sábado, julho 29, 2006

Loucos á procura do Bem e do Mal...

Chegam as notícias e exibem :
“…em fortes combates, os soldados israelitas foram obrigados a caminhar cerca de três Kms com os feridos ás costas…”
“… todo o norte de Israel continua debaixo de fogo…”
“… dezenas de famílias abandonam as suas casas, sem saberem quando regressam…”
“… para manter saudável a sua “estrutura” psicológica, os soldados israelitas dançam em exibição para as câmaras das TV’s, ouvindo músicas (com bom ritmo deve dizer-se) emitidas a partir de altifalantes instalados em viaturas civis (serão?) …”

E vê-se :
“… sujeitos a devastadores bombardeamentos, os civis Libaneses não encontram os seus feridos, ou quando isso acontece, não têm meios para os auxiliar…”
“… todo o território do Líbano é bombardeado sem tréguas…”
“… milhares de famílias fogem ao terror, abandonando as suas casas. Sabem que tão depressa não voltam, porque tudo atrás de si ficou completamente destruído…”
“… das centenas de mortos, sabe-se que cerca de três dezenas seriam militantes do Hezbolah…”

Dizem que se trata de uma guerra entre o Bem e o Mal.

Retiro do livro “O Louco” escrito por Khalil Gibran, nascido no Líbano em 1883 :

O Deus do Bem e o Deus do Mal

O Deus do Bem e o Deus do Mal encontraram-se no alto da montanha.

O Deus do Bem disse : « Bom dia, irmão.»
Mas o Deus do Mal não respondeu.
O Deus do Bem tornou a dizer : - Hoje estás de mau humor.
O Deus do Mal disse então : - Estou sim, porque muitos me confundem contigo e chamam-me pelo teu nome, comportando-se comigo como se fosses tu. E eu não gosto nada disso.
O Deus do Bem disse : - Também muitos me confundem contigo e me chamam pelo teu nome.
Ao ouvir estas palavras o Deus do Mal amaldiçoou a estupidez dos homens.



Na busca de uma imagem, deparei com documentos fotográficos que me assustaram. Testemunhos impossíveis de acreditar… não tenho coragem sequer de as exibir. Foi aqui e aqui

segunda-feira, julho 24, 2006

16 anos


Não me pertences, nem os meus pensamentos poderão ser os teus.
Abraço com amor o teu corpo, mas a tua alma habita já um futuro que eu não posso visitar.
Terei sido apenas o arco que te lançou como uma seta na Vida.
Vivo com a alegria, de me cruzar com o teu olhar terno e doce, nesse caminho projectado ao Futuro. Entrelaçamos as mãos em trocas de beijos, sorrimos com aquilo que nos faz diferentes e nos une.
Tenho incontáveis memórias guardadas no coração e o dom que possuis de fazer o Presente com a simplicidade de quem acredita na bondade da vida, aumenta a riqueza daqueles que te rodeiam.

Parabéns querida filha.
Amo-te muito.
Um beijo do pai BALÚ

sábado, julho 22, 2006

Hoje ... e não amanhã


O tempo, com a sua vacuidade, gera ansiedades dificilmente contoláveis.
«Não, hoje, não, amanhã, também não. Talvez na semana que vem, mas não sei. É difícil conseguir arranjar tempo.»
Quantas vezes ouvimos conversas deste género ?
Estamos no tempo, mas não temos tempo.
Temos de correr, andar, fazer coisas, adquirir talentos cada vez mais novos para calar o rumor dos dias, dos meses, dos anos que vão passando e que não podemos deter de forma alguma.
Depois, um instante antes de morrermos, talvez vejamos num lampejo a nossa vida e, ao vê-la, aperceber-nos-emos de que os únicos instantes verdadeiramente nossos, verdadeiramente cheios, foram aqueles em que pudemos ter «perdido tempo» para contemplar uma flor, a forma de uma árvore, ou acariciar a cabeça de uma criança que ia a passar ao nosso lado.
Susanna Tamaro "Cada palavra é uma semente"-Editorial Presença - Pág. 19
Dali, ao lado, o som traz-me esta canção :
Cielo e mar! l’etereo velo
Splende come un santo altar.
L’angiol mio verra dal cielo?
L’angiol mio verra dal mare?
Qui l’attendo; ardente spira
Oggi il vento dell’amor.
Ah! quell’uom che vi sospira
Vi conquide, o sogni d’or!
Nell’aura fonda
Non appar nè suol nd monte.
L’orizzonte bacia l’onda!
L’onda bacia l’orizzonte!
Qui nell’ombra, ov’io mi giacio
Coll’anelito del cor,
Vieni, o donna, vieni al bacio
Della vita e dell’amor ...
Ah! vien
(Andrea Bocelli - Cielo e Mar)
A fotografia é de autoria de José P Andrade. Retirei de uma página muito interessante : pbase.com

quarta-feira, julho 19, 2006

Quando não lembra que há mais gente no Mundo

Por causa disto ou daquilo, queixo-me e corro para aquilo que pareça ser a cura mais rápida. Tenho admitido e emitido algumas preocupações, e consequentemente encaro com algum receio o dia de amanhã.
Mas… a que propósito ? Preocupo-me comigo ?
Não me caem bombas em cima, nem ouço os gritos dos inocentes.

De um lado segue-se a mensagem de um bárbaro lunático, do outro saem da fortaleza soldados pagos e bem preparados. Uns e outros escolheram e sabem bem o que os espera e àquilo a que podem estar sujeitos.
Ambos estão insensíveis a destruir seja o que for. Mesmo a vida humana, valor mais alto que todos deviam preservar.

Na guerra e nos conflitos existem medidas proporcionais ?
Haverá uma guerra proibida ?

Aqueles que na tentativa de salvar a própria vida, ficaram assim submetidos à morte, dão a resposta…


Será uma utopia aquilo que a Emiele nos mostra aqui ? Um sonho a tornar realidade urgentemente !

sexta-feira, julho 14, 2006

Ao mar...



... faço-me ao mar. Ao contrário do amigo Augusto - Homem sábio destas lides marítimas, verdadeiro lobo do mar, ao comando da sua Nau Catrineta... eu vou para aprender. E para isso escolhi o "nosso" Navio Escola Sagres.

As velas estão desfraldadas. E ao fundo sinto a música... que me fala em "mares tão grossos" "em bafugens que da trovoada fica" e "céus formosos e adamascados".

O barco vai de saída
Adeus ó cais de Alfama
Se agora vou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
P´ra lá da loucura
P´ra lá do equador

Ah! mas que ingrata ventura bem me posso queixar
Da pátria a pouca fartura
Cheia de mágoas ai quebra mar
Com tantos perigos ai minha vida
Com tantos medos e sobressaltos
Que eu já vou aos saltos
Que eu vou de fugida

- É o Fausto, que canta !

Numa breve passagem pelas folhas dos blogues, reencontrei um "Passeio por Coimbra", onde se pode pousar os olhos em excelentes imagens sobre a cidade e muito oportunamente sobre Santa Isabel. Aqui...


sábado, julho 08, 2006

Pelo culto da fé


Ser capaz de olhar para dentro… onde a serenidade e o silêncio são elementos essenciais ao encontro da própria vida.
Nessa viagem espiritual, encontrar os espaços para estimular os sentidos que levam a valorizar o tempo que somos.
Aquele tempo que tantas vezes julgamos não existir, como se fosse algo que não fizesse parte de nós. Aquele tempo que nos oferece a oportunidade de abraçar causas, de procurar a solidariedade, de lutar contra a desigualdade e a pobreza.

O culto pela fé em Santa Isabel, traz um rosto à humildade e à generosidade humana.
Mais do que a procura do benefício próprio, a gratidão pelo exemplo que sobrevive aos séculos.

Em particular, sinto uma companhia amiga, acolhedora e inspiradora.
E nesta fragilidade humana, tantas vezes protectora.

A amizade gratuita revela-se de formas admiráveis. É por esta forma que me chegaram em comentário palavras recolhidas de uma publicação.
Sobre a visão da cidade de Coimbra, e sobretudo do seu culto á padroeira Santa Isabel, mostra um olhar digno de uma prática secular.

Para além de mim… o gesto afectuoso.

“As festas religiosas reflectem sempre as tendências peculiares aos países onde se celebram. A procissão de Santa Isabel ressuscita, durante uma hora, as velhas tradições e conduzem-nos mentalmente à existência retrospectiva, de que nos separam longos séculos. Toda a população acotovela-se na azinhaga estreita, orlada de sebes floridas, que conduz ao convento. (…)
A procissão chega à igreja. Os sinos repicam festivamente, sabendo no entanto velar os sons que se insinuam na alma sem arranharem o tímpano, enlaçando-se, como um eco celeste, às melodias do orgão. (...)
Silêncio! O ruído cessa: um cântico eleva-se, uma melopeia extática, ritmo de uma estranha melodia suave e originalíssima, e corre como um fio de ouro bordando arabescos caprichosos, cambiantes, imprevistos, em que os tons maiores e menores sucedem-se, fundindo-se como um sorriso emperlado de lágrimas, produzindo-me impressões verdadeiramente indefiníveis!
Fecho os olhos. (…) “
(pp.387/388) Maria Rattazzi "Portugal de Relance",Antígona.
As descrições reportam-se às últimas décadas do século XIX.


Melopeia
substantivo feminino
1. peça ou toada musical para acompanhamento de um recitativo;
2. melodia recitada;
3. canto monótono; cantilena;
4. declamação agradável ao ouvido;
5. (entre os Gregos ) arte de compor os cantos em música;

extático [eiS ]
adjectivo
1. caído em êxtase; enlevado; arrebatado; maravilhado;
2. pasmado;
3. absorto;

segunda-feira, julho 03, 2006

Pela ponte... até à Rainha


"A ponte é uma passagem... para a outra margem" cantava Luis Portugal, nos Jáfumega.
Sabendo eu, que não podemos sequer planear ou projectar mais obras "privadas", rejeitei mais uma ponte...!


Amanhã dia 4 de Julho é o dia da cidade de Coimbra, feriado portanto, e hoje foi dia de trabalho. Pronto... mais ligeiro, admito !
Existe um programa variado para estes dias - cultural, desportivo e religioso.
Este último releva-se à padroeira da cidade, em culto que adquiriu uma importância maior com a canonização de Isabel de Aragão em 1625.




Olho para a sua imagem, fixa no mosteiro de Santa Clara a Nova ou caminhando em profundo compasso durante a visita em procissão á cidade, e sinto uma emoção especial. Dela, vem a amizade, a partilha e o acolhimento aos mais pobres. Um verdadeiro milagre para os nossos dias.
É muito interior a minha devoção áquela que foi Rainha de Portugal e se tornou Rainha Santa. Acompanha-me como uma amiga, como uma fonte de inspiração para a vida.




Noutro mundo, encontro-me com outras emoções. Mais passageiras, mas intensas no momento.
O Hino Nacional cantado muitas vezes. O golo que dá a vitória.
A alegria misturada entre as gentes conhecidas e desconhecidas. E pelo que aconteceu no último jogo, vem-me á memória uma cantiga :

"Espectáculo


Quando tu me vires no futebol
estarei no campo
cabeça ao sol
a avançar pé ante pé
para uma bola que está
à espera dum pontapé
à espera dum penalty
que eu vou transformar para ti
eu vou
atirar para ganhar
vou rematar
e o golo que eu fizer
ficará sempre na rede
a libertar-nos da sede
não me olhes só da bancada lateral
desce-me essa escada e vem deitar-te na grama
vem falar comigo como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos jogar "

De : Sérgio Godinho


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