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29 outubro 2019

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Gangorra
Música: Rogerio Botter Maio
Letra: Rogerio Santos

(I)
ela alucinou
nem percebeu que se apegou
que se apagou e se encolheu
e quando aconteceu

pôs seu coração numa roda gigante
era tão frágil

(II)
ela delirou
ensandeceu e se entregou
não perguntou nem respondeu
e quando aconteceu

lá 
onde ela imaginava uma roda gigante
era uma gangorra que nem se moveu
a solidão bateu

(III)
ela duvidou, estremeceu
nas se acalmou
se perguntou e respondeu
e quando aconteceu

agora só
nem se lembrava da roda gigante
na sala de espelhos se reconheceu

um turbilhão varreu
o espelho que era meu

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24 agosto 2019

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Água Mole
ROGERIO SANTOS

tudo que o amor toca
está solto
é mar em ondas
e sol em sombras
é água fresca
serpenteando caminhos
ilusão de ótica
em olhos marejados
e não deixa dúvidas
de tantas que são
cabem todas elas
numa mesma erosão

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05 maio 2019

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Samburá

Letra: ROGERIO SANTOS

Música: IAN FAQUINI

Quando o vento vem pra valer

Marinheiro que cai no mar

Olha o céu, sabe a sua lei

E as histórias que te contei

Halo longe na lua cheia


Tempestade não tem rumor

vem no tempo que ela quiser

E o velacho há de virar


Tempestade não tem rumor

É na lenda que vai viver


Tempestade não tem rumor

E a madeira que cai no mar

Cadafalso há de virar


É o barco seu grande amor

Gira o leme sem duvidar

Vê estrelas num céu inteiro
Tem os olhos de samburá

Tão brilhantes que vão cegar

 

 
Vê um peixe-mulher moreno

Marinheiro quer namorar 
É o corisco que desejou

Tem um cheiro de enfeitiçar

Tem o canto do sabiá


Deus do céu é quem salve ele

Que a sereia já vai levar


Marinheiro é um beija-flor

Tudo é doce no seu mirar

Envolveu-se foi por inteiro

No meio do seu enleio


Esse vento que vem de lá

Essa lenda quem vai soprar

Marinheiro que cai no mar

Acha sempre que vai voltar

Morre dentro do seu olhar




09 abril 2019

573


Seanger
ROGERIO SANTOS

segue a vida, caminho de rio, por entre mistérios de colinas e florestas, insetos e aves, medos e meandros, que não impedem o que vai desaguar no mar. o azul é imenso, engole e carrega sonhos e mágoas, domador de tempos e velocidades, minimizador de ruídos. é grandeza de conteúdo sem tradução, despreza os sentidos e afoga palavras e silêncios. o curso da vida é um poeta, e o mar, é uma mulher quando canta.

02 abril 2019

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Ilustre desconhecida
ROGERIO SANTOS

(1)
Foi como mergulhar
Numa abissal brasileira
Pronta pra despertar
Quando o sono revela

Sábia de me iludir
Inventar a verdade
Ser, não ser, perder, procurar
E perguntar: quem sabe?

(2)
Na hora de entregar
O meu olhar de querela
Décimo quinto andar
Vou saltar da janela

Pensam que vou cair?
Sou mulher e arandela
Sei brilhar e vou flutuar
A valsa vai por ai

Refletir as estrelas
Ser o chão às avessas
E na copa de uma sumaúma
Um trapézio de cordas falsas 


Pra enfeitar a praça

E o viço que virá, seguirá
Mesmo se o mundo esquecer
Alguém dirá: - Ir e vir, ir e vir

Seguir!

(3)
Quando for decifrar
Minha aflição paralela
Ninguém há de calar
Tão sutil primavera

Canto pra resistir
E ganhar a cidade
Conhecer pra desconhecer
Entreconhecer pra reconhecer

Contos de ir e vir
Contos de ir e vir


31 março 2019

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                                       quadro ilustrativo: em carne viva
                                (autora: Vanessa Rodrigues - RJ)



Carne Viva

ROGERIO SANTOS

(1)

Servir a carne

Sentir a dor que me consome

Na viva carne

Ser a mesa, enfim

Alma verdadeira

Sabe o que me dói

Na solidão?


O amor

Santa ceia que há em mim

Devorar, ferir


(2)

Servir a carne

Sentir a dor que me consome

Na viva carne

Ser a mesa, enfim   


Mágoa derradeira

Sabe o que me corta

o coração?


O amor

Retalhado por aí

E eu sangrando aqui