terça-feira, 27 de junho de 2017

Dias assim

E então eu sou assim, meu amor

Acordo pensando no dia, num dia, nos dias

Dia de trabalho, de correria

Dia de paz, de pernas pro ar

E nos que ainda terei ao seu lado


E o dia passa, de novo

Depois de ontem, o hoje chega

Compete com o amanhã

Que não me deixa respirar

E com o que já foi, que me fez cansar


Então, meu amor, assim eu sou

Te respiro logo cedo

Quem sabe pra ter combustível

Pra mais um dia passar

Correndo, pensando, buscando


E o tempo passa, mais um dia

Dia de luta, de saudade

Com teu cheiro na minha boca

E meu choro querendo teu som

E o colo da noite fria


Ah! Meu lindo amor

Como são bons os dias

Exaustos, tristonhos, sem fé

Quando lembro que tu és

A pele que me extasia


E então, eu deito contigo

Abraço tua pele, calo-me

Tantas palavras nos fazem

Companhia, alegria


Que sono bom, me trazes...

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Não desamarei-te



Quem te ama

Não desama mais

Desamar é verbo que não cabe no teu nome

Que não cola no coração após um beijo seu



É impossível desamar, desligar, desativar, desconectar

Do seu sorriso

Das suas frases ligeiras

Das suas crenças e descrenças

Da voz que nem ouço mais

Mas que ressurge em meus lábios

Quando penso em ti



Não é possível desamar dos seus olhos

Que contam instantes de paz

Quando me olhas

Sacia minha vida inteira de nuvens

De sol que me vibra os dias



Então, como hei de desamá-la?

Amar os teus passos passados

É entender que não há futuro sem tua presença

Não há como amar menos o que se tornou indivisível

E o amor que te sublimo não se vai



Jamais desamarei de tuas vidas
Tão minhas

E viverei a flutuar

Nas palavras
Tuas
Que só sabem 
Amar.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Um tempo...

E às vezes a gente precisa dar um tempo. Esquecer a rotina, sentir o coração, ouvir os pensamentos. Para  poder entender o mundo que vive dentro de nós. As dores, as cores, os amores. Tem horas que o melhor mesmo, é procurar um lugar, escondido, distante, calmo. Deixar o tempo passar sem olhar no relógio, sem olhar para o céu procurando o dia ou a noite. Simplesmente deixar acontecer.
Quero deixar acontecer, nesses dias que seguem, o que tiver que acontecer. Sem questionar, sem criticar, sem pensar se poderia ser diferente. Quero não pensar no que os outros dizem ou pensam. 
Quero me desligar das sandices diárias. Quero outro ar, outro lugar. Quero me ouvir. Há tantos gritos dentro de mim nunca jogados ao vento. Há tantos caminhos não percorridos. Por isso, preciso de um tempo, de calmaria e brisa.
Quero me alcançar enquanto sonho com um futuro. Enquanto caminho de pés descalços. Enquanto vejo as pessoas procurando o sol. Preciso dessa paz sem destino, para, enfim, fazer o meu destino. Preciso renovar as energias para agarrar a coragem e fazer acontecer o que pode me fazer feliz...

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A gente (se) perde


E às vezes a gente perde
Perde a vontade de seguir
De recomeçar a cada dia
Às vezes a gente perde
Pensando que está ganhando
E às vezes a gente ganha
Mas nem percebe
E tem gente que a gente quer
Pra sempre ganhando
Perto da gente
Dias mais floridos
Sorrisos mais bonitos
Verdades mais gostosas
Caminhos mais sinceros
E tem gente que a gente
Nem sente que está perto
Tem gente que a gente
Sempre quis por perto
Têm os que nos mandam abraços
E beijos iluminados
E tem aqueles que vivem
Pra sempre dentro da gente
Que nos levam um pedaço
De sonhos realizados
Tem aqueles que vivem
Em nossos pensamentos
Quando a gente fecha os olhos
Em sonos tranquilos pela tarde
E tem gente que perde
A gente
Quando corre pra longe
Quando tranca as portas
Tem gente
Que perde
A gente
E a gente quer que ganhe
A gente
E tem gente que perde
O olhar no espelho
A vontade de estrelas
A calmaria da alma
Tem gente como a gente
Que não sabe onde foi
Que perdeu o destino
E traçou um novo
Tem gente que perde
O passado que vive
Tem gente que só
Precisa da gente
E às vezes a gente
Só precisa do outro
Daquelas tardes de domingo
De passeios sem rumo
De afazeres sem hora
Das horas cheias de risos
De horas silenciosas
Quando os carinhos gritam
E às vezes a gente precisa
De gente que goste de gente
Da gente
De outros como a gente
A gente não deve
Nunca
Se perder
Um do outro
Nunca devemos nos perder
De nós mesmos
A gente, precisa se deixar ser
Gente.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Menina na chuva

Eu ouço a chuva cair

Fico calma aqui

Segura no meu quarto

As paredes brancas

O som das gotas

A luz acesa, a porta trancada

E aquelas lembranças entrando


Eu fui uma menina decidida

Contava histórias aos amigos

Era a melhor da turma

Subia em árvores

Mas precisei da chuva

Pra lembrar das roupas molhadas

E dessas outras coisas todas

Que fizeram quem eu sou


Quanto tempo faz que já não sou

A menina das roupas molhadas?

Quanto tempo faz que não corro

Na chuva num final de tarde?


A saudade aparece assim

Quando não se espera mais nada

De um dia chuvoso

A gente tem mania

De deixar a TV ligada

Não lembra que o mundo

Acontece todo lá fora


É quando a chuva cai

E quando os ventos são gelados

Que a gente lembra

Mas só quando ouve

Quando olha pela vidraça embaçada

E faz desenhos com os dedos

Sorri em frente a corações de vapor

Sente a criança de ontem


Quanto tempo faz que não sou

A criança que fazia corações?

Quanto tempo faz que não sorrio

Numa tarde de chuva fria?






sexta-feira, 21 de junho de 2013

Poemas mentais

Eu faço poemas mentais
E me perco de suas rimas
Assim que outra paisagem
Chega em meu peito
Partido

Escrevo poemas no chuveiro
Enquanto inalo o vapor
E a névoa apaga os sentidos
Enquanto enxergo a penumbra
E vejo o dia do começo
Depois a noite do fim

Pontuo com letras no teto
Os defeitos da minha alma
As dores que bateram na porta
Vestidas de falso vermelho
E tive ilusões de verdade
E frases de mentira

Eu uso um teclado imaginário
Para contar aos meus sonhos
As vontades que tenho
De pessoas reais que enganaram
E das sôfregas lágrimas que sequei
Quando existiam olhos que choravam

De olhos fechados vislumbro
Todas as vitórias que não tive
E quantos sorrisos coloridos já vivi
Entre leis e desleais caminhos
Onde nada era como pensei
E tudo era só uma lição em preto e branco

Ontem eu fiz um poema
Na madrugada que acordou meu coração
Ele me contava histórias 
Que lhe faziam o sangue ferver
Mas afirmava:
- Um dia hei de esquecer.

Em outro minuto escrevi
Sem caneta ou papel
Sobre a importância (ou falta dela)
O que vale mesmo nessa vida?
Sentir a leveza da justiça?
Ou ser feliz sobre a tristeza? 

Pensei então sobre as palavras
Frases e orações que poderia usar
Para contar ao mundo
Como é fácil se perder 
Nos pesadelos que nos tocam
Quando outra força nos atropela

Eu quis colocar numa tela
Os jogos de letras e os gritos
Que levavam de mim os naufrágios
De retratos vazios que ainda tenho
E que vibravam sobre a mesa escura
E assim viraram loucura
 
Eu faço poemas mentais
Não como este [vivo]
Para pedir perdão
Aos que se perderam
No córtex cerebral

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O giro e a não-morte

Eu quase morri

Vi tudo girar

Meus dias

Meu passado

Minhas vozes

Meus temores

Meus segredos

Tudo girou

Num segundo

Num minuto


Girou


E nem sei mais

Organizar a bagunça


Girou


Numa noite cinza

E eu quase morri


E a vida

Tão bonita

E cruel

Mostrou-me

Há quem acaricie

Há quem ignore


E a vida

Segue


Eu quase morri

Mas estou viva

Ainda

Mas algo morreu

Quando não houve

Um afago

Essencial


No coração

terça-feira, 7 de maio de 2013

Re (fazer) (criar)


Refazendo-me

Depois das noites insones

De versos sem rimas e cores cruas

Nuas estavam todas as flores

Insones repetições batiam-me

No peito tão receoso de sonhos


Refaço-me

Mesmo com o frio que insinua

Rasgar-me quando se fizer verdade

Entre traços de segredos rendidos

Lamentando-se pelos prazeres

Aflitos em seus calados sussurros


Recriando-me

Desde o amanhecer gritante

Com a fome de corações vazios

Delirando pelas ruas infinitas

Pelos apelos dos trejeitos

Daquelas mentiras enclausuradas


Recrio-me

Quando ouço a melanina

Que pálida me cega os medos

Sendo métrica de novos poemas

Da poeta que abriu a porta

Trancada para outro fim

domingo, 5 de maio de 2013

Aquele tempo


Houve um tempo

Em que o tempo

Nem passava

E nossos olhos

Paravam

Sobre a pele

Um do outro

Houve

Aquele tempo

Aqueles sussurros

O afeto sereno

Os sorrisos

Houve um tempo

Em que o tempo

Nem passava

E nossos olhos

Paravam

Sobre a pele

Um do outro


Houve

Aquele tempo

Aqueles sussurros

O afeto sereno

Os sorrisos

Que falavam

Sobre o tempo

Futuro

E o presente

Tão cheio

De nossos planos


Houve

Um tempo

Que não passava

Que não queria

Passar

Para outro tempo

Esse de hoje

Tão diferente

E longo

Vazio

De um futuro

Juntos


De tempo

Precisamos

Para um fim

Melhor

Pra nós



Que falavam

Sobre o tempo

Futuro

E o presente

Tão cheio

De nossos planos

Houve

Um tempo

Que não passava

Que não queria

Passar

Para outro tempo

Esse de hoje

Tão diferente

E longo

Vazio

De um futuro

Juntos

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Conselhos


E tem essas dores

Que não se sabe

Como

Ou

Quando

Chegaram

Apertaram

Nosso coração

Dores, dor

Uma, duas, dez

Uma que vale por mil

Mil que deixamos passar


E temos que suportar

O passado incorrigível

Os gestos

Inesperados

Meus

Nossos

E os versos

Rasgados dentro do peito

Arrancados

Das lágrimas

Que não escorreram


E há esses dias

De paz

Da janela pra fora

Onde a porta

Fica trancada
Parece aberta
Para os recados do mundo

“Seja feliz”

“Viva intensamente”

“Siga em frente”


Mas ninguém sabe dizer

Como é ser feliz

Quando se tem algo

Que não se tem

Quando o rosto sorri

Um sorriso de atriz


Ninguém sabe explicar

Como é viver intensamente

Será se jogar de pechascos?

Saltar de paraquedas?

Saltar pra dentro de si?

Pra fora do tempo?


E seguir em frente

Parece simples

É só olhar a rua

E caminhar

Mas pra onde se pode ir

Quando ainda se vive o que já foi?