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   A morte do consenso: como o conflito voltou à política - Giddens e Mouffe

Clique e veja como Chantal Mouffe explica o retorno dos conflitos políticos numa era de paz e consenso, a partir da crítica à Terceira Via.

NÃO IGNORE A SOCIOLOGIA. 

Meu primeiro contato com Guiddens foi nas aulas de Sociologia Política e Saúde na graduação em Saúde Pública. Embora a Sociologia seja bastante negligenciada nas graduações em Saúde Coletiva (ao ponto de ser renegada, virando sub do sub do sub-eixo nas Diretrizes Nacionais Curriculares do curso) (1), diversos elementos e autores da área apareciam nos discursos, muitas vezes camuflados, é claro. A clássica ideia de um burocrata que faltava para uma engrenagem da política estatal funcionar (2) como também o consenso como regra:

“Como que a gente consegue juntar todo mundo, em todos os níveis do Estado e da política, para fazer a gestão, a análise situacional-epidemiológica, a análise socioambiental, etc?” (3).

Tal pergunta disparadora aí, que vem desde o primeiro ano do curso é produto de uma visão sociológica de mundo, que por si só é produto de seu tempo. E não é a toa que Guiddens, e Beck também, inauguram nossa entrada nesse campo. Na Gestão Ambiental e, até onde eu saiba, no Campo de Públicas também.

Esse texto é bom para discutir as fragilidades dessa visão, e também elenca pontos importantes para entender o nosso hoje:

1. A Sociologia está presente nos modos de fazer política em todos os seus níveis, e principalmente nos modos de governar. Não a ignore.
2. Se a gente trocasse os nomes das pessoas e lugares, caberia perfeitamente como uma análise dos governos democráticos do Brasil (e se for pra falar do PT, falemos não só dele enquanto governo, mas como sua direção vem pensando o partido);
3. Se a gente trocasse os nomes das pessoas e lugares caberia perfeitamente em qualquer lugar onde a maior parte da esquerda e o campo progressista está (sim, ainda está mesmo após o golpe e a eleição de Bolsonaro) nos últimos anos;
4. Cita Jeremy Corbyn e a guinada à esquerda que o Labour Party vem fazendo, a fim de se reinventar (o Safatle tinha citado também, dizendo, inclusive, que o programa de lá estava mais radical que o do PSOL aqui (4));
5. A Chantal Mouffen vem trazer uma discussão e defender uma tese que quase todo mundo tem conhecimento, mas que não acreditava mais: a História é uma história de conflitos (5);
6. Todas as tentativas de erradicar tribalismos por meio do consenso fracassaram – porque nenhum consenso pode incluir todo mundo. Não os ignore, não os maquie.
7. É possível construir espaços, políticas e governos democráticos sabendo que o conflito existe? É! Porém Mouffe não é otimista (eu também não).

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Referências:
(1). Não só a Sociologia, mas as Ciências Sociais como um todo, como pode ser visto em:
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Saúde Coletiva (2017). Disponível emhttp://portal.mec.gov.br/index.php…
(2). Tô falando do clássico Max Weber mesmo, vídeo rapidão para lembrar dele:
CANAL FILOSOFIA TOTAL COM PROF. ANDERSON. Max Weber - Burocracia (2018). Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=trkDwqsRiNI
(3). CECCIM. Fiz vestibular para Saúde Coletiva! (2013). Disponível emhttps://docplayer.com.br/25029877-Fiz-vestibular-pra-saude-…
(4). SAFATLE. Há um golpe militar em marcha no Brasil hoje (2018). Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=BwLg13hSkRk
(5). MOUFFE. Sobre o político (2005). Disponível emhttps://extensaoufabcposmarxismo.files.wordpress.com/…/sobr…

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O que fazer com isso aqui?

Esse Tumblr foi criado, sei lá, em 2009. Era moda na época e eu queria ser um adolescente descolado, como qualquer um quer - eu ainda quero ser descolado, mas adulto agora. Talvez tivesse pretensões boas que nunca foram para frente, mas no fim só virou um reblogador de fotos e textos descolados. Escrevi pouco minha opinião aqui, e isso foi um grande erro. Só tenho contato com as ideias que escrevi no passado vendo o On This Day do Facebook. E como eu pensava, e escrevia, estranho. Bem, que bom passou, tô mais bonito e inteligente e é isso aí.

Mas vou retornar a usar aqui e, dessa vez, compartilhar alguns textos que escrevo. Nosso tempo exige isso. Exige registrar a História. Esse dias escrevi um texto, que se perdeu no Facebook, sobre a obrigação que temos com a História desde o dia 28 de outubro e vitória de um movimento que renega a História enquanto campo científico. Fazer tipo um diário de ideias, com a pretensão de poder contribuir com a História da minha vida enquanto agente político.


Sou Yago, tenho 25, minha formação se deu no porão da Faculdade de Medicina, no espaço dos estudantes da Faculdade de Saúde Pública e no bar perto da Escola de Artes, Ciências e Humanidades. Ainda bebo. Me chama.


#fénoafeto

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Desde cedo, em casa, através de minha avó, aprendi que minha história não é única, mas um processo de desejos, medos e desafios perdidos e superados de diversas pessoas. Na faculdade, através das aulas e conversas com Cris Marques, Carlos Botazzo e...

Desde cedo, em casa, através de minha avó, aprendi que minha história não é única, mas um processo de desejos, medos e desafios perdidos e superados de diversas pessoas. Na faculdade, através das aulas e conversas com Cris Marques, Carlos Botazzo e Miguel Angelo transformei e adquiri mais conhecimento e paixão pela história do cotidiano como objeto de ciência e militância. Aliás, não existe militância sem história.

As cenas do incêndio no Museu Nacional doem profundamente aos militantes e pesquisadores da história pública e história do cotidiano. É parte de minha história enquanto povo sob a visão europeia e também sobre a visão crítica baseada no conhecimento latino-americano independente e ao mesmo tempo é a história da saúde pública, medicina e história natural da América do Sul.

É como se queimássemos junto. E pior, um acidente que não é acidente, como sempre pontuou Rodolfo Vilela em aulas e em discussões públicas sobre saúde do trabalhador. É previsível, planejado.

A queima de parte de nossa história foi planejada. Sinto raiva.

Que nossa raiva se transforme em combustível para a revolta e a queima definitiva dos que destroem nosso passado e nosso futuro.

Rebelião! (em National Museum of Brazil)
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