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A não esquecer nunca  

Uma data, 11 de Setembro, dois acontecimentos: O assassinato de Salvador Allende e a instauração da ditadura de Pinochet no Chile; o ataque terrorista às Torres Gémeas em Nova Iorque.

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As eleições em Angola  

Não adianta falar em eleições viciadas, na utilização abusiva do aparelho do estado, na desproporcionalidade de meios, em irregularidades nas mesas de voto, na parcialidade da comunicação social, no caciquismo local, sei lá em mais em quê… isso existiu certamente, em menor ou maior grau, mas no saldo, o acto eleitoral acabou por decorrer com a normalidade possível e sem que pareça ter havido fraude eleitoral, num país sem experiência eleitoral e democrática. Mas se tudo isso influencia as eleições, não terão sido determinantes no resultado final, segundo parece, neste caso concreto.

O que fica é que os angolanos, apesar de serem governados por um bando de corruptos e ladrões, e apesar de mais de 10 milhões dos 16 milhões de angolanos viverem com menos de 2 dólares por dia e com enormes dificuldades nas coisas básicas, deram o seu voto, de forma esmagadora ao MPLA.

Serão os angolanos estúpidos? Ou pelo contrário revelaram uma enorme sensatez? Pessoalmente seria incapaz de dar o meu voto ao MPLA. Mas talvez a maioria dos angolanos sejam mais espertos que eu. Serão decerto. Foram as suas escolhas, eles lá sabem porquê. Eu vou reflectir melhor sobre os resultados. Talvez chegue a algumas conclusões que me assustem.

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Assim muito de mansinho para não criar polémica  

Os sequestradores do avião sudanês depois de libertaram os 187 passageiros e os 8 tripulantes acabaram por se entregar às autoridades líbias, esta tarde, depois de negociações que duravam desde terça-feira à noite. Não houve mortes, feridos, nem casos de violência. E as negociações foram pacientes.

Talvez seja abusivo comparar com o assalto e sequestro ao BES em Campolide, embora tal como cá, houvesse pessoas sequestradas e certamente correndo perigo de vida.
Mas encontro pelo menos duas diferenças e um ponto em comum: 

a) as negociações foram mais pacientes; aqui foram oito horas e achou-se que era demais, na Líbia foram as horas necessárias até à rendição, desde ontem à noite até esta tarde. b) o objectivo foi sempre o de obter a rendição, sem tentar atrair os negociadores para o ponto de mira dos snipers ou recorrendo à violência, não havendo por isso mortos nem feridos a lamentar.
O ponto em comum: cá como lá a libertação dos sequestrados, a actuação dos negociadores e das forças policiais, foram saudadas pela população. Só que aqui houve pelo menos um morto (eram para ser dois) e um ferido. E fomos apesar de tudo mais efusivos.

E não pretendo dizer mais nada.

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Perceber a guerra no Cáucaso  

Um Cáucaso bicudo
por Rui Tavares no Cinco dias.
Uma leitura imprescindível. Com a devida vénia segue parte do artigo:

Se há uma semana alguém perguntasse qual seria a melhor estratégia internacional da Geórgia - como da Arménia, sua vizinha - a resposta seria: esperar. Ainda há poucos meses, George W. Bush tinha proposto a entrada do país na NATO. Os aliados europeus não aceitaram a ideia; se o tivessem feito, seriam agora forçados a entrar em guerra com a Rússia. Mas com tempo e persistência a Geórgia acabaria por se associar de alguma forma à NATO e à União Europeia. Teria então mais peso para uma solução que lhe fosse favorável na Ossétia do Sul, que declarara a sua independência sem reconhecimento internacional, na década de noventa.

A Ossétia é habitada por um povo de língua aparentada ao persa; metade vive no território da Rússia (a Ossétia do Norte) e o restante na Geórgia. Têm sido aliados dos russos, mas o território da Ossétia do Sul é georgiano desde as fronteiras desenhadas pelo Kremlin soviético no tempo de Estaline - que era georgiano de nascimento.


Ler tudo no Cinco dias

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Finalmente livre!  

Depois de um cativeiro de mais de seis anos, Ingrid Betancourt, e mais outros reféns, foi resgatada pelo exército colombiano das garras das FARC para indescritível alegria dos familiares, dos amigos e de todos os que defendem as liberdades e a paz contra o terrorismo criminoso que não olha a meios para atingir os fins, na sua sanha criminosa.

O terrorismo é uma forma inaceitável de combate político, por muito que se possam afigurar justos alguns dos objectivos que lhe estão subjacentes. Mas esta forma de acção, mais tarde ou mais cedo, invariavelmente, acaba por atingir vitimas inocentes, ao não discriminar os alvos políticos. O caso das FARC é um bom exemplo de uma organização criada com princípios justos, que progressivamente se transforma numa organização terrorista, inicialmente ligada aos barões da droga, para depois passar mesmo a exercer um total domínio e controlo sobre a produção e o comércio da cocaína, como forma de subsistência.

Acabam sempre por tornar-se organizações criminosas da pior espécie.

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A China quer esconder a violência não quer impedir a violência.  


A China não quer ver imagens violentas durante os Jogos Olímpicos. Segundo notícias difundidas pelas agências internacionais de comunicação, os sites da Internet vão ser particularmente vigiados e os que difundirem imagens serão punidos com multas a rondar os 9,3 mil euros. Um número de telefone foi entretanto já divulgado apelando à delação pública dos “prevaricadores”.

A repressão policial vai ser varrida para debaixo do tapete.

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Assim não PCP!  


De regresso da China, uma delegação do PCP saúda os “inegáveis êxitos do país e dos objectivos socialistas” e defende o Governo Chinês das “acusações de violação dos direitos humanos”, considerando que são um pretexto para colocar em causa os Jogos Olímpicos e a soberania sobre o Tibete.

Lamentável! O PCP sabe que a China vai afirmando o seu império capitalista, à custa da exploração desumana, cruel sobre os trabalhadores, obrigando a ritmos de produção e de trabalho de autêntica escravatura. O PCP sabe que os trabalhadores chineses não têm direitos laborais e sociais, direito a reunião, de livre expressão, de associação, não tem sindicatos, não tem direito à greve. Na China não é o socialismo que se constrói é o capitalismo de Estado, actuando ao pior nível da exploração capitalista. Lamentável!

Enquanto isso em Portugal o PCP justamente censura o Governo pelas suas políticas sociais e laborais. Mas não pode merecer credibilidade, infelizmente! Assim, passo a passo, (afirmações de Bernardino Soares sobre a Coreia do Norte, de Jerónimo de Sousa sobre a China e sobre Angola, a posição sobre o regime cubano, etc.) se aniquila um património da esquerda, de frente avançada, na defesa dos direitos humanos, da justiça social, dos direitos dos trabalhadores.

O Partido Comunista Chinês, através do Diário do Povo agradece o "apoio precioso"!

Assim não PCP!

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São uns criminosos sim!  

Que outro nome pode ser dado a quem, mais de trinta anos depois da independência, enquanto o seu povo vive na miséria, onde as crianças passam fome e morrem precocemente, os dirigentes, os homens e mulheres de quem se esperava tudo de bom, depois de uma guerra de libertação, enriqueceram brutalmente à custa da miséria alheia, da corrupção, do roubo, do assalto ao Estado.

Boa malha Bob Geldof! O BES uma vez mais está no sitio certo com as pessoas certas.

(...)
Caminhos largos
cheios de gente cheios de gente
em êxodo de toda a parte
caminhos largos para os horizontes fechados
mas caminhos
caminhos abertos por cima
da impossibilidade dos braços.
(...)
Ó vozes dolorosas de África!

(do poema de Agostinho Neto, Fogo e Ritmo)

Ps: e não me venham com essas tretas de que as palavras do Bob Geldof são folclore, circo, fantochada, demagogia, populismo, protagonismo, etc e se assim for venham muitos Bob Geldof.

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O nacionalismo proletário do PCP  

Regressado de Angola depois de uma visita a convite do MPLA, Jerónimo de Sousa declarou que “não se sente a corrupção” naquele país e que o Governo de Angola está a fazer “um esforço claro no combate à corrupção”.

Estranho: 1) Angola é o país mais corrupto dos países africanos que falam a língua portuguesa e um dos mais corruptos de África. 2) O Presidente José Eduardo dos Santos (a quem a Suíça bloqueou 100 milhões de dólares) e a sua filha Isabel dos Santos, de trinta e poucos anos, possuem colossais fortunas e controlam toda a economia nacional. 3) Os negócios do petróleo enriquecem todos os dias os dirigentes, os mediadores, os funcionários do aparelho de Estado e há uns anos foram descobertas várias contas bancárias em paraísos fiscais de dirigentes do MPLA. 4) Entre 1997 e 2021, desapareceram misteriosamente das contas do Estado, 1,7 mil milhões de dólares, por ano. 5) Enquanto isso o Povo é violentado, faltam bens de primeira necessidade, uma grande parte vive na miséria, as crianças passam fome e estão desnutridas, em cada quatro uma ainda morre antes dos cinco anos.

Perante uma tão dramática situação, a declaração de Jerónimo de Sousa é no mínimo patética. Primeiro, porque a corrupção está à vista e é conhecida de todos, segundo porque ninguém acredita que quem fomenta e beneficia da corrupção é que irá combater a corrupção.

Os gostos de Jerónimo e do PCP relativamente a certos regimes déspotas incomodam-me sobremaneira, apesar de não ser militante do PCP. Porque respeito muitos todos os homens e mulheres comunistas que lutam todos os dias contra as injustiças, por direitos sociais, pelas liberdades. Mas, peço desculpa, não é possível combater em Portugal as desigualdades, a exploração, as injustiças e defender ao mesmo tempo regimes onde esses direitos são quotidianamente violentados.

Depois da visita aos dirigentes chineses e angolanos e dos elogios a esses regimes, por onde segue o roteiro de Jerónimo de Sousa? Será pela Coreia do Norte?

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Boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim?  

Tanto quanto possível deve ser evitado o boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim. Mas se tiver de ser, se as autoridades chinesas não arrepiarem caminho, se a violação dos direitos humanos persistir e se intensificar, como agora acontece no Tibete, é uma hipótese que não deve ser descartada. A China ao organizar os Jogos Olímpicos expôs-se. Agora há que não dar tréguas ao regime. Estranho, estranho, foi ver que as ameaças ao boicote, venham de alguma direita, como a que expressou agora Sarkozy. Os meus aplausos, para ele. Já o nosso Governo de "Esquerda" de Sócrates mantém-se estrategicamente calado, enquanto outra, a do PCP, vergonhosamente, se associe às posições da Governo da China.

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Quantos são os criminosos?  



Cinco anos depois da cimeira dos Açores que decidiu a guerra no Iraque, seria tempo de levar a julgamento estes senhores a um Tribunal Penal Internacional, para sabermos todos, quantos são os criminosos que estão nesta fotografia da nossa vergonha!

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A morte por decreto  

A condenação à morte é uma manifestação de ódio e vingança selvagens. A pena de morte não resolve nenhum problema, por maior, mais hediondo e monstruoso que tenha sido o crime cometido. Além de uma morte não ser reversível em caso de erro. Também pedir, decidir ou executar uma pena de morte é um acto criminoso, irracional e inumano. Como, em minha opinião, são uns canalhas quem permite ou concorda, conscientemente, com a pena de morte. Apenas como desabafos em momentos dolorosas da nossa vida pessoal ou colectiva, compreendo a defesa da pena de morte.

A minha posição é de princípio: sou contra leis que permitam a pena de morte, mas sou sobretudo contra quem investido em “juiz”, sustentado numa superioridade moral, pode decidir a morte alguém. Não é pois, a morte pela morte que me repugna. Consigo compreender melhor, quem por iniciativa própria, de forma pensada ou reagindo por impulso, é capaz de matar alguém, segundo um juízo pessoal de (in)justiça, mesmo não concordando, como é óbvio

Vem isto a propósito do pedido das autoridades norte-americanas de condenação à morre, de alguns dos supostos autores morais e materiais dos atentados de 11 de Setembro de 2005. Não vou repetir-me sobre a monstruosidade dos atentados e o nojo e repugnância que sinto a quem engendrou e executou tamanha barbaridade. O que importa agora salientar é que vão ser julgadas, por tribunais militares, por juízes militares, em causa própria, algumas pessoas detidas há largos anos, sem protecção, sem advogados, sem direito alguns, sujeitos a sevícias e às maiores torturas para forjar provas, na prisão ilegal de Guantanamo, com a acusação a pedir a pena de morte.

Dito isto passo a palavra ao Daniel Oliveira:

Os terroristas venceram: fizeram os EUA um pouco mais parecidos consigo próprios”.

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Governo cúmplice em actos bárbaros?  



Esta notícia não pode deixar ninguém indiferente. Parece que as últimas dúvidas, se ainda as havia, se esfumaram completamente. Segundo a informação veiculada pela organização não governamental britânica Reprieve, Portugal seria a ponte aérea de transporte dos prisioneiros, com destino à prisão privado dos Estados Unidos em Guantanamo.

Estamos perante um verdadeiro escândalo que deve ter, no mínimo, consequências políticas, depois de sucessivos desmentidos e “indignação” do Primeiro-ministro Sócrates e do Ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado, face a “acusações” inscritas no relatório da comissão europeia que investigou o assunto.

A ser verdade (e os dados parecem ser esclarecedores), não estamos a falar de incompetência. Estamos a falar de cumplicidade, de consentimento, de aprovação do Governo português, com os actos bárbaros da administração americana, sobre cidadãos, vítimas de todos os abusos e crueldades, sem acusação formal, sem defesa e sem julgamento.

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O que faz correr Xanana?  

Xanana Gusmão prefere esquecer o passado do Presidente indonésio, Suharto: "teve os seus lados fracos, sobretudo a violação dos direitos humanos, a ditadura e a corrupção". Mas Suharto foi mais que isso; foi um criminoso responsável pelo assassinato de centenas de milhares de oposicionistas. E dos mais corruptos ditadores, tendo amealhado, em bancos estrangeiros, uma fortuna avaliada entre 10 a 20 mil milhões de euros.

Xanana Gusmão foi ao funeral do criminoso para fazer "esquecer o passado". Mas o passado não pode ser esquecido. Não podem ser esquecidos os crimes de morte do regime tirano. Não pode ser esquecida a anexação de Timor. Os timorenses mortos. A luta heróica dos guerrilheiros e do povo pela independência. A solidariedade dos povos do mundo com a causa timorense. Xanana Gusmão pode perdoar. Pode até querer esquecer. Admiro-lhe isso. Admiro-lhe a capacidade de não guardar rancores ou ódios.

Mas Xanana nunca deveria ter ido ao funeral de Shuarto. Porque antes dos seus sentimentos, das suas convicções, está a memória dos mártires, dos expatriados, dos mortos, dos sofridos -dos seus familiares, amigos e de todos os povos solidários do mundo - provocados por uma ditadura brutal e por um cobarde assassino.

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