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Dia de Treino/Os Simpsons- O Filme



Antoine Fuqua faz o que lhe compete: deixar brilhar o elenco e fazer esquecer um argumento que, apesar de interessante, se sustenta demasiado pela lei do acaso.

Assim, o elenco faz o filme. Os sempre bem Ethan Hawke, Cliff Curtis e Scott Glenn não desiludem, mas é sobre Denzel Washington que recaem todas as atenções. Que brilhante interpretação. Assombrosa. Rouba o filme para si e carrega-o às costas, justificando a toda a hora o Óscar de Melhor Actor que conquistou.

"Dia de Treino" é Denzel Washington. E só isso chega.




Não sou um admirador d'Os Simpsons. Nunca fui e muito menos o seria agora, numa altura em que a série atravessa uma decadência sem precedentes.

O filme acaba por espelhar a série: a primeira parte é bastante interessante, com ou outro momento de pura genialidade. A segunda é aborrecida e sem piada.

Para o legado da série e para o tempo que esteve a "marinar", esperava-se claramente um pouco mais.
No entanto, reitero: puro entretenimento.


Mas fica a questão: e para quando um filme de American Dad!?

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Shrek


Não, o termo "revolucionário" não é um exagero. "Shrek" tem mesmo essa importância. Talvez não a nível animado, nesse aspecto o filme está "apenas" ao nível dos da Pixar, com um detalhe animado realista e soberbo.

É a nível de argumento, personagens e storytelling que "Shrek" triunfa ruidosamente. Contrariando a tendência vista até então, "Shrek" aposta na acção, na
irreverência, na originalidade e sobretudo no humor. Humor rústico, indelicado, "sujo" e indiscreto, talvez... Mas tremendamente eficaz.

Afinal de contas, o protagonista é um ogre horrível e sem maneiras (faz questão de nos mostrar isso mesmo na brilhante introdução), acompanhado por um burro falante que, com um misto de melhor amigo e sidekick, se torna numa das melhores personagens ani
madas de sempre e, quando parece entrar nos "eixos" com o resgate à Princesa Fiona, "Shrek" volta a trocar as voltas ao espectador e comprova que não esqueceu o propósito ao qual se propôs desde o seu início: marcar pela diferença.

"Shrek" não é um simples filme animado bem conseguido.
"Shrek" é uma comédia, ainda antes de ser um filme de animação, e que, graças ao já referido esquivo argumento, ao elenco responsável pelas dobragens (Eddie Murphy tem a melhor prestação na área desde a de Robin Williams em "Aladdin" (crítica aqui)) e às inúmeras referências e pormenores deliciosamente dissimulados sob a sua cobertura "infantil", se tornou um marco no género, catapultando a Dreamworks novamente para a ribalta
e vencedor do primeiro Óscar para Melhor Filme de Animação.

De referir a portentosa banda-sonora, desde a composição de Harry Gregson-Williams até à palete de canções que enriquecem esta obra-prima animada.


"That must be Lord Farquaad's castle... Do you think he's maybe compensating for something"

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Operação Swordfish


Visto agora com a devida distância temporal, "Operação Swordfish" não só proporciona uma elevadíssima dose de entretenimento e adrenalina, como também tem todas as componentes para mais um delicioso guilty pleasure.

É certo que o seu argumento revisita vários clichés, dando-se ainda ao luxo de ser mais complexo do que deveria. Tem buracos, personagens mal trabalhadas e unidimensionanis e é ainda polvilhado com um twist morno e previsível.

No entanto, "Operação Swordfish" sai claramente a ganhar nas sequências de acção delirantes, bem como no fantástico elenco, com John Travolta a encabeçá-lo e a fazer aquilo que faz melhor: vilões estilosos e de discurso eloquente.

Prova disso é aquela que ficará como uma das melhores introduções da (pelo menos) última década. Fabuloso trabalho de John Travolta, a ter direito a um monólogo maravilhoso e repleto de substância, devidamente acompanhado por uma explosão de fazer frente a muitas das de "Matrix" (crítica aqui).

A realização de Dominic Sena é elegante, realçando o estilo em tudo -desde as roupas, passando pelos acessórios e penteados (o de Travolta é... diferente) até à cintilante fotografia.
A banda-sonora também pontua.

E assim, "Operação Swordfish" é uma delícia e um genuíno guilty pleasure. Um dos maiores. E como tal...


"You know what the problem with Hollywood is? They make shit. Unbelievable, unremarkable shit."

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O Planeta dos Macacos


O problema reside na produção. Tim Burton, realizador por quem nutro uma especial antipatia, bem tenta tornar "O Planeta dos Macacos" num épico à medida de, segundo dizem, "O Homem que veio do Futuro".

Mas os valores de produção deixam demais, demais a desejar: fotografia, guarda-roupa, efeitos especiais ou figurantes. Não deixam o filme ir mais longe. O que é uma pena.

A excepção é a caracterização. Fantástico trabalho, tão bom que chega a "engolir" alguns dos actores, como é o caso de Helena Bonham Carter.

Não obstante estes defeitos, acabei por gostar bastante deste "O Planeta dos Macacos", que tudo deve à estrondosa interpretação de Tim Roth. Brilhante trabalho do actor, a compor uma vilão inesquecível enquanto obtém uma das melhores interpretações da sua carreira. Igualmente brilhante é o trabalho de caracterização, que torna o personagem realmente intimidador.

O restante elenco é regular. Mark Wahlberg não tem estofo para protagonista e Estella Warren é só uma cara bonita. Os secundários Michael Clarke Duncan e Paul Giamatti, por seu lado, estão bastante bem.

Quanto à história em si, é interessante, embora se acabe por perder (confundir?) com intrigas políticas e muita disfunção espacio-temporal.

O final agradou-me. Dá uma sensação de desconforto e impotência deliciosa.

Acabo por encontrar mais defeitos do que qualidades neste "O Planeta dos Macacos", e concluo que... não consigo justificar a minha classificação...


"Everything in the human culture takes place below the waist."

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Ocean's Eleven


Era necessário um verdadeiro punho de ferro -e igualmente sólido talento- para transformar "Ocean's Eleven" num grande filme e não num desfile de estrelas.
É na frescura e jovialidade de Steven Soderbergh que este talento foi depositado.

Soderbergh tem à sua disposição elementos indispensáveis para a obtenção da qualidade desejada, começando, desde já, pelo magnífico escrito de Ted Griffin. Nunca um heist movie nos pareceu tão credível, tão realista, tão diferenciado de todos os outros. Aqui está a prova de que não são necessárias grandes cenas de acção, "apenas" diálogos verdadeiramente avassaladores e uma palete de personagens inesquecível e extremamente variada.

Recorde-se, por exemplo, a complexidade e abrangência da descrição feita por Rusty (o papel para o qual Brad Pitt nasceu) a Danny (George Clooney) do grupo ideal de profissionais necessários para a realização do assalto, ou do magnífico, verdadeiramente magnífico diálogo entre Danny e Tess (Julia Roberts), no seu primeiro encontro:

"-Does he make you laugh?
-He doesn't make me cry."

Para além disto, o argumento de Griffin dissimula pequenos e delicados apontamentos de um grande e delicioso humor. Humor infinitamente mais eficaz e menos "brejeiro" do que o que nos é apresentado, por exemplo, por "Scary Movie- Um Susto do Filme" (crítica aqui) e que constituem a faceta do entretenimento que "Ocean's Eleven" proporciona de forma tão categórica.

O segundo elemento fundamental é a banda-sonora de David Holmes. É impressionante, o encaixe perfeito entre o filme e a maior parte das sequências musicais. A banda-sonora transpira o ambiente descontraído e o sentido de coolness visto no filme, e parece fazer ecoar na nossa mente os nomes de, por exemplo, Brad Pitt ou até mesmo Las Vegas.

E, finalmente, o elenco, o grande e majestoso elenco, a maior junção de grandes estrelas do Cinema nos últimos 10 anos, pelo menos. Mas mais impressionante do que tamanho aglomerado de grandes actores, é a constatação de que todos são soberbamente dirigidos por Soderbergh, que dá a cada um destes actores o necessário espaço para brilhar.

Os elementos que mais se destacam são, inevitavelmente, os protagonistas George Clooney e Brad Pitt. Pitt, em particular, está mais com mais estilo do que nunca. E o melhor? É que a substância também não é descurada.
A merecer destaque está também Andy Garcia, naquela que é a melhor interpretação de toda a sua carreira.
O restante elenco está, sem nenhum tipo de excepção, fantástico. Que direcção de actores brilhante.

"Ocean's Eleven" recorda-me ainda "Blade Runner", pela forma tão magistral como Steven Soderbergh realiza, ocultando e mascarando a sua genialidade nas mais diversas cenas e fazendo de "Ocean's Eleven" uma obra com pormenores a descobrir com cada nova visualização.

A lente de Soderbergh capta de tudo, desde o humor, passando pela intriga e até algum drama.O sentido de estilo, o ritmo rápido mas nunca precipitado, a cintilante fotografia e a manipulação feita ao espectador, quando consagrados com os aspectos já referidos, fazem de "Ocean's Eleven" um dos melhores filmes que já vi, bem como o heist movie por excelência.


"You guys are pros. The best. I'm sure you can make it out of the casino. Of course, lest we forget, once you're out the front door, you're still in the middle of the fucking desert!"

"-I always confuse Monet and Manet. Now which one married his mistress?
-Monet.
-Right, and then Manet had syphilis.
-They also painted occasionally."

"-You're a thief and a liar.
-I only lied about being a thief, I don't do that anymore.
-Steal?
-Lie.
-I'm with someone who doesn't have to make that kind of distinction.
-No, he's very clear on both."



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Harry Potter e a Pedra Filosofal/Harry Potter e a Câmara dos Segredos


Um começo brilhante, embora com algumas limitações ao nível do desenrolar da acção e da sua inerente (e, refira-se, inevitável) infantilidade, este primeiro filme é um autêntico tesouro.

Fotografia e cenografia deslumbrante, uma banda-sonora de John Williams absolutamente inesquecível e, claro, um elenco de excepção.

Para além de uma série de secundários de luxo (Richard Harris, Maggie Sm
ith, John Hurt, Robbie Coltrane, John Cleese e, claro, o soberbo Severus Snape de Alan Rickman), temos três achados no que à representação diz respeito. Três belíssimas, belíssimas interpretações que encabeçam esta excelente proposta de entretenimento infanto-juvenil.




Em nada descurando o seu predecessor, "A Câmara dos Segredos"
é sem dúvida, a meu ver, o mais intenso filme de toda a saga. Apesar dos seus efeitos especiais serem mais limitados, quando comparados com os filmes mais recentes, apesar do seu cariz infantil ainda presente... sequências como as palavras do Basilísco a ecoarem pelas paredes do castelo, a conversa de Harry com o diário de Tom Riddle ou a aparição de Aragog confirmam esta minha teoria.

A causa? O argumento, evidentemente. Bem mais limado, completo e aperfeiçoado, mas infelizmente confinado a um contexto com o qual pouco ou nada combina...mas que em muito melhora.


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Identidade Desconhecida/Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo


O maior problema de "Identidade Desconhecida". é ser tão indistinto e vulgar. Falta-lhe aquele toque especial, aquele toque de especial competência que foi atribuído aos posteriores filmes da série
Esta fita de Doug Liman é pouco ambiciosa e de concretização fácil, precisamente porque o próprio Liman é assim.


A realização, o argumento, a montagem, o próprio Matt Damon. Nenhum deles passa de mediania, nenhum deles arrisca verdadeiramente e nenhum deles é e consegue fazer de "Identidade Desconhecida" um filme memorável.

E com toda esta banalidade, quem tem tempo para se lembrar da banda-sonora ou de Chris Cooper?

Apenas um bom entretenimento.





O que dirão deste "Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo" aqueles que acusaram (sem razão, a meu ver) "O Cofre do Homem Morto" de ser demasiado complexo?

Que confusão ridícula e escusada é este filme.
Conspirações, planos, histórias paralelas, dez personagens principais e quase três horas de duração que se revelam insuficientes, embora claramente muito cansativas.

Gore Verbinsky quis pôr os ingredientes todos neste terceiro filme, e a panela acabou mesmo por transbordar e de que maneira.
Não tinha de o fazer, não tinha de dar o protagonismo a todos os personagens. Acaba por nenhum deles ter o protagonismo que realmente merece, e sobretudo da melhor forma.


O elenco também se deixa aniquilar sem dó nem piedade.
Johhny Depp desaparece totalmente, e quem o pode censurar? Geoffrey Rush e Keira Knightley excedem-se. Orlando Bloom e Bill Nighy não existem.


Apesar de tudo, e esquecendo a debilidade argumentativa, "Nos Confins do Mundo" entretém muitíssimo bem. Repleto de efeitos especiais ao mais alto nível, e principalmente dispostos ao espectador da forma correcta (e não da irritante "forma Michael Bay"), são responsáveis por várias cenas de cortar a respiração. O climáx final, por exemplo, é verdadeiramente épico.

Também o humor escapou ileso à debilidade generalizada de "Nos Confins do Mundo", mas tal deve-se ao facto de quase todas as personagens serem transformadas em sidekick's, num ou outro momento.

Vale o que vale, como filme isolado. Como conclusão (agora já nem isso) à trilogia, é uma desilusão catastrófica.

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Donnie Darko


Entre as inúmeras vantagens e prazeres que a visualização de "A Origem" me proporcionou, está presente a constatação de que não é necessária a total compreensão de uma obra para que esta me agrade profundamente.

Assim, está então excluída essa causa como explicação para a minha (só agora confessada) relativamente reduzida afinidade para com este "Donnie Darko".

Estamos perante um filme interessante, com alguns excelentes momentos de Cinema. No entanto, e para além da já referida incompreensão de grande parte da recta final do filme, é sobretudo o desenvolvimento da premissa que, a meu ver, merecia mais efusividade e energia.

"Donnie Darko" é, no cômputo geral, bastante aborrecido. É exactamente isto que acho. Aliás, creio que é esta a razão que me levou a adiar continuamente uma segunda visualização do filme (e, consequentemente, a enganar-me a mim próprio).

Para já, atribuo-lhe esta classificação, na expectativa de que uma segunda visualização me faça mudar de ideias. E também, claro, em honra da grande prestação de Jake Gyllenhaal e do misterioso ambiente criado por Richard Kelly.


"-I made a new friend today.
-Real or imaginary?
-Imaginary."

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Jogo de Espiões



"Jogo de Espiões" é um filme que me diz muito mais do que à partida poderia pensar, e cuja tarefa de detecção dos seus defeitos e qualidades é bem mais complexa e pessoal do que o previsto.
O termo "guilty pleasure" emerge de imediato na minha mente.

"Jogo de Espiões" tem o seu cerne no confronto e contraste entre dois homens, o passado e o futuro, experiência e a beleza, a sensatez e a rebeldia e sendo, sobretudo, a história das vivências de Nathan Muir (um papel delicioso que Robert Redford agarra com uma segurança notável e molda a seu bel-prazer com todo o talento que possui) e Tom Bishop (personagem que carece de maior dimensão, e que não dá espaço a Brad Pitt para nada mais do que um registo razoável).

No entanto, é na forma como dispõe estas vivências, que "Jogo de Espiões" obtém o seu maior trunfo.
O estilo e o exibicionismo são conceitos de que o realizador Tony Scott nunca prescinde no seu
método de trabalho, e tais estão presentes em "Jogo de Espiões" e a tornar a experiência cinematográfica em si mais intensa, delicada e aprazível.

É assim, pois, e a par da excelente performance de Redford, a vertente argumentativa o ponto mais alto de "Jogo de Espiões", que aposta numa trama pouco convencional (de teor sobretudo político, e não de acção) e algo complexa.

Trama esta que divide a sua acção em vários momentos -a maior parte deles em flashback- delimitados, de forma muito bem sucedida, por uma cinematografia cuidada, acompanhados por uma banda-sonora fenomenal de Harry Gregson Willis e pautados por uma ou outra grande cena (e estas, por sua vez, repletas de diálogos -maioritariamente por parte de Redford- fenomenais).

Revista a situação, a problemática mantém-se: "Jogo de Espiões", guilty pleasure ou não?


"Don't ever risk your life or your career for an asset. If it comes down to you or them... send flowers."

"-Fuck your rules, Nathan.
-Okay. But tonight they saved your life."

[Análise re-editada a 30/07/10]
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The Score- Sem Saída/Hitch- A Cura Para o Homem Comum

Exigia-se tão mais do que isto. Para aquele que é o único encontro de três dos maiores actores das suas gerações, Edward Norton, Robert De Niro e Marlon Brando, "The Score- Sem Saída" deixa demais a desejar.

Mas também, o que se esperaria com um argumento tão ridículo e uma realização tão fraca? Não deixa de ser, aliás, impressionante como Frank Oz consegue dirigir este elenco com tanta categoria de forma tão medíocre.

É certo que todos têm pouco que fazer, mas se já De Niro está indiferente ao que o rodeia, Brando (no seu último papel) pavoneia-se igualmente sem interesse.
É Norton, sobretudo enquanto o autista Brian, que ainda vai trazendo alguma luz a todo o projecto.

No entanto, não deixa de ser escandaloso que um elenco deste calibre resulte num filme tão pouco ambicioso.





Muito pouco a dizer. Enésima versão da comédia romântica, com bons e maus momentos, e rapidamente definível em duas palavras: Kevin James.
Hilariante.

Apenas uma observação, algo que me deixou alguma confusão: Allegra Cole, para súper-celebridade, deixa bastante a desejar em termos visuais, não?

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A Viagem de Chihiro


Esta análise contém SPOILERS.

"A Viagem de Chihiro" é, provavelmente, o mais belo filme de animação que já vi. É o ponto mais alto da carreira de um génio do audiovisual (já me mentalizei que Hayao Miyazaki é, nestas duas vertentes (aqui fica uma palavra à fenomenal banda-sonora), genial), um triunfo a nível técnico e que garantiu ao veterano Miyazaki o Óscar para Melhor Filme de Animação (distinção merecida, refira-se).

Aqui, excepcionalmente (pelo menos de acordo com o que já vi), Miyazaki funde a típica animação manual com alguns retoques digitais que apenas embelezam mais o que, por si só, já é magnífico. Mais do que utilizar é saber utilizar bem, e Hayao Miyazaki serve-se do complemento digital, apenas e só, quando estritamente necessário.
E o efeito é quase indescritível. O melhor mesmo será recordar aquela que é, a meu ver, a mais bem conseguida cena animada de "A Viagem de Chihiro", e que se trata do momento em que Chihiro segue Haku por entre um magnífico corredor de rosas.
Linda, lindíssima cena. Lindo, lindíssimo filme.

É portanto ainda mais frustrante constatar que Hayao Miyazaki continua a não obter o pleno, falhando assim em elevar "A Viagem de Chihiro" à categoria de obra-prima animada, ainda para mais quando tinha todas as possibilidades (e expectativas da minha parte) para o fazer.
Aqui, ao contrário do que aconteceu em "Kiki-Aprendiz de Feiticeira", onde pouco havia para contar, existe... de mais para contar. O facto é que o argumento acaba por tropeçar em si próprio e precipitar-se no seu climáx, revelando as fragilidades que queríamos ignorar até aí.

Falo, concretamente, da volta que sofre "A Viagem de Chihiro" a partir do encontro de Chihiro com a forma-dragão de Haku. A acção passa a assumir um ritmo extremamente e incompreensivelmente rápido, é-nos apresentada demasiada informação (personagens novas, relato de actos passados, e a própria temática que dificulta uma compreensão imediata, já que existem transformações, mudanças de forma e personagens fisicamente semelhantes) e dado pouco tempo para a digerir.

De repente, "A Viagem de Chihiro" chega ao fim e apenas restam as óbvias questões provocadas pelos buracos e incoerências do argumento:
"-Qual é a função do Sem-Face em toda a história? Quais as suas origens? Porque razão come três pessoas e muda radicalmente de temperamento?";
"Qual a função do espírito do rio? Perderam-se 20 minutos de filme no banho, porquê? Para poder dar a Chihiro aquele alimento? Só isso?";
-"Como é que Zeniba, ao contrário da sua irmã Yubaba e após pouquíssimo tempo, é tão simpática com Chihiro e companhia? A mesma Zeniba que nem hesitou em transformar o sobrinho, o bebé gigante, num rato?"

-"E qual é, afinal, a relação entre Haku e Chihiro? De amor? De amizade? É passado? Presente?"

Meros exemplos mas que ilustram bem o meu ponto de vista. Quanto mais não seja, e de uma perspectiva optimista, "A Viagem de Chihiro" precisará sempre de uma segunda visualização.



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O Senhor dos Anéis:A Irmandade do Anel(Crítico Convidado-Filipe Assis)


«The world is changed. I feel it in the water. I feel it in the earth. I smell it in the air. Much that once was is lost, for none now live who remember it»

A demanda pelo Anel começava. Um espírito verdadeiramente contagiante, embebido de esperança... sequeoso de triunfo... se alastrava. As escolhas... foram as certas. E eis um elenco perfeito, uma perfeita equipa técnica... e um filme perfeito.
Um mundo recriado num argumento imenso. Fran Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson. Que ganhou vida numa visão arrebatadoramente mágica, imersa em sentidos, tão rica em personagens, paisagens, detalhe. Esse argumento, essas palavras... criaram uma verdade, uma autêntica existência: a Terra Média. Tão fantástica. Tão real.
O início é arte pura. A mais pura arte que é possível conceber.


Esta análise é totalmente elaborada por Filipe Assis e foi gentilmente cedida ao Cinemajb.

http://cineroad.blogspot.com/2009/02/o-senhor-dos-aneis-2001-2002-2003.html

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Missão:Salvar as Férias

A escola acabou e é tempo de férias de verão para T.J. e os amigos. Contudo, T.J. depressa fica desapontado ao saber que todos os seus amigos, menos ele, vão partir para campos de férias. T.J. fica aborrecido durante a primeira semana de férias, até algo despertar a sua atenção: luzes estranhas a virem da sua escola.
T.J. percebe então que algo se passa e que é altura de reunir o grupo.

Numa idade mais tenra, a única série animada de que eu gostava, no Disney Channel, era a série "Recreio". "Missão: Salvar as Férias" é a longa metragem, que iria aparecer mais cedo ou mais tarde, desta bela série. Mas esta fita animada é mais, muito mais, do que um simples episódio estendido.

Trata-se de um filme de animação muito interessante, com uma história cativante e realista, uma animação relativamente fraca, apesar de melhor do que a da série original e discretamente pincelada com efeitos digitais, e uma banda-sonora memorável(ainda para mais para um filme de animação).

Um pequeno destaque para a dobragem do actor português Fernando Luís(possuo o filme em VHS, de forma que apenas o pude ver em português), que tem um desempenho vocal excelente e que reafirma o estatuto de um dos melhores nesta área, no nosso país.

Concluindo, "Missão:Salvar as Férias" é um excelente filme animado e que vale a pena ser visto, pelos fãs da série, ou pelo menos possuir a excelente banda-sonora.

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Gosford Park

Um casal de ricos burgueses britânicos convida vários amigos para um fim-de-semana dedicado à caça,na sua mansão em Gosford Park.Porém,todos são abalados quando se dá um assassinato.

Ao contrário do que possam pensar,ao lerem a sinopse ou até mesmo verem o póster,"Gosford Park" pouco ou nada tem de policial ou thriller.Esta fita do veterano Robert Altman é,sim,um complexo e dramático estudo das relações entre as diversas classes da sociedade inglesa dos anos 30.

E,neste ponto,o filme é muito eficaz,conseguindo captar a essência dos constantes conflitos intra e entre os ricos e os criados.A excelente realização de Altman ajuda,bem como outros factores como um bom guarda-roupa e uma fantástica direcção de actores.

O argumento do filme tem qualidade,porém é algo inconsequente,na medida em que se torna difícil para quem está a ver o filme pela primeira vez,apanhar eficazmente toda a trama,visto que o elenco é muito extenso e todos os personagens se tratam pelo apelido,por isso pode tornar-se complicado apanhar todos os nomes.

Falando do elenco este é,como já referi,muito grande.Nao existe um real protagonista,estando todos bem nos seus papéis.Quanto a mim,não se destaca nenhum elemento em particular,mas é de referir que,tanto Maggie Smith como Helen Mirren,foram nomeadas para o Oscar de Melhor Actriz Secundária.

No geral,"Gosford Park" não é um mau filme,possui factores técnicos invejáveis,mas peca sobretudo em não conseguir captar muito o interesse do espectador.


Nota-3.5*

O Melhor-A realização de Robert Altman.

O Pior-Torna-se difícil compreender bem toda a trama.
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15 Minutos


A estrela da brigada de Homicídios,Eddie Fleeming(Robert De Niro),juntamente com um investigador de fogos postos,Jordy Warsar(Edward Burns),perseguem uma dupla de assassinos europeus,que se serve dos media para tentar ganhar popularidade.
Já com alguns anos,"15 Minutos" é um dos poucos policias que explora o lado televisivo das situações."15 Minutos" tenta e poderia ter conseguido fazer uma crítica muito mais eficaz aos media,não fossem algumas opções mal tomadas,por parte do realizador e argumentista John Herzfeld.

E estas más(péssimas) opções que,inevitavelmente, danificam(e de que maneira) 0 resultado final,prendem-se sobretudo com alguma imaturidade do realizador.De facto,"15 Minutos" é um filme bastante violento,contudo a forma leve e descontraída como a história é abordada tira logo muita credibilidade à mesma,credibilidade esta que nem toda a excessiva violência consegue passar.

Quanto ao elenco,De Niro dá "show de bola" como o costume.Contudo(SPOILER) é ridículo que o seu personagem morra a meio do filme(FIM DE SPOILER),pois Burns não tem talento,e sobretudo,estofo para aguentar a fita a partir daí,que decresce significativamente de qualidade.Já para não mencionar o facto de se perder o melhor do filme,sendo também aqui visível a imaturidade do realizador.

No geral,"15 Minutos" é um filme mediano,que poderia ter conseguido ser muito mais,se fosse abordado de forma mais séria.
Nota-3.5*
O Melhor-Robert De Niro.

O Pior-Muita violência apresentada de ânimo leve.
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Velocidade Furiosa/Velocidade + Furiosa/Velozes e Furiosos

Brian O'Conner(Paul Walker) é um agente infiltrado,encarregue de arranjar provas contra Dominic Toretto(Vin Diesel),o maior corredor de rua da cidade.Mas tudo se torna mais difícil,quando Brian se envolve com a irmã de Dominic.

Com muita adrenalina,velocidade e grandes carros,este é um filme cuja única função é enteter,e que se pode gabar de ter pelo menos uma história interessante.

No elenco,destaque para Vin Diesel,naquele que foi um dos melhores papéis da sua carreira.


Nota-3*

O Melhor-O entretenimento que o filme proporciona.

O Pior-Podia ter ido mais longe.

Brian O'Conner(Paul Walker) está agora retirado da polícia,e a viver de corridas de rua,até que surge a oportuinidade de ajudar a polícia a capturar um barão da droga.

Os carros continuam lá, a alta velocidade também.Já Vin Diesel,que foi esperto o suficiente para não entrar nesta sequela,e uma história interessante também não!

Recomendo apenas a fãs do primeiro filme.


Nota-2.5*

O Melhor-Convenhamos,é Eva Mendes:p.

O Pior-O Fraco argumento.

Anos depois de se terem conhecido,Dominic Toretto(Vin Diesel) e Brian O' Conner(Paul Walker) voltam a encontrar-se,tendo agora de unir forças.

A mesma receita...Aqui,a realização é tão fraca que já nem conseguimos apreciar os carros.Segundo a publicidade,o elenco antigo regressa todo.Todo?Não!Uma pequena Michelle Rodriguez faz uma aparição puramente comercial...

Nota-2*

O Melhor-A dupla protagonista.

O Pior-A presença puramente comercial de Rodriguez.

P.S.-Dedicado a V2.

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I Am Sam-A Força do Amor

Sam(Sean Penn),um homem autista, tem agora de,com a ajuda da sua advogada(Michelle Pfeiffer),lutar pela custódia da sua filha(Dakotta Fanning).
Para qualquer cinéfilo,é impossível pensar na palavra autista,sem a associar de imediato à impressionante interpretação de Dustin Hoffman,na obra-prima "Rain Man-Encontro de Irmãos".Logo,esta é uma película que nos vem à mente,inevitavelmente,enquanto visualizamos "I Am Sam-A Força do Amor",um filme com uma premissa interessante,mas que é traído pelo seu argumento infantil,cuja ambição mais clara(e descarada) é provocar o choro fácil durante grande parte do filme.E desenganem-se aqueles que pensam que os defeitos do argumento ficam por aqui:numa tentativa de prolongar ao máximo o filme,a história acaba por se repetir mais do que uma vez,precipitando-se para um final precoce e insuficiente.

Mas este é um filme que ainda se vai aguentando,devido a um elenco de respeito.Se já nomes como Michelle Pfeiffer,Dianne Wiest ou Dakota Fanning estão bastante bem nos seus papéis,é mesmo o grande(enorme !) Sean Penn que rebenta com a escala,numa das melhores interpretações da sua carreira,que lhe valeu a nomeação para o Óscar de Melhor Actor e que(talvez injustamente?...) perdeu.


Nota-3.5*

O Melhor-Sean Penn.

O Pior-O argumento.
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O Senhor dos Anéis:A Irmandade do Anel


Em tempos,o senhor do mal Sauron,tentou dominar toda a terra-média com o seu anel do poder,mas foi derrotado e o anel esquecido.Passados milhares de anos,foi encontrado e entregue a um "hobbit",Frodo(Elijah Wood) que,juntamente com a Irmandade do Anel,tem de ultrapassar as dificuldades da Terra-Média para destruir o anel,antes que este regresse a Sauron.

Admitamos,estamos perante o grande épico do séc XXI.A trilogia toda aliás,ficará para a história.Mas vou tentar cingir-me apenas ao primeiro filme,começando pelos aspectos mais técnicos,onde tudo funciona na perfeição.Desde a excelente fotografia,até ao guarda-roupa,passando pela fantástica banda-sonora(que atinge o climáx com Enya) e pelos impressionantes efeitos especiais até ao homem:falo do senhor Peter Jackson que conseguiu aqui,o trabalho de uma vida, e que deveria ter sido logo premiado quer pelo fabuloso argumento ou pela incomparável realização.

Também o elenco é impressionante.Quase todos estão fantásticos,por isso vou destacar apenas alguns:o excelente Viggo Mortensen,que se serviu desta trilogia para ganhar maturidade,o sempre subvalorizado Sean Bean,que é na minha opinião, um actor com muito talento e que ainda irá um dia ser mesmo descoberto e,claro,do fabuloso(os adjectivos começam a faltar) Ian McKellen,justamente nomeado para o Oscar de Melhor Actor Secundário apesar de injustamente perdedor nessa mesma categoria.

Apenas uma nuvem paira no horizonte:o personagem Frodo é,na minha opinião um defeito incrível no filme(pelo amor de Deus,pedia-se um herói com garra e não um mariquinhas que passa a vida a choramingar),e é também pessimamente mal interpretado por Wood.Resta saber se o defeito é o personagem ou o actor...

Finalmente,gostaria apenas de destacar duas cenas do filme que me ficaram na memória:(SPOILER)A introdução inicial do filme,que elucida o menos perspicaz e onde a narração de Cate Blanchett enfeitiça qualquer um e a cena da morte de "Boromir"(Sean Bean) que é incrivelmente simples(quando comparada com as batalhas de "O Senhor dos Anéis:O Regresso do Rei") e tão,mas tão tocante.Penso mesmo que é uma das melhores,senão a melhor cena individual de toda a trilogia.(FIM DE SPOILER)

No geral,este é um filme quase perfeito em quase todos os níveis,um épico intemporal que ficará na história ao lado de filmes como "O Padrinho".

P.S-Recomendo a visualização da versão alargada da trilogia,disponível na Fnac que é muito enriquecedora.

Nota-4.5*

O Melhor:Praticamente tudo.

O Pior:"Frodo" e Elijah Wood.

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3.º-Atlântida-O Continente Perdido


O linguista,entre outras coisas, Milo Tatch(dobrado por Michael J. Fox) acredita em todas as histórias que o seu falecido avô lhe contava. Mas existe uma em que Milo acredita acima de todas: a existênçia do continente perdido Atlântida...


Para começar,penso que deve ser aplaudida a forma séria como a Disney aborda este interessante tema,mesmo sendo este um filme de animação. O início do filme está mesmo muito interessante.

A história do filme é,toda ela, muito original e imaginativa sendo que o desenvolvimento do filme está mesmo muito bem conseguido.

O argumento está muito bem escrito, tendo momentos cómicos bastante divertidos. Também o mistério está presente em todo o filme e bem "doseado".

As personagens são "do melhor que há".

Destaque ainda para a boa banda sonora


Nota:4*


O Melhor-A interessantíssima história.


O Pior-Nesta fase, começa a ser difícil, mas eu diria que a duração do filme.

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