25.8.06
Antropologia das batatas
Cheguei na casa de campo de Miguel e Christine e não tinha comida em casa, então Christine propôs-me uma experiência antropológica: almoçar num legítimo Diner dos rednecks locais. Diner ("dainer") é aquele fast-food típico americano, letreiro brilhante decadente, com mesinhas para quatro com um banco de cada lado, dispostas ao logo do recinto comprido e estreito. A típica garçonete redneck americana, overweight e com cara de fofoqueira, nos trouxe o cardápio. Miguel escolheu um frango com salada, Christine alguma coisa com batata fritas. Eu estava com preguiça de fast-food, na verdade. O que mais me apeteceu foi um omelete de cogumelos com queijo. Olhei nas porções avulsas e me decidi por um purê de batatas. Só faltava eu fazer o pedido. Fiz. A mulher me informou que o omelete já vinha com batatas. Perguntei então se podia trocar as batatas pelo purê, e ela me olhou como se eu fosse um lunático. "Não temos purê de batatas", respondeu, mal-humorada. Ia contra-argumentar mostrando o cardápio, mas achei que não valia a pena. Quando a mulher se virou, Christine comentou, divertindo-se: "Você transgrediu as regras. Não se serve purê de batata com omeletes". Me espantei. "Purê de batatas é só no jantar, com carne. E omelete é breakfast". "Então come-se batata frita no café da manhã e purê no jantar?", perguntei. "Não, batata frita é no almoço. Seu omelete vai vir com batatas caseiras, que é uma batata cozida e depois levemente frita." E assim descobri mais uma coisa sobre os hábitos alimentares dos nativos desta terra exótica: de manhã, homey potatoes; ao meio dia, fried potatoes; à noite, mashed potatoes.
despedidas e um pouco de mato
Hidalgo e Leila foram embora no final de semana. Passam uma semana em Londres, depois Barcelona, depois mais um mês em Nova Iorque. Em dezembro estarao de volta ao Brasil. Domingo de manhã fizemos um brunch de despedida e descemos todas as tralhas que eles não iam levar, inclusive todos os móveis achados no lixo, pusemos tudo na rua para quem quisesse pegar. Despedimos, eles saíram para o aeroporto e eu para roda do Mestre João Grande, a penúltima. Ficamos no apartamento eu, minha bagagem, um colchão, as louças e a mesa da cozinha. E as baratas, e’ claro
Na segunda cedo peguei o trem urbano, Metro North, e desci na última estação, Poughkeepsie. Miguel, meu orientador, me esperava lá. Fomos até sua casa de campo, no Noroeste do estado de Nova Iorque, cercados de floresta temperada, riachos, passarinhos, guaxinins e coiotes (hoje encontramos uma cobra trás da máquina de lavar). Silêncio, thanks god. Vou ficar uns dias aqui, não sei exatamente quantos. Vai dar pra trabalhar sossegado.
Na segunda cedo peguei o trem urbano, Metro North, e desci na última estação, Poughkeepsie. Miguel, meu orientador, me esperava lá. Fomos até sua casa de campo, no Noroeste do estado de Nova Iorque, cercados de floresta temperada, riachos, passarinhos, guaxinins e coiotes (hoje encontramos uma cobra trás da máquina de lavar). Silêncio, thanks god. Vou ficar uns dias aqui, não sei exatamente quantos. Vai dar pra trabalhar sossegado.
17.8.06
Funky dollar bill

De: Allan
Para: Pedro
Data: 10/8/06
fala pedrão.
to aqui escrevendo o relatório e dei um stop para ouvir um funkadelic, umas músicas que não conhecia.
achei uma que me lembrou seus dias aí em NY.
FUNKY DOLLAR BILL
Funky dollar bill
U.S. dollar bill
You go to school
To learn the rules
On how to love and live your life
But think about it twice
The pusher push, the fixer fix
The judge acquits
The junkie leads his life
For the dollar bill
Funky dollar bill
U.S. dollar bill
You don't buy a life, you live a life
A father learns much too late
He was a-never home
He worked two jobs, never stayed at home
He had to, 'cause
His love life was gone
For the dollar bill
U.S. dollar bill
It'll buy a warIt will save a land
It pollutes this air
In the name of wealth
It'll buy you life
But not true life
The kind of life
Where the soul is hard
My name is dollar bill
Funky dollar bill
U.S. dollar bill
15.8.06
o homem da linha L ou what happened to punk rock?
1. Meu bairro e' considerado um lugar muito ruim para se viver. Bairro de imigrantes latinos e do leste europeu, sujo e descuidado. Nao me parece um lugar perigoso. Parece uma cidade do terceiro mundo, como um suburbio do Rio, mas com aqueles tradicionais predinhos novaiorquinos. Moro na divisa entre Brooklyn e Queens. Bushwick no Brooklyn, Ridgewood no Queens. O endereco oficial e' Ridgewood, Brooklyn, nunca entendi direito o porque.
2. Pego o metro L, que liga Manhattan aos confins do Brooklyn. E' curioso. Embarcam em Manhattan basicamente dois tipos de pessoas: o primeiro sao pessoas brancas, jovens, bem tratadas, com roupas estilo rock n'roll, calcas apertadas, all-stars, cabelos cool, sorridentes. Americanos, alguns orientais, alguns europeus. Um ou outro negro. O segundo tipo sao pessoas com jeito de pobres, rostos mexicanos, porto-riquenhos, ou pessoas negras, roupas largas, panos amarrados na cabeca, caras de cansados, caras de poucos amigos. Um ou outro polaco, russo, romeno, sei la'. Neste segundo tipo, muitas pessoas acima do peso, comendo porcaria. O metro sai de Manhattan e, nas duas primeiras estacoes do Brooklyn, quse todos os passageiros do primeiro tipo descem. Apelidei essa galera de "Bedford-Lorimers", o nome das duas primeiras estacoes. Nas sete estacoes que faltam ate' chegar em minha casa, restam apenas os passageiros do segundo tipo, o terceiro mundo novaiorquino.
3. O punk rock foi uma referencia importante na minha vida. Eu, Bedford-Lorimer do terceiro mundo, branco latino, jovem e bem tratado, sempre me identifiquei com a transgress‹o furiosa adolescente das guitarras distorcidas, das letras diretas, da negacao do caos urbano pela imersao nele, e ate' mesmo pelo processo auto-destrutivo. Sempre precisei de "no future" pra querer "other future". E New York, centro do imperio, o lugar onde o punk rock nasceu, era uma grande interrogacao para mim.
4. Punk is dead, isso eu ja sabia. Muito mais do que Sao Paulo, aqui punk e' estilo, e' moda estabelecida. Moda de jovens brancos, descolados, tatuados, bem tratados (alguns menos bem-tratados, por causa da vida junkie). Moda de Bedford-Lorimers. Um pouco o meu estilo: se eu n‹o me conhecesse e me visse na linha L, poderia apostar que eu desceria na Lorimer Street. Mas nao me identifiquei com os Bedford-Lorimers, nao tive oportunidade nem fiquei com muita vontade de fazer amizade com os garotos e garotas americanos que gostam de punk rock como eu. Me incomodou, na verdade, o punk de boutique novaiorquino, rico e de nariz empinado, camisas surradas, tenis velhos e cortes de cabelo de 100 dolares. Ainda mais do que me incomoda o punk de boutique paulistano.
5. Assisti a dois documentarios. O primeiro era a historia dos Ramones, os esquisitissimos adolescentes outsiders do Queens, brancos mas nem t‹o ricos e bem tratados, que inventaram o punk. Um pouco antes de eu nascer mandaram aas favas a viagem psicodelica-progressiva-pos-hippie da moda dos garotos brancos e bem tratados dos subœrbios da epoca e, sem saber tocar mais de dois acordes numa guitarra entraram pra hist—ria da mœsica pop. As imagens deles tocando no CBGB's, em 1975, impressionam. La pelas tantas aparece o Johnny Ramone dizendo que pelo final dos anos 70, uns quatro ou cinco discos lancados, eles chegaram aa conclusao que aquilo era um emprego, que era a œnica coisa que eles sabiam fazer na vida. Punk's dead in the US. Hoje a moda novaiorquina e' vestir-se de punk. Nao como os Ramones, porque eles eram realmente esquisit›es e nunca aderiram exatamente ao visual punk. Mas um cabelo verde e uma camiseta dos Ramones pra andar de skate na Bedford Avenue looks cool.
6. O segundo documentario chamava-se "Gentrification". Foi feito por um grupo de jovens que participaram das oficinas de v’deo do Global Action Project. Jovens do tipo dos que moram no meu bairro. Eles mostravam o processo de gentrificacao de bairros de Nova Iorque: por uma serie de razoes pessoas ricas passam a morar em bairros onde antes viviam pessoas pobres. Os alugueis sobem e as pessoas pobres se mudam "um pouco mais para la". O antigo comercio fecha, abrem restaurantes e bares da moda. Bairro pobre vira bairro rico, bem cuidado, cheio de pessoas brancas, jovens, bem tratadas, com roupas estilo rock n'roll, calcas apertadas, all-stars, cabelos cool, sorridentes. Um dos exemplos dados no filme era o de Williamsburg, regiao do Brooklyn proxima a Manhattan. Ali, onde ficam as estacoes Bedford e Lorimer da linha L. O exemplo de bairro nao gentrificado, mas que talvez fosse o proximo da lista... e' Bushwick, minha casa, onde eu, na condicao de sub-Bedford-Lorimer de terceiro mundo, tenho condicao de pagar um aluguel em Nova Iorque. Um bairro que eu detesto, por nao ter area verde, pela falta de zelo das pessoas, pelo barulho infernal mas, acima de tudo, porque tambem nao me reconheco nas pessoas de la. Obviamente nao por nao gostarem de punk rock, mas porque se os sinto terceiro-mundistas como eu, incomoda-me que se orgulhem da bandeira e do sonho americano, esse mesmo sonho vazio dos punks de boutique.
7. Semana passada fui, sozinho, ao meu unico show de rock em Nova Iorque. Sonic Youth e The Yeah Yeah Yeahs. O show era no final da tarde em uma antiga e gigantesca piscina desativada, num parque em... Williamsburg. O publico era 100% Bedford-Lorimers. O Sonic Youth e' uma de minhas bandas favoritas, os caras estao ha mais de 20 anos fazendo suas dissonancias pos-punk sem aderir a modismos, sem pose, sem glamour de popstar. Brancos, ja nao tao jovens, bem tratados, novaiorquinos. Apresentaram seu disco novo, estavam tocando em casa. Um show maravilhoso, ao por-do-sol, dentro daquela piscina em ruinas. Me senti bem de estar em Nova Iorque. Escureceu e os tais Yeah Yeah Yeahs fecharam a noite. Guitarrista poser com camisa brilhante e cabelo cool, DJ com roupa de Formula 1, baterista intelectual e vocalista gostosa com plumas e paetes, voz meio gotica alternada com berros. Gostei dos primeiros dois minutos, depois detestei. Era so' pose, pseudo-atitude. Punk de boutique, um saco.
Gosto das disson‰ncias do rock anglo-sax‹o, mas me enfada o punk de boutique. No meu bairro, gosto da pracinha onde os (her)manos jogam basquete e futebol e eu treino capoeira, gosto da loja de artigos religiosos afro-colombianos na esquina de casa, mas odeio os carroes dos imigrantes neo-ricos cantando pneus e tocando reggaeton no maximo volume. Pouco conheco do universo dos bairros negros no Brooklyn, Bronx, Harlem e Queens, que tive um minimo acesso. Pouco conheco da miscelanea de neo-imigrantes em Astoria. E do spanish Harlem. Tantos guetos...
8. Nao quero uma conclusao. No fundo minha condicao de outsider, nem Bushwick, nem Williamsburg, talvez me desse meios de me comunicar com ambos os universos. Mas nao fiz, nao deu tempo. Falta pouco para eu ir embora, sinto que esses meses foram pouco para poder conhecer as pessoas certas nos diferentes universos novaiorquinos, t‹o radicalmente separados. Na minha solitude novaiorquina, aprendi o que ja sabia, que tambem ha Bushwicks e Williamsburgs na minha vida no Brasil. Punk's dead, mas como diria o old-neo-punk de chinelas Fred 04, "o que era velho no norte se torna novo no sul". It's too early, but it's time to go back home.
13.8.06
o comeco do fim






Hidalgo e Leila ja arrumando as tralhas pra partir. Vao dia 20/8, daqui a uma semana. Decidiram pegar a grana que juntaram nas ultimos meses de trabalho escravo e serem felizes pela Europa e Africa, ate novembro. Passo mais dez dias by myself in New York, abandonado por minha familia local. E comecaram as despedidas... as fotos sao de um jantar ontem, na casa da Amalia.
9.8.06
OBEY


Logo que cheguei comprei um poster que tinha uma cara do Bush em preto e branco apontando com aquele seu dedo de Tio Sam. Embaixo, uma faixa vermelha com os dizeres: DISOBEY. Pendurei no meu quarto, era uma forma de dizer pra mim mesmo, infantilmente: “Tudo bem, estou aqui, mas nao concordo”. Depois que eu passei dessa fase, aquele poster comecou a me incomodar. Nao queria ter o Bush no meu quarto. Mas foi ficando, ficando e ainda esta la ate hoje. Pus outros posters mais legais no quarto e o Bush ficou mais discreto.
Pois bem, depois comecei a ver pelas ruas de Nova York a cara de um japa, no mesmo padrao do poster, escrito OBEY. Bom, o poster era uma parodia, mas de que? O que significava aquele cara? Um recado da mafia chinesa? Descobri que o simpatico japa nao era um japa, era “Andre, o Gigante”, lutador de tele-catch. E que aquela imagem era famosissima (amigos designers e arquitetos, desculpem minha ignorancia). A imagem de “Andre, o gigante” foi criacao de um cara chamado Shepard Fairey e fez parte de um movimento de anarco-anti-propaganda, se nao me engano, em 1989. A ideia era pregar aquilo por toda a cidade para causar reacoes estranhas nas pessoas, e afrontar o imapcto visual, as vezes nao notado conscientemente, que a poluicao visual de propagandas traz as pessoas dos centros urbanos no dia-a-dia. Or something like that...
Me lembrei dos tempos que o Marco, meu primo, andou espalhando uns xerox de cartazes com uma foto de Silvio Santos quebrando um ovo na cabeca de uma mulher. Ele com certeza conhe o tal Andre.
Ai’ vai um trecho do manifesto de Andre, o Gigante, disponivel na pagina http://www.obeygiant.com . Vale a pena entrar la’.
Pois bem, depois comecei a ver pelas ruas de Nova York a cara de um japa, no mesmo padrao do poster, escrito OBEY. Bom, o poster era uma parodia, mas de que? O que significava aquele cara? Um recado da mafia chinesa? Descobri que o simpatico japa nao era um japa, era “Andre, o Gigante”, lutador de tele-catch. E que aquela imagem era famosissima (amigos designers e arquitetos, desculpem minha ignorancia). A imagem de “Andre, o gigante” foi criacao de um cara chamado Shepard Fairey e fez parte de um movimento de anarco-anti-propaganda, se nao me engano, em 1989. A ideia era pregar aquilo por toda a cidade para causar reacoes estranhas nas pessoas, e afrontar o imapcto visual, as vezes nao notado conscientemente, que a poluicao visual de propagandas traz as pessoas dos centros urbanos no dia-a-dia. Or something like that...
Me lembrei dos tempos que o Marco, meu primo, andou espalhando uns xerox de cartazes com uma foto de Silvio Santos quebrando um ovo na cabeca de uma mulher. Ele com certeza conhe o tal Andre.
Ai’ vai um trecho do manifesto de Andre, o Gigante, disponivel na pagina http://www.obeygiant.com . Vale a pena entrar la’.
“The OBEY sticker attempts to stimulate curiosity and bring people to question both the sticker and their relationship with their surroundings. Because people are not used to seeing advertisements or propaganda for which the product or motive is not obvious, frequent and novel encounters with the sticker provoke thought and possible frustration, nevertheless revitalizing the viewer's perception and attention to detail. The sticker has no meaning but exists only to cause people to react, to contemplate and search for meaning in the sticker. Because OBEY has no actual meaning, the various reactions and interpretations of those who view it reflect their personality and the nature of their sensibilities.
Many people who are familiar with the sticker find the image itself amusing, recognizing it as nonsensical, and are able to derive straightforward visual pleasure without burdening themselves with an explanation. The PARANOID OR CONSERVATIVE VIEWER however may be confused by the sticker's persistent presence and condemn it as an underground cult with subversive intentions. Many stickers have been peeled down by people who were annoyed by them, considering them an eye sore and an act of petty vandalism, which is ironic considering the number of commercial graphic images everyone in American society is assaulted with daily.”
4.8.06
Rockdocs

Trabalho durante o dia, no fim da tarde nao da pra resistir em fazer uns programas culturais baratinhos. "Noise": duas horas de barulho num festival de "rock art" na Franca. Pura urbanidade causticante. Ja' que tamo no inferno...
To com vontade de assistir o documentario do Scorsese sobre o Bob Dylan e um outro sobre os Pixies (loudQUIETloud), no mesmo festival
http://www.filmlinc.com/wrt/onsale/rockdocs06/program.html
programa de domingo


Fui assistir um debate com os caras do hip-hop africano. Um cara de Uganda, outro de Serra Leoa. Firmeza, deu pra aprender umas coisas sobre a Africa. E de quebra no lugar tinha exposicao sobre futebol africano.(http://www.celebratebrooklyn.org/rotunda/pr/FY06/pr2006_africangame.asp)
Sabado os caras tocam no Prospect Park, num festival africano. Domingo tem essa baladinha ai'. Acho que vai ser boa.
Da pra baixar umas musicas dessa galera em nomadicwax.com
3.8.06
Eu vi a moca

Battery Park, extremo sul de Manhattan. Apos passar o dia mais quente do verao trancado no forno do meu apartamento no Brooklyn, resolvi dar uma saida, respirar um pouco da brisa do mar. Ali se encontram os dois rios que circundam Manhattan. Minha amiga Amalia disse que aquele sempre foi um local importante pros indigenas que ali viviam antes de tudo isso. Onde se cruzam os caminhos, lugar de encontro de povos, trocas de mercadorias, intercambio.
Depois que enxotaram os indios dali, algumas centenas de anos atras, era onde ficavam os canhoes que protegiam Nova York de ataques por mar. Hoje e' um ponto verde rodeado do distrito financeiro, com todos os seus predios espelhados, yuppies e Wall Streets. O centro da grana no mundo. O parque e' um lugar estranho, tem um monumento para cada guerra que os EUA participaram. Do outro lado da rua, o Museu do Indio Americano, onde Amalia trabalha. Ela disse que no dia em que bombardearam o World Trade Center, a fumaca ali era insuportavel.
Parei na beira do rio. O sol se punha, refletindo-se na agua com dezenas de barcos a vela. O Ferry Boat lotado ia em direcao a Staten Island. Ao fundo, no meio da agua, discreta, meio de lado, eu vi a moca. Com aquela mesma cara de gringa, em pe, impassivel, segurando sua tocha com a mesma coroa de sempre. Nao me surpreendi, nao me emocionei. Nem mesmo tirei uma foto. Demorou quatro meses, mas um dia ela ia ter que aparecer na minha frente. Vi a estatua, mas a liberdade eu nao vi.










