terça-feira, 2 de junho de 2026

Não lembro de estar assim tão esvaziado . Já afogado no meio do nada.Tão sobrecarregado de vozes, conhecimentos  e IAs oniscientes enquanto tanto sangue e miséria transbordam da tv.
um pedaço de cálcio, nervos e apagões de memória e vontade. voando no vão da névoa
não tendo o fundo do mar abissal distância , Sem nenhuma luz só o cansaço de tanto sufocar que nem me sinto enquanto Ser, pessoa, só espasmo .

Wilson Roberto Nogueira
Tua ilegibilidade se tornou dunas

nas minhas mãos: jogos de espelhos, narrativas encaixadas

e um engulho nas madrugadas turvas.

Viver é dócil e assombroso ao seu lado.

Todavia, me descubro menino e ancião cansado

quando falas e vibras tuas mãos no quarto amplo demais.

Mas quando te vi perdida

me reconheci sórdido como um vilão de Alexandre Dumas.

Não te peço nada, só o perdão

pelo sacrilégio de existir num mundo que nos desconhece.

O amor não é palavra que se soletra impunemente.

Penitencio-me por ousar descobrir todos os seus sinônimos

no meu velho dicionário de impropérios.

Amo-te como um crápula, como um cervo ferido

na Floresta Negra,

como um traficante da armas na Abissínia, como um anjo.

Amo-te e quero te possuir mais a alma que o corpo.

O corpo é doido e não raro nos desengana.

Viver é dócil e assombroso ao seu lado, eu já disse.

E é este assombro que me alimenta,

hoje, às três horas

da tarde de uma quinta-feira de um mundo sem sentido.


Otto Leopoldo Winck

terça-feira, 5 de agosto de 2025

O cão sem plumas

( Paisagem do Capiberibe )

A cidade é passada pelo rio

como uma rua

é passada por um cachorro ;

uma fruta 

por uma espada.


O rio ora lembrava 

a língua mansa de um cão ,

ora o ventre triste de um cão.

ora o outro rio

de aquoso pano sujo

dos olhos de um cão.


Aquele rio

era como um cão sem plumas . 

Nada sabia da chuva azul,

da fonte cor de rosa,

da água do copo de água ,

da água de cântaro,

dos peixes de água,

da brisa na água.


João Cabral de Melo Neto

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Sonhei com uma mulher com cara de gata que se arrastava no chão de tacos da sala
O que o Senhor interpreta disso doutor Moishe fingergold ?
O Senhor não leu intrrpretação dos Sonhos 
Não.
Então...o que diz a Torá ? 
Miau
Os burocratas são pequenos eichmanns alimentados por um pequeno rato
As pessoas vão se transformando em
Pequenas peças depois de muitos 
aditivos tornam se robos que só veem
Planilhas e metas a cumprir e números
a somar ou descartar.
Esses números tem rostos
Famintos de desviver.

Wilson Roberto Nogueira

russalka

A miséria pode ser divertida até quando ela nos devora.


terça-feira, 26 de setembro de 2023

Farta sociedade insignificante

O silêncio perpetuou minha alma;
O sangue poluído correu em minhas veias
Tantos de mesa cheia;
Indignados de seus míseros problemas.
Meus supostos amigos embriagados
Sufocados de blasfêmias.

Por que cultivamos tantos idealizadores?
Se nem mesmo temos valores.
Rodeados de máscaras se decompondo,
entrelaçados por vermes
Estamos todos contaminados por germes.

Compartilhamos os mesmos parceiros;
Alegando que somos boateiros.
Quanto vale a sua ética ?
Mais que suas palavras antiéticas ?

A manhã tornou me platônica
À tarde logo serei mortal
Enfim à noite Vosso Deus estará morto
Assim seremos eternos encostos.

Yohanna. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Precisar voar é mergulhar no abismo quando não se tem asas.
Wilson 

sexta-feira, 22 de julho de 2022

 no gigantesco teatro do mundo, jaz uma máscara partida.


Wilson Roberto Nogueira

Despencando de cumes em quedas grandiloquentes, uma retórica de auto enganos pingando uma vida estéril.

Wilson Roberto Nogueira

 O abismo engoliu o grito que pariu no silêncio a dor do vazio

diante de um sonho ausente 

abismos engavetados em uma alma sem utopias.


Wilson Roberto Nogueira

 " ...a vida leva eu "

Não, o meu projeto de vida é superior a auto sabotagem cotidiana, é vencer o peso dos dias.

Ser um profissional que não tropeça nos diálogos  e nas letras e cultivar a empatia e a alteridade.

Continuar a trilhar os caminhos incertos do apreender a aprender e preparar me para morrer no esquecimento.

ter a capacidade de ouvir sempre e continuar se aprimorando, estrada longa.


Wilson Roberto Nogueira. Curitiba , 21 de julho de 2022

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Caro Amigo

Caro amigo
Amigo raro
Na prosperidade
Na adversidade 
Amigo puro
Seguro fiador
Amigo na dor
Igualmente no favor
Jamais nos desampara
Será consolo
Tesouro precioso
Dádiva do céu. 
Luiz Romaguera Neto
Academia Paranaense de Letras.
Gazeta do Povo. 10/01/01.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

 

entre uma noite

e outra

um ligeiro fulgor:

esta é a vida

isto é tudo

que temos

e somos

 

por isso vamos dançar

ébrios da luz

dessa chama breve

que a vida

é este pouco

este quase nada

 

isto é tudo

e este tudo basta:

 

uma chama

um chamado

uma dança

de duas breves

borboletas

 

Otto Leopoldo Winck

 

quero me cortar

com gilete farpas lascas latas

e cacos de vidro

quero sangrar

chorar estrebuchar dançar

e grafar no muro mais sujo

teu santo nome em vão

quero viver morrer matar

me alistar na legião estrangeira

farcs hezbolah pkk

só pra aflorar

teu instinto maternal

e te ouvir gritar

meu bem meu bem

não vá

 

Otto Leopoldo Winck

EM RESUMO

 


 

O pouco que eu sabia me bastava,

meu sonho era maior do que o universo.

Eu, guri, com olhos jaboticaba,

pela janela, perseguia um verso.

 

As estrelas, ligando o pisca-pisca,

iam além da casa dorminhoca

e eu, como um frango, no quintal, que cisca

à cata de buracos de minhoca,

 

riscava o céu de coração aberto.

A via láctea acesa me dizia

em letras garrafais: VOCÊ ESTÁ CERTO!

No sonho, o que eu criava acontecia.

 

Foi do céu que meu coração caiu,

como uma bomba no meio do peito.

Nem sei como essa luz me consumiu,

eu, simples verbo sem nenhum sujeito.

 

Bem mais velho aprendi, eu era humano,

vinha de um cemitério de farsantes,

onde um coveiro-deus ia empilhando

as sobras dos meus sonhos delirantes.

 

Contra o silêncio cúmplice da raça,

eu quis gritar meu desespero eterno.

Botei a humanidade na carcaça

e, juntos, fomos todos para o inferno!

 

antonio thadeu wojciechowski

TEU NOME

 


 

Teu nome poderia ser Suzana

se não houvesse tantas

neuzas, solanges, beatrizes

santas

ou não-santas.

 

Teu nome poderia ser Silêncio,

se não doesse tanto.

 

Mas dói e no entanto eu canto e rimo

sono,

sino,

carne.

E rimos sem querer,

porque o instante existe e a canção é tudo e derramamos vinho no tapete.

 

Teu nome poderia não ser nada,

uma palavra que o vento esqueceu

de madrugada,

em algum velho banco de praça,

velho canto de bar

(lugar-comum, não é?).

 

Espelho, por que me olhas com meus olhos?

Infiel! Enquanto eu viro, tu me trais e envelheces.

Teu nome poderia ser... sei lá!

Ser, simplesmente ser.

Mas dói

e é triste acordar todos os dias

com a saudade de não-sei-o-quê.

 

(Olha, enquanto falávamos

a porta bateu com o vento

e o tempo passou

e passamos também.)

 

Teu nome poderia ser Saudade

porque este sol morreu

e em seu lugar

o luar não veio

e ficou em meus dedos somente

a leve sugestão de um seio.

 

Porém,

perdido vou me refazendo no caminho

e buscando aflito

a sina,

o sinal,

e o sentido

do teu nome.

 

Otto Leopoldo Winck

 

(Do "Flor de barro".)

ELEVADOR DE ALMAS

 


 

Esta noite aqueceu meus pensamentos,

não consegui dormir de tão contente.

Então sentei-me à mesa e calmamente

abri meu coração aos quatro ventos.

 

É nessas folhas soltas sobre a mesa

que o outono do poeta cai em versos.

Sei, meu mundo não é o dos espertos,

bato tambores com delicadeza.

 

Há em mim uma prece que me apressa

como se fosse o último minuto.

É a vida que tem pavio tão curto,

que vai eliminando o que não presta.

 

Meu velho e bom mau humor, meu cinismo,

fazem piadas da miséria humana.

Mas não rio mais dessa gente insana

com seus céus e ataques de estrelismo.

 

Os meus olhos estão nas coisas simples,

porque é nelas que tudo está escrito.

Não há pegadas nos passos seguintes

nem nas visões que elevo ao infinito!

 

antonio thadeu wojciechowski

 

Por que perturbamos

o fluxo dos dias

com nossas retinas

cheias de cobiça?

 

Melhor descansar

e esperar que o outono

leve enfim as folhas

do verão fanado

-- e nos acostume

ao sono sem sonhos

que em breve seremos.

 

Otto Leopoldo Winck

BEAT

 


 

entre a santidade

e a insanidade

não há mais que um vão

 

pois é: passei o Rubicão

 

sou agora

– totalmente perdido

e beatificado –

pura iluminação.

 

Otto Leopoldo Winck

EU NÃO SABIA

 


eu devia saber

o sol ia estar por cima da carne seca

e nada seria diferente

do que teria que ser

 

a minha alma vesga

indecente

não se contentaria com menos

eu devia saber

 

não foi a primeira vez

os detalhes, sim, os pequenos

subestimei-os talvez

pode ser, quem sabe?

 

eu devia saber

ela chegou falando a verdade

o importante é ser; não, ter

mas eu andava meio surdo

 

dela – aquilo era tudo pra mim

dela – a causa do meu surto

dela – a raiz ruim do jasmim

dela – esse ela e eu

 

carne, nervo, músculo, esperma

e o silêncio que veio viu e venceu

ficamos assim à espera

deitados, que em pé cansa

 

muitas luas depois

ainda havia dança

eu e ela, não os dois

eu devia saber

 

tentou me fazer compreender

que desse jeito não podia ser

mas era cedo demais para ver

o melhor de mim ainda ia nascer

 

antonio thadeu wojciechowski

NIETZSCHENEANO

 


As musas estão mortas

e o Espírito do Senhor já não me visita com a mesma regularidade.

Ando a esmo,

procurando o outro no mesmo

e o todo no nada.

Ainda resta

uma réstia de sol detrás dos últimos edifícios.

Mas é difícil virar a esquina, engolir a saliva

quando, morto o amor, não sobra nem raiva nem rima.

Mas quem sabe

se eu te visse sem blusa,

do grande caos que há em mim

nasceria

uma estrela bailarina.

 

Otto Leopoldo Winck

TEMPO SUJO

 


 

No Brasil, é agosto

o mais cruel dos meses.

Apesar do escândalo dos jasmins

e da solar promessa dos ipês,

a tarde virara uma noite de agudas estalactites.

Não ousei virar o rosto para trás,

pois não pode haver passado onde o futuro é um acinte.

As trombetas talvez soem álacres

diante do impropério de estar vivo. Rasguemos

as ilusões: o horizonte agora é outro.

Na esquina, um pedinte exibe as chagas e o sangue é vil e sujo como a vida. Volto para a casa,

anônimo de mim. Tornei-me enfim adulto.

(Sei que em algum lugar uma criança negra morre

com um tiro na cabeça.)

Não tenho adagas para me rebelar.

E a adega dos poemas está seca. Como os olhos.

Carlos, o tempo ainda não chegou de completa justiça.

O tempo ainda é de fezes, alucinações e golpes sujos.

 

Otto Leopoldo Winck

(De 'Cosmogonias')

TRABALHÓLATRA

 


É altamente efiiciente

Ficar doente nas férias

Nunca parar pra espirrar

Desobstrui minhas artérias

Nem descanso me dará encosto

Nenhum espelho para meu rosto

Estou a anos-extra da folga

Um simples cafezinho me droga

Deus não me ajuda, mesmo assim madrugo

O sétimo dia foi seu maior absurdo

 

(Antonio Thadeu Wojciechowski e Sergio Viralobos)

quinta-feira, 25 de junho de 2020

NEGRO FORRO



minha carta de alforria

não me deu fazendas,

nem dinheiro no banco,

nem bigodes retorcidos.

minha carta de alforria

costurou meus passos

aos corredores da noite

de minha pele.


Adão Ventura


Os escombros caem da geometria

E tudo brilha aos pedaços.

São puras as letras do poema

E o caldo que me bebe é o escuro.

Sou aos pedaços, sou outro

E pouco caibo nas altitudes do homem.

Meu olho vela nas sombras.

Minha mágoa é pouca e tanta

Que pouco sobra em meus ossos.

Todo poeta se vê na agonia.

Todo poema é um relato de nada."

RR


RELENDO CLARO ENIGMA


                   

Fronte contra a pedra

se elabora

uma comum temperatura.

– O punho duro cava o peito:

ira?

Ou contenção madura?

Água ou suor, a pedra

inspira?

E tua fronte – chora?


Maria Ângela Alvim


Os menestréis do mundo são bem poucos.

Uns arrebentam arrebentam amores enlutados,

Outros se encantam nas paixões, já loucos."

RR


DE VASTA AÇÃO



Vai seiva secando

das selvas que ando

lanhando e lenhando

das caças em bandos

vou em debandando

as unhas e os voos

nos amplos dos campos

o peixe vai pondo

desovas no chão

dos côncavos quando

as águas bebendo

eu vou destes rios

e no mar urinando

ah tempo a sugar

o suco do sangue

que vem sua lama

secando nas almas

vai lua velando

com sua mortalha

um sol que me lanha

com suas navalhas.


Libério Neves 
#PVpoetas2020

fonte : Romélio Rômulo


Quem ama a casa secreta

Do meu olhar, pura nona

Sinfonia de poeta?"

RR


CANÇÃO DO EXÍLIO



Minha terra tem macieiras da Califórnia

onde cantam gaturamos de Veneza.

Os poetas da minha terra

são pretos que vivem em torres de ametista,

os sargentos do exército são monistas, cubistas,

os filósofos são polacos vendendo a prestações.

A gente não pode dormir

com os oradores e os pernilongos.

Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.

Eu morro sufocado

em terra estrangeira.

Nossas flores são mais bonitas

nossas frutas mais gostosas

mas custam cem mil réis a dúzia.

Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade

e ouvir um sabiá com certidão de idade!

Obs.: Ao usar o mesmo título do conhecido poema de Gonçalves Dias, “Minha terra tem palmeiras / Onde canta o Sabiá / As aves, que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá”, Murilo Mendes, modernista, cita e parodia o poeta romântico.



Murilo Mendes


#PVpoetas2020

fonte : Romélio Rômulo

 [... O banzo da província

cedeu ao underground

xintoísta? Ou está

injetado nas estações

tubo?...] 

Tímida Babilônia, Ricardo Pozzo


OS MENINOS E EU



Os meninos empinavam pipas;

Eu, pássaros

Os meninos folheavam revistas de garotas nuas;

Eu assistia ao namoro dos sapos

Os meninos iam ao cine;

Euatravessava a pé o igarapé

Os meninos desenhavam piratas tesouros, navios;

Eu, a escafandrista solitária

Agora

Solidão nos devora

Em negros prédios

Meio à elite ignara

Os meninos vestem

Negro/desencanto

Seguem com cifras

Nas pupilas vítreas

Tão tristes os meninos

Reclusos, bebendo

O índice Dow Jones

Com café

Trocando de amantes

A cada inverno

A alma pesada os faz andar

Em cadência de elefante

Eu desenho gravuras

Teço minhas roupas

Escrevo poemas

Não atravesso

O vidro frio do templo moderno

- Shopping center –

Não atravesso

A porta de cedro

Do antigo templo

- Enquanto o Vaticano

Não doar aos pobres

Todo o ouro seu -

Vivo nas esferas

Desço ao chão

Para pisar águas dos igarapés

Adormeço

No berço-arraia

Que me embala/azul

No “mar / belo mar selvagem…”


Bárbara Lia

MACHADO DE ASSIS: OPRESSÃO, OBSTINAÇÃO, SUPERAÇÃO -- A MORTE NÃO O QUIS CRIANÇA



*

Ele nasceu com todas as pré-condições para dar errado na vida, para não ser nada na vida, para não ser notado, não ser visto nem admirado na vida.

Imagine alguém nascido assim: preto; pobre; descendente de escravos; pai preto e pobre, pintor de paredes; mãe lavadeira; morador de morro; com problemas nervosos; gago; epiléptico; sem estudo...

Imagine que a morte não o levou criança e ele  “escapou” com vida ao duro período ali do primeiro aos cinco anos.

Mas, como desgraça pouca é bobagem e atrás do pobre corre um bicho, sem contar que além da queda vem o coice, aos seis anos, a mãe morre.

Depois, morre a irmã.

Aos doze anos, morre o pai.

A madrasta e viúva, pobre, torna-se doceira em uma escola.

E o menino, órfão de mãe e pai, torna-se vendedor de doces na escola.

Nas “folgas”, o pequeno vendedor de doces, para ter alguma “educação”, espia as aulas ministradas para os estudantes.

Não fez curso superior.

Com tudo isso “contra”, essa pessoa escreve. Torna-se fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. 

Escreve muito. Escreve bem. Escreve excepcionalmente bem. Escreve em qualquer gênero. Contista, cronista, crítico literário, dramaturgo, folhetinista, jornalista, poeta e, sobretudo, romancista, romancista dos melhores  --  senão o melhor --  do Brasil. E o maior escritor negro de todos os tempos, na opinião mais do que abalizada de Harold Bloom (1930-2019), historiador literário, escritor, professor, crítico literário e jornalista norte-americano, dos mais respeitados do mundo.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839. Nasceu hoje e renasce sempre, a todo instante, com estudos nacionais e internacionais sobre sua obra. Com publicação e republicação de seus livros no Brasil e no estrangeiro. Com citação de suas frases nas redes sociais, nos grupos digitais.

Falecido em 29 de setembro de 1908, na mesma cidade em que nasceu, Rio de Janeiro (RJ), Machado de Assis tornou-se exemplo de qualidade como escritor e de superação como pessoa.

Já escreveram, e continuam escrevendo, quase tudo sobre ele. Viraram de ponta-cabeça ele, seus livros e seus personagens.

Com menos de 70 anos de idade deixou uma vida que não morre...

...e uma morte que não se esquece...

Viva Machado de Assis.


EDMILSON SANCHES



A morte é tanta

Que no dia morto

Sai a visão, o tempo

Pouco visto

O olho não é olho, é só

Um quisto

Meu mundo é quando, o

Meu corpo é torto."

RR



Amedrontados avaliam que as manifestações das torcidas organizadas podem ser desculpa pra uma tentativa de Golpe. Quando se pretende um Golpe a desculpa aparece, qualquer que seja.

As populações do mundo vão pra rua e vão forte: pode ser na Grécia, França, Espanha, UK, EUA e outros. E o pau come.

A esta hora o valentão Trump, que disse ter cães matadores, está escondido sabe-se lá em que ponto da Casa Branca."

RR


NO ALVO



os dados

da roleta rolam

no sentido inverso

da lógica anti-horário

há uma idiossincrasia

no vulto dessa engenharia

de ressignificações

embaralham-se as cartas

entre ágeis trapaças:

o feitiço enfeitiça o feiticeiro

não há punhos nem cartolas

a desafiar a matemática

desse cassino de signos

sinais do caos no tao do cosmos

uma catastrófica manhã

de sangue respingado

no linho do terno extremado 

façam seus jogos, senhores,

a aposta posta à prova

o mestre de cerimônia

com sua gravata de fuzis

será alvejado na testa

o jogo é suicida

o tiro, certeiro

Luis Turiba, 20.06.2020



SONETO METÁLICO(Para Timon)



Na margem esquerda do Parnaíba

Nascida da Vila de Flores

Uma terra de gente aguerrida

Que aos ancestrais canta louvores

Defronte à capital do Piauí

De onde vemos o sol levantar

E a Lua nascer a sorrir

Vivemos a lhe contemplar

A Ponte Metálica onde passa o trem

Que se arrasta na estrada que vem lá da ilha

Além da passagem,  nos faz grande bem

O apito da locomotiva dita o tom

Unindo os Estados na mesma família

Ligando Teresina à nossa amada Timon.



 Soneto(Lucas Stefano, em Timon, 08/06/2020)




AREIA



Da estátua de areia,

nada restará,

depois da maré cheia.


Helena Kolody


Áspero rancor, onde eu espero

na estrada final da agonia

minha gana de morte. Eu só iria

ter este som no sangue, onde te quero."

RR

Romério Rômulo



Áspero rancor, onde eu espero

na estrada final da agonia

minha gana de morte. Eu só iria

ter este som no sangue, onde te quero."

RR


Tropicanalizado




Deixar de falar em inglês, para começar, por uma semana, nem a palavra wifi que soletrarei como pífia ao não bem  fluturar num ar de pífanos

Transformando-a em português oxigenado, num átimo, em vivificação

Comer muitas bananas muito loucamente, ananizar

Me espanejar de bananas

Me untar, melar-me o pau de bananas amassadas, unguento, lambuzando de melancia celeste o resto do corpo

Mergulhar com a cara num explodido abacaxi

Com as próprias mãos de comer de enfiar nas frutas

Não usar mais talher

Comer com as mãos e a boca de mar ostras imensas na mais distante vila caiçara do litoral de são Paulo

Mergulhado nos sabores e tremores dos tensos frutos densos da Serra do mar

Em sabores novos com leite de torvelinho novinho não mais me envenenar

Nem gritar palavras dos outros, das águas dos cocos beber sem final

Com a língua saborear canção dos sabores sem fim

Com goiabas me ajuntar na areia da praia com todos os abacates

Numa festa de entonações comportamentais inesperadas

E comer sem parar as jabuticabas ancestrais já dentro do mar e mergulhando para me refrescar da pimenta brava mais doce, de alturas cósmicas desconhecidas, depois cantar na praia uma novíssima canção guarani com gosto de fruta ainda mais nova e superpostamente

Ainda mais tenazmente, viva

Só falar tupinambá

Tupi estelar, sementes iluminadas transsilabares

Com vozes da África

Do céu noturno sideral

Cintilando em meus colares

Suas luzes frugíveras

Seu mel inconquistável

Imelginação?

A partir dessa semana só luz,

noites estreladas

Nunca mais vou falar qualquer palavra inglesa, encheu, enjoou, impregnou, nada agora fora do nheengatu

Vou me esborrachar em mamões como um gato maracajá

Voltando a ser o pajé de uma aldeia remota

Depois de numa clareira sombreada me refestelar no carnaval pastoso de todas as frutas

Me alisar com a polpa doce dos melões, untar-me com a completa mente-bruma de sucos do ambiente

Vou me irmanar com as atas, me lambuzar delas, para fugir das palavras em inglês

Com milho para mastigar nas praias da montanha do mar

Em festivais de fogueiras alegres

E nômades viagens pelo mar em flautas-canoas à ilha coberta de matas com olhos de cachoeira do sol-com-atabaques saindo do nevoeiro

Mandiocas voadoras em caçarolas de argilas primevas loucas

Flutuando intergalácticas sobre o mar da floresta atlântica

Girando cada vez mais ultrarrápidas girando até o fulgor.

Tapiocarei, frugívoro, para esquecer para sempre William Shakespeare

Num marítimo pomar nu esporrando sucos de eternos frutos tropicais



Poema de Carlos Emílio Corrêa Lima
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