BLOGGER TEMPLATES AND TWITTER BACKGROUNDS

sábado, 20 de junho de 2026

É nas ondas dum mar revolto!


 É nas ondas dum mar revolto que eu me deito e espero

Por um doce murmúrio de amor...um abraço de ternura

Que me afague o corpo docemente e adoce o desespero

Desta agonia que não passa...deste viver quase loucura


É na doce volúpia da noite que me deixo cair exangue

Na sombra da minha ausência...no lado obscuro de mim

Na memória da minha pele...palavras escritas a sangue

Como uma chama morrendo lentamente...perto do fim


É na solidão da noite que guardo a dor...bebo as lágrimas

Lambo as feridas...calo o desalento não mostro a ninguém

Envolvo o meu corpo no manto negro das minhas mágoas

Sem saber se é por mim que choro...se por outro alguém


É quando a madrugada se faz silêncio que a dor adormece

É esse o meu momento...é aí que meus fantasmas liberto

Abraço a minha alma e cruzo as minhas mãos em prece

É esse o momento que para a triste realidade desperto


É na noite que a suave carícia do vento toca a minha alma

É na noite que dormes no meu sonho me fazes madrugada

Trazias estrelas aos meus olhos...foste luz na noite calma

Era aí que na magia dos meus sonhos te fazias alvorada


É na noite que me visto de poesia e me dispo de mim

Que o silêncio me abraça...que me envolve a escuridão

Que a ausência se veste de ilusão e a dor me fala de ti

E é na madrugada que as palavras vestem de solidão


Rosa Maria ( Maria Rosa de Almeida Branquinho )

sábado, 23 de maio de 2026

A morte é o limiar da liberdade!

A morte definitivamente vai apagar todos os ontens da existência...todos os erros e todos os acertos. Nada é eterno. Não importa quanto tempo me resta...importa se na memória de quem fica valeu a pena ter vivido contabilizado no amor que deixei...na recordação de quem me amou.

Há dias que estar aqui pesa demais...viver cansa quando as forças nos estão abandonando. Quando o coração está no limite e fingindo que tudo está bem. Quando respirar é tão difícil e viver mais um dia dói muito.

É estreita a porta que me chama do outro lado do tempo...é negra a noite que me abraça e distante a paz que desejo. Mesmo á beira do abismo não aprendi a voar. Deixo os caminhos que não trilhei...os sonhos que não vivi...os amores que queria sentir...os versos que não escrevi e a felicidade a que tinha direito.

Tudo é passageiro...nas mãos do tempo aguardo a partida porque aqui já não é o meu lugar. Levo apenas as memórias de cheiros e de rostos de pessoas que amei e já não estão cá. Levo no meu coração a saudade do amor maior...dos seres que são carne da minha carne...sangue do meu sangue...meu altar e minha oração.

Nada sei do tempo nem da eternidade. Nada sei da vida...esqueci o passado e temo o futuro...dói-me o presente.

Sou um mistério...um ser mortal com princípio e fim. Fugaz passagem por esta vida sem sentido. O mundo é um desvario que vai continuar mesmo sem mim. Sou uma sombra apenas. Já não há no meu olhar campos verdes salpicados de papoilas vermelho sangue...nem o vento suão da minha amada planície a afagar-me o rosto...apenas trago no coração dores que transformei em sorrisos e mágoas que quero esquecer.

A morte é mesmo a nossa mais fiel amante. Nasce connosco e todos os instantes nos acompanha em silêncio como uma fugaz vela que se vai apagando lentamente até ao instante final.

A vida é irrecuperável...Repouso enfim do cansaço de existir!


Rosa Maria (Maria Rosa de Almeida Branquinho)

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Eu sem mim


 No meu corpo dorme a planície...no meu coração as giestas

O crepúsculo da noite...nos meus braços o cansaço dos dias

Nos meus dedos terra ardente...no meu olhar tristes violetas

Horas mortas...tempo sem nada eu sem mim as mãos vazias


E a noite sem claridade e a penumbra doendo...doendo tanto

A vida longa...a insónia densa e os sonhos no corpo sufocados

O desejo amordaçado e o vestido vermelho molhado de pranto

E a minha sombra errante vagando por entre solitários prados


Agreste o caminho...um breve adeus...uma esperança adiada

Gestos errados num espaço sem tempo...numa noite sem luar

Rente ao meu corpo há um vazio sem fim...uma alma rasgada

O meu corpo sem ti...os braços sem mim...uma onda sem mar


Escrevo-me e escrevo-te...apago-te...chamo-te e esqueço-me

Engulo as lágrimas e na nudez do meu corpo sacio-me de ti

Cubro-me com o véu dos sonhos da doce ilusão despeço-me

Em cada ruga do meu rosto te encontro tão distante de mim


No silêncio do meu olhar cai chuva...morre a noite no poente

Paira sobre mim a bruma no profundo abismo do esquecimento

Adormecida sobre a ternura do meu corpo de solidão fremente

Desfiando as memórias caminho inventando sonhos ao vento


No meu corpo sopra o vento do meu rosto esvai-se o tempo

Triste e silencioso...o meu olhar te chama...tão docemente

Murmurando-te um adeus como se fosse um doce lamento

Dá-me o calor dos teus braços e beija-me o rosto levemente


Rosa Maria ( Maria Rosa de Almeida Branquinho )

quinta-feira, 26 de março de 2026

Como se fosse a ultima vez!

Como se fosse a ultima vez...deixa-me percorrer as lembranças...como se fosse um rio a lamber-me a pele...um oceano a rasgar-me a dor...uma leve brisa a afagar-me o rosto...sonhos a acaríciarem o meu corpo vazio como se a ausência não adormecesse no leito desse rio de águas estagnadas...desse corpo de sal e mágoa.
Como se fosse a última vez...deixa que a sangue e cal me escreva e solitária me recolha ao silêncio das palavras que um dia foram o vinho suave que do teu olhar bebi...como quem bebe a eternidade...como quem espera a morte e chama pela vida...como se o tempo não existisse...como se o meu corpo não morresse...como se a minha nudez não te esperasse...como se o abismo não fosse tão profundo e a minha vida não fosses tu.
Como se fosse a última vez...olha-me docemente e deixa no meu corpo um afago suave...bebe da minha boca o derradeiro suspiro de amor como se a solidão não existisse...como se a noite não fosse o regaço de todas as mortes...a ilusão de todos os momentos o desvanecer de todos os instantes...o fim de todos os sonhos.
Como se fosse a última vez...deixa que nas lages silenciosas do tempo...na lápide fria da ilusão adormeça os meus anseios...deixa que volte a ser pura e de alma branca e nua percorra os últimos degraus onde ausente caminho...da vida tão distante...do amor tão esquecida...de ternura tão despida...de infinito tão sedenta.
Como se fosse a última vez tece no meu corpo palavras de vento...esculpe no meu olhar palavras de amor...enleia-me nas tuas mãos e abraça-me como se a ausência não tocasse a minha pele...como se os lençóis gelados não fossem o manto da noite fria...a fantasia que o poeta inventa...os sonhos que se desvanecem na madrugada...na nudez que desprende de cada gesto vazio.
Como se fosse a última vez deixa que por instantes regresse ao teu olhar...amanheça nos teus braços perdidos. Rasga o vazio do meu corpo e prende-me na solidão da noite...eterniza os instantes no silêncio de uma lágrima...no murmúrio de um sorriso...nas cinzas de um grande amor.
Rosa Maria ( Maria Rosa de Almeida Branquinho )