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29/05/2026

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco que se perdeu pelo caminho (7)

O Dr. Galamba, uma espécie de apoderado do Animal Feroz, ex-secretário de Estado da Energia e ex-ministro das Infraestruturas de governos socialistas, que «frequentou um doutoramento em Filosofia Política na London School of Economics» (não perguntem o que é frequentar um doutoramento), anunciou há seis anos uma «mega fábrica de hidrogénio em Sines» em parceria com a Holanda. Nos anos seguintes, essa megafábrica de hidrogénio e as outras foram-se gradualmente evaporando, como fui relatando em (2), (3), (4), (5), (6). 

Faltava a "mega fábrica" da Galp - o parque eólico com 19 turbinas em Odemira para alimentar projeto de hidrogénio verde. Já não falta. A Galp comunicou há dias à Câmara de Odemira a sua desistência do projecto.

Entretanto, o Dr. Galamba, sem surpresa para quem dispõe de tal currículo, é candidato à presidência da APREN - Associação Portuguesa de Energias Renováveis.

27/08/2025

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco que se perdeu pelo caminho (6)

Há cinco anos escrevi aqui sobre o anúncio do Dr. Galamba, na altura secretário de Estado «para a Transição», de uma «mega fábrica de hidrogénio em Sines» em parceria com a Holanda. Nos anos seguintes a mega fábrica de hidrogénio foi-se gradualmente evaporando, como fui relatando em (2), (3), (4) e (5). Cinco anos depois, a coisa esfumou-se definitivamente e só vale a pena voltar a falar dela porque é um paradigma de projectos lunáticos promovidos por apparatchiks que nunca lançaram uma empresa,  nem criaram um posto de trabalho e não têm qualificações para avaliar o risco e a viabilidade de negócios que lançam com os dinheiros dos contribuintes a quem nunca prestarão contas.   

Luís Mira Amaral, uma das poucas pessoas com tino que escreve com propriedade sobre temas de energia, escreveu mais uma peça da qual extraí o texto abaixo a propósito do lunatismo estatal.    

«Por toda a Europa, incluindo Portugal, governantes ignorantes suportaram-se em powerpoints (que tudo permitem) para de uma forma iluminada desenharem estratégias irrealistas de transição energética. Isto é particularmente evidente com o hidrogénio verde, em que, como refere o presidente da EDP, temos agora um vale de desilusões com projetos a não saírem do papel, outros a serem cancelados, e empresas a falirem. Conclui-se que os avultados subsídios não são suficientes para o tornar competitivo no mercado, pois que os preços extremamente elevados levam a uma falta de procura pelo produto em sectores difíceis de eletrificar, tais como a siderurgia e o cimento. Apenas cerca de 20% do hidrogénio verde previsto na União Europeia deverá vir a ser produzido... O projeto do avião a hidrogénio da Airbus, subsidiado pelo Governo francês com €1,5 mil milhões, foi encerrado, a Hyvia, filial da Renault para os veículos utilitários a hidrogénio está em dificuldades e o Tribunal de Contas Europeu criticava o impasse na aventura do hidrogénio verde.

Por cá, fizemos com outros colegas um manifesto a criticar o megalómano projeto de produção em Sines de hidrogénio verde para ser exportado para os Países Baixos, pois a tecnologia estava imatura para grandes produções centralizadas e consequentes grandes transportes de energia, aconselhando começar-se por projetos de demonstração mais pequenos. Como resposta, um eletrizante (usando a expressão do Expresso) secretário de Estado brindou-nos com uma série de diatribes num webinar organizado pela Ordem dos Engenheiros sobre o hidrogénio e o então primeiro-ministro Costa chamou-nos velhos do Restelo. Respondi em direto na SIC a esse modernaço de Benfica (bairro em que vivia) que eu era um velho de Cascais e não do Restelo. Depois o agora europeizado Costa foi inaugurar a Fusion Fuel Portugal, que iria produzir eletrolisadores, subsidiou-a em €5 milhões do PRR e disse que a reindustrialização de Portugal começava aí! Azar dos Távoras, a empresa já faliu!»

30/05/2024

Estado empreendedor (111) - o aeroporto que só abria, abre ou abrirá aos domingos (14) - Convertido à swiftologia

Continuação de outras aterragens: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10, (11), (12), (13).

Recapitulação: ao princípio era o verbo do Eng. José Sócrates: mais de um milhão de passageiros até 2015 e o investimento seria recuperado nos 10 anos seguintes. Era o multiplicador socialista a funcionar de acordo com o estudo «Plano Regional de Inovação do Alentejo» da autoria de Augusto Mateus, um ex-ministro socialista da Economia do 1.º governo de Guterres. Segundo o estudo, o aeroporto de Beja iria constituir uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus».

Mais tarde e sucessivamente o aeroporto de Beja foi pensado para vários propósitos dos quais guardo como memória os seguintes: «plataforma logística», «unidade de desmantelamento de aviões», alternativa para aliviar a Portela e «uma espécie de parque de estacionamento de algumas companhias aéreas».

O momento estórico em que o avião com TS aterrou  

Por último, no primeiro trimestre o aeroporto de Beja foi frequentado por 53-passageiros-53. Até que no segundo trimestre o aeroporto talvez tenha encontrado a sua verdadeira vocação e recebeu Taylor Swift, vinda de Ibiza para os dois concertos em Lisboa durante os quais os sismógrafos registaram vários sismos.

14/10/2023

Pro memoria (431) – Gone with the wind. A aposta na energia eólica offshore pode ser mais um perfeito disparate

Já por diversas vezes aqui se escreveu sobre as eólicas offshore na série de posts Gone with de wind a propósito do projecto Windfloat Atlantic. Só no último mês o governo anunciou a criação da zona livre tecnológica (ZLT) de energias renováveis em offshore ao largo de Viana do Castelo, fez saber que irá lançar um leilão até ao final do ano e foram anunciados os projectos da Eco Wave Power, israelita, Barra do Douro, e de Capital Energy, espanhola, 3 projectos (Leixões, Viana do Castelo e Figueira da Foz). 

Será por isso oportuno, lembrar alguns factos. A eólica offshore tem um rácio de captura (*) muito baixo (cerca de 30%) e não é competitiva em termos comparativos com a energia eólica terrestre e a energia solar. Isso, em conjunto com o aumento dos custos resultantes dos problemas nas cadeias de abastecimento e das taxas de juros tem colocado aos produtores offshore dificuldades e prejuízos, a menos que a não competividade seja compensada à força de subsídios e de preços garantidos. Além disso, esses novos projectos agravarão os problemas já existentes multiplicando os picos de excesso de produção de fontes intermitentes que, entre outras consequências, leva a exportar energia a preço zero durante largos períodos.

(*) Relação entre preço médio da eletricidade por MWh que um projeto recebe pela energia que produz (variável a cada meia-hora) e o custo médio de produção, de acordo com a sua tecnologia e os recursos energéticos renováveis (vento, sol, ondas) num determinado período de tempo.

18/07/2023

Pro memoria (430) – gone with the wind (a confirmação)

Esta é a quinta vez que escrevo sobre os projectos descabelados de energia eólica offshore no Portugal dos Pequeninos. 

Recapitulando:

26.09.2011 Pro memoria (36) – gone with the wind

25-10-2017 Pro memoria (362) – gone with the wind (republicação e actualização)

16-11-2020 Pro memoria (406) – gone with the wind (republicação e nova actualização)

26-08-2021 Pro memoria (412) – gone with the wind (epílogo)

Volto a este tema para citar Luís Mira Amaral, uma das poucas pessoas que reúne três qualidades raras neste país: o conhecimento técnico e o conhecimento económico do sector energético e a independência dos poderes fácticos.  

No artigo 10 GW de eólica offshore? que escreveu na sua coluna Economia Real no Expresso, Miral Amaral expõe em palavras simples o disparate imenso que o governo pretende acrescentar aos que já foram feitos em Viana do Castelo.

«O governo quer 10 GW de potência eólica no mar, a Espanha apenas 3 GW e o Reino Unido, com condições ótimas de profundidade e de vento para esta tecnologia marítima, só projeta 5 GW. A costa portuguesa, com declives acentua­dos, exige plataformas marítimas flutuantes ainda em fases embrionárias de experimentação e bem mais caras do que as plataformas amarradas ao fundo do mar usadas no Reino Unido e na Europa do Norte.

Na eólica offshore de Viana do Castelo, que expliquei aqui com o título “O offshore de Viana do Castelo”, o custo das três plataformas flutuantes a 18 km da costa, com 25 MW no total, levou a uma tarifa para a eletricidade produzida de €130/MWh e o custo do cabo de ligação a terra rondou os €50 milhões. O consumidor português está, assim, a pagar um balúrdio pela eletricidade produzida e pela tarifa de acesso à rede ligada ao custo do cabo e a terceira plataforma flutuante acabou por ser feita em Espanha. O nosso consumidor financia generosamente a indústria espanhola! Agora falamos de 10 mil megawatts e não desses 25 MW, e a APREN diz que os consumidores vão pagar os custos dos cabos de ligação a terra. Qual a justificação económica de tudo isto e quais as vantagens para a indústria nacional, atendendo ao que se passou em Viana do Castelo?  

10 GW é 50% da potência instalada no Sistema Elétrico Nacional (SEN). Como se compatibilizam estas intenções com os níveis de consumo e potências de ponta num sistema em que o consumo global está quase estagnado e em que a eficiência energética e a produção descentralizada junto do consumidor tenderão a reduzir esse consumo? Que consumos adicionais se propõem? Isto teria de estar inserido num planeamento indicativo da geração elétrica no SEN, que, infelizmente, não existe, gerindo o binómio produção/consumo, e num plano global que lhe desse coerência, articulando capacidades de interligação e armazenamento com exportações, excedentes de produção com bombagem e outros dispositivos de armazenamento, como baterias, e análise económica do binómio custo de produção/corte de excedentes. E neste caso, devido ao elevadíssimo custo da energia, não fará sentido investir-se para depois cortar a produção.

Felizmente que esta irrealista ambição não passará da fase da bolha mediática, pois não haverá mercado e investidores para tudo isto, evitando-se o custo para o consumidor de querer fazer tudo na fase cara e de se ter o luxo de estarmos sempre na vanguarda do experimentalismo!»

17/10/2021

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho (5) - Antes de se começar a torrar o dinheiro conviria perceber o que se pode fazer com o H2

«Amid the excitement, it is worth being clear about what hydrogen can and cannot do. Japanese and South Korean firms are keen to sell cars using hydrogen fuel cells, but battery cars are roughly twice as energy efficient. Some European countries hope to pipe hydrogen into homes, but heat pumps are more effective and some pipes cannot handle the gas safely. Some big energy firms and petrostates want to use natural gas to make hydrogen without capturing the associated carbon effectively, but that does not eliminate emissions.

Instead, hydrogen can help in niche markets, involving complex chemical processes and high temperatures that are hard to achieve with electricity. Steel firms, spewing roughly 8% of global emissions, rely on coking coal and blast furnaces that wind power cannot replace but which hydrogen can, using a process known as direct reduction. Hybrit, a Swedish consortium, sold the world’s first green steel made this way in August.

Another niche is commercial transport, particularly for journeys beyond the scope of batteries. Hydrogen lorries can beat battery-powered rivals with faster refuelling, more room for cargo and a longer range. Cummins, an American company, is betting on them. Fuels derived from hydrogen may also be useful in aviation and shipping. Alstom, a French firm, is running hydrogen-powered locomotives on European tracks.

Last, hydrogen can be used as a material to store and transport energy in bulk. Renewable grids struggle when the wind dies or it is dark. Batteries can help, but if renewable power is converted to hydrogen, it can be stored cheaply for long periods and converted to electricity on demand. A power plant in Utah plans to store the gas in caverns to supply California. Sunny and windy places that lack transmission links can export clean energy as hydrogen. Australia, Chile and Morocco hope to “ship sunshine” to the world.»

Excerto de Hydrogen’s moment is here at last

19/09/2021

O multiplicador socialista multiplica as previsões. Isso está provado. Quanto aos efeitos, nem por isso. Por que seria diferente desta vez?

Segundo o estudo Avaliação do Impacto Macroeconómico do Portugal 2020 da Faculdade de Economia da UP para a Agência para o Desenvolvimento e Coesão, os 30,6 mil milhões de euros do Portugal 2020 terão um efeito multiplicador de 3,01 até 2073.

Desde 1989 até ao presente os contribuintes europeus nossos benfeitores entornaram no Portugal dos Pequeninos 130 mil milhões de euros, fazendo dos portugueses os segundos (QCA I e QCA II), primeiros (QCAIII) e quartos (QREN) mais apoiados per capita (fonte: Fundos Estruturais: desafios do passado e do futuro, Daniel Traça, Nova)

Vejamos os efeitos "multiplicadores" desses 130 mil milhões no crescimento do PIB per capita e na melhoria da produtividade no período 1889-2020 comparativamente com a Zona Euro e com o período  1960-95.


Temos de concluir que sem as bazucas da Óropa no período 1960-95 (que por coincidência termina no primeiro ano de um ciclo de 25 anos em que o PS governou durante 19 anos) progredimos em média muito mais do que nos 25 anos seguintes.

12/09/2021

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A fábula do surto inventivo que nos assola (12)

A fábula do surto inventivo é apenas mais uma fábula que a comentadoria e o jornalismo de causas recorrentemente contam, com a certeza que o sentimento de inferioridade lusitano lhes proporciona audiência. Como todas as fábulas, também esta é desmentida pelos factos como mostram os outros 11 posts sobre este tema. 

No fim do dia o indicador mais relevante para inovação não é o quanto se gasta ou quantas pessoas se dedicam à inovação, mas o número de patentes pedidas e aceites. Portugal com 2,2% da população da UE, em 2020, último ano disponível nas estatísticas do European Patent Office, pediu o registo de 249 e foram concedidas 119 patentes que representaram 0,14% e 0,09% dos números de patentes europeias, 180.089 e 133.709, respectivamente. 

Quando passamos dos factos às narrativas baseadas em indicadores que se prestam a manipulação (como por exemplo o investimento em inovação em que se incluem despesas correntes ou o emprego em empresas inovadoras em que se conta o emprego em actividades perfeitamente correntes) as coisas podem mudar drasticamente. Foi o que aconteceu desde que o governo do Dr. Costa conseguiu o milagre de fazer subir o país desde 2016 seis lugares no ranking europeu da inovação. 

Para se ter uma ideia do milagre, comparem-se os números de patentes de Portugal em 2020 (249 e 119) com da Espanha (1.790 e 909), que estava nesse ano dois lugares abaixo no ranking da inovação e com uma população 4,3 vezes maior pediu 7,2 e obteve 7,6 vezes mais patentes.

Com a passagem de comunicação dos dados, que foi feita até 2020 pelos apparatchiks da Agência Nacional de Inovação, para o INE em 2021 o Portugal miraculoso da inovação caiu de 12.º para 19.º, com grande desgosto e embaraço dos gabinetes de agitprop do governo socialista que agora procuram explicações para a queda, quando que deveriam é procurar explicações para a subida artificial com dados manipulados.

26/08/2021

Pro memoria (412) – gone with the wind (epílogo)

Os jornais de ontem publicitaram a primeira central eólica offshore em Portugal a funcionar desde há um ano que já forneceu electricidade para suficiente para fornecer 60 mil famílias. Parece um grande sucesso, não é verdade? Vejamos as coisas mais de perto.

Para quem não saiba, trata-se do projecto Windfloat Atlantic que aqui no (Im)pertinências temos vindo a acompanhar há 10 (dez) anos, desde que em 2011 foi lançado para depois de 9 (nove) anos começar a produzir electricidade.

Em 2017, seis anos depois do início do projecto, o ponto de situação era o seguinte:

«Até 2019, o parque eólico flutuante que o consórcio liderado pela EDP quer instalar ao largo de Viana do Castelo tem de estar ligado e a produzir energia de fonte renovável. O risco de falhar o prazo é o de o projecto Windfloat Atlantic, cujo custo estimado ronda os 115 milhões de euros, perder os fundos comunitários de 30 milhões atribuídos em 2012 pelo Programa NER300.» (fonte)

Repare-se o efeito Lockheed Tristar em todo o seu esplendor. Um projecto eventualmente inviável que custaria 15 ou 20 milhões há seis anos custará agora (em 2017) 115 milhões ou seis a oito vezes mais. À maneira habitual, provavelmente irão ser gastos ainda mais do que os 115 milhões para não perder os 30 milhões de fundos comunitários. Foi assim que uma parte significativa dos mais de cem mil milhões (130 mil milhões em 2021 antes do PRR) de subsídios comunitários pagos extorquidos aos contribuintes europeus, o equivalente a mais de 55% (70% em 2020) do PIB anual actual, foi delapidada.

Em 2020, nove anos depois do início, o ponto de situação era o seguinte:

O brinquedo, que era para custar 15 ou 20 milhões há nove anos e 115 milhões há seis anos, ficou este ano por 125 milhões, financiados por 60 milhões pelo Banco Europeu de Investimento, por um subsídio de 30 milhões do programa europeu NER 300 e outro de €6 milhões do Fundo Ambiental). Resta dizer que o parque Windfloat disfrutará de um preço garantido de venda de energia de €140/MWh quando o preço atual de mercado está abaixo de €40/MWh. Apesar deste maná que os consumidores de electricidade pagarão, a Windfloat está a dever vários milhões as dezenas de empresas subcontratadas. (fonte)

E assim chegamos aos dias de hoje com mais um exemplo do multiplicador socialista que, diferentemente do keynesiano que multiplica o montante do produto resultante de um investimento, o socialista multiplica o montante do próprio investimento do qual resultará um produto inferior ao previsto.

25/06/2021

CASE STUDY: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (7) - Fact checking ao fact check

Este post é o 7.ª da série: (1), (2), (3), (4), (5) e (6) e vem a propósito deste fact check do Observador quer conclui que é errada a frase «Câmara Municipal de Lisboa tem cerca 17 mil funcionários» que uma criatura botou no seu Facebook.

O Observador gasta 5 páginas de prosa rebarbativa para demonstrar que aquela frase é falsa, para o que bastaria um único quadro.
Achei piada porque este fact check é um exemplo de como o fact checking pode ser uma actividade inócua e praticamente inútil. Na verdade, é tão falso que a câmara de Lisboa tenha 17 mil funcionários, como 1,7 ou 170 mil. 

Os factos mais relevantes são:
  • A câmara de Lisboa tem cerca de 10 mil funcionários para cerca de 510 mil residentes, o que é o dobro dos funcionários por mil habitantes de Madrid ou Barcelona e mesmo quase mais um terço do que a câmara do Porto (3.200 funcionários para 215 mil residentes);
  • Entre esses 10 mil encontram-se mais de um milhar de licenciados, incluindo em áreas como Marketing, História, Línguas e Literatura, entre outras; 
  • E encontram-se também mais de uma centena de assessores (ver aqui uma lista de 2017, que entretanto já deve ter engordado).
Factos que nos permitem concluir que o socialismo camarário é um exemplo de sucesso da aplicação da lei de Parkinson à administração autárquica.

19/05/2021

Pro memoria (411) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (VIII) - A tradição ainda é o que era

[Mais choques com a realidade do carro eléctrico de Sócrates]

Em retrospectiva:
  • Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil postos de carregamento e 180 mil veículos eléctricos;
  • Em Agosto de 2020, segundo o Alternative Fuels Observatory existiam cerca de 1.750 postos de carregamento, o equivalente a 1/14 da visão socrática;
  • No princípio de 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado.
Fast forward, Maio de 2021, a mesma CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, diz que já tem 900 postos contratados e 500 operacionais, ou, dito de outro modo, dos 300 + 750 = 1050 que havia dito teria em 2020 tem menos de metade operacionais. Para compensar faz uma previsão de 40 mil em 2025 incluindo o estrangeiro.

Detecta-se aqui um padrão, não é verdade? É o padrão dos anúncios socialistas numa das empresas emblemáticas do regime, não por acaso em tempos uma coutada dos Espírito Santo, os banqueiros do regime, e agora do capitalismo de Estado chinês. 

Já o escrevi e repito, no Portugal dos Pequeninos isso não é um problema porque os eleitores não têm memória, a maioria dos políticos não têm vergonha, não existe algo a que se possa chamar opinião pública e a opinião publicada está a cargo de uma maioria de serventuários.

23/04/2021

Estado empreendedor (110) - O aeroporto que só abria, abre ou abrirá aos domingos (13) - Ressuscitado como apêndice de uma zona franca

Continuação de outras aterragens: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10, (11), (12)

Recapitulação

Ao princípio era o verbo do Eng. José Sócrates: mais de um milhão de passageiros até 2015 e o investimento seria recuperado nos 10 anos seguintes. Era o multiplicador socialista a funcionar de acordo com o estudo «Plano Regional de Inovação do Alentejo» da autoria de Augusto Mateus, um ex-ministro socialista da Economia do 1.º governo de Guterres. Segundo o estudo, o aeroporto de Beja iria constituir uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus».

Entretanto, durante mais de uma década, desenrolou-se uma saga cujos principais episódios são relatados nos posts anteriores, o último dos quais consistiu num projecto para desmantelar aviões que se esfumou, como os anteriores.

Novos desenvolvimentos

Passados doze anos e imensos projectos de inspiração evangélico-socialista, do tipo se o construímos eles virão, ou do tipo Lockheed TriStar, se já gastámos x milhões vamos gastar mais y milhões para não perder o x, e de seguida vamos gastar mais z milhões, para não perder x + y, e assim sucessivamente, as ideias tornam-se inevitavelmente cada vez mais místicas, como é o caso agora da ideia de «usar aeroporto de Beja para ser uma zona franca comercial e industrial»

Esta última ideia, avançada pelo Presidente da Comunidade Portuária e Logística de Sines, cargo que certamente lhe deixa tempo suficiente para produzir mais ideias, seria mais uma para fazer meia dúzia de anúncios, dois ou três relatórios, quatro ou cinco apresentações, e no final torrava-se umas centenas de milhar e estaria o assunto arrumado. Infelizmente, com a chegada os milhões da bazuca a coisa pode complicar-se e chegar a vias de facto torrando-se não umas centenas de milhar mas centenas de milhões.

03/03/2021

CASE STUDY: O multiplicador de subsídios. O caso TAP

Ontem de manhã no parlamento o Dr. Miguel Frasquilho, presidente do CA da TAP e talvez a pessoa do PSD com mais sucesso no complexo político-empresarial socialista, mostrou a razão do seu sucesso ao invocar o multiplicador socialista como um verdadeiro pastorinho da economia dos amanhãs que cantam para justificar o dinheiro que vai ser afundado na empresa a que preside. Segundo o Dr. Frasquilho 

«A ajuda pública estimada até 2024 terá um impacto positivo na economia cerca de duas a três vezes superior até 2030, portanto, é um impacto positivo muito forte, que se verificará em todas as vertentes».

Para os cépticos que usam a história como referência, o passado da TAP sugere que o destino dos 4 ou 5 ou 6 ou seja lá o que for mil milhões de euros dos sujeitos passivos que Dr. Costa e o seu putativo sucessor Dr. Pedro Nuno Santos pretendem lá afundar, terão o destino dos anteriores.

Para as criaturas com fé o que se passou no passado não é necessariamente o que se passará no futuro. Reconhecerão que nas histórias da multiplicação já houve alguns exageros como o multiplicador 18 dos doutores Pereira e Jorge Andraz para as infraestruturas rodoviárias que aplicado aos autoestradas foi o que se viu - multiplicou a dívida em vez do PIB. Porém, neste caso, o multiplicador do Dr. Frasquilho é mais modesto.

Quem terá razão? Provavelmente ambos. O primeiros terão razão porque, no pior estado que até agora a TAP se encontrou e numa conjuntura para a aviação mais difícil que a TAP jamais enfrentou, até a recuperação do dinheiro que será afundado numa TAP controlada pelo governo seria um milagre. Os segundos terão também razão porque, não sendo o futuro igual ao passado, o dinheiro a afundar na TAP no presente e no futuro será um múltiplo do dinheiro afundado no passado.

01/03/2021

O socialismo nos canteiros, como no resto

 O estado dos canteiros do Estado Novo no Estado Sucial 

«Em 1961, os jardineiros da autarquia de Lisboa conceberam sem dificuldades de maior os 32 brasões do jardim de Belém. Em 2021, a CML cujo quadro de pessoal atingiu os astronómicos 13.068 postos de trabalho alega que não tem pessoal qualificado para manter esses canteiros.»

Helena Matos no Observador
Para uma perspectiva histórica da engorda do aparelho camarário de Lisboa, vejam-se alguns posts que se escreveram a esse respeito no (Im)pertinências: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (1), (2), (3), (4), (5) e (6) e tome-se nota de algumas referências:

  • Desde 2016 a CML presidida pelo Dr. Medina aumentou o número de funcionários lá estacionados de 10.093 para 13.068, enquanto a população residente se manteve estável ao redor das 500 mil pessoas;
  • O número de funcionários inclui mais de um milhar de licenciados em várias áreas incluindo algumas inesperadas como Marketing, História, Línguas e Literatura;
  • Comparem-se os 13 mil funcionários para 500 mil habitantes de Lisboa com os 10 mil para os 1,6 milhões de Barcelona ou os 27 mil para 3,3 milhões de Madrid.
Imagine-se se Dr. Medina alcançar a sua ambição e suceder ao seu padrinho em S. Bento o que acontecerá ao exército de utentes da vaca marsupial pública, às contas públicas e ao estado de um país a exaurir-se para manter um aparelho ineficaz e ineficiente.

16/12/2020

Pro memoria (408) – a nacionalização do BPN não custou nada e o nada vai já em ? mil milhões (XIV)

Posts anteriores (I), (II), (III), (IV), (V), (VI), (VII), (VIII), (IX), (X), (XI), (XII) e (XIII)

Em retrospectiva: Teixeira dos Santos, co-autor com José Sócrates do desastre da nacionalização de um banco que valia 2% do mercado, ainda em 2012, decorridos 4 anos da sua decisão fatídica, justificava a inevitabilidade da decisão porque não custaria nada e a falência do BNP, segundo ele, levaria à quebra do PIB em 4%.

Recordemos ainda que a nacionalização do BPN foi entusiasticamente apoiada pelo Berloque na pessoa do seu Querido Líder Louçã, agora semi-aposentado, o que não impediu sete anos depois a sua sucessora Querida Líder Catarina Martins dizer com grande descaro que o Novo Banco «é cada vez mais o novo buraco (...) e cada vez lembra mais o BPN».

De vez em quando, são tornadas públicas estimativas de quanto já custou e de quanto ainda vai custar a nacionalização do BPN. Nesta altura, estou a imaginar-vos a perguntar: quanto já custou? estimativas? Então as contas não são do passado e as estimativas para futuro? Sim, respondo, num país normal; num país que não sofresse da maldição da tabuada. Em Portugal fazem-se estimativas para o passado e palpites para o futuro.

Fast forward: segundo a aritmética do Tribunal de Contas no parecer à Conta Geral do Estado, o BPN custou aos contribuintes «4,9 mil milhões de euros entre 2011 e 2018» e no final deste último ano «as garantias prestadas pelo Estado às sociedades veículo do ex-BPN totalizavam 1.377 milhões», significando 6,2 mil milhões de euros de perdas estão garantidas.

Não falando do Animal Feroz que é um caso patológico, se Teixeira dos Santos tivesse um pingo de vergonha, por esta e por muitas outras razões, teria recusado ser condecorado em 2015 ou, pelo menos, deveria fazer como o conde do poema de O'Neill «que cora ao ser condecorado».

Actualização:

«Tribunal de Contas estima em 6.200 milhões de euros o custo do BPN para o Estado desde que o banco foi nacionalizado em 2008. A conta ainda não está fechada, mas já dá uma ideia do valor final.» (Observador)

Sendo o PIB de 2009, ano em que foi nacionalizado o BPN, de 175 mil milhões (base 2016) os 4% que segundo Teixeira dos Santos custaria a falência corresponderiam a 7 mil milhões. Ora como o custo da nacionalização já vai em 6,2 mil milhões and counting, poderemos dizer que a nacionalização é uma espécie de falência que nunca acaba.    

Moral da estória que não tem moral, como diz o lema de estimação do (Im)pertinências: O socialismo não acaba enquanto não acabar o dinheiro dos contribuintes dos países frugais.

11/12/2020

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho (4) - Há uma diferença grande entre um visionário e um lunático, por vezes só visível depois de uma soma grande de dinheiro

Outros balões de hidrogénio.

«Em 2019, a Comissão Europeia definiu, no âmbito do Pacto Ecológico Europeu, o hidrogénio como uma das suas apostas para a descarbonização energética da União Europeia até 2050. Nesse contexto, Portugal apressou-se a entrar na corrida e apresentou a Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2) para aceder aos fundos europeus, supostamente para fomentar a criação de emprego e contribuir para o caminho da descarbonização.

Mas a estratégia para o hidrogénio verde terá custos económicos e vários obstáculos.

A EN-H2 propõe um financiamento público de 900 milhões de euros, prevendo que a produção de hidrogénio se reparta em 2030 no consumo interno e à exportação e que seja competitivo em termos financeiros no futuro.

Aqui deparamo-nos com o primeiro obstáculo. Não existe qualquer garantia que o hidrogénio verde seja competitivo num futuro próximo. A Agência Internacional de Energia (AIE) emitiu um relatório que prevê que o hidrogénio apenas seja competitivo a partir de 2050. Isto significa, na perspectiva mais optimista, que Portugal poderá daqui a três décadas vender hidrogénio verde a preços ligeiramente mais competitivos que o hidrogénio produzido com gás natural.

Neste cenário, o megaprojeto de Sines como estandarte na estratégia do Governo soa a mais uma aposta de risco devido ao gigantesco esforço financeiro e a um retorno a longo prazo incerto. (...)

Por último, no atual momento social e económico, com a economia paralisada, desemprego a galope, quebra do PIB superior a 12%, défice público a subir em flecha e muitos anos de recuperação pela frente, não é compreensível que o Governo continue com a estratégia do hidrogénio verde a alimentar um negócio de risco.

Analisando outras economias mais robustas de países desenvolvidos e mais empenhadas no processo de descarbonização que Portugal, é interessante constatar que nenhuma deu ao hidrogénio tanto protagonismo. As dúvidas suscitadas, custo e risco altíssimo, podem explicar essa falta de entusiasmo e investimento.
»

Excerto de Hidrogénio, necessidade ou ilusão? por Sofia Afonso Ferreira

29/08/2020

Pro memoria (404) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (VII) - O PS vive da falta de memória dos cidadãos

[Mais choques com a realidade do carro eléctrico de Sócrates]

Numa entrevista que o Jornal Económico destaca na primeira página, o presidente da MOBI.E – a Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica (EGME) «revela o projeto de instalação de postos de carregamento que aumentará a cobertura geográfica de 165 para 278 municípios, admitindo que a atual rede nacional duplicará no espaço de um ano». 

Vejamos o que se passou até agora com as Boas Novas Socialistas nesta matéria.

Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil postos de carregamento e 180 mil veículos eléctricos.

No princípio de 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado. 

Alternative Fuels Observatory

Como se pode ver no gráfico anterior existem actualmente no total cerca de 1.750 postos (*) de carregamento, o equivalente a 1/14 da visão socrática. Isto desacreditaria qualquer governo e qualquer partido em qualquer país civilizado. No Portugal dos Pequeninos isso não é um problema porque os eleitores não têm memória, a maioria dos políticos não têm vergonha, não existe algo a que se possa chamar opinião pública e a opinião publicada está a cargo de uma maioria de serventuários.

(*) O número existente em 2019 citado no post anterior era cerca de 3 mil e não os cerca de 1.700 que aparecem neste gráfico. Há várias explicações: (1) um erro do Alternative Fuels Observatory; (2) um erro do governo; (3) uma aldrabice do governo. Faça a sua escolha. 

23/08/2020

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho (3) - Da discussão nasce a luz, salvo quando se discute com lâmpadas fundidas

[Continuação dos balões (1) e (2)]

Já tinha citado no post anterior Clemente Pedro Nunes, um professor de engenharia que tem obra publicada sobre os temas da energia e em particular do hidrogénio, entretanto insultado pelo apparatchik socrático estacionado na secretaria de Estado da Energia. Volto hoje a fazê-lo respigando um excerto do seu escrito muito esclarecedor no Expresso de ontem: 

«Estamos, sim, perante o retomar do circo mediático iniciado em 2005 pelo Governo Sócrates para promover as potências elétricas intermitentes, solares e eólicas, à custa dos consumidores.

Para atrair investidores para essas tecnologias, na altura imaturas, foram-lhes oferecidas FIT (Feed in Tariffs), que dão a quem delas beneficia generosas tarifas garantidas, em simultâneo com uma reserva absoluta de mercado durante 15 anos.

É assim que ainda hoje as famílias e as PME estão a pagar 380 euros/MWh pela eletricidade solar dos parques concedidos pelo Governo Sócrates em 2010, quando o preço atual de mercado está abaixo de 40 euros/MWh!

O que conduz a um sobrecusto de 600 milhões de euros por ano. E se juntarmos as FIT concedidas maciçamente às eólicas, os sobrecustos atingem os 2000 milhões de euros por ano. Uma bagatela para uma economia muito enfraquecida como a portuguesa.

E foram também as FIT concedidas às potências intermitentes que expulsam a atual central de Sines do mercado e forçaram a proprietária EDP a solicitar o respetivo encerramento, deitando assim ao lixo a mais eficiente central a carvão da Península Ibérica.

E para a substituir aparece agora um projeto megalómano de fazer uma monumental unidade de eletrólise para consumir eletricidade e água do mar, que para o efeito terá de ser dessalinizada para produzir hidrogénio, que, por sua vez, se vai queimar para depois se voltar a produzir eletricidade ...

Ou seja, desperdiçar milhares de milhões de euros de um país terrivelmente endividado num projeto completamente desnecessário e ineficiente do ponto de vista energético. E, de caminho, dar mais FIT aos novos promotores de mais 2000 MW de potências intermitentes, destruindo qualquer veleidade de se voltar a ter um mercado elétrico nos próximos 15 anos.

O país não pode derreter mais dinheiro em mais tecnologias imaturas, que apenas têm contribuído para enriquecer os respetivos promotores e arruinar a economia portuguesa desde 2005.

Por expor estas ideias no âmbito da discussão pública promovida pelo próprio Governo, fui já publicamente insultado pelo secretário de Estado João Galamba. Será uma nova ferramenta de pressão mediática que, todavia, não me intimida ... »

19/08/2020

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho (2) - O multiplicador socialista, sempre

[Continuação do balão anterior]   

O estudo apresentado pelo secretário de Estado da Energia para justificar o seu  projecto do hidrogénio estima os seguintes impactos principais (Expresso): 
  • Valor acrescentado anual de 38 milhões a 262 milhões
  • Efeitos indirectos entre 92 e 740 milhões de euros
  • Empregos directos entre 630 e 5.340
  • Empregos indirectos entre 1.870 e 13.100 mil indirectos
  • Redução de emissões entre 0,3 e 1,8 milhões de toneladas de CO2 
  • Os investimentos até 2030 são estimados entre 1,1 e 7,3 mil milhões de euros.
Repare-se que os limites inferiores e superiores dos intervalos de variação dos outputs e dos investimentos do projecto nos vários cenários variam na proporção de 1 para de 6 a 8. Será uma paródia?

Voltarei com mais tempo ao hidrogénio do Dr. Galamba, por agora vem a propósito evocar dois posts que escrevi sobre o efeito multiplicador socialista um de 2006 e de outro de 2015, ambos sobre o investimento em infra-estruturas rodoviárias SCUT. Também este investimento, realizado na sua maior parte pelo Eng. Sócrates, o mentor do Dr. Galamba, foi sustentado em vários "estudos".  

Um desses estudos "O impacto económico e orçamental do investimento em Scut", baseado num modelo econométrico dos doutores Pereira e Jorge Andraz, estimava que por cada milhão de euros que o governo investisse em infra-estruturas rodoviárias o efeito acumulado no PIB seria de 18 milhões de euros.

14 anos depois, qual foi o efeito multiplicador do investimento nas SCUTS? Ninguém sabe. É possível que tenha sido um efeito "desmultiplicador", ou, na melhor hipótese, 1,8 ou 0,18, em vez do 18 dos doutores Pereira e Jorge Andraz. Será mais fácil saber o efeito na dívida pública que, por força desse e doutros projectos dos dois governos socialistas do Eng. Sócrates, se multiplicou por 1,8 entre 2005 e 2011.

29/07/2020

Leitura recomendada para se perceber que a nacionalização da TAP irá fazer companhia...

... ao aeroporto que só abria, abre ou abrirá aos domingos no cemitério dos elefantes brancos dos empreendimentos socialistas: "Como socialistas e patriotas úteis destruíram a TAP" de José Mendonça da Cruz, no Observador.

O cemitério está agora sob gestão do Dr. Pedro Nuno dos Santos, o principal ideólogo do pedronunismo, uma escola de pensamento económico afiliada da Mouse School of Economics. 

Pergunta supérflua: poderia ser de outra maneira? Não. Esta gente reúne as condições necessárias e suficientes para se envolver em projectos inviáveis ou levar ao insucesso projectos viáveis, nomeadamente porque:
  • Nunca investiu um cêntimo do seu bolso
  • Nunca criou um posto de trabalho
  • Nunca desempenhou nenhuma função produtiva e na maioria dos casos só entrou numa empresa para fazer uma inauguração
  • Está sob influência de uma teia de interesses que capturam o Estado Sucial
  • Nos "projectos" em que "investe" não arrisca um cêntimo
  • Está absolutamente blindada contra as consequências do insucesso dos "projectos".