempre bagunça porque meu sapato prende nele e bom dia para meu tapete voador imaginário que me fez dar bom dia ao mundo todo, mesmo para aquelas pessoas que eu nem sonho que existem. Bom dia para todas essas coisas que virão e que foram e que estão. Porque quando se sente tanto a vida não importa nenhum momento solto e não importa que nomes tiverem esses momentos mas apenas toda essa força que sempre esteve aqui. Mas que só agora eu consigo pegar, amassar, apertar e dar bom dia. Bom dia! Bom dia! Bom dia força! Bom dia prolapso da válvula mitral. Eu sei que você está enlouquecido e com medo de morrer. Mas até sua quase morte merece um bom dia. E então vai dar tudo certo. E daria bom dia, hoje, para todas as lanças. Bom dia lanças maravilhosas que me dilaceraram tanto e me trouxeram até a melhor manhã da minha vida. Dou bom dia para todas as minhas cicatrizes. E abraçaria pés na bunda e beijaria caras de lado e velaria sonos de quem já me estatelou os olhos sem esperança de tranquilidade. E mostraria inteiros para quem negocia partes. Porque hoje é o dia de dar bom ao fim da dor, ao fim da vingança, ao fim da espera, ao fim da defensiva. E dar bom dia ao início da primavera, ao início da minha beleza e ao amor. Finalmente. Bom dia ao amor. E bom dia para essa risada que sai livre, solta e que eu nem percebo que é risada porque não consigo olhar pra fora da pele de tanto que é bom ficar aqui dentro. Hoje é o dia de dar bom dia a mim.
Tati Bernardi.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
o medo é um mal conselheiro
"seu querer fazia versos naquele dia... dia de dançar para desviar dos pingos da chuva que brotavam das nuvens dos seu rosto, dia de deixar desfalecer o tempo e no escurinho da alma sentir piscar vaga-lumes... e eram versos bons de se perder no contar da realidade em que vivia, dia que a felicidade se esquecia de passar e repouso fazia naquelas horinhas de saudades sem medo... escrevendo, era assim que se sentia... mas, no acabar dos escritos, no silenciar da ultima palavra, voltava a tristeza e seus olhos calejavam uma outra vez mais de lágrimas... e de la e de ca e de la e de ca e de la e de ca era só mesmo este o fazer do sentido da vida, que dedilhava num quetinho só, o amor que um dia teve..."
Projeto Reticere
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
já não há palavras
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tudo bem eu querer um amor desses de cinema?
domingo, 16 de novembro de 2008
se mal há, mal não há mais.
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É, era necessário que ela agora seguisse o seu caminho...
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
da vida tudo se leva
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na terapia de hoje discuti como é totalmente incoerente o fato de que em determinados momentos de nossas vidas depositamos toda esperança de felicidade em uma única pessoa. e isso que hoje me vitimiza corroendo e aflingindo, já foi por mim pensado. já depositei sim tamanha responsabilidade em alguns seres ao decorrer desse longo trajeto que nos acostumamos a chamar de vida. e é incrível perceber o poder que elas detiveram sobre mim, podendo até mesmo decidir a qualidade diária. um sorriso era sinal verde, sinônimo de que aquele dia seria bom. já indiferença ou discussões eram sinal vermelho: pare o mundo que eu quero descer. amarelo? vermelho disfarçado, pois é nesses momento que o copo está sempre metade vazio, nunca metade cheio. mas o mais incrível de toda essa jornada é o poder de superação e mudança do ser humano, já que hoje eu posso ver tudo com clareza. foi hoje inclusive, que ao olhar o espelho eu vi a única pessoa capaz de me fazer feliz, eu mesma.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
mon inconstance.
Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existiu morte para o que nunca nasceu.
Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. E isso era lindo. Você era lindo."
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um dia alguem tornou famosa a frase "quando voce acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas". depois de tão repetidas, normalmente essas frases perdem a poesia e se tornam mais um clichê. porem, entretando, todavia, essa frase hoje tem um significado especial pra mim. acho que por não estar naqueles dias em que Deus me tira a poesia das coisas, e ao olhar pedra, vejo pedra mesmo.
hoje essa frase reflete bem o que se passa aqui por dentro, não que eu já tenha encontrado alguma vez todas as respostas, nem isso eu um dia logrei. a questão agora são as novas perguntas que surgem, em alta velocidade, são tantas, de tantas cores, tipos e cheiros que eu mesma vou me tranformando em uma. daquelas do tipo "o que garante que o sol vai nascer amanha?" eu não saberia responder. e nem você.
-Sabe a garota do copo d'gua?









