tag:blogger.com,1999:blog-25887468670127739982026-07-10T19:45:25.266-03:00Ao RelentoEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.comBlogger63125tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-37788338069841862112016-03-14T22:19:00.000-03:002016-04-04T20:50:50.244-03:00Prosa<div dir="ltr"> </div> <div style="text-align: center;"> <br /></div> <div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"> <a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsPQFbQmTlmYlYWYGXqHikcvJ8dEdDaK4XqEGTdUGwURmSEEYvHrMOdwbr2YnMG7qzXZBO7XWofQvC9rbjqOJ7xr9cttuVB5s0_mvvyoer6XvGMxXYp7owuupen7re6SA5-8hqQL8KckI/s1600/12834878_10156769573565725_25762716_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsPQFbQmTlmYlYWYGXqHikcvJ8dEdDaK4XqEGTdUGwURmSEEYvHrMOdwbr2YnMG7qzXZBO7XWofQvC9rbjqOJ7xr9cttuVB5s0_mvvyoer6XvGMxXYp7owuupen7re6SA5-8hqQL8KckI/s200/12834878_10156769573565725_25762716_n.jpg" width="159" /></a></div> <div style="text-align: center;"> Não sei fazer poesia&nbsp;</div> <div style="text-align: center;"> só escrevo em linhas brancas</div> <div style="text-align: center;"> tortas</div> <div style="text-align: center;"> só tenho palavras Antunes</div> <div style="text-align: center;"> que caem sempre</div> <div style="text-align: center;"> em território perigoso</div> <div style="text-align: center;"> todas under pressure&nbsp;</div> <div style="text-align: center;"> sob confusão,&nbsp;</div> <div style="text-align: center;"> tudo verso concreto</div> <div style="text-align: center;"> que tenta tradução.</div> <br /> <div dir="ltr"> </div> <div style="text-align: center;"> E você,&nbsp; que não pode me ler,&nbsp;</div> <div style="text-align: center;"> not a stone age man,</div> <div style="text-align: center;"> amarrado a uma lógica,&nbsp;</div> <div style="text-align: center;"> não pode me traduzir</div> <div style="text-align: center;"> não pode explicar o que quero saber.&nbsp;</div> <br /> <div dir="ltr"> </div> <div style="text-align: center;"> Não sei fazer verso even flow</div> <div style="text-align: center;"> butterflies aterrizam &nbsp;</div> <div style="text-align: center;"> são afugentadas</div> <div style="text-align: center;"> não deixo que dancem em mim.</div> <br /> <div dir="ltr"> </div> <div style="text-align: center;"> Não entendo de métrica&nbsp;</div> <div style="text-align: center;"> escrevo qualquer coisa</div> <div style="text-align: center;"> desenho você,</div> <div style="text-align: center;"> teus caminhos labirintos</div> <div style="text-align: center;"> escrevo apenas minha lista de desejos</div> <div style="text-align: center;"> and I wish I wish I wish...</div> <div style="text-align: center;"> to be the radio song</div> <div style="text-align: center;"> the one that you turned up.</div> <br /> <div dir="ltr"> </div> <div style="text-align: center;"> Não há mais tempo pra poesia&nbsp;</div> <div style="text-align: center;"> this is our last dance</div> <div style="text-align: center;"> seu blues makes me blue.</div> <br /> <div dir="ltr"> </div> <div style="text-align: center;"> Sinto</div> <div style="text-align: center;"> e sentir é tão desesperador&nbsp;</div> <div style="text-align: center;"> como esse&nbsp; último cigarro</div> <div style="text-align: center;"> como esse último gole de vinho</div> <div style="text-align: center;"> como essa noite que não acaba</div> <div style="text-align: center;"> como esse silêncio</div> <div style="text-align: center;"> como um verso mudo</div> <div style="text-align: center;"> como Tom Waits cantando &nbsp;</div> <div style="text-align: center;"> I hope that &nbsp;I don't fall in love with you.</div> <u> </u>Evelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-51330995887054983472011-06-28T17:18:00.001-03:002011-06-28T20:49:09.189-03:00Helena, ascendência em câncer<p></p><br /> <div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0-CpR4l3BeJ2aGCrYNU54Y18BKFQLa927meA6n3j9Zr6ylgHu7rdlj9Yr63-uiIaMCP7IUedfAl2GHoUCaJyvfhLjW9edMu6VubAZoxpOol7DGhusYOEWy1J-bkt8NGQjp-mH0XPTNAs/s1600/trianon4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="220" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0-CpR4l3BeJ2aGCrYNU54Y18BKFQLa927meA6n3j9Zr6ylgHu7rdlj9Yr63-uiIaMCP7IUedfAl2GHoUCaJyvfhLjW9edMu6VubAZoxpOol7DGhusYOEWy1J-bkt8NGQjp-mH0XPTNAs/s320/trianon4.jpg" width="320" /></a></div><br /> <center>(Parque Trianon, SP. - Adaptação de uma foto de <a href="http://www.cvtudo.com.br/2009/ago/0608trianon/pag02.htm">Emmanuel C.A. Mourad</a>)</center><br /> <br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Seca. Assim parecia ser Helena. Não se sabia ao certo. Acordava todo dia às 6hrs da manhã e seguia seus rituais. Ligava o som da sala. Sempre a mesma música. Sempre a mesma ópera. Ouvindo <i>Turandot</i>, Helena engolia uma fatia de pão integral com aquele queijo sem gosto e um copo de suco de laranja. Café não tomava. Dizia que fazia mal à saúde.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Helena era meio neurótica. Precisava de uma ordem para que a vida seguisse. Livros arrumados. Filmes distribuídos em ordem alfabética. Talheres brilhantes, guardados de acordo com o tamanho. Era virginiana. Gostava de bolo de fubá.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Tinha 38 anos. Solteira, sem filho. Era silenciosa. Não gostava muito de ficar perto das pessoas. Não tinha paciência suficiente. Amigos? O único havia ido morar em Barcelona. Casara no verão de 2009 com uma gringa. Helena morava sozinha. Tinha um gato.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Helena era arquiteta. Tinha seu escritório há 15 anos no centro de São Paulo, perto da Praça da República. Chegava lá todos os dias às 9hrs e saía às 16hrs. Gostava de usar o metrô. Conhecia a linha 3 como ninguém. Gostava de dar informações sobre os caminhos, sobre as linhas coloridas que cruzavam a cidade de São Paulo. Gostava de observar as pessoas. Sempre ouvia Johnny Cash no seu IPod.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Ninguém nunca ouviu falar muito de Helena. Ela não falava de si. Era trancada em seu mundo. Gostava de ficar em casa no fim de semana. Ninguém sabia, mas ela adorava uísque e conhaque; eram seus companheiros. Helena tinha dia até para sair da ordem. Era assim todo sábado. Cozinhava, bebia, cantava as músicas do Jonny Cash. Sabia todas de cor. ♫ I don't intend to do nothin' for nobody, no time… ♫ Depois, caia no sono e acordava no domingo quase às 3hrs da tarde. Ficava na cama até o começo da noite. Não gostava de domingos. Tirava o telefone do gancho.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>A verdade é que Helena estava entediada naquela primavera de 2010. Vivia entre uma linha tênue de ordem e de caos. Era virginiana, mas seu ascendente em câncer começou a se manifestar naquele mês de outubro. A desordem e a vontade de largar-se por aí gritavam. A Lua havia entrado em aquário.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Quinta-feira à noite, quando Helena ia pra sua aula yoga, algo a fez sair da rotina. Decidiu não ir à aula, foi ao cinema. Nem gostava muito de filmes. Ficava entediada quase sempre. Foi num cinema na Rua da Consolação. Era uma semana dedicada aos filmes suecos. Tomou café. <br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Cinema já escuro. Sentou em uma das duas mesinhas do bar que havia no cinema. Percebeu logo que havia alguém na mesa ao lado. Não dava pra ver direito. O filme começou. Helena prestava atenção nos diálogos. Tentava não se entediar. Às vezes olhava de lado. Era curiosa.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>O filme terminou e Helena seguiu meio inquieta para a Rua Haddock Lobo. Sentou no primeiro bar que viu. Não percebeu que o cara que estava ao seu lado no cinema havia a seguido. Desprovido de timidez, logo sentou na mesa que ela estava. Surpresa, tímida e afoita do lado de dentro, Helena tentou quebrar o gelo com um sorriso e com um “- sim, pode sentar”. Nada daquilo parecia real. Nada estava na ordem. Culpa da Lua.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>A noite seguiu. Helena e o homem do cinema atravessaram a noite conversando. Tão quanto ela, ele só queria companhia pra um copo de uísque, palavras. Nada mais, nada menos. Helena contou histórias do tempo que fazia faculdade, e por mais desinteressantes que fossem, o homem do cinema não queria parar de ouvir.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Não ficaram bêbados, mas altos o suficiente para falarem um pouco um do outro. Às vezes sorriam, às vezes ficavam calados, às vezes Helena pedia ao garçom pra colocar Jonny Cash, às vezes ela lembrava do seu gato. Ele era mais calado. Talvez libriano, talvez de capricórnio, ou pra completar a confusão, poderia ser regido pela Lua. <br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>A verdade é que nada disso importava. Eles estavam ali pelas palavras, pelo uísque. Ela soube pouco dele. Eram quatro da manhã. Noite findou, o uísque acabou, palavras secaram. Helena tinha que ir. Tinha que acordar às 6hrs, pegar a linha vermelha, ouvir Jonny Cash, alimentar o gato.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Mantiveram contato, afinal o santo de um havia batido com o do outro. Conversavam fim de noite pela internet, pouco usavam o telefone. Às vezes passavam semanas sem se falar. Ele era estranho, sumia. Já ela, tinha a Lua em escorpião. Ficaram alguns meses sem se ver, mas um dia resolveram se encontrar. Já era verão. A Lua estava convexa, minguante, disseminada em virgem.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Tinha que ser rápido. Helena não gostava de ficar na rua até tarde depois do trabalho. Ele tinha que voltar pra casa. Tinha esposa, tinha dois filhos. Marcaram no Parque Trianon. Melhor lugar para se fugir do calor do mês de janeiro. <br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Helena sempre ficava nervosa quando pensava na possibilidade de vê-lo. “Tremia como a antena de um inseto irritadiço” por dentro, mas era a mesma pessoa de aparência seca por fora. Talvez ele nem notasse, mas se sim, do que isso adiantaria? <br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Encontraram-se às 16:30hrs no parque e mais uma vez conversaram. As conversas banais de sempre. Riam, sentiam prazer em estarem juntos. Às vezes o silêncio vinha. Ficavam sem graça. Helena queria dizer coisas que sentia. Ter lua em escorpião e ascendência em câncer complicava a vida dela. Ter o sol em virgem parecia não adiantar quando estava ao lado dele. E qual era o sol dele? Ela nunca soube. O que importava é que ele tinha um muro ao redor de si. Era isso que Helena sabia.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Mais uma tarde passou, a noite chegou, mais um encontro, mais silêncios. Não se sabe de fato o que aconteceu naquele fim de tarde além das conversas. Helena nunca contou a ninguém. Talvez tivessem deitado no colo um do outro, talvez tivessem se beijado, talvez tivessem apenas conversado as bobagens que adoravam conversar. O que se sabe é que chegaram em casa na hora de sempre. <br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>O fato é que é que nada disso importa. O que importa é que depois desse dia não se encontraram mais. Falam-se esporadicamente. Parecem acompanhar naturalmente as fases da Lua.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>A vida de Helena segue. Acorda às 6hrs da manhã, pega a linha 3, ouve Jonny Cash, faz aula de Yoga as quintas-feiras, alimenta seu gato. O problema é que Helena tem ascendência em câncer. <br /> <br /> <br /> E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com12tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-12696385102040365402010-12-23T21:12:00.011-03:002010-12-24T12:25:42.295-03:00Carta à Maya<table border="3" bordercolor="#000000" cellpadding="10" cellspacing="3"><tbody> <tr> <td><span style="font-style: italic;">São Paulo, entre novembro e dezembro de um ano qualquer.<br /> <br /> <center> Ao som daquela nossa música do Chico...<br /> <br /> Minha [só por hoje] Maya,<br /> <br /> "Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse<br /> telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo<br /> conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo...” (Caio F.)</center><br /> <br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>É verão e já não agüento mais ficar trancafiado neste apartamento. O calor de São Paulo nesta época é insuportável. Você sabe, fico enjoado demais no verão. Esse calor mexe com meus nervos! Pensei em sair, pegar um vento, ir atrás da Augusta ou da Madalena, mas nem elas me satisfariam nesta tarde. Adiei, adiei, mas te escrever tem sido uma urgência. A saudade é grande! Onde você está, Maya?? A vontade de te encontrar desespera. Já que isso não vai acontecer, escrevo. Ahhhh, Maya, esperei te encontrar, esperei te encontrar! Tentei até escrever para outras pessoas, mas não deu. Trocar o destinatário seria fácil, já o que sinto, não. Cartas podem ser amorosas, desesperadas, inconseqüentes, safadas ou tristes, mas devem ser primordialmente sinceras. Vejo carta como algo sagrado. Chego até ter ciúmes das palavras que escrevo. Sim, ainda sou daqueles que escrevem cartas. Hoje em dia, tudo é muito virtual, até o sexo, e pior, o amor. As pessoas transam com blogs, fotologs, mostram o casamento no orkut, se alimentam de <leo_highlight id="leoHighlights_Underline_0" leohighlights_keywords="facebook" leohighlights_underline="true" leohighlights_url_bottom="http%3A//shortcuts.thebrowserhighlighter.com/leonardo/plugin/highlights/3_1/tbh_highlightsBottom.jsp?keywords%3Dfacebook%26domain%3Dwww.blogger.com" leohighlights_url_top="http%3A//shortcuts.thebrowserhighlighter.com/leonardo/plugin/highlights/3_1/tbh_highlightsTop.jsp?keywords%3Dfacebook%26domain%3Dwww.blogger.com" onclick="leoHighlightsHandleClick('leoHighlights_Underline_0')" onmouseout="leoHighlightsHandleMouseOut('leoHighlights_Underline_0')" onmouseover="leoHighlightsHandleMouseOver('leoHighlights_Underline_0')" style="-moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-size: auto auto; background-attachment: scroll; background-color: transparent; background-image: none; background-position: 0% 50%; background-repeat: repeat; border-bottom: 2px solid rgb(255, 255, 150); cursor: pointer; display: inline;">facebook</leo_highlight> e dão uma rapidinha pelo <leo_highlight id="leoHighlights_Underline_1" leohighlights_keywords="twitter" leohighlights_underline="true" leohighlights_url_bottom="http%3A//shortcuts.thebrowserhighlighter.com/leonardo/plugin/highlights/3_1/tbh_highlightsBottom.jsp?keywords%3Dtwitter%26domain%3Dwww.blogger.com" leohighlights_url_top="http%3A//shortcuts.thebrowserhighlighter.com/leonardo/plugin/highlights/3_1/tbh_highlightsTop.jsp?keywords%3Dtwitter%26domain%3Dwww.blogger.com" onclick="leoHighlightsHandleClick('leoHighlights_Underline_1')" onmouseout="leoHighlightsHandleMouseOut('leoHighlights_Underline_1')" onmouseover="leoHighlightsHandleMouseOver('leoHighlights_Underline_1')" style="-moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-size: auto auto; background-attachment: scroll; background-color: transparent; background-image: none; background-position: 0% 50%; background-repeat: repeat; border-bottom: 2px solid rgb(255, 255, 150); cursor: pointer; display: inline;">twitter</leo_highlight>. Nossa, ainda não me acostumei com aquele bagulhinho de 140 caracteres. Eu escrevo demais. Maya, ainda está aí? Espera, a carta não é muito longa! Não esta, prometo!<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Calma, Maya, só por hoje tenha paciência de me ler. Vou começar a dizer algo que preste agora. Preste atenção, mas não ligue para a bagunça das idéias! Sou um homem totalmente desorganizado, até com as palavras. Entenda... desde ontem que faço tudo que tenho que fazer com os retalhos desta carta dentro de mim. Sufocava!! Essa é a verdade. Precisava mesmo escrever! Dói, sabe? Sei que não vai receber esta carta, como nunca recebeu nenhuma nestes quase últimos três meses. Eu nunca mandei, mas eu prometo que esta é a última. É a última, Maya, é a última, é a última mesmo. Perdoe-me se repito isso, mas eu preciso dizer, mesmo que só aqui, mesmo que só agora. Amanhã, eu guardo a carta, vou no cinema, trabalho feito um louco, vou num boteco e esqueço tudo. Eu já decidi.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Eu sei que nada disso que escrevo pode fazer sentido, mas eu preciso inventar alguma coisa nesta tarde... até exagerar!!! Quando se escreve, tudo pode!! Os vizinhos já não me deixam em paz, o telefone não para de tocar, a criança do lado grita, não consigo fazer o balanço da empresa. Não me concentro!!! Pior, acabou a vodka. O caos foi posto!! Espere, vou colocar Chico. Pronto. Chico. Chico, sem vodka? Não importa, vai sem vodka mesmo. Vou me enganar com aquele refrigerante de limão já sem gás que está na geladeira. Sim! Ainda sobre Chico... é ele que me faz lembrar melhor da sua existência. Você pode me perguntar que música dele me lembra mais você. Nunca diria, não aqui, não nesse pedaço de papel. Boto Chico e quase sinto você perto de mim. Foi assim durante dias. É assim agora. Amanhã, procuro na rede qualquer discografia dessas bandinhas novas, boto para tocar o dia todo, faço o balanço da empresa e tudo volta ser como era. É que hoje eu quero assim. Só hoje. Hoje é Maya.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Não me chame de louco. Posso até ser, mas sei que ninguém te inventou como eu. Nunca duvide disso. Já te vi? Não tenho certeza. Vi? Se vi, lembro da primeira vez. Lembro, lembro, lembro!!!! Ou lembro mais da segunda? Não sei. Eu sou homem e homem não organiza lembranças. Melhor assim, nesse emaranhado todo. Até gosto mais. Acho que me lembro do seu rosto. Dos detalhes dele? Não, nunca os senti. Sim, lembro bem dos olhos e o do sorriso. Estes filhos da mãe ainda estão impregnados na minha mente. Eles me fizeram inventar você. Amanhã eu os esqueço de vez. Já anotei na agenda.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Maya, eu tenho dores no estômago. Eu sei, já já passa. Amanhã.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Olha, a única coisa que te peço é que me deixe falar tudo. Sim, já disse, esta é a última carta. As outras estão aqui. Pensei em rasgar todas ontem à noite, mas não tive coragem. Lá estão as coisas que a gente não viveu. Lá tem aquela viagem pra perto que a gente não fez. Preciso proteger minhas fantasias, Maya, mesmo que em rascunhos. Não, não me tire esse direito! Só amanhã. Sobre as cartas, não se preocupe, não as jogarei fora. Talvez um dia você ache todas por aqui. Talvez um dia eu as leia para você. Não, isso não vai acontecer. Isso, confesso, nunca inventei. Maya, fica aí só mais um pouquinho e talvez eu te diga tudo.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Eu sei, eu sei que esta carta está tão mal escrita como tudo por dentro de mim esta tarde. Ainda bem que é a última. Eu já não aguentava mais. Você não as lia e eu não suportava mais teu silêncio.<br /> Eu queria te dizer tanta coisa, mas eu não sei como. Tudo que tenho é um estômago que dói, Chico, e a minha vontade de você. Acho que vou sair pra comprar vodka. Nem sei se já é noite.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Preciso acabar esta carta, mas preciso, antes de ir, e só hoje, falar dessa minha vontade de te ter... dessa minha vontade idiota de ficar, ao menos uma vez, mudo perto da tua orelha. Ah, como penso nisso, como penso na minha mão apertando tua cintura. Essa é a visão que mais invento. Cada noite invento um aperto diferente. Ah, Maya, Como vivo inventando o gosto da tua boca, de cada parte tua. Perdoe-me, é que tem uma música de Chico aqui que me deixa assim, dizendo essas coisas que não tem limite.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Você não sabe, à noite é a hora que mais te invento. Consigo ver teu corpo perto do meu. Fecho os olhos, sinto o cheiro dos suores se confundindo, vejo os movimentos em random das nossas pernas. Elas se entrelaçam, parecem dançar. A verdade é que penso nas coisas mais bonitas e nas mais sórdidas quando penso em você. Queria te levar lá no Horto Florestal. Já foi? Quando surto com a Paulista corro pra lá! Deitaria naquela grama macia com você fim de tarde. Faríamos silêncio. Depois de te levaria pra jantar. Não vou mentir, não sou romantiquinho o suficiente para só querer te levar pra jantar. Eu quero você antes e depois...quero pronta para o café da manhã. Meu Deus, isso soou meio Roberto Carlos, não foi? Releve.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Perdoe-me, Maya, não quero ser grosseiro, mas meu corpo também quer escrever sobre o seu. Só hoje, agora, amanhã não. Não vou repetir nesta, as coisas que escrevi nas outras cartas. É que eu inventava melhor teu corpo há dias atrás. Dava para sentir você me tocando. Ah, Tenho estado cansado de um corpo que não tive. Demoro a dormir, acordo cedo e vou trabalhar. Chego no trabalho, tomo aquele café HOR-RO-RO-SO, sorrio, leio o horóscopo [qual é a sua lua, Maya???] e até dou aquelas cantadas idiotas nas minhas colegas de trabalho. Fica tudo tão bem.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Essa carta está ficando cada vez pior. Preciso terminá-la urgentemente. Acho que disse tudo. É que não sei escrever direito. Perdoe-me, sou brega, até com as palavras. As outras coisas que escrevi estão nas outras cartas, já disse, não foi? Sabe que te escrevi um poema dia desses? Não ria! Fiquei envergonhado. Li só uma vez e depois guardei dentro do livro que mais gosto. De lá ele não sai. Sei. Nunca te entregarei. Ninguém pode ver, Maya, ninguém. É teu.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Vou sair agora, deu vontade de ir na Augusta. Dá tempo. Você sabe, tudo ainda dá tempo por aqui.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Diria mais, mas já é quase amanhã. E sobre amanhã, você já sabe.<br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Um beijo, o último, grande, tolo, inconseqüente,<br /> <br /> <br /> <br /> <br /> <br /> <br /> <br /> <span style="color: #cccccc;">...............</span>Ahhhh, Maya, teu corpo é caminho para onde nenhuma estrada me leva.<br /> </span><br /> <br /> <br /> <br /> <br /> <br /> <br /> <input id="gwProxy" type="hidden" /><input id="jsProxy" onclick="jsCall();" type="hidden" /><br /> <div id="refHTML"></div><span id="leoHighlights_iframe_modal_span_container"><div id="leoHighlights_iframe_modal_div_container" onmouseout="leoHighlightsHandleIFrameMouseOut();" onmouseover="leoHighlightsHandleIFrameMouseOver();" style="display: none; height: 391px; position: absolute; visibility: hidden; width: 520px; z-index: 2147483647;"><iframe allowtransparency="true" frameborder="0" height="294" hspace="0" id="leoHighlights_top_iframe" marginheight="0" marginwidth="0" name="leoHighlights_top_iframe" scrolling="no" 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</script> </span><input id="gwProxy" type="hidden" /><input id="jsProxy" onclick="jsCall();" type="hidden" /><br /> <div id="refHTML"></div><input id="gwProxy" type="hidden" /><input id="jsProxy" onclick="jsCall();" type="hidden" /><br /> <div id="refHTML"></div></td></tr> </tbody></table><span style="font-weight: bold;"><br /> E. Alvarez</span><br /> <input id="gwProxy" type="hidden" /><input id="jsProxy" onclick="jsCall();" type="hidden" /><br /> <div id="refHTML"></div>Evelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-7406543941594595672010-11-15T08:24:00.010-03:002010-11-15T11:48:52.993-03:00Entre os sambas, uma saudade*Eu estava longe<br />e não sei<br />se foi Chico<br />ou Cartola<br />que me fez<br />sambar teu nome.<br /><br />E. Alvarez<br /><br /> *Escrito a sete mil pés sobrevoando Salvador. Voo 3454Evelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com6tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-86466128751790218902010-11-02T12:08:00.007-03:002010-11-02T22:25:05.329-03:00Minha PoesiaÉ a primeira letra que canta<br />É a palavra coxa que quer dançar <br />É o verso contido <br />É o reverso que nasce<br />É o primeiro verso que ressoa <br />É o segundo que emudece<br />É a rima tímida<br />É o terceto que geme<br />É o quarteto inconsequente<br />É a estrofe excitada<br />É o silêncio que quer se desfazer em gozo<br />É coito interrompido<br />É o sexo que seca<br />É a saudade lírica que fica<br />É o emaranhado de versos<br />É nó singular que quer ser plural.<br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com11tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-4325803090004182552010-08-28T14:18:00.000-03:002010-08-28T14:19:16.554-03:00Branca AgoniaA folha em branco é a agonia da não escrita. <br />É amarração da linha que não quer se desdobrar em verso.<br />É reverso que não acontece.<br />É ausência da alegria do verso colorido.<br />É massacre que faz do tempo inimigo. <br />É grito mudo, vontade tímida.<br />É corpo vestido que quer se rasgar na nudez. <br />É a busca da rima fracassada.<br />É o sufoco humano que quer transbordar.<br />É medo do encontro com o que está atrás do espelho.<br />É o não sentir em paradoxos.<br />É o não encontro das antíteses. <br />É a agonia branca que não se desfaz. <br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com8tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-5108652242502282032010-08-14T15:49:00.006-03:002010-08-14T16:41:14.340-03:00Sonhos em [re] Versos Azuis<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhpH3xZO763Y5UcUCHvwnkTsfx6rSNA-j1UETvRb-QBgVLDCNCcd3g3d1dwjHvjyXznO-79lTT2OfFTRwor-IDs1LDw1Mlo5nveRUF7AK-N_fkQctYtgv3XNGfxsz1qrUJmKTRJYS0FgWo/s1600/Casal2.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 131px;" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhpH3xZO763Y5UcUCHvwnkTsfx6rSNA-j1UETvRb-QBgVLDCNCcd3g3d1dwjHvjyXznO-79lTT2OfFTRwor-IDs1LDw1Mlo5nveRUF7AK-N_fkQctYtgv3XNGfxsz1qrUJmKTRJYS0FgWo/s200/Casal2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505348624761676306" /></a><br /><blockquote>“<span style="font-style:italic;">Cá entre nós: fui eu quem sonhou que você sonhou comigo? Ou teria sido o contrário? Sonhei que você sonhava comigo. Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você. Não sei o que seria mais provável. Você sabe, nessa história de sonhos — falo o óbvio —, nunca há muita lógica nem coerência. Além disso, ainda que um de nós dois ou os dois tivéssemos realmente sonhado que um sonhava com o outro, também é pouco provável que falássemos sobre isso. Ou não?</span>” (Caio Fernando Abreu em “Por trás da vidraça”)</blockquote> <br />Às vezes acordo com a sensação de que sonhei que o teu corpo estava perto do meu. Acordo e vejo que nem eu estou no lugar. Nada está no lugar! Os copos, os pratos, os livros, meus filmes e muito menos as horas que vivo! Corro para o dia começar. [Re] invento-me para me concentrar nas notícias diárias do jornal ou para escrever mais uma petição ou lembrar onde está o carimbo que uso nas procurações. Acabo mesmo é esquecendo de me procurar no meio de tanta burocracia. <br />A verdade é que não quero abrir a janela do quarto para que a lembrança do teu corpo não saia rapidamente. É verdade que só quero escrever sobre a sua [não] lembrança.<br />Tomo café e lembro dos filmes que não assistimos. Permeio minhas falsas lembranças com as cenas de <span style="font-style:italic;">Laranja Mecânica</span> que não vimos. Passaríamos horas falando dele, não?<br />É bom lembrar do que [não] aconteceu. Ou aconteceu e nem percebemos de fato? Foi sonho só meu regado a vinho? Excesso de cafeína? Excesso de <span style="font-style:italic;">Radiohead</span>? <br />É bom não saber das noites que não seguimos <span style="font-style:italic;">Baco</span> por medo de não sabermos acordar do nosso próprio sonho real. Era um <span style="font-style:italic;">blues</span> ou um <span style="font-style:italic;">jazz</span> que não ouvimos no fim de semana passado que não passou? <br />Não quero saber o quanto você parece comigo. Não quero saber do que já sei. Não quero me [des]concentrar dessas petições e procurações que tenho que fazer, pensando na gente e no cheiro que a gente [não] deixou um no outro. Já não sei o que aconteceu. Já [não] sei. Aconteceu? <br />Lembro que não te falei do meu ciúme silencioso quando você escuta a <span style="font-style:italic;">Cat Power</span>. E aqui só me resta ouvir <span style="font-style:italic;">Noel Rosa</span>. Lembro também dos nossos cafés, cigarros e reflexões matinais que não aconteceram naquela manhã de inverno chuvosa na cidade que nunca planejamos ir. [Não] lembro do livro de <span style="font-style:italic;">Kerouac</span> que desfolhamos juntos. E o que seria de nós se soubéssemos que somos, tão quanto ele, loucos pra viver, loucos para falar, loucos para sermos salvos e desejosos de tudo ao mesmo tempo? É um perigo saber de tanta coisa assim. Fiquemos sem saber [?] O melhor é ser livre.<br />É noite, tenho medo de dormir. Sonhar com acasos ou ter medo de transformá-los em descasos. <br />Temos medos que gritam e só o inconsciente pode ouvir. Viramos escravos dele e não conseguimos ver os versos através das poucas horas que estamos juntos. Preferimos estar em silêncio. Sem saber o que falar. Sem saber o que sentir. [Não] queremos perceber. Perceber o que timidamente já percebemos? Ah, baby… <span style="font-style:italic;">“We're just two lost souls. Swimming in a fish bowl, Year after year, Running over the same old ground. What have we found? The same old fears...</span>”.<br />Eu não sei o que está por trás da vidraça que nos amedronta. Não sei se sonhei com aquela estranha caixa de sentires que carregas. <br /> Não sei se sonhei com aqueles versos brancos pintados de azul. Não sei se sonhei em “ser livre daquilo que nos prende”. <br />Vou dormir agora e [não] quero sonhar com a suave dor que você [não] deixou nos meus lábios nesta noite.<br />Eu quero [não] acordar deste [re] verso. <br /><br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-23613539485886825422010-07-21T23:48:00.003-03:002010-07-22T00:25:44.078-03:00Dialogue- Mom, what's life? How can I define?<br /> - Hummm... when you grow up, honey, your're going to see that life ,indeed, is such a lovely mess. <br /> - But...is it going to hurt? <br /> - A lot.<br /> - So, why should I be alive? Why do we grow up?<br /> - Because life is also a lost piece of poetry, dear.<br /> - Mom!! Great! Can I look for it? For the poetry? <br /> - Yes, sweetheart , but now you're only six years old. Don't worry about that. Go to your toys.<br /> - Ok, Mom. But what's poetry? <br /> - Poetry , honey... is the only thing that save us from bad things when we grow up.<br /> - I think I got it, mom. Poetry is like a pill, right? <br /> - Yes, my little bee.<br /> - Can I go now? Can play in the garden and talk to my flowers there? <br /> - Sure! Have fun. <br /><br /><br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-54016295555101952222010-07-04T22:46:00.007-03:002010-08-28T17:34:30.676-03:00Desenho Cor de Vinho<center> <a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVGMA89hQi6F9eOt_EREs7b_yCT2Pl9PcOPn7HSZTomx3Q0sVJkdrmRBw8lV7JkiCK8fqA2wYxOy5MJY8ylNoFXCBP3xgxJ1eszbWwaLmNYGWqiojCJ-6pMl57opOH4ReXYUtyTwJMfL8/s1600/Body_language_by_jellymeljelly2.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 151px; height: 200px;" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVGMA89hQi6F9eOt_EREs7b_yCT2Pl9PcOPn7HSZTomx3Q0sVJkdrmRBw8lV7JkiCK8fqA2wYxOy5MJY8ylNoFXCBP3xgxJ1eszbWwaLmNYGWqiojCJ-6pMl57opOH4ReXYUtyTwJMfL8/s200/Body_language_by_jellymeljelly2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490233254003855298" /></a></center><br /><center>(<a href="http://browse.deviantart.com/?qh=&section=&q=Body+language+wine#/d1041d2">Foto: Body language by Jellymel</a>)</center><br /><br />Helena é uma colega minha de faculdade. Quase sempre a vejo nos corredores. Sempre sozinha. Sempre ouvindo música. Ela estuda comigo há alguns anos, mas nunca me aproximei dela de verdade. Fizemos uns trabalhos juntos, mas a verdade é que ela nunca deixa ninguém se aproximar. Eu sempre me pergunto que cor tem o mundo dela. Mal sorri, mal fala em sala de aula. Tudo que ela mostra é aquele arrebatador par de olhos castanhos. Olhos quase claros, olhos quase escuros. <br />Eu sou curioso e na verdade queria saber mais sobre ela. Um dia andando por esse mundo virtual achei seu blog. Tudo tão cinza por lá, tudo tão cor de dúvida. Li vários de seus textos e percebi que ela tem predileção por cartas. Eram tantas cartas. Seriam cartas reais? Seriam cartas que ela já teria mandado? Ou apenas cartas pra ninguém? Encantei-me por Helena e por suas cartas. Tão quanto ela, vivo perdido no meio das palavras. Eu também escrevo, mas acho que jamais terei o talento que Helena tem com as palavras. Toda noite leio uma carta dela lá no blog. Tenho percebido que as últimas são sempre para mesma pessoa. Não tem nome. São apenas endereçadas a “V”. <br />A última carta é recente, com data deste mês ainda, deste último fim de semana na verdade. Comecei a ler e confesso que senti tanta coisa passar pela minha mente e corpo que tudo que eu queria era ligar para ela e comentar tal carta. Não tive coragem. Quem sou eu perto de alguém que escreve tão bem? Fiquei horas e horas com a carta na cabeça. Carta curta que dizia assim: <br /><br /><center><span style="font-style:italic;"> Florianópolis, 04 de Julho de 2010.<br /> V, <br />O ventilador parece espalhar pelo quarto escuro o cheiro do nosso suor. Deito. O céu do meu quarto lembra o contorcer dos nossos corpos na macia cama branca. Meus olhos perturbados desenham imagens distorcidas do teu olhar lento e silencioso. Tento juntar esses ícones na minha mente. Imagens e mais imagens me invadem. Somos ícones puros que fomos invadidos violentamente por índices sensuais. Minha mente já não entende toda essa semiótica de cores e formas que se quebram na simbologia da saudade. Desenho o teu corpo quente e acolhedor sobre o meu com traços desencontrados. Sentada no corredor vejo costas cor de sépia em minha cama. São minhas. São tuas. Fica embaçado, mas ainda vejo, através de nuvens cinzas, o teu dedo deslizar neste ainda desfocado desenho. Lembro do vinho tinto, seco e de nome sutilmente endiabrado que esquentava mais ainda cada contorno dos nossos corpos. Passo o dedo na garrafa, procuro ainda o resto do vinho. Fecho os olhos e começo a criar um desenho tinto. Manchas. Teu desenho, meu desenho, nosso desenho. Desenho com bordas amassadas que nele tudo ainda se confunde. Que traços manchados são estes que aparecem? Quais são teus? Quais são meus? O que é nosso neste desenho cor de vinho?<br />Já é noite. Já está tarde. Volta. Vem desenhar comigo. Ainda há gotas naquela garrafa. <br /> Helena</span> </center> <br /><br />Depois de ler esta carta ainda fiquei ainda mais curioso em saber mais e mais sobre Helena. Quem seria V? Onde seria a praia das incertezas? Onde é e se existe eu não sei, mas sei apenas que, tão quanto Helena, eu vivo nesse eterno jogo com as palavras. Vivo das incertezas, das imagens, de lugares que fazem falta, de lugares que nem sei se existem. De sentimentos que passeiam através do tempo e da História.<br />Estou cansado agora. Já é tarde. Amanhã na aula, tomo coragem e falo com Helena.<br /> <br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com12tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-52143460524940891852010-03-09T13:28:00.005-03:002018-07-05T21:10:54.666-03:00Mariana e as Formigas<p dir="ltr">Voc&#234;s conhecem Mariana? &#201; aquela menina que mora naquela cidade de interior. Aquela cidade que eu tamb&#233;m n&#227;o gosto, sabem? Na verdade eu nem sei porqu&#234; eu n&#227;o gosto de l&#225;. Tudo t&#227;o calmo, n&#227;o &#233; mesmo? Sim, ent&#227;o, eu estava falando de Mariana. Eu mesmo, nunca consegui entend&#234;-la. Sempre t&#227;o estranha e calada. Quando sorri &#233; por motivos que ningu&#233;m entende, eu , principalmente. Uma vez, um amigo meu me disse que Mariana &#233; simplesmente aquilo que n&#227;o consegue ser simples. Eu, como n&#227;o entendo dessas coisas, n&#227;o entendi.<br> Quem conhece Mariana, sabe que ela estranhamente gosta de observar as formigas. Ela sempre fica no quintal de sua casa. De l&#225;, ela consegue ver as formigas mais de perto. Fica sempre curiosa em saber como podem ser tantas e sempre estarem uma atr&#225;s da outra, em ritmo acelerado. E pior, o que Mariana n&#227;o entende tamb&#233;m &#233; que as formigas d&#227;o uma r&#225;pida parada para dizerem coisas umas &#224;s outras. Mariana n&#227;o entende bem, mas de alguma forma chega a ter pena das pequenas criaturinhas que n&#227;o param o dia inteiro. Tanta correria, n&#227;o? Eu, que conhe&#231;o Mariana, nunca entendo o porqu&#234; dela gostar de ver aquilo. Para Mariana, &#233; bonito ver as formigas todas t&#227;o organizadas. Parece que Mariana fica feliz em saber que tudo est&#225; correto, dentro das longas filas que as formigas formam. Uma vez , lembro que, olhando para as formigas, ela me perguntou com uma carinha feliz: &#8220;&#201; sempre assim, n&#233;?&#8221;. Eu, que sou curto e grosso, disse apenas que era. Ela n&#227;o perguntou mais nada. N&#227;o &#233; insistente.<br> &#192; noite, quando o quintal fica escuro e as formigas somem, ela sempre tem vontade de chorar. Mariana nunca sabe explicar isso. Acho que ela &#233; meio desajustada, sabe? Mariana n&#227;o sabe explicar quase nada, mas ela sabe dan&#231;ar e desenhar tamb&#233;m. Ela dan&#231;a como um vaga-lume t&#237;mido dentro de um pote melado de noite. Pote melado de noite? De onde tirei isso, meu Deus ?!! Ah, ela tamb&#233;m vive com um caderninho na m&#227;o. Acho que &#233; para se abanar do calor, n&#227;o? Afinal, essa cidade &#233; muito quente.<br> A m&#227;e de Mariana n&#227;o a entende. Acha que foi algum problema durante sua gravidez. Um dia ela at&#233; me perguntou se ela precisava de psic&#243;logo. Eu tive pena da m&#227;e e menti dizendo que n&#227;o. Na verdade eu, que sou normal, sei que aquela menina n&#227;o tem jeito mesmo. &#201; troncha. <br> Mariana sempre &#233; a primeira da fila em sua sala de aula. O que ningu&#233;m entende &#233; que ela nunca fala nada. Para que ficar na frente e n&#227;o perguntar nada a professora? Isso &#233; coisa de menina burra. O que sei &#233; que na hora do intervalo, Mariana sempre, sempre senta no mesmo lugar; embaixo de uma &#225;rvore que tem uma casa em cima. &#201; uma casinha bem t&#237;mida, mas que j&#225; est&#225; quase toda corro&#237;da pelos cupins. Os alunos n&#227;o brincam mais l&#225;. Embaixo daquela &#225;rvore Mariana, sozinha, consegue se sentir bem melhor. S&#227;o sempre vinte minutos de sil&#234;ncio e tamb&#233;m a hora que ela mais gosta na escola. Mariana algumas vezes sente vontade de subir na &#225;rvore e entrar na casa, mas sente medo e decide come&#231;ar a procurar as filas de formigas no meio da grama. <br> Mariana tem rituais. Toma ch&#225; de camomila toda noite. N&#227;o gosta do gosto, mas sempre diz que se sente melhor. Eu, como n&#227;o entendo nada de ch&#225;s, n&#227;o sei como ela pode tomar esse chazinho sem gra&#231;a.<br> Mariana est&#225; terminando o ensino m&#233;dio. Agora, j&#225; tem que pensar o que vai ser. Ela me disse que n&#227;o sabe o porqu&#234; das pessoas quererem ir para uma faculdade. Eu, que sei o que &#233; o correto a se fazer, digo que tem que ser assim mesmo e que a vida &#233; assim. Ela sempre se contenta com a primeira resposta que ouve. Tadinha, n&#227;o? Tenho pena. <br> Eu n&#227;o sei bem o que Mariana vai fazer quando terminar o ensino m&#233;dio. Eu n&#227;o entendo nada nela. Eu nem sei o porqu&#234; de eu estar aqui falando sobre essa menina sem gra&#231;a e com cara e jeito de gente estrangeira. Nada pior que ser um estrangeiro em terra desconhecida, n&#227;o &#233; mesmo? <br> Eu j&#225; estou quase perdendo a paci&#234;ncia de ouvir essas baboseiras de Mariana. Demora a abrir a boca mas sempre, sempre fala ou pergunta besteiras. O estranho &#233;, mesmo que eu me aborre&#231;a com os comportamentos meio bizarros que essa menina tem, acho realmente bobo e engra&#231;ado quando ela diz que, quando ela realmente crescer de verdade, ela vai querer escrever sobre a vida das formigas.<br></p> <p dir="ltr">E. Alvarez</p> Evelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com13tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-47695245769025001372009-12-21T23:05:00.006-03:002010-10-12T08:41:30.234-03:00Parecemos não saber<blockquote>“O inútil sonho de ser. Não parecer, mas ser. Estar alerta em todos os momentos. A luta: o que você é com os outros e o que você realmente é. Um sentimento de vertigem e a constante fome de finalmente ser exposta, ser vista por dentro, cortada, até mesmo eliminada. Cada tom de voz, uma mentira. Cada gesto, falso. Cada sorriso, uma careta." (Trecho de Persona - Ingmar Bergman) </blockquote><br /><br />Algo sem eixo me torce por dentro. Não sei nomear, agora só sei sambar, sentir e musicalizar a sensação de ócio dócil que você me traz.<br />O vinho seco que despejas nos meus lábios os deixa quase dormentes de prazer. É aquela coisa da tensão amorosa que a gente parece ver só nos filmes. A campainha toca no fim da tarde. Quando você chega eu desligo a TV pois, já não quero mais um filme <span style="font-style:italic;">noir</span>. Você me traz cor. As paredes da minha sala inevitavelmente sentem o teu azul que me transforma num <span style="font-style:italic;">blues</span> feliz e levemente destoado. Olho-te quase sem piscar e em silêncio. Você acende seu cigarro e me pergunta se eu gosto do <span style="font-style:italic;">Ingmar Bergman</span> e de imediato penso que o que eu quero mesmo é te entregar os meus morangos silvestres guardados na geladeira há dias. Assistimos à <span style="font-style:italic;">Persona</span> e nosso mundo se (des) constrói em minutos. Juntos e ainda bobos lembramos e repetimos quase gritando, quase como amáveis idiotas, o trecho: “<span style="font-style:italic;">O inútil sonho de ser. Não parecer, mas ser.</span>” Temos medo mas gargalhamos. Não sabemos o que realmente parecemos. A verdade é que dançando assim você me deixa sem jeito. <br />Somos assim quando estamos juntos e nada mais importa. É quase sete horas da noite e já estamos quase embriagados de nós mesmos. As palavras são desnecessárias. Comemos chocolate amargo entre os espamos e tomamos café quente depois de sexo latente. O nosso amor é insanamente racional e nosso sexo quase casual. Nosso suor se perde naqueles lençóis quase virginais. Em meio da nossa respiração desenfreada você me acalenta, e ao som do ruído gostoso da minha vitrola velha ouvimos nosso <span style="font-style:italic;">Chico</span>. Logo você sorri me dizendo “lá vem esse cara de novo com essa história de <span style="font-style:italic;">Morena dos olhos d’água</span> para quebrar mais ainda meu peito”. Eu não falo nada, apenas faço de conta que acho isso tudo muito bobo. Faço cara de descaso e deboche porque tenho medo que você venha novamente ou que não venha mais. Na verdade fico literalmente fraca dentro da nossa fortaleza de existência incoerente e quase conseqüente. Você quase desanima e vai mexer nos meus livros. Eu em silêncio permaneço no quarto que ainda nos exala. Você volta. Levanto. Preparo para você aquele ravioli de camarão quase apimentado. Você volta e me pergunta o que somos. Eu troco o silêncio por um fraco sussurro e digo que não somos nada de fato. Você repete o que eu digo três vezes para se convencer que precisa ir embora. Eu quase sorrio ironicamente. Sua ida já anuncia o choro cor de ferrugem. Você não quer ir. Eu não quero que você vá. <span style="font-style:italic;">Chico</span> já não canta. O disco arranha. O inútil sonho de ser do Bergman acaba. Começamos a sentir o que realmente é. Você pede desculpas. Eu peço desculpas. As palavras faltam. O vinho acaba. O ravioli esfria. O chocolate derretido parece congelar. Você apaga o cigarro. Olho-te. Já é quase meia noite. Coloco <span style="font-style:italic;">Kate Nash</span> para tocar. Olho a quase imperceptível fumaça que sai do seu cigarro apagado. Já não falamos há horas. Silêncio quase irritante. Você bate a porta. Seu cheiro fica.<br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com12tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-30375566071788695882009-11-02T18:22:00.000-03:002009-11-02T18:23:56.509-03:00Em breve<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxdkQ7d3tjAwmJF20buD3sTtqi1EmsztVddwu105OB7aJckQYqRQYIf6pehGU-2wkQYbT55kmaLlF0lb7tjc8s124nJyxl0osV6bdHhxgGTpdJE8cRZSOMXyltkIJtnGBexGx5LDYdk6s/s1600-h/back-soonBW.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 198px; height: 200px;" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxdkQ7d3tjAwmJF20buD3sTtqi1EmsztVddwu105OB7aJckQYqRQYIf6pehGU-2wkQYbT55kmaLlF0lb7tjc8s124nJyxl0osV6bdHhxgGTpdJE8cRZSOMXyltkIJtnGBexGx5LDYdk6s/s200/back-soonBW.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399619949713013986" /></a><br /><br /><br />Volto em breve! <br /><br />=)<br /><br />E.AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-30950764077239462242009-09-10T14:23:00.004-03:002009-09-10T15:13:26.834-03:00Acidente<center><blockquote><span style="font-style:italic;">Paixão decorrente<br />Desejo latente,<br />Ilusão dançante<br />Tempo inconstante<br />Dias andantes<br />Noites perturbantes <br />Com o coração desconcertante.</span><br /></blockquote></center> <br /><br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-27366789618992310942009-08-08T20:41:00.010-03:002009-08-08T21:25:50.277-03:00Sobre as Coisas que Eles (não) SabemPara aquele que vive tomando <span style="font-style: italic;">Café da Manhã em Plutão</span><br /><br /><center><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhl0udph1ev1nAW193yzNK28KaW1yS32Ucr0-kZ38Hhi9yapklPc3d9tm8AhBGDzhfkuY8kSXg42BeDtZ01XOfgjyPGZyA6yqmZ008drr5M8QjaUzq0cX9mof3nRymngHW3TQKQl5si3qE/s1600-h/coffee_and_contemplation_by_VJrockphotography.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 133px;" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhl0udph1ev1nAW193yzNK28KaW1yS32Ucr0-kZ38Hhi9yapklPc3d9tm8AhBGDzhfkuY8kSXg42BeDtZ01XOfgjyPGZyA6yqmZ008drr5M8QjaUzq0cX9mof3nRymngHW3TQKQl5si3qE/s200/coffee_and_contemplation_by_VJrockphotography.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5367747007660129618" border="0" /></a><br />(Photo by <a href="http://vjrockphotography.deviantart.com/art/coffee-and-contemplation-112409306">VJrockphotography)</a></center><br /><br /><br /><blockquote>" As pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem, há o que são e nem sempre se mostra ..." (Caio F. <span style="font-style: italic;">In</span> Morangos Mofados)</blockquote><br /><br />E lá vem ele com aquele jeitinho único. Jeito de mistura. Menino, homem... que no fim, não sabe o que causa a ela. Ele naquela delicadeza dele. Um silêncio típico,frieza com gosto de café. Uma eterna busca de questionamento sobre o quê ela é ou o quê os dois são quando estão (quase) juntos. Nem ele sabe. Nem ela. E para que saber? Uma sensibilidade de quem vive em meios dos versos, crônicas, sons, gostos, imagens cinematográficas e ausências que perpassam o tempo.... Ele e ela...às vezes numa coisa só. Um silêncio maquiado, palavras que dizem sem dizer. Aquela coisa que faz lembrar o cinema mudo. Tanta coisa <span style="font-style: italic;">não-vivida-não-entendida</span>. Tantas palavras não ditas. O quase todo e devastador silêncio.<br />Às vezes me pergunto o porquê do distanciamento desses dois. Tanta coisa em comum, tanta literatura e tantas coisas meio <span style="font-style: italic;">caioclaricianas</span> para se <span style="font-style: italic;">discutosentir</span> . Tanto não pensar sobre um (não) querer.<br />É essa falta de (des) entendimento que a leva a (não) pensar sobre tantas (não) coisas. Sobre tantos textos não terminados sobre ele. Sobre tantas entrelinhas, sobre os (não)sentires. Sobre o telefone que toca e não se sabe bem o que dizer. Sobre o convite para um café não aceito. Sobre os medos mascarados, sobre as pausas... Sobre. Sobre.<br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-61288938360004514652009-07-26T15:21:00.003-03:002009-07-26T15:27:43.541-03:00LUIZA<span style="font-style:italic;">L<span style="font-weight:bold;"></span></span> uz que iluminava os meus pensamentos mais sombrios,<br /><span style="font-style:italic;">U<span style="font-weight:bold;"></span></span> nidade de pensamento e amor que de mim cuidava<br /><span style="font-style:italic;">I<span style="font-weight:bold;"></span></span> ngrata e libertadora a Morte que te levou de mim<br /><span style="font-style:italic;">Z <span style="font-weight:bold;"></span></span> eladora do querer<br /><span style="font-style:italic;">A<span style="font-weight:bold;"></span></span> mada e inesquecível geradora de Amor, descansa em Paz.Evelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-16513052203370385622009-07-14T21:06:00.003-03:002009-07-14T21:12:23.415-03:00Tempo<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxiUkUh6qbqpMq6UMafTgAuOmkwFcM4ekOUs2OR8A5wNfAAXerQPFhMmGYa3MU_4y1OYc6RGZbNluEQuVrZ3sbt4XocqX0ES5gOIT7gMiTMIDNm9fjCbAq1SrY5VZ7Z0cmnO4wrpzUFag/s1600-h/relogio2.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 148px;" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxiUkUh6qbqpMq6UMafTgAuOmkwFcM4ekOUs2OR8A5wNfAAXerQPFhMmGYa3MU_4y1OYc6RGZbNluEQuVrZ3sbt4XocqX0ES5gOIT7gMiTMIDNm9fjCbAq1SrY5VZ7Z0cmnO4wrpzUFag/s200/relogio2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358472743257255586" /></a><br />"O Tempo corre e a Vida escorre."Evelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-16189978520883809232009-05-26T13:03:00.004-03:002009-05-26T22:31:36.409-03:00Cobertura CinzaHelena acordou naquela manhã cinza e chuvosa às dez da manhã. Abriu a janela e só via a chuva cair. Não havia nada mais do lado de fora além da chuva. Sem apetite, acendeu um cigarro, ainda sentindo o gosto do vinho da noite anterior nos lábios. Ela não conseguiu fazer nada. Tanto peso nas costas e tantas coisas chatas para ler e assinar. Não conseguia pensar em nada. Só tinha em mente aquela chuva que não parava. Abriu a janela novamente e só via os prédios sem vida. Foi aí que tentando ver algo mais, viu dois pássaros conversando em cima da antena de um dos prédios. Conversavam tanto. Batiam as asas para que um entendesse o outro. Ela não conseguia pensar em nada além disso. Estava sendo tão irresponsável que gostava daquela sensação de não conseguir pensar em nada. Não queria pensar em nada. Queria ficar olhando o céu cinza e ficou. Ficou ali por minutos e mais minutos. Um cigarro atrás do outro. As coisas que não podiam chegar dentro dela chegaram. Os pássaros tinham trazido? Tudo começou como um fluxo que se tornou mais incansável dentro de Helena. Um pensamento atrás do outro. Um sentimento atrás do outro. <br /> Um dos pássaros gritou e ela também queria gritar. Estava sozinha naquele apartamento e dali não queria sair. Queria que o dia ficasse cada vez mais cinza. Queria sentir frio, mas naquela cidade não faz frio. Nunca fez. Havia os prédios, mas não havia frio. Ela ainda queria gritar com aqueles pássaros. Queria segui-los, mas não podia. Queria estar ali porque, de certa forma, aqueles apartamentos a faziam lembrar de tanta coisa que já não cabia dentro dela. Queria a presença sutil do que já tinha visto e vivido. Faltava o frio, faltava o frio. Os minutos passavam e a faziam se sentir culpada. O dia já tinha sido cortado pela metade e ela só tinha mais uma hora e meia para olhar para o céu cinza. Outro cigarro e ainda faltava o frio. E lá vem a <span style="font-style:italic;">Edith Piaf</span> com aquela história toda de Non, Je Ne Regrette Rien para deixá- la mais confusa. Mais um cigarro e ainda tem vinho aberto. Ainda faltava o frio!! Cadê ele <span style="font-style:italic;">for God's sake</span>? Ela ainda tinha uma hora! Era tão pouco diante daquele dia tão lindo! Tanta coisa que tinha ali! Os prédios, a cobertura cinza do céu, os pássaros, a Edith, o resto de vinho e a briga constante com a ausência do frio! Para que e porque aquela hora tinha que acabar? Para que o barulho dos carros começasse, para que as vozes começassem a perturbar, para que as perguntas que ela já estava cansada de responder se fizessem presentes novamente . Ela só tinha uma hora e agora lá vem a <span style="font-style:italic;">Cat Power</span> com o lance de <span style="font-style:italic;">How can I tell you</span>. Os pássaros ainda lá, mais vinho, o céu sem sorrisos, a chuva já ausente. Nada de almoço só vinho e queijo branco. Os minutos pareciam correr e ela queria era mesmo abraçar o céu, conversar com os pássaros ou seria abraçar os pássaros e conversar com o céu? Não importava, o que importou foi que inevitavelmente os minutos delas acabaram. Saiu da janela, deu o último trago, olhou os pássaros que quase dormiam. Trouxe o céu para dentro de si, mais uma mordidinha no queijo branco, um gole de vinho, um sorrisinho de canto de boca. Foi tomar banho. Já era 1 da tarde e as perguntas viriam assim que ela batesse o ponto. E ela com aquela máscara adaptável, com a maquiagem quase pronta e já ensaiando os sorrisos necessários ainda sentia a ausência do frio. <br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-70460200233176624642009-04-23T12:23:00.002-03:002009-04-23T13:19:29.289-03:00Quase Inerte(Para ler ao som de <span style="font-style:italic;">Videotape</span> do Radiohead)<br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgUuSXoQ0rnyY7fd-9o5ds-dHZv2CIn8y8n8MCMtmDbWP-SwQ44nKTMjdIH7-R3jWkcl12IzuYEKGWE-UDtkgGO8zz_s_q-x0NocFriaY6H6jL0ehA2_Ix9rl87ERKMVUcKm2S-lQSmoQ4/s1600-h/Sidewalk_by_BonzaiBakurai.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgUuSXoQ0rnyY7fd-9o5ds-dHZv2CIn8y8n8MCMtmDbWP-SwQ44nKTMjdIH7-R3jWkcl12IzuYEKGWE-UDtkgGO8zz_s_q-x0NocFriaY6H6jL0ehA2_Ix9rl87ERKMVUcKm2S-lQSmoQ4/s200/Sidewalk_by_BonzaiBakurai.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327902119719332066" /></a><br /><br /><center>(<a href="http://bonzaibakurai.deviantart.com/art/Sidewalk-43958305">Photo by BonzaiBakurai</a>)</center><br /><br /> <center><blockquote>“ <span style="font-style:italic;">…No matter what happens now<br /> I won't be afraid<br /> Because I know<br /> Today has been the most perfect day I have ever seen...</span>”</blockquote> ( Radiohead <span style="font-style:italic;">in</span> Videotape)</center><br /><br />E ele estava ali, quase inerte, sentado à beira da calçada. Era domingo à noite e ele não sabia bem o que fazer. Era uma mistura de sentir e não sentir. Sentia-se frio e ao mesmo tempo parecia queimar por dentro. Não, não consegui chorar. Era orgulhoso até consigo mesmo. Seu rosto quase petrificado denunciava as linhas do tempo e peso que trazia nas costas. Olhava a rua e seu olhar era disforme assim como as horas de sua vida. A barba era manchada de cigarro e seus lábios secos.<br /> E ele estava ali, quase inerte, sentado à beira da calçada. Lembrava de tanta coisa que seus quarenta e dois anos de idade pareciam sessenta. Lembranças vinham como num videotape de fita amassada. E ele pensava nas noitadas que havia vivido, quantas doses de <span style="font-style:italic;">Blue Label</span> já havia tomado, quantos amores haviam sido dilacerados, quantas putas tinha tentado beijar em fim de sexo vazio, quantas sentenças havia dado vestido com a toga que lhe pesava na alma, quantas vezes havia desistido de fazer teatro, quantas noites de cama vazia após dois casamentos fracassados e quantas vezes havia deixado de sorrir. Já eram duas da manhã e ele continuava ali. A garrafinha de whisky já havia acabado, os cigarros já estavam no fim e seu coração parecia naquela noite se confundir com o cinza do asfalto. <br /> As pessoas passavam na rua já com aquelas expressões de fim de festa e o observavam quase inerte. A calçada da praia de Copacabana ainda tinha aquele movimento comum de fim de noite, quase dia. Poucos que ali passavam entendiam o peso do mundo dentro dele. As horas se arrastavam assim como seus pensamentos quase distorcidos. Não estava bêbado. Precisava estar quase sóbrio para que a consciência abraçasse o inconsciente. <br />Quase sozinho viu quando o mar pariu o sol anunciando mais um dia de dúvida e de ponto para assinar na repartição pública. Estava cansado, pensou em voltar para casa, mas o cedo da manhã o fazia sentir que já era tarde. E ele estava ali, quase inerte, sentado à beira da calçada quando fez um movimento quase brusco, quase leve, quase de entrega, quando aquele carro passou.<br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com6tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-27914745019755730862009-04-12T20:26:00.004-03:002009-04-12T23:58:10.217-03:00Pedro e o Domingo de PáscoaPáscoa é sempre tempo de confraternização e tempo de estar perto de quem se ama. Assim diz a regra. Seria tudo tão fácil e mais feliz se fosse assim. Hoje aqui nesse meu domingo de páscoa me lembrei de alguém, o Pedro. Sempre lembro dele. Houve uma páscoa que ele me ligou para contar algo que é difícil de esquecer. Umas daquelas histórias que a gente só conta quando se está bêbado.<br />Sempre animado com as festividades de páscoa, Pedro estava sempre disposto a juntar os amigos ou estar com a família. Todo ano a mesma coisa, existia a necessidade de estar com as pessoas para se sentir feliz. Não precisava ir ao psicólogo para saber disso. Já basta o tempo de terapia que ele havia feito. Já tinha quase trinta anos e facilmente percebia as coisas dentro de si. Pedro era daqueles que acreditava em amor e amizade ainda. Aqueles caras que tem uma visão romântica da vida, segundo alguns, um quase idiota nos dias atuais. Acreditava em tudo e todos e também achava que todos estariam perto quando ele mais precisasse. <br />Esse lado de Pedro era mais aflorado nas épocas das festividades. E era assim na páscoa. Vivia comprando presentes, ovos de páscoa para os amigos, escrevendo cartinhas e ligando para todos com aquela mesma frase: “Um feliz domingo de Páscoa para você e toda sua família!” Pedro pouco podia perceber que ele era quase único nos últimos tempos. Seu mundo interior de sentimentos era completamente distorcido da realidade. Poor Guy! Parece que quase trintas anos, completados em março de 2000, não eram capazes de mostrar o lado ruim, ou melhor, o lado desatento das pessoas. Não que ele não tivesse um lado ruim. Sim ele o tinha. Ele era humano também e provavelmente já tinha sido desatento.<br />Era a páscoa de 2001. Ele me ligou para contar como tinha sido a semana santa dele. Pedro estava sozinho em casa. Morava sozinho, solteirão, sem filhos e de futuro indefinido. Não, não era gay. Gostava mesmo de mulher, mas nunca parava com nenhuma. Dizia que tinha problemas. O problema do desencontro com o outro que às vezes se tem na vida. Aquela velha história que sabemos de trás pra frente; pessoas certas na hora errada. Eu acabo me perguntando, se era certa porque chegou na hora errada? Ai ai, isso aqui pode virar uma tese. Mas voltemos a Pedro. Dizia-lhes que Pedro estava sozinho em casa. Eu preciso terminar de escrever isso antes que eu fique enjoado neste fim de tarde. Afinal hoje é páscoa e quero aproveitar o silêncio deixado pelos meu filhos para poder contar essa historinha dramática para vocês. <br />De novo, Pedro estava sozinho em casa, tinha tido uma semana difícil. Depois de muito tempo havia percebido que a vida era mais dura do que ele imaginava e que a solidão existia mesmo estando rodeado de pessoas. Que as pessoas que pareciam mais próximas a ele eram capazes de ser extremamente desatentas. Que o seu sentir de costume o deixava fraco e dependente das outras pessoas. Isso se deu, essa descoberta quase científica pra ele, a partir de um acúmulo de sentimentos que estava guardando dentro de si. Impressões trazidas pelo cotidiano e na relação com as pessoas. Amores perdidos, sentimentos extravagantes, peito descoberto, sexo disfarçado de amor, olhos vermelhos, noites de festas solitárias, drogas em fim de festa, sorrisos pré-fabricados e falsas presenças. Pedro me contou que acordara diferente aquela manhã. Como disse, era páscoa. Algo tinha mudado dentro dele. Não sabia explicar . Tomou o café da manhã de costume e teve logo vontade de beber e fumar. Pegou um dos últimos vinhos da adega, bebeu tudo que pôde e fumou. Fumou tanto, chorou tanto que sentiu seu corpo pesado. Na verdade ele não sabia dizer se era a alma ou o corpo que pesava. Ligou para a mãe dele tomado de desespero dizendo que queria embora dali e que a vida dele estava uma bagunça. E eu me pergunto o que era “ir embora dali”. Ir embora de si mesmo??? Porque para mim era isso que ele queria, fugir, correr desesperadamente de si próprio. Ele não conseguia ver que não existia saída? Não. Ele passou a manhã toda chorando deitado no corredor do seu apartamento. Cinzas de cigarro espalhadas e roupa manchada de vinho seco. Depois de algumas horas e da cara inchada, decidiu fazer a social consigo mesmo. Vestiu a sua melhor roupa. Colocou umas gotas de seu único perfume francês e foi almoçar sozinho no Shopping Center mais próximo. Comeu camarão , tomou café e leu “O dia que Júpiter encontrou Saturno” do Caio Fernando Abreu. Achou tão bonito e até sorriu quando leu uma parte que dizia:<br /><br /><center> <blockquote><br /><span style="font-style:italic;">-Você gosta de estrelas?<br />-Gosto. Você também?<br />-Também. Você está olhando a lua?<br />-Quase cheia. Em Virgem.<br />-Amanhã faz conjunção com Júpiter.<br />-Com Saturno também.<br />-Isso é bom?<br />-Eu não sei. Deve ser.<br />-É sim. Bom encontrar você.<br />-Também acho.</span></blockquote></center> <br /><br />Eu também me emocionei quando ele leu para mim no telefone. Quase chorei na verdade. Pois é , Pedro ficou ali por horas naquele café de Shopping Center. Olhando as pessoas que entravam e saim. Algumas riam, falavam alto ou liam revista de fofoca. Não gostava muito, mas era a única opção naquele domingo de páscoa. Pensou em tanta coisa, percebeu como sua vida era incomum e como estava bagunçada. Lembrava também naquela tarde de uma fala de um amigo que parecia rodear seus pensamentos por horas: “ Não precisa dizer sempre o que pensa e o que sente para os outros. Não percebe que as pessoas não gostam de algumas verdades?” Coitado de Pedro, aquilo soava estranho para o seu mundinho. Gente, tudo que eu queria era que alguém desse um chá de semancol para o meu amigo, porque me faltou coragem. A verdade dói. Às vezes dilacera. <br />Pedro saiu do café, olhou algumas vitrines e logo foi pra casa. Chorou mais e mais. Sentiu-se perdido e sozinho. <br />Antes que me perguntem como essa historinha boba e cansativa termina, digo-lhes logo que hoje, depois de oito anos, Pedro é o mesmo. A essência dele é a mesma. A diferença é que os anos de verdade o trouxeram força. É verdade. É mais forte e menos romântico. Hoje eu aqui , como disse, acabei lembrando dele. Decidi ligar e desejar-lhe uma Feliz Páscoa e ele bem animado cortou rapidamente a conversa. Disse-me que estava com algumas amigas em casa, quase bêbado, tomando muita cerveja e assistindo ao jogo do flamengo. Eu nem sabia que ele gostava de futebol. <br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-45744010932546028072009-04-08T19:28:00.003-03:002009-04-08T20:06:46.657-03:00AugustaE lá vem ela com aquele charme sutil novamente. Mal sabe o que me causa, coitada! Levo dias, semanas e às vezes meses para reencontrá-la e ela sempre me causa algo. Aquela mistura de sentimentos que nem eu consigo explicar. Vem tudo de uma vez. Ela nem se importa se estou preparada ou não. Quer me engolir. Meu corpo a sente de uma tal maneira que só em pensar me excito. <br />Da última vez que estivemos juntas eu mal consegui dormir de tanta excitação. Ela com aquele brilho incomum, principalmente à noite quando ela aflora, me deixa felizmente perturbada. Por mais que eu tivesse cansada, de uma forma ou de outra , ela só queria me levar aos jardins dela com todo aquele exalante charme. <br />Antes de conhecê-la, já haviam me dito da energia que ela tinha. Bastava passar pertinho dela que já dava pra sentir. Eu que sou fraca, não resisti, me joguei nos braços dela sem muito pensar. Não me preocupei com os estereótipos ou com a minha orientação de costume. Eu queria mesmo era me desorientar. <br />Disseram-me que houve uma época que ela vivia rodeada de prostitutas. Eu não me importei. Só queria tocá-la e deixar que ela me contaminasse toda com aquela sensualidade da qual não sou acostumada a ter ou encontrar em qualquer rua da cidade onde moro. Alguns dizem que ela tem um glamour sutil de passarela. Eu não concordo, creio que o que a energia que a rodeia combina mais com um disco antigo da Elis Regina ou com umas das canções mais doloridas da Angêla Rô Rô. Mas também sinto que há dias que ela está mais para sentir as batidas das baladas paulistanas do que qualquer outra coisa e eu, que não consigo resitir, a sigo sem nem piscar. Deixo ela me levar.<br /> O que gosto nela é a diversidade que ela me mostra. Quando estou com ela, esqueço de tudo. Ela me leva sem destino à noite. E sei que ela me quer, toda faceira e disposta, das cinco da tarde até a hora que meu corpo e meus sentimentos agüentarem. Amanheço ao lado dela e não existem cobranças. Passar a noite com ela, dividir as vodkas, os cafés, os cigarros, sentar nas mesas dos botecos e falar de poesia é um estado de espírito para nós duas. Ela comigo e eu com ela. Depois tudo fica ali. Eu vou embora na certeza que ela me teve como mais uma ou mais um que vive buscando nela o lado B da vida. Ela agora é só uma lembrança que rodeia as minhas noites solitárias. Lembro dela quando quero sair de mim e acabo me encontrando mais. É isso, a eterna dúvida sempre vem. Nunca sei se me acho ou se me perco com ela ou no meio dela, onde encontro mais prazer. É algo estranho, perco o fôlego quando me deixo abraçar por ela. Ela que me faz deslizar e até dançar. Ela que me embriaga sem me dar chances de parar para pensar no que é certo ou errado. Ela que me leva ao êxtase. Ela que me faz lembrar da boemia, das luzes em neon, das rosas, do choro contido, da risada solta e dos versos sem rima. Sim, é tudo isso que ela me causa. Isso tudo me assusta e me fascina, pois não estou acostumada a esse tipo de relação. <br /> Sim, meus caros, antes que eu me esqueça, o nome dela é Augusta, palavra de origem latina que significa glorificada e majestosa .Dia desses, ainda tomada de sentimentos por uma das noites que passei com ela, li num desses dicionários bobos que tentam explicar a personalidade através do nome, que as Augustas são idealistas generosas mas que vivem tendo crises de identidade e que vez em quando são tomadas por angústias. Angústia com Augusta? Combina? Às vezes. Sei que a ausência dela me angustia (faz meu corpo doer) em certas noites mas a lembrança viva e a possibilidade de um reencontro me consola. <br />Cheia de saudades e longe dela neste fim de tarde por aqui, digo-lhes que quando forem a São Paulo não deixem de passar por ela. Ela fica pertinho da Paulista, no bairro da Consolação. Já disse Cynthia Freeney uma vez que “A Rua Augusta é o lugar em que o coração mais perfeitamente se arritmiza.” <br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-19829210954914687872009-01-10T19:48:00.005-03:002009-03-25T23:26:19.890-03:00[In] delicadamente [in]definido<blockquote>"Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assentada aos poucos e com mais força enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o pensamento que penso de você”. (Caio Fernando Abreu <span style="font-style:italic;">in </span>Carta Anônima) </blockquote><br /><br />É tão [in]delicado assim pensar quando penso em você. É tão injusto pensar em amor quando o que temos é apenas um surto de necessidade um do outro. Aquelas necessidades que aprecem em meio de tardes cinzas de outono. A vontade da gente é simples e intensa como a de comer algodão doce durante à tarde num parque de diversão. Aquela vontade que dá e passa. Vontades súbitas.Vontades de ser o que nem dá pra saber se é. A vontade irreal transpassa a realidade e eu às vezes insisto na tal [in]delicadeza quase [in]consciente que grita pela sua presença. <br />[In]Delicado é seu sorriso inexistente, teu não afago diante as minhas lamurias de fim de semana. Seu doce egoísmo me deixa uma ausência de memórias não vividas e seu sorriso rabiscado por mim é apenas uma tentativa de sentir aquele sentimento inomeável que existe entre nós; o seu fantasma e eu. A sua frieza inconseqüente me faz dançar em noites solitárias regadas por vodka barata e cigarros com gosto de querer insaciável. <br />É no fim semana quando o tempo chega mais quieto que eu começo a pensar em você. Dói mas eu não choro porque tão forte quanto a sua frieza é o meu choro interno. Acordo no meio da noite e coloco a mão ao lado e só sinto o travesseiro que nunca encostasses a cabeça. Ligo o som, escuto repetidamente a música daquela enjoada banda inglesa que eu nem sei se você gosta. Acendo o cigarro, lembro que não posso lembrar do que não existiu e só durmo quando não vejo mais luz da piola do cigarro. <br />[In]Delicada é a minha capacidade de lembrar de diálogos que nunca existiram e fazer deles o meu escudo de proteção contra sentimentos reais que certamente virão. Prefiro sentir você, que de fato nunca existiu. Prefiro ficar com a lembrança de um cheiro que nunca senti ou de lembrar dos nossos inventados gemidos. Os nossos orgasmos doces e indecentes, aqueles que <span style="font-style:italic;">anyway</span> nunca estarão nas nossas lembranças. <br />Ah, meu [in] pensado e [in]delicado amor, fiquemos com nossos corpos desentrelaçados! Tudo deve ser impalpável entre nós. Tudo é belamente inventado. Tudo é seco e [in]existente. <br />Enjôo sempre quando tento lembrar do não você. Hoje, embriagada de café e cigarro, já vomitei a ausência de sua lembrança. O meu [in] delicado, [in] existente e sempre enjoado amor por você andam sempre juntos me perturbando num espaço de tempo [in] constante e [in] definido. Não sei se um dia o seu não sentir vai fazer com que você sinta o que não foi e nem poderia ser. Não sei se em meio a sua [in] delicadeza, você saiba que você até quis que nós fôssemos. Não, meu amargo fado, você sabe e eu sei que nunca seremos. Eu e minha loucura sempre tentamos te esquartejar em pequenos, pequenos pedaços de doce de gengibre com gergelim na minha não memória. Não adianta, você sempre volta, mais forte ou mais franco,dentro e fora da minha [in] delicada e [in]existente lembrança. <br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com13tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-22270029578651692312008-12-31T15:00:00.005-03:002009-01-01T16:26:54.100-03:00Que ele seja sinestésicoEla sempre na correria .Ele vem vindo e ela quer agarrá-lo. Ele é ainda é desconhecido e cheio de possibilidades. Ela não duvida , apenas vai e acredita. Joga-se nos braços dele sem muito pensar, sem planos reais e concretos. Ela não compra agenda pra nunca planejar. Ela deve chorar ainda hoje porque de uma forma ou de outra ele vem e é inevitável uma repulsa ou fuga. Ela não é disso. Ela é. Ela é de touro e é de Chico Buarque. Ela é do frio. Ela é da vida. Ela é do sentir mesmo que a máscara mostre o contrário. Ela é. Ela sabe que ao vir ele trará coisa embrulhadas de presente no mês 9. Ela sabe que vai sorrir e chorar. Ela sabe que é ele que pode mudar a vida dela. Ela sabe e ela vai. Ela vai mudar mas ainda vai continuar a mesma, porque nenhum espaço físico vai mudá-la. Ainda assim ela vai sorrindo discretamente . Ele vem. É ímpar! Que 2009 venha e a aqueça sinestesicamente.Evelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-83981441114028927462008-12-27T23:11:00.001-03:002008-12-27T23:18:49.443-03:00Nuvem AzulLenta como uma nuvem azul, assim sou. Movo-me como aquelas lesmas despreocupadas. Assim é como acordo, assim como me deito. Desperto-me apenas com surtos de paixões e tristezas súbitas. A felicidade vem e me agarro a ela como o bicho preguiça faz com as árvores. Vivo com sedes intermináveis e fome devoradora de vida. A vida vem. Às vezes fica e às vezes escorre pelas mãos e eu na minha lentidão nem percebo . Vida indefinível e sem necessidade de definição.<br />Sentir, verbo inconjugável indefinível. Não me pergunte as conjugações certas do verbo amar, pois eu já não sei como ficam as terceiras pessoas do singular. A primeira pessoa do singular já não é conjugada há tempos. Como disse, sou nuvem azul. Toda cheia de formas disformes e desconexas. Sou amiga da nuvem que ontem vi no céu. Achei que aquela cor não existia mas ontem ela estava no céu. Ela era rosa e era fim de tarde. Achei que era engano e até senti um desengano mas ainda assim olhei de novo para acreditar. Eu tomada de álcool e falta de fé não sabia o que fazer daquela visão. Eu, cheia de azul gritante quis correr para encontrar a nuvem rosa. Dei a ela a forma que quis. Até sorrisos esculpi. Não sei mais. Só sei que, que sou, que sou lenta como uma nuvem azul, mas sua mãe não disse que nuvens azuis não existem?<br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-6927903420600071322008-11-04T10:24:00.005-03:002008-11-04T10:37:45.928-03:00Ser<center><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-7dqIKy9CKhbG2jS8i_nxNxGkbXPQhcdcXMVK-KaM62lOtLLyadF6381jdMuEhhu8rtsru9291tKwkG1mh7RAPmHwGH6cnLN_DuyrKdlhyphenhyphenAG4EzhOnIOrIhAu1ONsxY_-prWrVHZhHyU/s1600-h/_Far_away_by_PrincessFrog2.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 162px; height: 200px;" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-7dqIKy9CKhbG2jS8i_nxNxGkbXPQhcdcXMVK-KaM62lOtLLyadF6381jdMuEhhu8rtsru9291tKwkG1mh7RAPmHwGH6cnLN_DuyrKdlhyphenhyphenAG4EzhOnIOrIhAu1ONsxY_-prWrVHZhHyU/s200/_Far_away_by_PrincessFrog2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264794740026581602" /></a></center><br /><center>(<a href="http://princessfrog.deviantart.com/art/Far-away-45385116">Photo by Pricess Frog</a>)</center><br /><br /><center><span style="font-style:italic;">Eu sou comum na minha estranheza</span>.</center> <br /><br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com6tag:blogger.com,1999:blog-2588746867012773998.post-25939625343067012332008-11-04T09:37:00.005-03:002008-11-04T10:04:03.290-03:00Mais uma crônica bobinha<blockquote>“<span style="font-style: italic;">Quero momentos humanos verdadeiros. Quero ver você. Quero que você me veja. Não quero abrir mão disso. Não quero ser uma formiga, entende?</span>" – Trecho do filme <span style="font-style: italic;">Waking Life.</span><br /></blockquote><br /><br /><center><iframe allowfullscreen='allowfullscreen' webkitallowfullscreen='webkitallowfullscreen' mozallowfullscreen='mozallowfullscreen' width='320' height='266' src='https://www.blogger.com/video.g?token=AD6v5dxZIfZbjaGX8MkzuxOZABoHb6beKGIrMhmj7Sf8m6Rv2UyEHrGvGLHyonV-brRM3KqJdFx-eXMVmwEM5mFEVg' class='b-hbp-video b-uploaded' frameborder='0'></iframe></center><br /><br />Acordo e me vem logo uma sensação de impotência lúdica. Penso em quanta roupa há pra lavar e quanto de teoria eu tenho pra ler. Há sempre a ausência de alguma coisa. Não sei porque tenho esse nó que não desata da garganta. Devido a esse nó eu venho escrever qualquer coisa para ver se eu consigo parar de perder a respiração . Eu já não sei o que escrever. Eu poderia falar de qualquer coisa que me aliviasse mas é difícil. É uma ilusão. Eu eu vivo assim, cheio de boas ilusões. Elas são meu combustível. É tão bom fazer de conta que acreditamos em algumas coisas. Coisas como sentimentos,por exemplo. Essa coisa de sentimento são as que mais iludem, as amizades e os amores.<br />Uma vez eu estava pensando sobre a felicidade e como chegar lá. Eu que já tenho quase quarenta anos e dois filhos não sei direito o caminho. Não tenho esposa. Nunca quis.Tenho uma namorada que eu nem sei porque está comigo ainda se eu nunca vou conseguir ser quem ela quer que eu seja. Casar? Nem pensar. Eu preciso e quero ser sozinho. Além desse sentimento de uma solidão por escolha eu ainda busco a tal felicidade. O que é? Ando até lendo livro de auto- ajuda. Lendo aquelas frases bobinhas e viciantes. Tipo as de Augusto Cury: <span style="font-style: italic;">“Quantas vezes seus temores bloquearam seus sonhos? Ser um empreendedor não é esperar a felicidade acontecer, mas conquistá-la.”</span><br />Eu não sei. Já não sei mesmo. Um quarentão perdido ainda nas doces dúvidas adolescentes. Às vezes até me apaixono por determinados sorrisos que encontro nas esquinas da vida mas não tenho coragem de mudar. É isso, me falta coragem. Coragem de transformar o meu dia-a-dia. Mudar dar trabalho, mexe com tanta coisa dentro e fora da gente. Eu não agüento mais essa tendência em sermos formigas. Sim, os tipos de formigas que foram faladas no filme waking life. <span style="font-style: italic;">“Passamos pela vida esbarrando uns nos outros, sempre no piloto automático, como formigas, não sendo solicitados a fazer nada de verdadeiramente humano. 'Pare'. 'Siga'. 'Ande aqui'. 'Dirija ali'. Ações voltadas apenas a sobrevivência. Toda comunicação servindo para manter ativa a colônia de formigas de um modo eficiente e civilizado.”</span> Meu desespero é saber que quase sempre vai ser assim, sabe? Vamos viver como formigas porque a vida é uma simples preocupação em pagar contas. Perdoem-me se cito demais é que hoje eu não sei bem o que escrever e tenho que usar das palavras dos outro pra que me possa fazer entendida. E depois de falarmos em formigas eu tenho mais uma que o <span style="font-style:italic;">Caio Fernando</span> nos deixou e que fala da onde vem essa tendência toda de virarmos formigas: “<span style="font-style: italic;">Um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá, um dia de merda enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias para poder pagar essa poltrona de couro autêntico onde neste exato momento vossa reverendíssima assenta sua preciosa bunda e essa exótica mesinha de centro em junco indiano que apóia vossos fatigados pés descalços ao fim de mais uma semana de batalhas inúteis, fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados.</span>” Tanta coisa, tanta coisa que dá vontade de sair correndo de porta em porta perguntando se alguém tem uma solução. Já não sei.<br />É isso, Caio, Augusto Cury, Lispector, personagens de filme, eu, você, tanta gente em busca de um caminho. Afirmo, não é fácil. Não sei nem mais o que escrever. Escrever pouco altera alguma coisa e na verdade já estou atrasado para o trabalho. Tenho meia hora para chegar lá e antes vou passar na loja para pagar meu crediário.<br /><br />E. AlvarezEvelinehttp://www.blogger.com/profile/14599615718119733538noreply@blogger.com5