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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Qual parâmetro moral você usa para julgar as ações dos outros? Em um mundo sem Deus (vc é ateu), a moralidade se torna meramente subjetiva e relativa, você está tentando enfiar goela abaixo das pessoas o seu padrão moral? 28/02/2016

Nada disso. A moral é uma condensação de permissões, proibições e prescrições de ações que tem que se pautar pela ética. E a ética é a disciplina filosófica que estabelece os critérios de julgamento das ações para que sejam consideradas certas ou erradas. Esse critério se baseia no bem e no mal. O que promova a maximização do bem para o maior número de seres (mesmo não humanos) é eticamente correto e o que promova o mal é eticamente incorreto, ressalvados os casos em que um mal menor possa ser admitido como condição para obtenção de um bem maior. Há algumas respostas atrás, listei os artigos que já escrevi a respeito. É preciso entender muito bem que a ética não tem nada a ver com nenhuma doutrina religiosa. As religiões é que se apoderaram da ética com se fosse algo desenvolvido por elas a partir das instruções de uma pretensa divindade para nortear seus códigos morais.
Leio o que está escrito nesses artigos:
http://wolfedler.blogspot.com.br/search?q=%C3%A9tica+e+moral

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Ernesto, falaste que o "bem" e o "mal" não são definições abstratas. Porem como saber se oq achamos "bom" hoje não ser considerado "mal" no futuro? Na história da humanidade sobre houve inversões no significado das atitudes, sendo catalogadas como "boas" ou "ruins". 18/01/2016

O que acontece é que, muitas vezes, a sociedade ou, geralmente, a classe ou o grupo dominante, geralmente em conluio com a classe sacerdotal, definem para o povo o que venha a ser "bom" ou "mau" em razão de seus interesses e não da ética. Por isso é que a moral é diferente da ética. A moral é o que fica estabelecido como permitido, proibido ou prescrito de se fazer para dado estrato social em dado local e dada época. E isso, muitas vezes, não tem a ver com a ética. Por exemplo, em muitos lugares, por muito tempo, não foi considerado errado pelas classes dominantes possuírem escravos (claro que os escravos não achavam que era certo). Já foi considerado errado, até pouco tempo, que mulheres perdessem a virgindade antes do casamento. Esses conceitos morais, mesmo não sendo subjetivos, são relativos. Mas o "bem" e o "mal", eticamente falando, não são relativos. Escravidão é um mal, seja considerada como boa ou má. Fazer sexo sem ser casada não fere a ética, mesmo que fira alguma moral, porque, sendo do consentimento dos envolvidos, não é maléfico para eles, a não ser em relação à rejeição social que pode advir, mas sexo, consentido, jamais é uma "maldade". A definição de bem e mal e do que seja bom ou mau são abstrações sim, como toda definição e todo conceito. A ética é uma noção abstrata. O que ela não é é relativa ao contexto histórico, geográfico ou social. Mas a moral é. Todavia tanto a moral quanto a ética não são subjetivas, isto é, não há uma "moral pessoal". A moral é social, mesmo não sendo da sociedade toda, em dado lugar e momento, mas é do grupo social em que a pessoa se insere. O sexo extra-conjugal é imoral, atualmente, em nosso contexto, mas só será anti-ético se envolver a quebra de um compromisso de exclusividade relacional sexual, de modo oculto da outra pessoa com quem esse compromisso foi estabelecido. Se o relacionamento conjugal não envolver o compromisso de exclusividade sexual, a ocorrência de sexo extra-conjugal é perfeitamente ética.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A ciência, em especial a evolução, podem dar explicações para questões morais? A ciência pode ser usada como um guia moral? 22/12/2015

Não. A moral se refere às ações realizadas por seres inteligentes, conscientes e livres. E estipula o que deve, não deve, pode e não pode ser feito. A ciência não cuida de nada disso. Ela busca saber como e porque algo é como é, sem se importar como deve ou não, pode ou não acontecer. Ela não cogita sobre o caráter certo ou errado de qualquer ação. Apenas explica como é se procede para que aconteça.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Já fez uma comparação entre as gerações atuais e as mais antigas em termos de moral? Acredita que estamos moralmente mais evoluídos? 13/12/2015

Apesar de muitos pensarem justamente o contrário eu acho que somos, na média, moralmente mais avançados do que já fomos no passado. Porque a moral atual é mais ética, ou seja, se baseia em fundamentos calcados no que seja eticamente certo ou errado, bom ou mau, justo ou injusto e não no que a sociedade e as religiões prescrevem como permitido, proibido ou prescrito. Mas ainda falta evoluir mais ainda. O fato de sermos mais libertários é positivo e não negativo. Negativo é sermos aprisionados por prescrições sem sentido, baseadas em noções equivocadas de pecado religioso. A libertação dos grilhões religiosos para o comportamento é um grande avanço. Resta nos libertarmos completamente das religiões. Há lugares em que isso vai ser mais difícil, como nos países islâmicos, mas no ocidente, especialmente na Europa, isso já está sendo conseguido. Uma moral completamente dissociada de aspectos religiosos é muito mais válida e valiosa, pois coloca a prática do bem como algo de valor intrínseco, a ser praticado sem a pretensão de nenhuma recompensa ou pelo medo de nenhum castigo. Essa é que é a verdadeira moral. Sem prêmio e nem castigo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O bem e o mal sao relativos vc concorda? 06/12/2015

Não. Bem é a propriedade comum das ações que propiciem aos que delas são objeto prazer, alegria, satisfação, bem estar, lucro, felicidade, e sensações do tipo, de modo maximizante para o maior número de seres. Ou seja, pode ser que uma ação tida como um bem não seja assim para alguém mas o seja para muitos. Mal, por outro lado, é a propriedade comum das ações que propiciem aos que dela são objeto, desprazer, dor, sofrimento, tristeza, prejuízo, malo estar, infelicidade, insatisfação e sensações do tipo, de modo maximizante para o maior número de seres. Ou seja, uma ação que seja benéfica para alguém mas maléfica para muitos é um mal. A ética é, pois, a disciplina filosófica que cuida de estabelecer os critérios que norteiam as ações de seres conscientes e livres para que sejam um bem ou um mal. Nesse sentido a ética não é relativa. A moral, por outro lado, é relativa, mas não subjetiva. A moral cuida de estabelecer que tipo de ações seja permitida, proibida ou prescrita por algum agrupamento social a seus membros, em dado estrato social, lugar e época. Muitas vezes a moral não se baseia na ética, como deveria ser, mas no atendimento dos interesses dos detentores do poder sobre o grupo a que se aplica. Quanto a moral não é ética ou não fere a ética, não precisa ser acatada e, inclusive, é bom que seja desacatada, para que mude e passe a ser ética. A lapidação de adúlteras é uma moral não ética, do mesmo modo que a exigência da monogamia.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Você defende o subjetivismo moral dos céticos radicais? Os valores morais são objetivos ou subjetivos? 25/11/2015

A moral não é subjetiva e nem absoluta. Ela é relativa. Isto é, ela é um conjunto de prescrições, permissões e proibições que um grupo social, em dada época, lugar e estrato social, estabelece para que seus componentes sigam para que tenham um comportamento aceito pela coletividade. Não existe um código moral subjetivo, ou seja, pessoal. Ele é coletivo. Mas não é absoluto. Varia de lugar para lugar, de época para época, de estrato social para estrato social. Muitas vezes, contudo, a moral não é estabelecida por um consenso do grupo a que seja aplicada e sim por uma imposição de algum grupo que tenha domínio sobre esse grupo, para atendimento dos interesses dos dominadores em relação ao comportamento dos dominados. A ética, contudo, é filosófica. O que ela pretende é estabelecer critérios a nortear a moral em suas prescrições, permissões e proibições. Não de um modo relativo ou circunstancial, mas de uma forma absoluta face o ser humano, em qualquer circunstância, temporal, local ou social. O ideal é que a moral sempre atenda aos preceitos éticos. Assim o fazendo ela deixaria de ser relativa às circunstâncias e independente de qualquer grupo dominante porventura existente. Contudo, mesmo os critérios éticos norteadores da moral refletem concepções filosóficas. O fundamental é que se conceba que o valor superior, ao qual os demais precisam acatar, é a primazia do bem. E bem é a característica das ações e das entidades capazes de fomentar ações, que promovam a maximização da felicidade para o maior número de seres (não só humanos). Isto é, do prazer, da alegria, da satisfação, do bem estar, do lucro e situações do tipo. Mas não individualmente e sim em termos estatísticos. Não é ético promover a felicidade de poucos em detrimento da felicidade de muitos. Todavia é aceitável algum sacrifício de muitos para o bem de alguns, se esse bem for de um valor extremo. Por exemplo, muitos doarem sangue para salvar algumas vítimas de algum acidente. Mas não muitos sofrerem privações para o enriquecimento de poucos. Isso tudo tem que ser refletido em cada situação real apresentada. Os princípios éticos, em geral, se reduzem a três: Que as ações promovam a maximização do bem para o maior número de seres, que as ações possam ser estatuídas como norma universal e que as ações sejam tais que o autor queira ser, também, o objeto delas. A moral, de modo geral, deve ser acatada para que a coletividade viva de forma harmônica. Todavia, há casos em que os preceitos morais não possuem justificativa ética e, inclusive, são fatores de infelicidade. Esses precisam ser derrubados e a moral modificada. Por exemplo, homossexualidade já foi considerado uma imoralidade. No entanto não fere ética nenhuma. Ou a manutenção da virgindade até o casamento. Felizmente, em nossa sociedade ocidental, tais normas morais já foram abolidas. O amor plural, contudo, ainda é tido como imoral, mesmo sem ferir ética nenhuma. Há que seja, também, aceito como moralmente lícito. Não se trata de traição e sim da aceitação, sabida e consentida, da não exclusividade nos relacionamentos amorosos e sexuais. Traição não é ético por ser uma falsidade, ou seja, a parte traída considera que a parte que trai se relacione amorosamente exclusivamente com ela, mas tal não acontece. Havendo conhecimento e consentimento na pluralidade relacional, não há traição. Dentre os pecados capitais, além da gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça, soberba, mentira. crueldade e vaidade, há que se acrescentar o ciúme.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

"A moral, apesar de não ser subjetiva, é relativa ao contexto social local e temporal." É exatamente isso que o Nagel defende: moral objetiva e particular, ou seja, as normas morais são relativas ao contexto social, local e temporal. É particular no sentido de não ser universal no sentido lógico. 12/11/2015

Particular significa pessoal, individual. Isso a moral não é. Ela é grupal. Mas pode ser diferente conforme o grupo, no tempo, no espaço e no estrato social. A ética, contudo, é geral, para a espécie humana, em todos os lugares, momentos e níveis sociais. Pode-se, inclusive, cogitar de que ela seja transumana, isto é, se aplique a qualquer espécie consciente, deste ou de outro planeta, agora ou em qualquer tempo.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Pode-se dizer que a moral está associada a cultura e a ética a ciência ? 30/10/2015

A moral, como uma súmula de permissões, proibições e prescrições, de fato, é cultural, isto é, uma concepção originária de um grupamento de seres humanos pertencentes a um dado estrato social em certo lugar e certa época. Mas a ética não é bem científica, ela é filosófica, mesmo que se possam usar critérios científicos para a aferição das condições de eticidade de dada ação. É filosófica porque advém da reflexão sobre as razões e os resultados do comportamento humano ao praticar ações. E essa reflexão se assenta na consideração do bem ou do mal que alguma ação possa produzir para quem dela for alvo. Por sua vez, o estabelecimento do que seja bom ou seja mau, também advém da observação e da reflexão sobre a capacidade que possam ter as ações de promover bem estar, alegria, lucro, satisfação, prazer, felicidade ou, pelo contrário, mal estar, tristeza, prejuízo, desgosto, desprazer, infelicidade.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Existe um limite para o errado e o certo? Ou cada pessoa pode ter o seu próprio limite e não estar errado? Como por exemplo, se uma pessoa gostar de matar e sente necessidade, isso pode ser considerado certo? 16/10/2015

Claro que existe. Nem a ética nem a moral são subjetivas. A ética, que é que estabelece o que seja certo ou errado (a moral estabelece o que seja permitido, proibido ou prescrito), se baseia da capacidade das ações em promover a maximização do bem para o maior número de seres. Matar, sem ser em legítima defesa é errado porque promove o mal. Mesmo que essa morte possa promover o bem para quem a provoque, matar é errado porque não é uma ação da qual a pessoa gostaria de ser vítima e nem pode ser erigida como prescrição geral universal para todos, senão a humanidade seria extinta. Todavia é lícito matar para evitar ser morto, ou mesmo, ferido por um agressor.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A moral é relativa? 14/10/2015

Sim, relativa ao contexto histórico, social, local e temporal. É circunstancial. Mas não é subjetiva. A moral não é individual, é coletiva. Mas seus ditames variam de lugar para lugar, de época para época, de nível social para nível social. A moral é que estabelece o que seja permitido, proibido o prescrito que se faça. Por outro lado, a ética pretende ser absoluta, isto é, independente do contexto social, local e temporal. Ela não faz prescrições, permissões e proibições. Ela analisa filosoficamente o que seja certo ou errado nas ações humanas, com o fito de promover o bem e erradicar o mal. Ela estabelece critérios que a moral deve seguir. Todavia nem sempre a moral os segue. A moral costuma ser controlada pelos detentores do poder, que estabelecem normas para o povo seguir, a fim de que satisfaçam seus desígnios. Quando a moral não for ética, é preciso que se a desobedeça, para que se crie um impasse e a moral possa ser corrigida, tornando-se ética.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Negar a moral e a ética é uma possibilidade física tão real quanto não negar. Por que não é válido? 29/09/2015

Para começar não se trata de nada físico. A categoria das realidades éticas e morais é a categoria dos valores e não dos seres. Negar prescrições, permissões ou proibições morais é válido. É como uma desobediência civil das leis (se bem que preceitos morais não sejam leis). Certamente a pessoa precisa assumir as consequências de sua negação, que pode ser, até, a condenação à morte. A negação das prescrições morais, muitas vezes, é uma atitude extremamente valiosa, pois a moral pode ser, até mesmo, perversa. Todavia, em relação à ética, a questão é diferente. Porque a ética não estabelece o que seja permitido, proibido ou prescrito, como a moral. A ética estabelece os critérios pelos quais a moral deve se pautar para estabelecer seus ditames. Claro que também se pode discordar desses critérios, mas, nem sempre, essa discordância é válida, no sentido de ser possuidora de um valor positivo. É válida como manifestação da liberdade que se tem de fazer quer o bem quer o mal. Todavia, a construção de uma humanidade boa precisa se basear em que o bem seja positivamente valorizado e o mal negativamente valorizado. Se se considera que tal tipo de valorização não é para ser estabelecida, então a humanidade viverá uma situação caótica, em que a sobrevivência será decidida pela força e pela astúcia e na qual a segurança, a paz e a felicidade não prevalecerão, nem mesmo para os mais fortes, já que viverão sobressaltados. No desejo de que o mundo sejam um lugar tranquilo, em que se possa viver com segurança, prosperidade, prazer, tranquilidade, paz, alegria, satisfação, felicidade, então é preciso que se valorize positivamente o bem e negativamente o mal. Os critérios que a ética elabora, justamente, buscam valorizar as ações que promovam o bem e a felicidade e menosprezar as que promovam o mal.

Existe moral objetiva? 27/09/2015

Toda moral é objetiva no sentido de que suas prescrições não são subjetivas, isto é, não se baseiam nas opiniões da pessoa. Não há moral individual. Mas a moral não é absoluta, pois varia com a época, o lugar e o estrato social do grupamento que a ela esteja submetido. Note que há uma grande diferença entre ser objetivo e subjetivo e entre ser absoluto e relativo. A moral é relativa e objetiva. A ética é que é absoluta e objetiva. Ou, pelo menos, pretende. Ou seja, a ética, sendo filosófica, busca os critérios que deveriam orientar a moral. A moral é uma disciplina normativa, isto é, ela cuida do que deve ser permitido, proibido ou prescrito com relação às ações dos seres dotados de inteligência, consciência e liberdade. A ética não cuida disso e sim do que deva ser considerado certo ou errado, em termos do bem e do mal. Mas a moral pode permitir ou, até, prescrever o que seja errado e proibir o que seja certo ou, pelo menos, não seja errado. É que a moral, geralmente, atende os desejos dos detentores do poder, para que a população aja de acordo com seus interesses. Para tal a moral se faz valer da religião, fazendo com que as pessoas suponham que os ditames morais sejam exarados pela divindade, levando seu descumprimento à desdita eterna. Nada disso. Não há prescrição divina nenhuma em relação à moral, simplesmente porque não existe deus nenhum. Os líderes religiosos é que colocam na boca do pretenso deus que propõem que exista, as normas morais, como as tábuas da lei de Moisés. A ética, por sua vez, não se reporta a divindade nenhuma. Ela analisa os critérios que permitam classificar as ações dos seres éticos (que é o caso dos humanos ou de quaisquer outros que possuem inteligência, consciência, sensibilidade, vontade e liberdade) e mostra o que deveria ser permitido, proibido ou prescrito pela moral para atender à disseminação do bem e à erradicação do mal.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Professor, a sinceridade deve ficar acima de tudo? Caso contrário, quando ela deve ser evitada? 24/09/2015

Não. Acima de tudo tem que estar a bondade. A sinceridade vem em segundo lugar. Isso significa que se pode mentir em nome da bondade. Mas isso não significa que se possa mentir em benefício próprio, considerando que isso seja uma bondade. O que se pode é ocultar uma verdade se ela for causar um grande mal para alguém. Mas sempre é bom que as pessoas se acostumem a ouvir verdades sem que se melindrem com isso. Não é bom chamar uma pessoa feia de bonita, uma gorda de magra ou algo do tipo. Todavia é preciso buscar falar a verdade de forma bondosa, sem ofender, com tato. Exceto, é claro, quando a pessoa merece ouvir a verdade em toda a sua crueza, porque é culpada de alguma ação malévola. Há outras situações em que também se pode mentir, como para salvar um inocente injustamente perseguido ou para salvar-se a si mesmo, quando injustamente perseguido. Mas se a acusação for justa, é preciso assumir a culpa e o castigo.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Andar nú pela rua é atentado ao púdor ou um legítimo exercício de liberdade castrado pela maioria da sociedade?

Depende do lugar e da época. Entre indígenas e selvícolas não é. Na polinésia, ainda hoje, em alguns lugares, as mulheres podem sair com os seios à mostra. Como sempre, a moralidade e a imoralidade é uma questão de costume. Como cobrir a genitália e os seios das mulheres não é anti-ético, trata-se de uma prescrição moral perfeitamente aceitável e deve ser seguida nos lugares em que assim se considera. Certamente que também não fere a ética andar nu, mas fere os costumes. Somente compensa atentar contra a moral se a prescrição moral for anti-ética. Aí o atentado à moral é um ato de desobediência social de rebeldia por uma causa maior que a moral, que é a ética. O mesmo acontece com a cópula em público ou, mesmo defecar e urinar. Esses últimos, inclusive, se justificam que sejam feitos privadamente não só pela moral, mas também pela higiene e pela estética. Já o beijo em público é um comportamento que alguns podem considerar imoral, mas como é uma manifestação completamente ética de afeto e amor, considero que seja válido afrontar a moral nesse caso.

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