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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Franz Schubert (1797-1827) - Works for piano Trio


As obras camerísticas de Schubert estão entre as mais bonitas já escritas na história da música. São primorosas. Delicadas. Possuem reflexões atordoantes e humanas. Schubert foi um gênio incontestável. Morreu muito jovem e, quando morreu, havia alcançado um . Mais jovem do que Mozart, Chopin e Mendelssohn. Todavia, escreveu obras geniais e com uma capacidade inegável de investigação da alma humana.

Além das espetaculares sinfonias, dos mais de 600 lieds e das inúmeras obras para piano, acredito que uma das suas páginas mais densas e profundas sejam as obras camerísticas.  Enquanto, por exemplo, Beethoven parecia desafiar estruturas, com intuições que apontavam para o futuro e realizava reflexões avassaladoras, Schubert incursionava por outros platôs. A geografia do compositor era a alma humana. Ou seja, a música de câmera do compositor austríaco é necessariamente introspectiva. Isso vai se tornando cada vez mais evidente à medida que os anos da sua morte se aproximam.

Neste disco maravilhoso que ora surge, parece o espetacular Trio No. 2, umas obras mais bonitas e sensíveis da história do ser humano. É uma das minhas obras favoritas da vida. Foi escrita em 1827. A obra revela um Schubert capaz de equilibrar lirismo, arquitetura formal e intensidade dramática em proporções extraordinárias. Seu movimento lento tornou-se amplamente conhecido após ser utilizado por Stanley Kubrick no filme Barry Lyndon (1975), mas sua força expressiva transcende qualquer associação cinematográfica. O filme de quase três horas de Kubrick, quando termina, deixa a música em nosso inconsciente. Ela fica assim por semanas. Foi dessa maneira que a conheci.

O que distingue Schubert dos demais mestres da música de câmara é sua capacidade de fazer a melodia carregar o peso da existência humana. Em suas obras, os temas parecem cantar continuamente, como se cada instrumento fosse uma voz humana compartilhando lembranças, sonhos e angústias. Mesmo nos momentos mais sombrios, há sempre uma centelha de esperança; mesmo nos mais luminosos, uma sombra de melancolia.

Essa dualidade talvez reflita a própria vida do compositor. Schubert escreveu grande parte de suas obras-primas enquanto enfrentava graves problemas de saúde e dificuldades financeiras. A consciência da fragilidade da existência impregna sua música, mas nunca a transforma em desespero absoluto. Ao contrário, ela se converte em compaixão, ternura e humanidade.

Não deixe de ouvir este maravilhoso disco. Uma boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1827) - 

01. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 I. Allegro moderato
02. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 II. Andante un poco mosso
03. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 III. Scherzo
04. Trio for Piano, Violin and Cello No. 1 in B-Flat Major, Op. 99, D. 898 IV. Rondo
05. Piano Trio in B-Flat Major, D. 28
06. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in B-Flat Major, Op. 100, D. 929 I. Allegro
07. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in E-Flat Major, Op. 100, D. 929 II. Andante con moto
08. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in E-Flat Major, Op. 100, D. 929 III. Scherzando. Allegro moderato - Trio
09. Trio for Piano, Violin and Cello No. 2 in E-Flat Major, Op. 100, D. 929 IV. Allegro moderato
10. Piano Trio in E-Flat Major, Op. 148, D. 897

Trio Rafale
Maki Wiederkehr, piano
Daniel Meller, violino
Flurin Cuonz, violoncelo 

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Joshua Bell - Voice of the Violin

Texto de apresentação do disco: 

"Temo que isso ainda subestime a qualidade etérea com que Bell extrai notas musicais vivas de seu Stradivarius. A comunhão espiritual que se estabelece entre um virtuose e seu instrumento é o que torna possível a conexão entre intérprete e ouvinte. O instrumento transforma-se em uma voz singular, capaz de transmitir a essência da música - ela própria uma extensão do compositor. Quando essa relação é pura, sua qualidade torna-se imensurável e indizível, comunicando-se apenas entre espíritos, e alcançando plenitude ainda maior nas mãos de uma alma afim. Joshua Bell possui exatamente esse tipo de vínculo: não apenas entre o autor da obra e a excelência do instrumento, mas também entre o compositor e o público. Bell se destaca como a ponte perfeita entre todos eles.

Constantemente incentivados a “cantar” através de seus instrumentos, músicos de cordas naturalmente buscam reproduzir o mais belo de todos os instrumentos musicais: a voz humana. Não surpreende, portanto, que desejem literalmente colocar os dedos sobre os tesouros do repertório vocal. Joshua Bell apropriou-se de algumas das mais célebres canções e árias operísticas, de Mozart aos românticos, passando por Orff. Lentamente conduzidas, sustentadas, líricas e, sim, profundamente “cantáveis”, essas melodias sedutoras e de ampla carga emocional adaptam-se com extraordinária naturalidade ao violino.

Grande parte dos arranjos leva a assinatura de J.A.C. Redford, conhecido compositor de cinema e televisão. E, de fato, as cordas pulsantes e as modulações abruptas típicas de trilhas sonoras permeiam suas orquestrações, em contraste surpreendente com a linguagem original dos compositores. Em “Beau soir”, de Debussy, o pianista Frederic Chiu acompanha Bell com tamanha sensibilidade que se chega a desejar que o piano tivesse substituído a orquestra em todas as canções. As transcrições violinísticas da linha vocal permanecem fiéis aos originais, exceto pelo hábito quase compulsivo de Redford de adicionar oitavas nas repetições e saltar do registro mais grave ao mais agudo.

Naturalmente, Bell executa tudo isso com maestria — e é justamente a interpretação o grande destaque. Seu timbre é arrebatadoramente belo: quente nas cordas graves, luminoso nos registros agudos e sempre intensamente expressivo. Seu amor pela música e sua compreensão instintiva de sua simplicidade interior, de seu anseio romântico e de seu ardor apaixonado atingem diretamente o coração do ouvinte.

Na única participação violinística autenticamente escrita para o instrumento, o obbligato de “Morgen!”, de Richard Strauss, Bell divide a cena com a soprano Anna Netrebko, dona de uma voz dourada. Inicialmente intensa em excesso, ela gradualmente se entrega a um desfecho mágico e sereno".  

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

01. Vocalise, Op. 34, No. 14 (Rachmaninoff) (5:51)
02. Ave Maria (Schubert) (4:43)
03. Pourquoi me reveiller from Werther (Massenet) (2:37)
04. Apres un reve, Op. 7, No. 1 (Faure) (2:50)
05. Song To The Moon from Rusalka (Dvorak) (5:28)
06. Laudate Dominum from Vesperae solennes de confessore (Mozart) (4:43)
07. None But The Lonely Heart, Op. 6/6 (Tchaikovsky) (2:51)
08. Una Furtiva Lagrima from L'Elisir d'Amore (Donizetti) (4:17)
09. In trutina from Carmina Burana (Orff) (2:34)
10. May Breezes from Songs without Words, Op. 62, No. 1 (Mendelssohn) (2:18)
11. Beau soir (Debussy) (2:32)
12. Estrellita (Ponce) (3:16)
13. Nana (Bercuese) from Siete conciones populares Espanolas (De Falla) (2:12)
14. Je crois entendre encore from The Pearl Fishers (Bizet) (3:31)
15. Morgen! Op. 27, No. 4 (R. Strauss) (3:41)

Joshua Bell, violino

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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Franz Schubert (1797-1828) - Hoffnung

 

Adoro as canções escritas por Schubert. Vai um textinho que explica a o disco:

Para este terceiro volume de sua série “Schubert 200”, Samuel Hasselhorn e Ammiel Bushakevitz celebram a renovada exuberância do compositor. Após o ensolarado verão de 1825, 1826 marcou um período de revitalização para Schubert, impulsionado por uma impressionante onda de energia criativa. Esses Lieder, situados entre a nostalgia e uma confiança serena, evocam uma esperança que transcende as incertezas da vida.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Franz Schubert (1797-1828) - 

01. Im Freien, D. 880: No. 3
02. Sehnsucht, D. 879: No. 4
03. Über Wildemann, D. 884: No. 1
04. Alinde, D. 904: No. 1
05. An Silvia, D. 891: No. 4
06. Die Blume und der Quell, D. 874 (Completion verses 2, 3, 4 by Ammiel Bushakevitz)
07. Im Jänner 1817, D. 876 Tiefes Leid
08. An die Laute, D. 905: No. 2
09. Fischerweise, D. 881: No. 4
10. Im Frühling, D. 882: No.1
11. Der Wanderer an den Mond, D. 870: No. 1
12. Das Zügenglöcklein, D. 871: No. 2
13. Totengräberweise, D. 869
14. Ständchen, D. 889
15. Lebensmut, D. 883
16. Trinklied. Bacchus! Feister Fürst des Weins, D. 888
17. Am Fenster, D. 878: No. 3
18. Wiegenlied, D. 867: No. 2
19. Um Mitternacht, D. 862: No. 3
20. Der Vater mit dem Kind, D. 906

Samuel Hasselhorn, 
Ammiel Bushakevitz  

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Franz Schubert (1797-1828) - Symphony No. 6 in C Major D. 589 - "Little C Major" e Symphony No. 5 in B-flat Major D. 435

 

Sou um admirador da obra de Schubert. Tudo o que ele escreveu está impregnado de sofisticação, beleza e um lirismo romântico que não é fácil de encontrar em outros compositores. Suas sinfonias revelam uma imaginação musical única. O que impressiona é que quantidade de obras relevantes escritas quando o compositor estava na casa dos vinte anos.

A Sinfonia No. 5, por exemplo, foi escrita em 1816; e a Sinfonia No. 6, em 1818; ou seja, 19 e 21 anos, respectivamente. A Sinfonia No.5 foi escrita para uma orquestra menor,  sem clarinetes, trompetes ou tímpanos, ela respira leveza. O gesto parece quase uma declaração de princípios: em vez do heroísmo grandioso que já dominava parte da música germânica, Schubert escolhe a elegância, a transparência e a graça. Schubert parece dizer que a profundidade também pode sussurrar. Em tempos de exaltação heroica, ele oferece delicadeza.

Já a Sinfonia No. 6 mostra um trabalho completamente diferente. Ela é mais expansiva e teatral; mais ousadamente rica e ensolarada. Aqui se percebe a influência da ópera italiana, especialmente de Gioachino Rossini, cuja música conquistava a Europa naquele momento. Schubert, atento ao seu tempo, incorpora esse brilho operístico com inteligência. O resultado é uma sinfonia viva, espirituosa e cheia de energia. 

A Sexta tenha sido apelidada por alguns de “Pequena em Dó maior”, em contraste implícito com a futura “Grande em Dó maior”.  Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Franz Schubert (1797-1828) - 

01 Symphony No. 6 in C Major D. 589 _Little C Major_ I. Adagio - Allegro
02 Symphony No. 6 in C Major D. 589 _Little C Major_ II. Andante
03 Symphony No. 6 in C Major D. 589 _Little C Major_ III. Scherzo. Presto - Trio. Più lento
04 Symphony No. 6 in C Major D. 589 _Little C Major_ IV. Allegro moderato
05 Symphony No. 5 in B-flat Major D. 435 I. Allegro
06 Symphony No. 5 in B-flat Major D. 435 II. Andante con moto
07 Symphony No. 5 in B-flat Major D. 435 III. Menuetto. Allegro molto - Trio
08 Symphony No. 5 in B-flat Major D. 435 IV. Allegro vivace

The Deutsche Kammerphilharmonie Bremen
Paavo Järvi, regente 

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segunda-feira, 16 de março de 2026

Franz Schubert (1797-1828) - Piano Trio in B-Flat Major, D. 898 e Adagio, D. 897


Já revelei por aqui, em outros momentos, o quanto admiro a música de Franz Schubert. Em minha humilde opinião, Schubert é um dos maiores poetas da história da música. Ele conseguiu como ninguém, no espaço reduzido, quase intimista da música de câmara, produzir alguns das maiores obras da história da humanidade. Cito aqui, por exemplo, o Quinteto “A Truta” ou o fascinante e profundo quarteto “A morte e a donzela”. São obras cuja beleza fascina e nos coloca diante do delicado, do inominado, que revela muito sobre o ser humano.

Nesta postagem, aparece o D. 898, um dos seus trios mais bonitos e delicados.  Schubert nessas obras é o compositor do intimismo e do lirismo. Esse Trio foi composto em 1827, um ano antes da morte do compositor – mas, ano da morte de Beethoven. Schubert procura um equilíbrio entre a imaginação romântica e a estrutura clássica. Essa é uma característica elementar de sua obra.

Em 1827, o compositor já havia alcançado a maturidade na arte de compor. A doença que o levou à morte o dominara. Algumas das obras do período, como a já citada “A morte e a donzela” são repletas de melancolia. Todavia, o D. 898 não o é. Ele é revestido por uma atmosfera em que o equilíbrio e uma tepidez luminosa domina a obra. Possui aquele charme, aquela marca que somente o compositor era capaz de realizar.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Franz Schubert (1797-1828) - 

01 - Max Brod Trio - Piano Trio in B-Flat Major, D. 898- I. Allegro mod
02 - Max Brod Trio - Piano Trio in B-Flat Major, D. 898- II. Andante un
03 - Max Brod Trio - Piano Trio in B-Flat Major, D. 898- III. Scherzo.
04 - Max Brod Trio - Piano Trio in B-Flat Major, D. 898- IV. Finale. Al
05 - Max Brod Trio - Notturno, D. 897

Max Brod Trio 

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segunda-feira, 9 de março de 2026

Carl Maria von Weber (1786-1826) - Sonata No.2 in A flat major, Op.39 e Franz Schubert (1797-1828) - Sonata in B major, D.575, Op.Posth.147

Texto extraído da apresentação do disco:

"Mesmo que ambos estivessem destinados a morrer tragicamente de doença em idade muito precoce - Weber aos 39 anos e Schubert com apenas 31 -, os dois compositores presentes neste disco gozavam de boa saúde quando escreveram essas obras e começavam, inclusive, a experimentar os primeiros sinais de sucesso.

Esse reconhecimento, porém, não veio por meio da sonata para piano. Com um discreto toque de ironia, Paul Lewis reúne neste álbum obras dos dois compositores nesse gênero, propondo um retrato diferente - e de grande elegância - de dois dramaturgos musicais que se tornaram figuras emblemáticas do romantismo austro-alemão".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Carl Maria von Weber (1786-1826) - 

Sonata No.2 in A flat major, Op.39
01 I. Allegro moderato, con spirito ed assai legato
02 II. Andante. Ben tenuto
03 III. Menuetto capriccioso. Presto assai
04 IV. Rondo. Moderato e molto grazioso

Franz Schubert (1797-1828) - 

Sonata in B major, D.575, Op.Posth.147

05 I. Allegro ma non troppo
06 II. Andante
07 III. Scherzo Allegretto
08 IV. Allegro giusto

Paul Lewis, piano 

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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Franz Schubert (1797-1828) - The Complete Symphonies e Rosamunde, Op. 26, D. 797

Da nota de apresentação do disco:

"No fim da década de 1970, Herbert von Karajan e a Orquestra Filarmônica de Berlim atingiram um ápice de refinamento sonoro. Esta coletânea destaca o ciclo Schubert de 1978 — celebrado pela precisão luminosa e pela elegância estrutural —, no qual o domínio de Karajan sobre a textura orquestral se mantém incomparável. Aqui, o chamado “som Karajan” alcança o seu ponto máximo: uma fusão contínua de potência, transparência e profundidade atmosférica que redefiniu essas obras-primas para a era moderna".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Franz Schubert (1797-1828) - 

01. Symphony No. 1 in D Major, D. 82: I. Adagio - Allegro vivace (10:07)
02. Symphony No. 1 in D Major, D. 82: II. Andante (8:04)
03. Symphony No. 1 in D Major, D. 82: III. Menuetto. Allegro (6:44)
04. Symphony No. 1 in D Major, D. 82: IV. Allegro vivace (6:23)
05. Symphony No. 2 in B-Flat Major, D. 125: I. Largo - Allegro vivace (11:07)
06. Symphony No. 2 in B-Flat Major, D. 125: II. Andante (7:57)
07. Symphony No. 2 in B-Flat Major, D. 125: III. Menuetto. Allegro vivace (3:38)
08. Symphony No. 2 in B-Flat Major, D. 125: IV. Presto (6:11)
09. Symphony No. 3 in D Major, D. 200: I. Adagio maestoso - Allegro con brio (10:28)
10. Symphony No. 3 in D Major, D. 200: II. Allegretto (5:11)
11. Symphony No. 3 in D Major, D. 200: III. Menuetto. Vivace - Trio (4:20)
12. Symphony No. 3 in D Major, D. 200: IV. Presto vivace (5:17)
13. Symphony No. 4 in C Minor, D. 417: I. Adagio molto - Allegro vivace (7:37)
14. Symphony No. 4 in C Minor, D. 417: II. Andante (8:43)
15. Symphony No. 4 in C Minor, D. 417: III. Menuetto. Allegro vivace - Trio (4:28)
16. Symphony No. 4 in C Minor, D. 417: IV. Allegro (7:15)
17. Symphony No. 5 in B-Flat Major, D. 485: I. Allegro (7:09)
18. Symphony No. 5 in B-Flat Major, D. 485: II. Andante con moto (9:38)
19. Symphony No. 5 in B-Flat Major, D. 485: III. Menuetto. Allegro molto - Trio (5:40)
20. Symphony No. 5 in B-Flat Major, D. 485: IV. Allegro vivace (5:52)
21. Symphony No. 6 in C Major, D. 589: I. Adagio - Allegro (7:56)
22. Symphony No. 6 in C Major, D. 589: II. Andante (7:21)
23. Symphony No. 6 in C Major, D. 589: III. Scherzo. Presto - Trio. Più lento (6:54)
24. Symphony No. 6 in C Major, D. 589: IV. Allegro moderato (11:40)
25. Symphony No. 8 in B Minor, D. 759 "Unfinished": I. Allegro moderato (11:56)
26. Symphony No. 8 in B Minor, D. 759 "Unfinished": II. Andante con moto (13:47)
27. Rosamunde, Op. 26, D. 797: Overture from Die Zauberharfe, D. 644 (12:09)
28. Rosamunde, Op. 26, D. 797: Ballet Music I (7:53)
29. Rosamunde, Op. 26, D. 797: Ballet Music II (7:51)
30. Symphony No. 9 in C Major, D. 944 "The Great": I. Andante - Allegro ma non troppo (13:00)
31. Symphony No. 9 in C Major, D. 944 "The Great": II. Andante con moto (13:11)
32. Symphony No. 9 in C Major, D. 944 "The Great": III. Scherzo. Allegro vivace - Trio (14:15)
33. Symphony No. 9 in C Major, D. 944 "The Great": IV. Finale. Allegro vivace (11:59)

Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan, regente 

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Franz Schubert (1797-1828) - Die Nacht

Da apresentação do disco:

Apresentados um ao outro pelo amigo em comum Dino Saluzzi, em 2003, a violoncelista alemã Anja Lechner e o guitarrista argentino Pablo Márquez vêm explorando, desde então, um repertório amplo e diversas formas de expressão em seus concertos.

No primeiro álbum em duo da parceria, o fio condutor conceitual é a forte tradição das canções com acompanhamento de violão predominante na Viena do século XIX, contexto no qual Lechner e Márquez interpretam obras de Franz Schubert. Muitas das canções do compositor foram publicadas, ainda em vida, em versões alternativas com violão; em alguns casos, essas versões antecederam inclusive as destinadas ao piano.

Intercaladas no álbum, como eco e comentário ao espírito e à linguagem de Schubert, estão as elegantes Trois Nocturnes, originalmente escritas para violoncelo e violão por Friedrich Burgmüller (1806–1874). Die Nacht é lançado enquanto Lechner e Márquez iniciam uma turnê europeia, com concertos programados na Alemanha, Áustria, França, Hungria e Romênia. 

Franz Schubert (1797-1828) - 

01 Nocturne Nr. 1 in a-Moll Andantino
02 Nacht und Träume
03 Nocturne Nr. 3 in C-Dur Allegro moderato
04 Die Nacht
05 Der Leiermann
06 “Arpeggione” Sonate in a-Moll Allegro moderato
07 “Arpeggione” Sonate in a-Moll Adagio
08 “Arpeggione” Sonate in a-Moll Allegretto
09 Fischerweise
10 Meeres Stille
11 Nocturne Nr. 2 in F-Dur Adagio cantabile
12 Romanze aus Rosamunde
13 Nocturne Nr. 1 in a-moll

Anja Lechner, violoncelo
Pablo Márquez,  guitarra

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Franz Schubert (1797-1828) - Symphony No. 8 in B minor - Unfinished -, D. 759 e Symphony No. 9 in C Major - The Great - , D. 944

Franz Schubert - para mim - foi um dos maiores gênios que já passaram por este Planeta. Viveu pouco, mas produziu uma obra bonita, profunda e visionária sob vários aspectos. Schubert é o compositor que se posiciona no limiar entre o Classicismo e o Romantismo - muitas das suas produções possuem uma dicção clássica, mas, outras, um ímpeto romântico arrebatável. 

A Sinfonia No. 8, também conhecida como "Inacabada", foi composta em 1822. Em torno dela repousa um grande mistério - por que o compositor a deixou apenas com dois movimentos? Insegurança estética ou da forma? Um fluxo intenso de novas ideias? Novos interesses criativos? Vale mencionar que a década de 20 foi um período de grande produtividade para o compositor. Há um fluxo incrível de novas ideias e composições. O fato é que a obra é de uma beleza esmagadora. Ela é sombria. Carregada de drama. Foi com esta Sinfonia que aprendi a gostar de música clássica. Ela faz parte de minha história.

Já a Sinfonia No. 9, escrita entre os anos de 1825 e 1826, diferente da Oitava - que possui uma atmosfera concentrada - é uma sinfonia de afirmação. Ela é longa, vigorosa e possui uma estrutura ambiciosa. Schubert é mais conhecido por ser um compositor de miniaturas, mas a Nona prova o contrário. Ela, de certa forma, inaugura um tipo de estrutura grandiosa que, mais tarde, Bruckner e Mahler seriam os principais seguidores dessa tendência.

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Franz Schubert (1797-1828) - 

01 - Symphony No. 8 in B minor _Unfinished_, D. 759, IFS 739_ I. Alleg
02 - Symphony No. 8 in B minor _Unfinished_, D. 759, IFS 739_ II. Anda
03 - Symphony No. 9 in C Major _The Great_, D. 944, IFS 740_ I. Andant
04 - Symphony No. 9 in C Major _The Great_, D. 944, IFS 740_ II. Andan
05 - Symphony No. 9 in C Major _The Great_, D. 944, IFS 740_ III. Sche
06 - Symphony No. 9 in C Major _The Great_, D. 944, IFS 740_ IV. Final

Cleveland Orchestra
George Szell, regente 

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Ludwig van Beethoven (1770-1827) Streichquartett F-Moll Op. 95 - "Quartetto Serioso" e Franz Schubert (1797-1828) - Streichquartett G-Dur D 887 (Op. Posth. 161)

Informações extraídas do encarte do disco:

"O Hagen Quartett é um conjunto de quartetos de cordas fundado na década de 1970, em Salzburgo, e figura entre os mais renomados quartetos de cordas do mundo. O grupo ganhou destaque internacional sobretudo por sua gravação integral dos quartetos de cordas de Wolfgang Amadeus Mozart.

O quarteto contou com o apoio do maestro Nikolaus Harnoncourt desde seus primeiros anos. Conhecidos inicialmente como as “crianças Hagen”, seus integrantes conquistaram, em meados da década de 1970, o primeiro prêmio no concurso Jugend musiziert, realizado em Leoben. Em 1981, o violinista Gidon Kremer convidou o grupo para participar de seu primeiro Festival de Música de Câmara de Lockenhaus. Essa apresentação diante de um público internacional é considerada a “certidão de nascimento” oficial do Hagen Quartett.

Desde 2013, o Hagen Quartett toca em quatro instrumentos Stradivarius, conhecidos como o chamado “Quarteto Paganini”. Os instrumentos, que pertenceram ao violinista italiano Niccolò Paganini, foram utilizados até 2012 pelo Tokyo String Quartet, antes de sua dissolução. Posteriormente, passaram a ser cedidos ao Hagen Quartett pela Nippon Music Foundation".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Streichquartett F-Moll Op. 95 »Quartetto Serioso«

01. I. Allegro con brio
02. II. Allegretto, ma non troppo – Attacca
03. III. Allegro assai vivace, ma serioso
04. IV. Larghetto espressivo – Allegretto agitato – Allegro

Franz Schubert (1797-1828) - 

Streichquartett G-Dur D 887 (Op. Posth. 161)

05. I. Allegro molto moderato
06. II. Andante un poco mosso
07. III. Scherzo. Allegro vivace – Trio. Allegretto
08. IV. Allegro assai

Hagen Quartett
Lukas Hagen, violino I
Rainer Schmidt, violino II
Veronika Hagen, viiola)
Clemens Hagen, violoncelo 

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sábado, 6 de dezembro de 2025

Felix Mendelssohn (1809-1847) - Symphony No. 4 in A Major, Op. 90, MWV N16 - "Italian" e Franz Schubert (1797-1828) - Symphony No. 9 in C Major, D. 944 - "The Great"

A Sinfonia No. 4, de Mendelssohn, também conhecida como "Italiana", é um dos seus trabalhos mais expressivos, mais bonitos. É daquelas belezas iluminadas, que derramam uma sensação de raro e imaculado acontecimento. É uma das minhas sinfonias favoritas. É um trabalho de juventude do compositor; é resultado de uma viagem que o compositor fez à Itália. Esse impulso luminoso transparece desde o primeiro movimento, marcado por uma energia irresistível, quase solar. Mendelssohn traduz em música uma paisagem vibrante, impregnada de cores e movimento.

Já a Sinfonia No. 9, de Schubert, também conhecida como "A Grande", é o último trabalho sinfônico do compositor. Escrita pouco antes da morte do compositor, ela representa a amplitude máxima de sua linguagem sinfônica. Se Mendelssohn oferece uma luz radiante, Schubert constrói uma arquitetura sonora monumental. O tema inicial, apresentado pelas trompas, abre caminho para uma jornada que se desenvolve com calma e paciência, como se cada gesto musical precisasse respirar por inteiro antes de prosseguir. 

Em suma: um grande disco sob a regência de Klaus Tennstedt. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

01 - Symphony No. 4 in A Major, Op. 90, MWV N16 _Italian__ I. Allegro vivace
02 - Symphony No. 4 in A Major, Op. 90, MWV N16 _Italian__ II. Andante con moto
03 - Symphony No. 4 in A Major, Op. 90, MWV N16 _Italian__ III. Con modo moderato
04 - Symphony No. 4 in A Major, Op. 90, MWV N16 _Italian__ IV. Saltarello. Presto
05 - Symphony No. 9 in C Major, D. 944 _The Great__ I. Andante - Allegro ma non troppo
06 - Symphony No. 9 in C Major, D. 944 _The Great__ II. Andante con moto
07 - Symphony No. 9 in C Major, D. 944 _The Great__ III. Scherzo. Allegro vivace - Trio
08 - Symphony No. 9 in C Major, D. 944 _The Great__ IV. Finale. Allegro vivace

Berliner Philharmoniker
Klaus Tennstedt, regente 

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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Franz Schubert (1797-1828) - String Quartet No. 14 in D minor, D.810 - 'Death and the Maiden'


Em 1824, Schubert, então com 27 anos, acabara de passar por uma grande crise, devido à anemia e a um transtorno nervoso resultante da sífilis e de seu tratamento com mercúrio, venenoso, mas usado na época.

Depois dessa fase, já bem melhor, ele começa um dos períodos mais produtivos de sua vida, do qual resultam dois de seus melhores quartetos de corda: o Quarteto nº 13 – “Rosamunde” e o Quarteto nº 14 – “A Morte e a Donzela”. É este último que vamos apresentar em seguida.

Seu primeiro movimento, Allegro, começa com um gesto dramático, que leva a um verdadeiro frenesi, até que a música pausa e começa um segundo tema, uma melodia terna e lírica, mas que em breve se torna áspera e desesperada. Na coda (final do movimento), o andamento se acelera, mas depois se dissolve em desesperança.

O segundo movimento, Andante com moto, usa o tema de sua canção Der Tod und das Mädchen (A morte e a donzela). A palavra Tod (morte) é masculina em alemão. A canção narra o convite sedutor e tranquilizador do mensageiro do além a uma donzela aterrorizada. Sobre este tema fúnebre, Schubert desenvolve cinco variações.

O Scherzo, agitado, sincopado, traz de volta o clima do primeiro movimento.

O final, Presto, diz um comentarista, é um galope noturno em tom menor, que prossegue quase sem respiro até os acordes finais, brutais do Prestissimo da coda.

Daqui 

Franz Schubert (1797-1828) - 

01 - String Quartet No. 14 in D minor, D.810 'Death and the Maiden' I. Allegro
02 - String Quartet No. 14 in D minor, D.810 'Death and the Maiden' II. Andante c...
03 - String Quartet No. 14 in D minor, D.810 'Death and the Maiden' III. Scherzo ...
04 - String Quartet No. 14 in D minor, D.810 'Death and the Maiden' IV. Prest - P...

Orlando Quartet  

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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Franz Schubert (1797-1828) - Schwanengesang, D. 957 e Carl Maria von Weber (1786-1826) - Frühe Lieder

Extraído do encarte do disco:

"Um ano após a morte prematura de Franz Schubert, seu editor, Tobias Haslinger, trouxe à luz quatorze canções sob o título evocativo de "Schwanengesang" ("O Canto do Cisne"). Escritas em rápida sucessão pouco antes de o compositor silenciar para sempre, essa efusão derradeira sugere, de forma pungente, que foram concebidas, ao menos em parte, como um ciclo de Lied, um testamento final melodioso.

O baixo-barítono alemão Hanno Müller-Brachmann foi uma voz central na Ópera Estatal de Berlim de 1998 a 2011, e sua arte ressoou nos mais prestigiados palcos mundiais, desde as Óperas Estatais da Baviera, Hamburgo e Viena até a Ópera de São Francisco. Seu timbre robusto e expressivo adornou as apresentações das Filarmónicas de Londres, Viena e Berlim, das Staatskapellen de Berlim e Dresden, da Orchestra National de France, e das Orquestras Sinfónicas de Boston, Chicago e Los Angeles. Müller-Brachmann serviu-se do talento de mestres regentes como Thielemann, Haitink, Barenboim, Welser-Möst, Harnoncourt, Luisi, von Dohnányi, Nelsons e Gardiner.

Para além do palco de ópera e do salão de concertos, o Lied — a canção artística alemã — é uma paixão ardente que o consome. Sua dedicação a este gênero íntimo e profundo o levou a recitais aclamados em metrópoles culturais como Berlim, Graz, Amesterdão, Hamburgo, Paris e Lausana, e em templos da música de câmara como o Wigmore Hall de Londres, a Schubertiade de Schwarzenberg, as Festwochen de Berlim e o Festival de Edimburgo, entre outros".

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

01. Schwanengesang, D. 957: No. 14, Die Taubenpost, D. 965a
02. Schwanengesang, D. 957: No. 1, Liebesbotschaft
03. Schwanengesang, D. 957: No. 2, Kriegers Ahnung
04. Schwanengesang, D. 957: No. 3, Frühlingssehnsucht
05. Schwanengesang, D. 957: No. 4, Ständchen
06. Schwanengesang, D. 957: No. 5, Aufenthalt
07. Schwanengesang, D. 957: No. 6, In der Ferne
08. Schwanengesang, D. 957: No. 7, Abschied
09. Herbst, D. 945
10. Schwanengesang, D. 957: No. 10, Das Fischermädchen
11. Schwanengesang, D. 957: No. 12, Am Meer
12. Schwanengesang, D. 957: No. 11, Die Stadt
13. Schwanengesang, D. 957: No. 9, Ihr Bild
14. Schwanengesang, D. 957: No. 13, Der Doppelgänger
15. Schwanengesang, D. 957: No. 8, Der Atlas
16. Die Zeit, Op. 13 No. 5, J. 97
17. Meine Lieder, meine Sänge, Op. 15 No. 1, J. 73
18. Liebe-glühen, Op. 25 No. 1, J. 140
19. Was zieht zu deinem Zauberkreise, Op. 15 No. 4, J. 68
20. Klage, Op. 15 No. 2, J. 62
21. Sind es Schmerzen, sind es Freuden, Op. 30 No. 6, J. 156

Hanno Müller-Brachmann, baixo-barítono
Jan Schultsz, piano

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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Franz Schubert (1797-1828) - Impromptus, Moments Musicaux

 Extraído do encarte do disco:

Após o sucesso de seus concertos de Bach — um best-seller tanto na França quanto na Alemanha — o jovem pianista francês David Fray volta-se agora a Schubert, levando sua sensibilidade singular ao repertório do compositor austríaco. Reconhecido por sua afinidade com a tradição austro-germânica, Fray, que já lançou dois álbuns dedicados a Bach (além de um DVD com os concertos), mergulha agora no primeiro romantismo, com um programa que reúne os Seis Momentos musicais, D. 780, os Quatro Impromptus, D. 899, e o Allegretto em dó menor, D. 915 — gravação realizada em Berlim.

Sua abordagem ao piano é, como sempre, reflexiva e reveladora. Em entrevista à revista francesa Pianiste, Fray explicou:

“No piano, procuro fazer música como um maestro, não apenas como um pianista. Encaro a partitura como se fosse uma redução de uma obra sinfônica. O piano é um meio de chegar mais perto do coração da música. Como equilibrar as vozes? Como construir uma progressão dentro de um movimento? Como organizar a polifonia?... É muito mais interessante estudar a orquestração de Bach no Magnificat ou no Oratório de Natal do que ler livros sobre como tocar Bach ao piano.”

Fray acrescenta que sempre se pergunta como o compositor teria escrito a peça se não tivesse escolhido o piano:

“Veja o primeiro Impromptu de Schubert”, diz ele. “Começa como uma redução de uma partitura orquestral: um acorde tutti e, em seguida, a melodia sozinha, como se fosse tocada por uma flauta. Depois, os sopros retomam o tema antes que as cordas entrem. Grande parte da obra é composta por três ou quatro linhas independentes que cantam juntas — um ostinato de violoncelo, uma harmonia em contraponto nas violas, e os sopros por cima.”

O sucesso de Fray já se fez sentir com o lançamento de seu álbum de concertos de Bach, em novembro passado, que ultrapassou as 40 mil cópias vendidas na França e na Alemanha, consolidando sua reputação como um dos pianistas mais promissores de sua geração.

A crítica especializada foi unânime em seu entusiasmo. A revista Le Monde de la musique destacou:

“A interpretação é sempre generosa, entusiástica e rica em contrastes. Os movimentos rápidos seduzem pela energia saudável, pelo humor exuberante dos finais e pelo lirismo constante. Nenhuma rigidez marca as frases do pianista — ele dá livre curso ao som.”

Já a revista alemã Der Spiegel descreveu Fray como

“talvez o mais inspirado — certamente o mais original — intérprete de Bach de sua geração. Ele descobre mais profundidade psicológica, histórias mais completas e emoções mais refinadas que seus colegas. Sua abordagem é lírica, flexível, elegante e marcada por uma estética de bel canto cuidadosamente cultivada.”

 Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação! 

Franz Schubert (1797-1828) - 

Moments Musicaux D. 780
01. No. 1 In C Major 6:49
02. No. 2 In Flat Majot 7:37
03. No. 3 In F Minor 2:09
04. No. 4 In C Sharp Minor 6:20
05. No. 5 In F Minor 2:34
06. No. 6 In A Flat Major 9:31
07. Allegretto In C Minor D. 915 6:02

Impromptus D. 899
08. No. 1 In C Minor 10:34
09. No. 2 In E Flat Major 5:19
10. No. 3 In G Flat Major 6:19
11. No. 4 In A Flat Major 8:31

David Fray, piano 

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terça-feira, 1 de julho de 2025

Franz Schubert (1797-1828) - The Late Piano Sonatas


Schubert, em minha humilde opinião, foi um mestre incontestável. Uma fábrica de obras-primas. Podemos encontrar um exemplo disso nestas três sonatas, escritas em setembro de 1828, dois meses antes da morte do compositor. Embora escritas em um ritmo febril e em um curto período de tempo, cada uma das sonatas apresenta um caráter único.

A Sonata em Dó menor, D. 958 é a mais dramática e austera das três. A obra rescende uma fragrância beethoveana. Possui uma tonalidade sombria, o que cria uma atmosfera trágica e heroica. Já o D. 959, mescla lirismo, grandiosidade e momentos de puro experimentalismo. Ela revela a liberdade formal do compositor, algo que ele já vinha realizando. A D. 960 é uma obra-prima irretocável. É, certamente, um dos trunfos composicionais de Schubert e um dos grandes trabalhos para o gênero de todos os tempos. Quando Schubert a escreveu, encontrava-se gravemente doente. Ela parece transcender a dor pessoal do compositor, pois paradoxalmente transmite uma visão musical de rara serenidade. Ela eleva aquilo que Fernando Pessoa diria mais tarde: "O poeta é um fingidor". O compositor só "fingia", embora fossem dores, medo, incertezas e ansiedade. 

As três sonatas não chegaram a ser executadas com Schubert ainda vivo. Foram apresentadas ao público, em 1839, por Anton Diabelli. São bonitas, expressivas, possuem complexidade estrutural e indicam a liberdade criativa do compositor. 

Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1828) - 

DISCO 01

01. Sonata in C minor, D 958 1. Allegro
02. Sonata in C minor, D 958 2. Adagio
03. Sonata in C minor, D 958 3. Menuetto Allegro - Trio
04. Sonata in C minor, D 958 4. Allegro
05. Sonata in A major, D 959 1. Allegro
06. Sonata in A major, D 959 2. Andantino
07. Sonata in A major, D 959 3. Scherzo Allegro vivace - Trio Un poco piu lento
08. Sonata in A major, D 959 4. Rondo Allegretto

DISCO 02

01. Sonata in B flat major, D 960 1. Molto moderato
02. Sonata in B flat major, D 960 2. Andante sostenuto
03. Sonata in B flat major, D 960 3. Scherzo Allegro vivace - Trio
04. Sonata in B flat major, D 960 4. Allegro ma non troppo

Andreas Staier, pianoforte 

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segunda-feira, 12 de maio de 2025

Franz Schubert (1797-1828) - Trio No. 2 en Mi Bémol Majeur, Op. 100, D. 929 e Quintette en la Majeur, Op. 114, D. 667 - "La Truite"


Já explicitei por aqui mais de uma vez o quanto a obra camerística de Schubert é preciosa para mim. Ele escreveu ao longo de sua curta vida, verdadeiras obras-primas do gênero. São obras que evidenciam a maturidade e o domínio da forma. Além disso, o compositor conseguia disseminar um virtuosismo, conciliando uma força emotiva e uma beleza incomum. Neste disco, encontramos duas dessas obras imortais. São duas das obras as quais mais admiro. Não gostei tanto da interpretação do Trio Chausson. Mas é importante conhecê-la. 

Postei há menos de um mês uma outra versão dessa obra. Escrita em 1827, apenas uma ano antes da morte prematura do compositor, é uma das mais importantes e monumentais obras de câmara do século XIX. Ela foi concebida em um período de grande maturidade criativa do compositor, sendo contemporânea do ciclo de canções Winterreise.   Há notícias de que Schumann e Brahms eram grandes admiradores dela.

Já a segunda obra do disco é o monumental Quinteto em Lá menor, Op. 100, popularmente conhecido como "A truta" (Die Forelle). É uma das obras mais encantadoras e originais de Franz Schubert. Composto em 1819, quando Schubert tinha apenas 22 anos, o quinteto recebeu esse apelido porque seu quarto movimento consiste em variações sobre o famoso lied de Schubert "Die Forelle", escrito dois anos antes. É uma obra cuja beleza revela inventividade do compositor, já que a formação para a obra é bastante incomum; ou seja, com piano, violino, viola, violoncelo e contrabaixo, uma formação bastante incomum. 

Não deixe ouvir. Uma boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1828) - 

01 - Trio No. 2 en Mi Bémol Majeur, Op. 100, D. 929 _ I. Allegro Vivace
02 - Trio No. 2 en Mi Bémol Majeur, Op. 100, D. 929 _ II. Andante con Moto
03 - Trio No. 2 en Mi Bémol Majeur, Op. 100, D. 929 _ Scherzo_ III. Allegro Moderato
04 - Trio No. 2 en Mi Bémol Majeur, Op. 100, D. 929 _ IV. Allegro Moderato
05 - Quintette en la Majeur, Op. 114 _La Truite_, D. 667 _ I. Allegro Vivace
06 - Quintette en la Majeur, Op. 114 _La Truite_, D. 667 _ II. Andante
07 - Quintette en la Majeur, Op. 114 _La Truite_, D. 667 _ III. Scherzo
08 - Quintette en la Majeur, Op. 114 _La Truite_, D. 667 _ IV. Andantino
09 - Quintette en la Majeur, Op. 114 _La Truite_, D. 667 _ V. Allegro Giusto

Trio Chausson

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terça-feira, 6 de maio de 2025

Franz Schubert (1797-1828) - Symphony No. 8 (7) In B Minor, D 759 "Unfinished" e Symphony No. 9 (8) In C Major, D 944 "The Great"


Fico pensando quais seriam as produções de Schubert, ou seja, as características que a música do compositor teria, caso tivesse vivido, por exemplo, cinquenta anos. Schubert foi um dos compositores que menos tiveram uma vida longeva. Pelo que sei, lembro apenas o caso de Pergolesi, que morreu aos 26 anos de idade; e Lequeu, que morreu com 24 anos de idade. A grande questão é que Schubert foi um gênio, daqueles que entusiasmam pela fecunda produção que concebeu.

Gosto de tudo o que ele fez. Suas sinfonias são verdadeiras joias. Elas constituem uma espécie de ponte entre o classicismo e o romantismo. Neste disco imperdível, encontramos dois dos trabalhos sinfônicos mais significativos do compositor. A primeira delas e a Sinfonia No. 8, também chamada de "Inacabada". Foi intermédio dela que eu entrei para o mundo da chamada música erudita. Lembro que foi a primeira obra que escutei de forma consciente e intencional. Mexeu comigo de tal maneira que nunca mais consegui parar de me encantar com esse gênero de música. 

Não deixe de ouvir este disco imperdível. Uma boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1828) -

Symphony No. 8 (7) In B Minor, D 759 "Unfinished"

01. I. Allegro Moderato
02. II. Andante Con Moto

Symphony No. 9 (8) In C Major, D 944 "The Great"

03. I. Andante - Allegro Ma Non Troppo
04. II. Andante Con Moto
05. III. Scherzo: Allegro Vivace - Trio
06. IV. Finale: Allegro Vivace

Cleveland Orchestra

George Szell, regente

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terça-feira, 29 de abril de 2025

Franz Schubert (1797-1828) - Piano Trio No. 1 in B flat major, D898, Johannes Brahms (1833-1897) - String Quintet No. 2 in G major, Op. 111, Johann Sebastian Bach (1685-1750) - Violin Partita No. 1 in B Minor, BWV 1002 e W. A. Mozart (1756-1791) - Rondo for Violin and Orchestra in C, K373

Sou suspeito para falar das obras camerísticas de Schubert e Brahms. Posso ainda acrescentar - Beethoven, Mendelssohn e Shostakovich a esse time. Neste disco, encontramos o Piano Trio No. 1, de Schubert. Há alguns dias eu postei o Trio No. 2. Os dois são verdadeiras obras-primas. O Trio No. 1 é do ano de 1827, ou seja, um ano antes da morte do compositor.  Trata-se de uma obra produzida em sua maturidade plena. O lirismo melódico conectado a uma profunda habilidade incomum do controle da estrutura formal são as tônicas do trabalho. São salientáveis a melancolia e a doçura características dessa fase final da vida do compositor. Não é uma obra sombria como outras dessa fase. Há uma delicadeza característica que permeia toda a obra.

Já o Quinteto No. 2, Brahms, foi composto bem mais tarde - 1890. Esta obra foi pensada inicialmente como seu último trabalho. Ele chegou a anunciar a aposentadoria após a sua escrita. A obra foi composta para duas violas, dois violinos e um violoncelo, o que confere uma riqueza harmônica bem destacada. A obra possui uma atmosfera vibrante. Há quem a associe à música popular húngara ou cigana. O segundo movimento - "Adagio" - é de grande beleza nostálgica. É curioso que, mesmo sendo uma das últimas obras do compositor, ela prescinda de um vento sombrio, de nuvens cinzentas. A obra é afirmativa e dançante. Não há pessimismo. Há alegria e celebração.

Ainda surgem duas obras no excelente disco - uma de Bach e outra de Mozart. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1828) -

Piano Trio No. 1 in B flat major, D898

01. I. Allegro moderato
02. II. Andante un poco mosso
03. III. Scherzo. Allegro
04. IV. Rondo. Allegro vivace - Presto

Eugene Istomin, piano  
Isaac Stern, violino
Leonard Rose, violoncelo

Johannes Brahms (1833-1897) -

String Quintet No. 2 in G major, Op. 111

05. I. Allegro non troppo, ma con brio
06. II. Adagio
07. III. Un poco allegretto
08. IV. Vivace ma non troppo presto

Isaac Stern, violino
Cho-Liang Lin, violino
Jaime Laredo, viola
Michael Tree, viola
Yo-Yo Ma, violoncelo

Johann Sebastian Bach (1685-1750) -

Violin Partita No. 1 in B Minor, BWV 1002: V. Sarabande - VI. Double

09. Violin Partita No. 1 in B Minor, BWV 1002_ V. Sarabande - VI. Double

Isaac Stern, violino

W. A. Mozart (1756-1791) -


Rondo for Violin and Orchestra in C, K373

10. Rondo in C Major, K. 373

Franz Liszt Chamber Orchestra Liszt
Isaac Stern, violino
Ferenc Kamarazenekar, regente

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segunda-feira, 21 de abril de 2025

Franz Schubert (1797-1828) - Piano Trio in E-Flat Major, D. 929, Op. 100 e Dmitri Shostakovich (1906-1975) - Piano Trio No. 2 in E Minor, Op. 67

 Disquinho maravilhoso. Traz dois trios escritos em períodos bem díspares. O primeiro é de 1827, escrito por Franz Schubert, um ano antes de sua morte. É um trabalho cuja beleza revela a genialidade do compositor. É um dos trios mais bonitos da história da música. O segundo movimento ficou imortalizado pela obra-prima "Barry Lyndon", de Stanley Kubrick. O segundo movimento é uma espécie de marcha fúnebre, que evoca uma tristeza contemplativa. É para ficar ouvindo por longos períodos. Tudo é contido, repleto de solenidade, mas carregado de tristeza. 

Já a segunda obra do disco é o Trio para piano no. 2, de Shostakovich. Foi escrito em 1944, no auge da Segunda Guerra Mundial. Trata-se de uma obra intensa, dramática, triste. O  compositor procura dirigir a obra tanto para um lamento pessoal - pois, seu amigo próximo (Ivan Sollertinsky) havia morrido -, quanto o sofrimento coletivo causado pelas agruras da guerra. A sonoridade é quase fantasmagórica em algumas passagens. Um discaço! Gosto de coisas assim. Escutei-o por duas vezes. Não deixe de fazê-lo. Uma boa apreciação!

01. Schubert- Piano Trio in E-Flat Major, D. 929, Op. 100- I. Allegro
02. Schubert- Piano Trio in E-Flat Major, D. 929, Op. 100- II. Andante con moto
03. Schubert- Piano Trio in E-Flat Major, D. 929, Op. 100- III. Scherzo
04. Schubert- Piano Trio in E-Flat Major, D. 929, Op. 100- IV. Allegro moderato
05. Shostakovich- Piano Trio No. 2 in E Minor, Op. 67- I. Andante - Moderato
06. Shostakovich- Piano Trio No. 2 in E Minor, Op. 67- II. Allegro con brio
07. Shostakovich- Piano Trio No. 2 in E Minor, Op. 67- III. Largo
08. Shostakovich- Piano Trio No. 2 in E Minor, Op. 67- IV. Allegretto - Adagio

Trio Zeliha

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sexta-feira, 4 de abril de 2025

Franz Schubert (1797-1828) - Piano Quintet In A / A-Dur, Op. Posth. 114 - D 667 e Variations On Trockne Blumen For Flute And Piano, Op. Posth. 160 - D 802

 

Schubert era um compositor demasiadamente sensível. Ele escreveu obras de destacada beleza. Sua obra camerística pode ser colocada nesse patamar. Eu, particularmente, tenho "A truta" como uma das minhas obras favoritas da vida. Ela é belíssima. Possui alguns das características que imortalizaram o compositor. A obra foi escrita em 1817, mas foi estreada somente em 1829, ou seja, um ano após a morte do austríaco.

A obra foi inspirada no lieder "Die Forelle", também composto em 1817. Inclusive, a melodia do lieder aparece em diversas passagens da obra - tanto nos momentos mais delicados quanto nos mais intensos. O quinteto é marcado pelo equilíbrio entre os instrumentos e pela fluidez melódica. A obra é ensolarada, possui um caráter brilhante e otimista, destoando de muitas composições do compositor de caráter mais melancólica como, por exemplo, a bela e genial "A morte e a donzela". 

O disco ainda traz a "Introdução e Variação sobre "Trockne Blumen", composto em 1824. A obra se baseia no lider "Trockne Blumen", pertencente ao ciclo "Die schöne Müllerin", de 1823. A obra nos fornece, inicialmente, um clima nostálgico e reflexivo, que vai ganhando nuances delicados à medida que a obra avança. A flauta apresenta um papel de destaque. É algo de grande elegância e que acaba por criar uma atmosfera bastante agradável. Ou seja, trata-se de um disco maravilhoso. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Franz Schubert (1797-1828) -

Piano Quintet In A / A-Dur, Op. Posth. 114 - D 667
01. Allegro Vivace 13:21
02. Andante 6:51
03. Scherzo - Presto 4:07
04. Theme (Andantino) - Variations 1-5 - Allegretto 7:28
05. Allegro Giusto 6:30

Variations On Trockne Blumen For Flute And Piano, Op. Posth. 160 - D 802
06. Introduction (Andante) 2:50
07. Theme (Andantino) 2:05
08. Variation 1 1:52
09. Variation 2 1:41
10. Variation 3 2:04
11. Variation 4 1:46
12. Variation 5 2:15
13. Variation 6 2:43
14. Variation 7 3:12
15. Piano Trio (Notturno) In E Flat / Es-Dur, Op. Posth. 148 - D 897: Adagio 9:45

Martin Helmchen - piano
Christian Tetzlaff - violin
Antoine Tamesti - viola
Marie-Elisabeth Hecker - cello
Alois Posch - double bass
Aldo Baerten - flute

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