sábado, agosto 15, 2026

Deadman – Amor após a morte

 


Deadman, personagem da DC Comics, significa homem morto. Entretanto, esse personagem normalmente é mostrado como uma pessoa normal, apenas na forma espectral.

A minissérie Deadman, amor após a morte, de Mike W. Baron e Kelley Jones, inovou ao mostrar o personagem como um cadáver, o que se adequava muito ao estilo de Jones.

Na história, Boston Brand descobre que uma determinada casa é assombrada pelo fantasma de uma trapezista. Em todos os anos vagando sobre a Terra, o personagem jamais encontrou outro fantasma, e ele sonha acabar com a solidão. Assim, resolve visitar o local.

A forma como o personagem era retratado lembrava um cadáver. 


Lá ele encontra o que parecem restos de Colby Circus, um show freak com um tigre, palhaços, um esqueleto humano, uma mulher-serpente, uma mulher  baleia e um cara de bode. Para surpresa do herói, ele vê o fantasma da linda trapezistas, mas não só isso: vê também os trapézios se movendo com ela (embora tenha capacidade de incorporar em pessoas, Deadman não consegue interferir no mundo físico quando está na sua forma humana).

Mike W. Baron constrói uma trama complexa na qual algum tipo de força sobrenatural e anscestral deu ao dono do circo poderes extraordinários, que lhe permitiram manter as atrações do circo presas ao local mesmo depois de sua morte. O objetivo do herói, portanto, passa a ser libertar a pobre trapezista. Para isso ele encorpora no corpo atlético de um homem que está à beira da morte.

O herói se apaixona pelo fantasma de uma trapezista. 


É uma boa trama, que consegue reunir elementos interessantes e se encaixar bem no sopro criativo da DC dos anos 1980, com situações adultas e personagens complexos (com o tempo descobrimos que a trapezista não é tão ingênua ou inocente quanto imaginamos). Há, no entanto, alguns problemas com diálogos, que parecem quebrados – e em alguns casos parecem ter sido balonados errados, com a seta indicando para a pessoa errada.

Quem realmente brilha é Kelley Jones, com seu traço expressionista e deformado, que já aparece em toda a sua estranhesa logo na segunda página, que mostra o herói flutuando sobre a cidade: seu corpo esguio ocupa quase toda a página e podemos ver seus ossos se destacando abaixo do uniforme. É o tipo de história que não funcionaria com outro desenhista.

A arte de Janet e Anne Graham Johnstone, as ilustradoras dos contos de fadas

 


É impossível falar de contos de fadas sem citar as irmãs gêmeas Janet e Anne Graham Johnstone. Nascidas na Inglaterra e filhas da bem-sucedida retratista e figurinista britânica Doris Zinkeisen, elas cativaram o público da partir da década de 1950 com sua ilustrações de livros infantis repletas de cenários bonitos e perfeitos e crianças fofas com olhos enormes e bochechas rosadas. 

Elas foram responsáveis por ilustrar vários contos de fadas famosos, em especial de Hans Christian Andersen e livros de mitologia grega. 

Janet gostava mais de pintar animais e Anne preferia os trajes de época. A união dessas duas preferências se revelou perfeita para o tipo de história que elas ilustravam. 

Quando Janet morreu, em 1979, a irmã foi obrigada a aprender a desenhar animais. Foi tão bem sucedida nisso que chegou a ser nomeada para a sociedade de artistas equestres. Confira um pouco do trabalho dessas duas irmãs geniais.













Perry Rhodan – O Exército dos Biodegradadores

 


Uma ameaça aparentemente ridícula pode se tornar mortal. Esse princípio curioso e instigante é o mote do volume 251 da série Perry Rhodan. Escrito pelo célebre William Voltz, o livro cativa o leitor logo no início ao "transcrever" um artigo do jornal Terrania sobre a epopeia humana em Andrômeda:

"Tente fazer desfilar estas imagens diante dos olhos de sua mente, a uma distância de 1.450.000 anos-luz. Você é capaz de fazer isso? O que sente? Pavor? Ou veneração? Medo, entusiasmo ou curiosidade? Ou será que seus pensamentos ficam embotados quando você pensa na distância de 1.450.000 vezes 9,463 trilhões de quilômetros? Será que o destino do homem é superar distâncias que mal consegue imaginar?"

Após essa abertura, que transita entre o filosófico e o poético, a narrativa mergulha no humor ao saltar para a nave dos Biodegradadores — um local que está literalmente caindo aos pedaços. O tom cômico surge, principalmente, do contraste entre a precariedade da embarcação (com peças soltas e computadores que ejetam bancos de memória em meio a explosões) e os pensamentos megalomaníacos de seu comandante, Bitzos, que se vê como um legítimo conquistador do universo.

A capa original alemã não tem relação nenhuma com a trama. 


As três naves dos invasores dirigem-se a KA-Barato, o estaleiro espacial onde está pousada a portentosa Crest III. A situação das naves atacantes é tão deplorável que seus ocupantes sequer conseguem controlar o pouso, resultando em um desastroso impacto contra a pista.

Para espanto de Perry Rhodan, os ocupantes se regeneram e empunham armas com a intenção de subjugar a nave terrana. A visão daqueles "anões espaciais" portando armamentos ultrapassados é tão caricata que Rhodan comete o erro fatal de subestimá-los — o que lhe custa sua mais valiosa espaçonave.

O volume encerra com Rhodan, Atlan, Gucky e Kalak (o dono do estaleiro) em uma tentativa desesperada de retomar a nave, o que parece uma tarefa impossível. É uma obra que começa bem, evolui com fluidez e deixa no leitor aquele "gosto de quero mais". Um roteiro que só poderia ter sido assinado pela genialidade de William Voltz.

sexta-feira, agosto 14, 2026

Roteiro de quadrinhos: a jornada do herói

 

  Publicado em 1949, O herói das mil faces foi um livro que revolucionou o estudo sobre as mitologias e religiões. Influenciado por Freud e Jung, Joseph Campbell vasculhou dezenas de culturas em busca de semelhanças entre seus mitos e os significados dos mesmos. O resultado foi esquematizado em doze passos, seguidos pela maioria dos protagonistas das narrativas analisadas. O resultado, além do impacto sobre o estudo mitológico, teve uma consequência inesperada: esse esquema foi usado por George Lucas para construir o roteiro de Guerra nas Estrelas. Esse fato deixou claro que o livro servia não apenas para explicar mitologias antigas, mas funcionava bem para analisar narrativas contemporâneas.
O primeiro passo do herói é o chamado à aventura. O herói é tirado de sua vida pacata e sem perigos por algum acontecimento que o chama à ação. "Um erro - aparentemente um mero acaso - revela um mundo insuspeito, e o indivíduo entra numa relação de forças que não compreende, que estão acima dele". Esse chamado, que pode ser uma simples aventura, como em 
O Senhor dos Anéis, ou uma busca religiosa, esconde uma verdade sobre o despertar do eu. É também um momento de separação dos pais e de um novo renascimento, que levará à vida adulta. O agente que anuncia a aventura pode ser sombrio ou aterrorizador, ou uma figura misteriosa. Em Promethea, de Alan Moore (talvez a história em quadrinhos que melhor ecoa questões mitológicas), a heroína é atacada por um Smee, uma espécie de demônio, o que a faz se transformar na heroína mitológica. 



Vale lembrar que, de início, o herói recusa o chamado e esse é o segundo passo. Não por acaso, Robinson Crusoé inicia com uma preleção sobre os benefícios de uma vida de classe média, sem aventuras ou dramas. Segundo Campbell, "a recusa é essencialmente uma recusa a renunciar àquilo que a pessoa considera interesse próprio". Vale lembrar, em Guerra nas Estrelas, a indecisão de Luke em seguir a aventura ou permanecer na vida pacata com seus tios. Estes, aliás, o advertem sobre os perigos da jornada. Na maioria dos mitos, o herói adere ao chamado, seja Frodo sendo obrigado a fugir com o anel, seja Luke impulsionado a salvar a princesa, seja Robinson embarcando em um navio. Aceita a aventura, o herói geralmente conta com um auxílio sobrenatural. Os jovens de Caverna do Dragão, por exemplo, contam com o auxílio do misterioso Mestre do Magos. Esse guia fornece os amuletos e os conselhos que o herói precisa para continuar a jornada, mas, como o Mestre dos Magos, não interfere diretamente na aventura. Em Guerra nas Estrelas esse papel é exercido por Obi Wan Kenobi e posteriormente por Yoda. A jornada é do herói e é ele que deve seguir esse caminho. 
  


O quarto passo é a passagem pelo limiar. Em Promethea esse momento é retratado na ida da personagem para a Imatéria. Em Crônicas de Narnia é o guarda-roupa, que dá passagem a todo um universo mágico. "Além desses limites, estão as trevas, o desconhecido e o perigo, da mesma forma como, além do olhar paternal, há perigo para a criança", escreve Campbell. O limiar representa a ida para o inconsciente, repleto de libido e de ameaças de violência. EmPromethea, a protagonista, ao passar para a Imatéria, encontra uma chapeuzinho vermelho que segura uma arma, fala palavrões e um imenso e apavorante lobo. Todos imagens arquetípicas. 

O quinto passo é a entrada no ventre da baleia, as provações e encontro com os inimigos. Nessa fase é comum o autoaniquilação. O corpo do herói pode ser cortado, desmembrado e ter suas partes espalhadas pelo mundo, como Osíris, que é morto por seu irmão Set. Essa fase representa o renascimento espiritual do herói, o desapego do ego, uma vez que essa é uma jornada de transformação. Nessa fase também é comum encontrar metáforas da mãe ou o pai, muitas vezes transformados em vilões. Luke, por exemplo, descobre que Darth Vader é seu pai. Como a jornada é um processo de individuação, o herói precisa matar a influência dos pais sobre ele. 

O passo seguinte é a apoteose, no qual o herói obtém vitórias. Muitas vezes esse passo é representado por um casamento sagrado, como Flash Gordon se casando com Dale Arden, pela sintonia com o pai-criador, pela própria divinização (Osiris sendo recomposto). Se as forças se mantiverem hostis a ele, essa fase é representada pelo roubo por parte do herói daquilo que ele foi buscar, como Prometeu roubando o fogo. 

Terminada essa etapa, cabe ao herói voltar para casa. Pode ser uma volta simples, abençoada pelos deuses, ou uma volta difícil, como a de Ulisses ou a dos protagonistas da Caverna do Dragão (um mito que ficou incompleto, uma vez que eles nunca retornaram). 

Em todo caso, o herói volta transformado e maduro e essa transformação se reflete no mundo, como Promethea provocando o fim do mundo que conhecemos e, com isso, construindo um mundo melhor.

Em suma: o herói das mil faces se torna essencial para os que querem entender melhor as mitologias, antigas e novas, apesar de Campbell nem sempre ser direto e muitas vezes se perder em alguns discussões não diretamente relacionadas ao tema. Apesar disso, o livro se destaca pela leitura intrigante e pela prosa fluída de seu autor, que exemplifica suas ideias com mitos de diversas parte do globo.

Jonah Hex – O serviço dos cem dólares

 


Entre as muitas inovações da série Jonah Hex está o fato de que ela trouxe para o faroeste algumas das características dos filmes noir, entre elas histórias em que praticamente todos os personagens tinham objetivos escusos.

Na história O serviço de cem dólares, publicada em All-star werstern 11, Jonah está descansando quando um homem desconhecido atira nele e rouba sem cavalo. Mas, poucos metros depois, cai da cela. Explica-se: ele tinha levado um tiro antes: “Há três homens seguindo a minha trilha. Pensam que matei um velho chamado Hillsworth... vão me pendurar no carvalho mais próximo, se me pegarem!”.

Um homem tenta roubar o cavalo de Hex. 


O homem oferece 100 dólares para que Jonah o ajude a chegar no rancho de sua irmã e esse aceita o serviço. No meio do caminho eles encontram com os três perseguidores, e o anti-herói mata todos. Já no rancho da irmã aparecem mais três, que são igualmente mortos por Jonah.

Aqui a história encontra uma reviravolta interessante. A mulher se interessa pelo protagonista. “Você num sabe quem tá abrançando... dê uma boa olhada na minha cara, mulher. Num é nada bonito, né?”. Mas a mulher parece realmente interessada e até beija o cowboy.

A irmã do homem salvo por Johah se interessa por ele. 


Mas nada é o que parece e a garota assemelha-se muito mais a uma das femme fatale dos filmes noir do que as gentis heroínas dos filmes de faroeste.

É curioso pensar que o mesmo contexto dos anos 1970 deu origem a séries tão diferentes de faroestes como Jonah Hex e Ken Parker. Enquanto a primeria se destacava pela visão pessimista da humanidade, a segunda era repleta de um visão complacente e até poética do humano.

Oliver Twist

 


Já vi gente dizendo que queria ser roteirista de quadrinhos, mas não lia, ou lia apenas quadrinhos e, pior, só lia quadrinhos de super-heróis, ou só manga. Não é possível escrever, o que quer que seja, com o mínimo de competência, sem ser um leitor voraz, inclusive de livros.

E, entre todos os livros, existem aqueles que são leitura obrigatória por terem definido formas de narrativa. Entre eles, Oliver Twist, de Charles Dickens. O livro foi publicado em capítulos em jornais no ano de 1837, quando o autor tinha apenas 25 anos reflete a vida do próprio Dickens, cuja família passou necessidades na época em que seu pai foi preso por dívidas e os filhos tiveram que trabalhar.

O livro se passa em plena era vitoriana, quando o império britânico era o maior e mais poderoso do mundo. Mas todo esse poder e riqueza não se refletia sobre a população, que, em grande parte vivia na miséria. As péssimas condições de vida da época da são demonstradas na figura de um pequeno órfão, Oliver Twist, cuja mãe morreu de seu parto e passou a ser criado em um orfanato onde passava fome e era submetido a maus-tratos. Seguindo a ideologia científica da época, muitos dizem que Oliver, por ser filho de uma mulher sem virtudes, se tornará um ladrão e acabará na forca.

Uma das cenas mais antológicas do livro e certamente a de imagem mais forte, é a do refeitório, no qual as crianças, ao perceberem que vão morrer de fome, sorteiam um deles para pedir mais sopa (uma papa rala de cereais com cebola duas vezes por semana). O pequeno órfão é encarcerado e a reclamação é vista como mais um exemplo de que sua inclinação ao crime o levará à forca.

Depois disso, Oliver é quase colocado como limpador de chaminés (um dos trabalhos mais cruéis executados por crianças na época, já que elas eram descidas de cabeça para baixo e muitas vezes morriam por causa da fumaça ou do fogo) e acaba como aprendiz de um agente funerário, de onde acaba fugindo depois de ser vítima de uma armação.

Em sua fuga, o pequeno Oliver acaba indo parar em Londres e mas garras de um receptador especializado em adestrar crianças na arte do roubo, Fagin, o judeu (um personagem tão forte que posteriormente Dickens teve que escrever um texto tentando desfazer o anti-semitismo que o seu romance involuntariamente provocara).

E, mesmo em meio às desgraças, Oliver mantém-se sempre honesto e bom.

O livro vale tanto pela denúncia das condições sociais da época da Inglaterra à época da revolução industrial quanto pela genialidade do autor em sua narrativa repleta de ironia. Dickens é o mestre absoluto do recurso, como se observa no trecho a seguir: “Nos primeiros seis meses, após a mudança de Oliver Twist, o sistema esteve em pleno funcionamento. Foi um pouco dispendioso, a princípio, em consequência do aumento na conta do agente funerário e da necessidade de apertar as roupas de todos os indigentes, que flutuavam soltas nas suas formas encolhidas, mirradas, depois de uma semana ou duas de papas. Mas o número de inquilinos do asilo tornou-se dessa maneira reduzido; e o conselho muito se alegrou com esse resultado”.

O esquema de folhetins, precursores das atuais telenovelas, e dos quadrinhos, já existia, mas Dickens transformou-o em verdadeira literatura numa trama repleta de reviravoltas e suspense, com um protagonista ingênuo, mas bom, que se vê envolto por um destino cruel, mas triunfa no final graças à sua pureza de caráter. Lembra muito a estrutura das telenovelas clássicas, que lhe devem muito, mas nenhuma telenovela igualou-se a Dickens na crueza das descrições, nos perfis detalhados dos personagens, na crítica social e até mesmo no poder narrativo.

A sequência em que um ladrão assassina sua consorte está entre as páginas mais poderosas já escritas em todos os tempos. Os pequenos gestos, executados instintivamente, desvelam o conflito interno do personagem de forma muito mais efetiva que vários tratados de psicologia.

Existem várias versões reduzidas do livro à venda, inclusive uma da coleção O prazer da leitura, da editora Abril, que foi vendida em bancas e pode ser facilmente encontrada em sebos. Mas se puder, leia a versão integral (é possível conseguir em sebos). A necessidade de reduzir o texto faz com que a maioria das versões condensadas deixe de lado exatamente o que Dickens tem de melhor: sua fina ironia e as descrições detalhadas de personagens e ações. Mas, se não encontrar uma versão integral, leia a versão condensada: o livro é uma aula de como prender o leitor com uma narrativa folhetinesca. 

Fundo do baú - O inspetor

 


O desenho animado O inspetor surgiu no rastro do sucesso fenomenal da Pantera cor de rosa. Produzido pelo mesmo estúdio, DePatie-Freleng Enterprises, a nova atração mostrava um azarado inspetor da polícia francesa. O personagem era parcialmente baseado no Inspetor Clouseau, interpretado por Peter Sellers, do filme A pantera cor de rosa (para quem não sabe, a pantera era uma joia no filme).

Os episódios giravam sempre em torno das trapalhadas e azares do inspetor. Em um episódio, por exemplo, ele deixa escapar um bandido e sabe que ele vai atacar o seu chefe, mas sempre que o Inspetor vai salvar o chefe, este acredita que ele está tentando na verdade matá-lo. Como resultado, toda a polícia da França passa a caçar o Inspetor.

Em outro episódio, eles precisam encontrar um agente secreto e vão parar num bar no cais do porto. A sequência começa com o Inspetor explicando para seu ajudante que aquele local é perigoso para policiais, mas, dentro do bar, ele mesmo acaba deixando escapar que são da polícia. Na sequência eles aparecem fugindo do local.

Os episódios eram todos assim, girando em torno das trapalhadas e vicissitudes do personagem, sempre com a trilha sonora marcante de Henry Mancini, o mesmo da Pantera Cor de Rosa.

O inspetor teve uma temporada com 35 episódios de 7 minutos de duração.

Guia de viagem – A rota das cachoeiras

 


A cachoeira de Santo Antônio, em Laranjal do Jari, é uma das maiores e mais belas cachoeiras do Brasil: um paredão com quedas de 30 metros de altura. Já faz tempo que queríamos conhecer o local e nosso plano era irmos de carro. Felizmente descobrimos uma agência de viagem, a Poroc Turismo, que faz excursões para o local. Um carro como o nosso dificilmente conseguiria resistir à estrada de terra e, além disso, não teríamos tantas opções de passeio.

A excursão sai de Macapá às 7 horas da manhã do sábado e volta no domingo, chegando na capital entre 8 e 9 horas da noite. Os turistas vão acomodados em duas vans e mais um carro de apoio.

A primeira atração é a Cachoeirinha, uma corredeira belíssima, que permite um banho relaxante e ótimas fotos. Vá de roupa de banho e não tire, pois depois é a vez da Cachoeira do Sucuriju. Embora seja muito menor que a Cachoeira de Santo Antônio, ela se destaca pela beleza do seu desenho, com uma pedra dividindo as águas. Também é possível tomar banho e tirar muitas fotos.  

Ainda no primeiro dia há uma visita à comunidade Água Branca do Cajari, produtora de castanha-do-pará na qual é possível comprar produtos de castanhas, como biscoitos, paçoca e doces. Outra atração é a fazenda Ouro Branco, onde há degustação e compra de queijos e iogurtes – destaque para os iogurtes de abacaxi e de coco com pedaços das frutas.

A chegada em Laranjal do Jari acontece aproximadamente às 19 horas. O pacote inclui a hospedagem no hotel. Os quartos são simples, mas confortáveis. O café da manhã é muito bem servido, com uma grande variedade de frutas, cuscuz, bolos, tapiocas, sucos etc.

O segundo dia é todo reservado a conhecer a cachoeira de Santo Antônio. O trajeto até a cachoeira é feito através de voadeiras e dura aproximadamente uma hora e meia.

No caminho há uma parada no chamado “cemitério nazista”. De 1935 a 1937, uma expedição comandada por Otto Schulz-Kampfhenkel, um jovem que agia muito mais como marketeiro do que como cientista. O pouco rigor científico fez com que houvesse a suspeita, baseada inclusive em falas de pessoas da expedição, de que o verdadeiro objetivo era pesquisar o terreno para uma invasão ou transformaria o Amapá na Guiana Alemã. Otto escreveu um livro e lançou um filme, ambos com o título de Mistérios da floresta infernal. Tanto filme quanto livro fizeram grande sucesso na Alemanha. Um dos integrantes da expedição, Joseph Greiner, morreu de malária e foi enterrado no local, onde foi erigida uma cruz. É um importante registro histórico e um aviso sobre uma época em que fascistas cobiçaram a Amazônia.

Pouco depois do cemitério nazista, temos a visita à cachoeira em si. A visão do paredão é impressionante. Até hoje só vi algo semelhante em Foz do Iguaçu. Embora a cachoeira de santo Antônio seja menos alta, ela é muito mais larga, o que torna a paisagem o local perfeito para fotos e o pessoal da excursão ajuda a registrar esse momento.

Por incrível que pareça, é possível tomar banho embaixo da cachoeira, pois um paredão de pedras criou uma piscina natural.

O retorno para Macapá acontece às 14 horas e a chegada é aproximadamente às 20 horas.

De todo o passeio, o único ponto negativo é a estrada de terra, que torna a viagem muito mais lenta e mais sofrida. Isso faz, por exemplo, com que não aconteçam excursões no auge do inverno amazônico, pois a chuva torna a estrada perigosa.

Um ponto a destacar é o guia Claudomir Fagundes, que conhece muito a região. Além de suas informações relevantes e acertadas, ele apresenta uma grande preocupação ambiental, sempre orientando os turistas a não deixarem lixo nos locais visitados e recolhendo o lixo produzido.

Enfim, esse é um passeio por um preço justo, que envolve belezas naturais, banhos e história. Perfeito para quem quer conhecer melhor esse estado tão rico de belezas.   

O passeio custa 597 reais por pessoa e inclui água durante todo o trajeto e a diária do hotel. É oferecido pela Poroc Turismo, que também oferece pacotes para outras atrações no Amapá. O contato é (96) 99118 3818.


A viagem começa com uma parada para fotos no Marco Zero do Equador construído pela Unifap. 
A cachoeirinha é um ótimo local para tomar banho. 
A água da Cachoeirinha é cristalina. 
A Cachoeira do Sucuriju se destaca pelo desenho único. 
Há uma parada na Fazendo Ouro Branco para degustar e comprar iogurtes... 
... e queijos. 
O café do hotel é bem servido. 
A viagem para a Cachoeira de Santo Antônio é feita em voadeiras. 

A viagem inclui uma parada no cemitério nazista. 

A Cachoeira de St. Antônio é um amplo paredão de 30 metros de altura. 

A beleza do local impressiona. 




É possível se banhar em uma piscina natural no pé da cachoeira. 

Conan – A cidadela no centro do tempo

 


A revista Savage Sword of Conan 7 foi totalmente ocupada por uma história longa, escrita por Roy Thomas e desenhada por John Buscema e Alfredo Acala.

A história nitidamente surgiu de uma ideia anterior de Thomas, na primeira adaptação do clássico A torre do elefante. Naquela história, Thomas colocara o deus-elefante lembrando de fatos do passado e do futuro, o que não fazia muito sentido, já que ele não tinha capacidade de vislumbrar fatos posteriores (as lembranças do passado faziam sentido, já que ele era um ser muito antigo, que tinha chegado à Terra na aurora da humanidade).

Conan se encanta com uma dançarina. 


Thomas imaginou um rei feiticeiro da Babilônia, Shamash-Shum-Ukin, que ao ver sua cidade ser conquistada, realiza um encatamento que leva ele e seu castelo para a era hiboriana. Junto com esse feitiço surge um poço no qual o feiticeiro desce coisas de sua era e recebe objetos, animais e humanos de outras eras, como homens da Idade das Pedras ou dinossauros.

Como Conan se encaixa nessa trama? Simples, em visita à cidade (com o objetivo de entrar no castelo do feiticeiro e roubar suas riquezas), Conan se encanta com uma dançarina em um bordel chamada Alhambra (alguns nomes em inglês devem parecer exóticos e interessantes, já em português...). Mas o encanto logo se transforma em decepção quando ela droga sua bebida e o leva para o feiticeiro com o objetivo de colocá-lo no poço como oferenda. Uma trama típica do cimérico, no qual não se podia confiar em pessoas da cidade.

A história traz uma interpretação única sobre eras passadas e futuras. 


Claro que Conan consegue se livrar das amarras, mas é vencido pelos homens das cavernas e logo estão ele e a garota no poço – onde Thomas pode exercitar sua verve, mostrando o passado e o futuro e mesclando épocas históricas com a cronologia de Robert. E. Howard: “A cena muda e ele vê uma terra semelhante à Stygia, mas que, certamente, se encontra do outro lado do abismo temporal. Entao, outro salto para o passado... colossais e grotescas formas de vida enfrentam-se numa batalha pela supremacia e sobrevivência numa terra muito mais jovem... e nem sonham que estão todos condenados à extinção”.

Essa trama grandiosa poderia se tornar banal nas mãos de ilustradores menos habilidosos, mas Buscema e Alcala a tornam ainda mais monumental, com destaque para as cenas em que aparece o dinossauro.